[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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domingo, 5 de abril de 2020

[2343.] ALBINO ANTÓNIO DE OLIVEIRA DE CARVALHO [I] || A MORTE NO TARRAFAL

* ALBINO ANTÓNIO DE OLIVEIRA DE CARVALHO *
[10/12/1884 - 22/10/1941]

Albino António de Oliveira de Carvalho passou mais de 40 anos a caminho da cadeia, sendo várias vezes preso durante a Monarquia, 1.ª República, Ditadura Militar e Estado Novo. Começou em 1898, quando teria 13 anos, e só acabou em 1941, aos 56 anos de idade. Conheceu esquadras, a Penitenciária de Lisboa, o Aljube, Peniche e Caxias. Esteve deportado em Angola e faleceu no Campo de Concentração do Tarrafal, para onde fora enviado em 1939. 

Uma vida assim, inimaginável quanto ao sofrimento e às lutas travadas, não cabe nas linhas que se seguem. 

[Albino António de Oliveira de Carvalho || 25/05/1927 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Maria Joaquina de Oliveira e de Luís António de Carvalho, Albino António de Oliveira de Carvalho nasceu em 10 de Dezembro de 1884, em Póvoa de Lanhoso. 

Conhecido por "O Carvalho das Batatas", a viver em Lisboa, na Estrada da Luz - Chalet Rosmaninho, cedo conheceu a prisão, sendo, por três vezes, detido durante a Monarquia: em 16 de Março de 1898, quando teria treze anos, em 21 de Dezembro de 1908 e em 14 de Fevereiro de 1909, sempre por desobediência.

As detenções continuaram com a implantação da República: em 20 de Maio de 1917, por porte de arma proibida; em 6 de Março de 1918, por desobediência; em 13 de Março de 1920, por transgressão da Lei 922, de 30/12/1919; e em 6 de Dezembro de 1920, por agressão.

Instituída a Ditadura Militar, foi preso em 19 de Maio de 1927, em Tomar, «por ter tomado parte activa no movimento revolucionário de Fevereiro deste ano, sendo especialmente acusado de ter assassinado uma praça da Guarda Nacional Republicana», e enviado, em 14 de Junho, para a Penitenciária de Lisboa (Processo 3105) [Cadastro Político 1184].

Passou, entre 1927 e 1929, por diferentes estabelecimentos prisionais, entre os quais o Aljube, «onde se encontrava por motivos políticos, condenado em vinte anos de degredo».

Em 29 de Junho de 1929, Albino António de Oliveira de Carvalho «foi entregue para África», regressando de Angola em 5 de Novembro de 1934, data em que embarcou no vapor Quanza. Regressou à cadeia, por motivos políticos, em 26 de Novembro.

[Albino António de Oliveira de Carvalho || 25/05/1927 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Libertado, a viver  em Alvito - Tomar, foi preso ela Secção Política e Social da PVDE em 26 de Fevereiro de 1937. Recolheu à 1.ª Esquadra, sendo transferido para o Aljube em 23 de Março e, em 8 de Agosto para Peniche, onde ficou vinte e um meses.

[Albino António de Oliveira de Carvalho || ANTT || RGP/6206 || PT/TT/PIDE/E/010/32/6206]

Voltou ao Aljube em em 7 de Maio de 1939, passou para Caxias em 12 de Maio e daí embarcou, em 20 de Junho, para o Campo de Concentração do Tarrafal, integrando a sexta leva de presos políticos, juntamente com Alberto de Araújo, Augusto da Costa Valdez e Carlos Matoso, entre outros.

[Albino António de Oliveira de Carvalho || ANTT || RGP/6206 || PT/TT/PIDE/E/010/32/6206]

Albino António de Oliveira de Carvalho sobreviveu no Tarrafal pouco mais de dois anos e aí faleceu em 22 de Outubro de 1941, com 56 anos de idade e mais de 40 a percorrer prisões.

Fontes:

ANTT, Livro de Cadastrados 3 [Albino António de Oliveira de Carvalho / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903].

ANTT, Cadastro Político 1184 [Albino António de Oliveira Carvalho / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0498, m0487].

ANTT, Registo Geral de Presos 6206 [Albino António de Oliveira de Carvalho / PT/TT/PIDE/E/010/32/6206].

