[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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quinta-feira, 2 de janeiro de 2020

[2238.] MILITÃO BESSA RIBEIRO [I] || DIRIGENTE COMUNISTA NAS DÉCADAS DE 30 E 40, ASSASSINADO NA PENITENCIÁRIA DE LISBOA (1950)

* MILITÃO BESSA RIBEIRO *
[13/08/1896 - 02/01/1950]

Quando Militão Ribeiro faleceu na Penitenciária de Lisboa aos 54 anos, tinha já uma longa vida de militância comunista, primeiro no Brasil e, depois, em Portugal, tenho desempenhado cargos dirigentes nos dois países e conhecido as prisões do Aljube do Porto, Peniche, Fortaleza de S. João Baptista, em Angra do Heroísmo, Aljube de Lisboa e, por duas vezes, o Campo de Concentração do Tarrafal.

[Militão Bessa Ribeiro || 13/07/1934 || ANTT || RGP/420 || PT-TT-PIDE-E-010-3-420]

Filho de Bárbara de Jesus e de Francisco Bessa Ribeiro, agricultores, Militão Bessa Ribeiro nasceu em 13 de Agosto de 1896, na Freguesia e Concelho de Murça - Vila Real.

Emigrou para o Brasil aos 13 anos e aí permaneceu até ser considerado "indesejável" pela Ditadura de Getúlio Vargas, por militar no Partido Comunista do Brasil ainda antes de Luís Carlos Prestes se tornar seu militante e dirigente, trabalhando como marçano e, depois, operário têxtil.

Expulso daquele território no início dos anos 30, viajou amarrado no porão do navio que o transportou, com a indicação de ser entregue à polícia portuguesa no porto de Leixões. No entanto, com o auxílio de um marítimo, conseguiu fugir quando o barco aportou em Lisboa, refugiou-se na sua terra, onde deixou marcas políticas e culturais, e passou a militar no Partido Comunista Português. 

Quando alfaiate em Murça, de onde era natural, Mário José de Barros conviveu na década de 30 com Militão Ribeiro, nascido na mesma terra. Influenciado pelas suas ideias, Mário José de Barros foi preso em 1935 por propaganda contra a Ditadura Fascista e reencontrou-o no Aljube e em Peniche.

Desse duplo convívio com Militão Ribeiro, Mário José de Barros terá recebido vários livros que fez circular clandestinamente naquela localidade durante as décadas de 30 e de 40, sendo provavelmente através deste que o historiador António Borges Coelho, expulso do Seminário em Maio de 1945 e de regresso a Murça, de onde também era natural, terá tomado contacto com Carlos Marx, de Max Beer, Os Dez Dias que Abalaram o Mundo, de John Reed, ou O Estado e a Revolução, de Lenine. 

[Militão Bessa Ribeiro || 13/07/1934 || ANTT || RGP/420 || PT-TT-PIDE-E-010-3-420]

Em 13 de Julho de 1934 foi preso no Porto, acusado de pertencer ao Socorro Vermelho Internacional, agremiação a que tinha aderido por intermédio de Lino Teixeira Pinto: nesse âmbito, trabalhou com Antero Moreira [Processo 334/Delegação do Porto]. 

Julgado no Tribunal Militar Especial em 6 de Abril de 1935, foi condenado a 12 meses de prisão e, em 20 de Abril, seguiu do Aljube do Porto para Peniche.

Acusado de insubordinação, e quando estava prestes a cumprir a pena a que fora condenado, Militão Ribeiro embarcou, em 8 de de Junho de 1935, com destino à Fortaleza de S. João Baptista - Angra do Heroísmo e, em 29 de Outubro de 1936, integrou a leva de presos políticos que inaugurou o Campo de Concentração do Tarrafal.

Regressou de Cabo Verde em 15 de Julho de 1940 e participou na reorganização do Partido Comunista, integrando o seu primeiro secretariado, juntamente com Júlio Fogaça e Manuel Guedes.