[João Esteves]

sexta-feira, 26 de abril de 2019

[2123.] LUÍSA CHAGAS COSTA [I] || PRESA POLÍTICA (1938 - 1939)

* LUÍSA CHAGAS COSTA *
[06/12/1916 - ?]

Activista do Partido Comunista nos anos 30 do século XX, com intervenção na área das tipografias clandestinas, numa época em que se começava a reforçar o papel das mulheres na imprensa partidária ilegal. 

[Luísa Chagas Costa || 1938 || ANTT || RGP/9309 || PT-TT-PIDE-E-010-47-9309_m0227]

Filha de Rosalina Chagas Costa e de Francisco Bartolomeu Costa, Luísa Chagas Costa nasceu em 6 de Dezembro de 1916, em Sesimbra.

Luísa Chagas Costa envolveu-se, ainda muito nova, na militância comunista contra a Ditadura do Estado Novo, começando por ter actividade na casa da Avenida General Roçadas com Aníbal da Silva Bizarro [Irene Flunser Pimentel, Biografia de um Inspector da PIDE, 2008, pp. 94 e 332], “O Victor”, operário pintor militante desde 1933, preso em Maio de 1936, depois de dois anos de impressão do jornal Avante!, e enviado sem julgamento, em 5 Junho de 1937, para o Campo de Concentração do Tarrafal, de onde só sairia em finais de 1944. 

[Luísa Chagas Costa || 1938 || ANTT || RGP/9309 || PT-TT-PIDE-E-010-47-9309_m0227]

Em 15 de Janeiro de 1938, quando tinha 21 anos, foi detida na tipografia da Avenida Sacadura Cabral, juntamente com Adelino Mendes [08/01/1910 - 1975] - grumete do navio Gonçalo Velho que tinha participado, em 1936, na Revolta dos Marinheiros e, exilado em Cuba desde 1941, juntou-se à sua revolução, tendo morrido naquele país; Augusto da Costa Valdez [01/02/1914 - 1988] - também deportado para o Tarrafal, chegando posteriormente a jornalista de A Bola por intermédio de Cândido de Oliveira; e Lino dos Santos Coelho [10/12/1913 - 03/04/1990] - trabalhador na Fábrica de Louça de Sacavém -, todos funcionários partidários e que mantiveram actividade política oposicionista durante muitos anos. Este último publicou as suas Memórias, as quais ajudam a enquadrar as regras conspirativas do funcionamento das tipografias na década de 30 [Memórias de um Rebelde. Testemunhos do Terror Fascista, Editora Em Marcha, 1981]. 

[Luísa Chagas Costa || 1938 || ANTT || RGP/9309 || PT-TT-PIDE-E-010-47-9309_m0227]

Levada para uma esquadra, incomunicável, Luísa Chagas Costa seria transferida para a Cadeia das Mónicas em 23 de Junho e julgada pelo Tribunal Militar Especial em 29 de Abril de 1939.

Condenada na pena de 18 meses de prisão e perda de direitos políticos por cinco anos, foi libertada em 6 de Julho de 1939.

Feminae. Dicionário Contemporâneo, editado pela CIG em 2013, inclui a biografia possível de Luísa Chagas Costa.

Fonte:
ANTT, Registo Geral de Presos 9309 [Luísa Costa Chagas / PT-TT-PIDE-E-010-47-9309_m0227].

Bibliografia:
AA.VV., Tarrafal – Testemunhos, Lisboa, Editorial Caminho, 1978, p. 333.
Irene Flunser Pimentel, Biografia de um Inspector da PIDE, Lisboa, A Esfera dos Livros, 2008, pp. 94 e 332.
José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal – Uma Biografia Política, Vol. 1 – “Daniel”, O Jovem Revolucionário (1913-1941), Lisboa, Temas e Debates, 1999, p. 294.
Lino Santos Coelho, Memórias de um rebelde. Testemunhos do terror fascista, Lisboa, Editor em Marcha, 1981.
Partido Comunista Português, 60 Anos de Luta ao Serviço do Povo e da Pátria (1921-1981) [Tipografias clandestinas], Lisboa, Edições Avante!, 1982.

[João Esteves]