[Militão Bessa Ribeiro || 15/07/1940 || ANTT || RGP/420 || PT-TT-PIDE-E-010-3-420]

Novamente preso em 22 de Novembro de 1942, ficou detido no Aljube de Lisboa, só sendo julgado pelo Tribunal Militar Especial em 5 de Abril de 1944. 

Condenado a 4 anos de prisão, embarcou, em 26 de Julho, para o Campo de Concentração do Tarrafal. Abrangido pela amnistia de Agosto de 1945, foi libertado em 16 de Novembro e feita a sua apresentação à Polícia, em Lisboa, em 6 de Dezembro.

Regressou à militância activa, integrando, com Álvaro Cunhal, José Gregório e Manuel Guedes, o Secretariado do Partido Comunista. Participou, em Novembro de 1946, no II Congresso Ilegal, tendo sido eleito para o Comité Central e respectivo Secretariado.

[Militão Bessa Ribeiro || 1949 || ANTT || RGP/420 || PT-TT-PIDE-E-010-3-420]

A terceira, e fatal, prisão aconteceu em 25 de Março de 1949, no Luso. A casa clandestina de Macinhata do Vouga - Sever do Vouga, onde vivia com Luísa Rodrigues, fora detectada e a sua companheira presa em 10 de Fevereiro, tendo Militão Ribeiro conseguido escapar e, perseguido, refugiado-se na casa do Luso habitada por Álvaro Cunhal e Sofia Ferreira.

[Militão Bessa Ribeiro || ANTT || RGP/420 || PT-TT-PIDE-E-010-3-420]

Levado para o Porto, onde já se encontrava detida Luísa Rodrigues, Militão Ribeiro passou para a Penitenciária de Lisboa em 10 de Maio. 

Aí faleceria em 2 de Janeiro de 1950, depois de enorme sofrimento  físico e psíquico, acusando, através de testemunhos orais e em missivas escritas, a PIDE de ter negligenciado os cuidados médicos e envenenado os alimentos que lhe eram dados, com o propósito de o assassinar.

[Cadáver de Militão Bessa Ribeiro]

Quando morreu, Militão Ribeiro pesava 32 quilos!

O funeral realizou-se em 12 de Janeiro de 1950, seguindo o corpo directamente do Instituto de Medicina Legal para Murça. Estiveram presentes centenas de pessoas, tendo Ruy Luís Gomes discursado junto à sua campa.

José Luís Borges Coelho, em testemunho publicado em O Mundo que vivi ["Os socos "contra o medo" no funeral de Militão Ribeiro", Associação de Jornalistas e Homens de Letras do Porto, 2019], evoca a emotividade dessa cerimónia fúnebre.

NOTA: Agradeço, pela enorme relevância da investigação inédita, a preciosa informação de Jorge Rezende do artigo por ele publicado na revista Vértice sobre os anos de Militão Ribeiro no Brasil e cuja referência bibliográfica se encontra em https://www.researchgate.net/publication/374000490_Militao_de_Bessa_Ribeiro_Os_anos_do_Brasil : "Factos pouco conhecidos da vida de Militão de Bessa Ribeiro, desde o seu nascimento, em 1896, até ao seu julgamento, em 1935, são o tema deste artigo. Emigrante no Brasil desde muito jovem, operário tecelão, futebolista e dirigente desportivo, sindicalista e dirigente sindical, comunista e dirigente do Partido Comunista do Brasil são facetas deste homem notável, bem-parecido e jovial, um revolucionário cuja vida foi tão bela como trágica."


[João Esteves]

quarta-feira, 6 de junho de 2018

[1829.] LUÍSA RODRIGUES [III] || MILITANTE COMUNISTA NAS DÉCADAS DE 30, 40 E 50

* LUÍSA RODRIGUES (1903 - 1960) || MILITANTE COMUNISTA NAS DÉCADAS DE 1930, 1940 E 1950 || PRESA EM 1936 E 1949 *

[Luísa Rodrigues || 1942 || PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 27, registo nº 5322, PT/TT/PIDE/E/010/27/5322 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Operária e militante comunista nas décadas de 1930, 1940 e 1950. 

Filha de Maria Rosa e de Marçalo Rodrigues, Luísa Rodrigues nasceu em 7 de Março de 1903, em Lisboa - Freguesia de Santa Isabel.

Residia na Rua de São Ciro, 42, 4.º Dto, quando foi presa em 21 de Novembro de 1936, juntamente com Susana Mendonça dos Santos, acusada “de fazer propaganda subversiva e haver a suspeita de ter distribuído panfletos clandestinos nas oficinas da fábrica onde trabalha”, sendo “conhecida como pessoa de ideias avançadas, chegando a cantar a Internacional e mais versos comunistas, na oficina onde é operária” [ANTT, Cadastro Político 8807].

Levada para a 1.ª Esquadra no dia 23, foi transferida para o regime de incomunicabilidade em 5 de Dezembro de 1936, passou para a 1.ª Esquadra da PSP em 14 de Dezembro e, em 19 de Dezembro, seguiu para a Cadeia das Mónicas em 19 de Dezembro, onde permaneceu cerca de 4 meses, até ser libertada, tal como Susana Mendonça Rodrigues, em 12 de Abril de 1937 [ANTT, RGP/5322; Processo 1757/936]. 

[Luísa Rodrigues || 1942 || PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 27, registo nº 5322, PT/TT/PIDE/E/010/27/5322 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Ter-se-á tornado funcionária do Partido Comunista por volta de 1942 [José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal – Uma Biografia Política, Vol. 2, Lisboa, Temas e Debates, 2001, p. 640]. 

Escassos anos depois, era companheira de casa de Manuel dos Santos, operário comunista conhecido pelo “pequeno Dimitrov” [03/02/1914 - 25/10/1947], condenado nos anos 30 a 22 anos de prisão e fugido do Limoeiro em Setembro de 1944, após 12 anos em várias prisões, morrendo na clandestinidade com apenas 33 anos. 

Em 20 de Junho de 1945, quando usava o pseudónimo “Laura”, abandonou a tempo, com aquele, a casa-tipografia de Ermesinde assaltada pela PIDE. 

Novamente presa em 10 de Fevereiro de 1949, em Macinhata do Vouga, Sever do Vouga, na casa clandestina que partilhava com Militão Bessa Ribeiro [13/08/1896 - 02/01/1950], tendo este conseguido, temporariamente, escapar, enquanto Luísa Rodrigues, que usava o pseudónimo “Maria”, destruía documentação. 

Levada para a sede da PIDE do Porto e acusada de pertencer ao Partido Comunista Português, recusou prestar quaisquer informações apesar de "forçada a estar 4 dias e meio sem comer nem beber” [Avante! N.º 134]. Um mês depois, assistiu à chegada às mesmas instalações de Álvaro Cunhal [10/11/1913 - 15/06/2005], Militão Ribeiro e Sofia Ferreira [01/05/1922 - 22/04/2010], tendo os seus constantes gritos contribuído para que se soubesse daquelas prisões. 

[Luísa Rodrigues || 1942 || PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 27, registo nº 5322, PT/TT/PIDE/E/010/27/5322 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Atendendo ao estado de saúde em que Sofia Ferreira reencontrou Luísa Rodrigues, exigiu assistência médica e tentou dar-lhe apoio moral através de um bilhete, entretanto descoberto. Em entrevista a Antónia Balsinha, datada de 30 de Maio de 2000, aquela refere que “o estado da minha amiga era tão grave que a PIDE acabou por a libertar sem processo” [Antónia Balsinha, As Mulheres de Alhandra na Resistência. Anos quarenta, século XX, Porto, Editora Ausência, 2005, p. 203]. 

Libertada em 9 de Maio de 1949, o número de Setembro do Avante! denunciava que tinha sido torturada até à loucura.    

[PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 27, registo nº 5322, PT/TT/PIDE/E/010/27/5322 || "Imagem cedida pelo ANTT"]
              
Faleceu em 1 de Dezembro de 1960, com 57 anos de idade. 
                 
Referenciando-a como companheira de Militão Ribeiro, o Avante! de Janeiro de 1961 sublinhou que o assassinato do companheiro pela PIDE e a saúde fortemente abalada pela prisão, martirizou toda a sua existência [Avante!, N.º 296].

[Desenho de António Domingues, in José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal – Uma Biografia Política – O Prisioneiro (1949-1960), Vol. 3, Lisboa, Temas e Debates, 2005]

António Domingues assinou, em 1954, um desenho onde a retratou com um ar acusador e o braço esquerdo levantado, tendo umas grilhetas quebradas na mão, o qual foi publicado por Pacheco Pereira no III volume dedicado à biografia política de Álvaro Cunhal.

Feminae - Dicionário Contemporâneo, editado pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género em 2013, inseriu a sua biografia.

NOTA: Atenção ao uso indevido das imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 8807 [Luísa Rodrigues / PT-TT-PIDE-E-001-CX13_m0341].
ANTT, PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos/5322 [Luísa Rodrigues / PT-TT-PIDE-E-010-27-5322].

[João Esteves]

quinta-feira, 24 de maio de 2018

[1816.] MÁRIO JOSÉ DE BARROS [I] || A CONVIVÊNCIA, EM MURÇA, COM MILITÃO RIBEIRO E BORGES COELHO

* MÁRIO JOSÉ DE BARROS || A CONVIVÊNCIA COM MILITÃO RIBEIRO EM MURÇA || PRESO NO ALJUBE DO PORTO E DE LISBOA E EM PENICHE *

Quando alfaiate em Murça, de onde era natural, Mário José de Barros conviveu na década de 30 com Militão Bessa Ribeiro [13/08/1896 - 02/01/1950], nascido na mesma terra e que, quando expulso do Brasil e enviado sob prisão para Portugal, aí se refugiu, desenvolvendo actividade política no âmbito do Partido Comunista. 

Influenciado pelas ideias de Militão Ribeiro, Mário José de Barros foi preso em 1935 por propaganda contra a Ditadura Fascista e reencontrou-o no Aljube e em Peniche.

Desse duplo convívio com Militão Ribeiro, Mário José de Barros terá recebido vários livros que fez circular clandestinamente naquela localidade durante as décadas de 30 e de 40, sendo provavelmente através deste que o historiador António Borges Coelho, expulso do Seminário em Maio de 1945 e de regresso a Murça, de onde também era natural, terá tomado contacto com Carlos Marx, de Max Beer, Os Dez Dias que Abalaram o Mundo, de John Reed, ou O Estado e a Revolução, de Lenine. 

[Mário José de Barros || ANTT || Fotografia 3001 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Maria da Conceição e de Domingos Barros, Mário José de Barros nasceu em 24 de Março de 1910, em Murça, distrito de Vila Real.

Identificado como alfaiate, foi preso por, no dia 31 de Janeiro de 1935, "ter escrito nas paredes dos prédios da vila de Murça dísticos de carácter subversivo, e de ter arrancado, sujando-os com excrementos, os cartazes de propaganda para a reeleição de Sua Ex.ª o Senhor Presidente da República" [ANTT, Cadastro Político 5978; Processo 1401].

Entregue à Delegação do Porto da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado em 23 de Abril de 1935. Envido para o Aljube local, foi julgado pelo Tribunal Militar Especial daquela cidade em 25 de Abril e condenado a dezoito meses de prisão e perda dos direitos políticos por cinco anos [Processo 49/935 do TME].

Transferido, em 9 de Maio, do  Porto para a Fortaleza Militar de Peniche, tendo, em 8 de Julho sido enviado para Lisboa e hospitalizado, no dia seguinte, no Hospital de São José.

[Mário José de Barros || ANTT || Fotografia 3001 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Recebeu alta hospitalar em 7 de Agosto, seguiu para os calabouços da 1.º Esquadra e, em 31 do mesmo mês, foi novamente internado no Hospital de São José, onde permaneceu sob prisão até 2 de Outubro de 1935 [ANTT, Cadastro Político]. 

Segundo a Biografia Prisional que consta do Registo Geral de Presos, voltou à 1.ª Esquadra em 6 de Novembro e entrou no Aljube em 19 de Dezembro.

[Mário José de Barros || RGP/909 || PT-TT-PIDE-E-010-5-909_m0227] 

Novamente enviado para Peniche em 8 de Fevereiro de 1936, de onde só foi libertado em 17 de Janeiro de 1937, totalizando cerca de dois anos de cativeiro em prisões do fascismo.

O nome consta do Memorial de Homenagem aos Ex-Presos Políticos, inaugurado na Fortaleza de Peniche em 9 de Setembro de 2017.

[Mário José de Barros || ANTT || Fotografia 3001 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

NOTA: Atenção ao uso indevido destas imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 5978 [Mário José de Barros / PT-TT-PIDE-E-001-CX14_m0368, m0368a].
ANTT, RGP/909 [Mário José de Barros / PT-TT-PIDE-E-10-5-909_c0239].
ANTT, Fotografia 3001 [Mário José de Barros / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904_m0042].

[João Esteves]
[Revisto em 18/12/2018]

quarta-feira, 25 de junho de 2014

[0691.] LUÍSA RODRIGUES [I]

* LUÍSA RODRIGUES [1903-1960] *
[Desenho de António Domingues, in José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal – Uma Biografia Política – O Prisioneiro (1949-1960), Vol. 3, Lisboa, Temas e Debates, 2005]

Operária, nasceu em Lisboa no ano de 1903.

Militante comunista nas décadas de 1930, 1940 e 1950. 

Presa pela primeira vez a 21 de novembro de 1936, acusada “de fazer propaganda subversiva e haver a suspeita de ter distribuído panfletos clandestinos nas oficinas da fábrica onde trabalha”, sendo “conhecida como pessoa de ideias avançadas, chegando a cantar a Internacional e mais versos comunistas, na oficina onde é operária”. 

Foi libertada quase cinco meses depois, a 12 de abril de 1937. 

Ter-se-á tornado funcionária do Partido Comunista por volta de 1942 [José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal – Uma Biografia Política, Vol. 2, Lisboa, Temas e Debates, 2001, p. 640]. 

Escassos anos depois, era companheira de casa de Manuel dos Santos, operário comunista conhecido pelo “pequeno Dimitrov” [03/02/1914-25/10/1947], condenado nos anos 30 a 22 anos de prisão e fugido do Limoeiro em setembro de 1944, após 12 anos em várias prisões, morrendo na clandestinidade com apenas 33 anos. 

Novamente presa em 10 de fevereiro de 1949, em Macinhata do Vouga, Sever do Vouga, na casa clandestina que partilhava com Militão Bessa Ribeiro [13/08/1896-02/01/1950], tendo este escapado por poucos dias. 

Levada para a sede da PIDE do Porto, recusou prestar quaisquer informações. Um mês depois, assistiu à chegada às mesmas instalações de Álvaro Cunhal, Militão Ribeiro e Sofia Ferreira, tendo os seus constantes gritos contribuído para que se soubesse daquelas prisões. 

Devido ao grave estado de saúde, a PIDE acabou por a libertar sem processo, tendo o número de setembro do jornal Avante! denunciado que foi torturada até à loucura. 

Morreu a 1 de dezembro de 1960, com 57 anos de idade. 

Referenciando-a como companheira de Militão Ribeiro, o Avante! de janeiro de 1961 sublinhou que o assassinato do companheiro pela PIDE e a saúde fortemente abalada pela prisão, martirizou toda a sua existência [Avante!, n.º 296].

António Domingues assinou, em 1954, um desenho onde a retratou com um ar acusador e o braço esquerdo levantado, tendo umas grilhetas quebradas na mão, o qual foi publicado por Pacheco Pereira no III volume dedicado à biografia política de Álvaro Cunhal.

Feminae - Dicionário Contemporâneo, editado pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, inseriu uma biografia mais desenvolvida de Luísa Rodrigues.

[João Esteves]