[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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terça-feira, 18 de junho de 2024

[3445.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXXX

 PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXXX *

01965. José Carlos dos Santos [1928, 1930]

[Lisboa, c. 1885. Funcionário público. Filiação: Maria Emília Vieira dos Santos, Carlos Inácio dos Santos. Casado. Residência: Rua Alves Correia, 161 - Lisboa. Preso em 01/05/1928, quando reunido com outros elementos que fariam parte de um «comité revolucionário», seria levado para a Penitenciária de Lisboa e deportado no "Gil Eanes" para S. Tomé em 04/05/1928. Por decisão do Ministro das Colónias seguiu em março de 1929 para Moçâmedes (Angola), via Luanda,  no "Lourenço Marques", por lhe ter sido fixada residência na Chibia - província da Huíla. Escassos dias depois, foi autorizado o seu regresso à Metrópole, tendo embarcado em Moçâmedes naquele transporte em 13/03/1929. Apresentou-se às autoridades militares de Luanda em 19/03/1929 e, em 19/04/1929, apresentou-se no gabinete do Ministério do Interior, declarando ficar a residir em Lisboa. Preso em 22/07/1930, «por suspeita de estar comprometido no movimento revolucionário em preparação»; libertado em 11/08/1930.]
[alterado em 20/06/2024]

01966. António de Carvalho [1928]

[Barcarena, c. 1893. Médico. Filiação: Palmira Augusta F. Carvalho, Júlio José de Carvalho. Residência: Rua Carlos Mascarenhas, 12. Preso em 01/05/1928, quando reunido com outros elementos que fariam parte de um «comité revolucionário», foi levado para a Penitenciária de Lisboa e deportado no "Gil Eanes" para S. Tomé em 04/05/1928. Por decisão do Ministro das Colónias seguiu em março de 1929 para Moçâmedes (Angola), via Luanda,  no "Lourenço Marques", por lhe ter sido fixada residência na Chibia - província da Huíla. Por ter regressado, apresentou-se na Polícia de Informações em 03/12/1929.]
[alterado em 20706/2024]

01967. Camilo Zuzarte Cortesão Abreu [1928]

[S. João do Campo, 17/06/1890. Comerciante. Filiação: Joaquina Cortesão Abreu, Guilherme Zuzarte de Freitas Abreu. Casado. Residência: Rua Direita das Campinas, 426 - Porto. Primo direito de Jaime Cortesão. Participou nas primeiras revoltas contra a Ditadura Militar. Preso em 01/05/1928, quando reunido com outros elementos que fariam parte de um «comité revolucionário», seria levado para a Penitenciária de Lisboa e deportado no "Gil Eanes" para S. Tomé em 04/05/1928. Esteve exilado em Espanha e no Brasil, onde faleceu em 22/02/1966.]
[alterado em 20/06/2024]

01968. João Nicolau Lúcio Escórcio [1928]

[Ilha da Madeira, c. 1870. Capitalista. Filiação: Maria Joaquina Gomes, Casimiro Lúcio Escórcio. Viúvo. Residência: Rua Pinheiro Chagas, 27 - Lisboa. Preso na sua residência em 01/05/1928, quando estava reunido com outros elementos que integravam um «comité revolucionário», levado para a Penitenciária de Lisboa e deportado no "Gil Eanes" para S. Tomé em 04/05/1928. Por decisão do Ministro das Colónias seguiu em em finais de janeiro de 1929 para Lisboa, embarcando no no vapor "África". Apresentou-se, em 20/02/1929, no gabinete do Ministério do Interior e na Polícia de Informações de Lisboa, ficando a residir na Rua Alves Torgo, 14, por ter sido despejado da sua anterior casa por decisão administrativa, alegando-se ser «um local de reuniões políticas para fins revolucionários».]
[alterado em 20/06/2024]

01969. Raúl Pinto Coelho Madeira [1928, 1930, 1931, 1937]

[Raúl Madeira || in Gente de Soure, de António dos Santos Mota]

[Raul Pinto Coelho Madeira.
Lagares da Beira, Oliveira do Hospital, 05/10/1897. Médico e assistente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Filiação: Elvira dos Milagres Pires, Alexandre Coelho Madeira. Solteiro. Preso na residência de João Nicolau Lúcio Escórcio em 01/05/1928, quando estava reunido com outros elementos que integravam um «comité revolucionário», levado para a Penitenciária de Lisboa e deportado no barco "Gil Eanes" para S. Tomé em 04/05/1928. Conseguiu fugir desta ilha e, em março de 1929, encontrava-se em Paris numa situação económica muito difícil. Segundo Vítor Falcão, em carta a Bernardino Machado datada de 16/03/1929, tratava-se de um «rapaz de caráter, um espírito desempoeirado e brilhante, um republicano convicto, um valor moral e intelectual» que estava na «miséria», depois de ter ajudado a fuga de muitos deportados e que pensava emigrar para o Congo Belga. Regressou a Portugal e seria preso em 17/06/1930, acusado de estar implicado numa nova revolta com, entre outros, Augusto Casimiro, Carlos Vilhena, Correia de Matos, Ernesto Carneiro Franco, Francisco Cunha Leal, Hélder  Ribeiro, João Soares, Maia Pinto, Moura Pinto, Pinto Garcia, Rego Chaves, Ribeiro de Carvalho, Sá Cardoso e Tavares de Carvalho. Foi, então, um dos deportados para S. Miguel. Terá regressado já que casou em Lisboa em 03/01/1931. Voltaria a ser preso em 1931, «como bombista», e deportado, em 26/06/1931, para Timor. Durante o transporte, quando a bordo do "Gil Eanes", escreveu duas importantes missivas datadas de 09 e 10/07/1931, onde relatava que os 69 presos acomodados no porão da ré mal podiam respirar e que «viajamos com destino a Timor, em condições verdadeiramente miseráveis». Após quatro meses de viagem, desembarcou, em 21/10/1931, em Dili e ficou internado no Campo de Concentração de Oecussi. De volta à Metrópole, fixou-se como médico em Soure. Preso em 30/07/1937, por ordem do ministro do Interior. Levado para os calabouços da PSP de Coimbra, seria libertado em 29/08/1937. Integrou, em 1958, a Comissão Distrital de Coimbra da candidatura presidencial de Humberto Delgado. Subscreveu, em 31/01/1961, o "Programa para a Democratização da República". Subscreveu nas eleições de outubro de 1969 um manifesto da Associação Democrato-Social, datado de 27/09/1969, onde se apelava à abstenção, não apoiando, pois, nenhuma das duas listas da Oposição (CDE, CEUD). Faleceu em 19/10/1973.]

[Nota: A data de falecimento de Raul Madeira foi corrigida e disponibilizada pela Dr.ª Paula Gonçalves, bibliotecária da Biblioteca Municipal de Soure, a quem se agrade a preciosa informação.]
[alterado em 20/06/2024]
[alterado em 14/01/2025]
[alterado em 25/01/2025]
 
[João Esteves]

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

[1071.] MARIA IRENE COELHO CORTESÃO ABREU [I] || 1924 - 2010

* IRENE CORTESÃO *
[1924 - 2010]


Professora. 

Nasceu na freguesia de Cedofeita, Porto, a 23 de fevereiro de 1924, filha de Elvira Peixoto Coelho Cortesão Abreu [1890-1982], que tinha a instrução primária, e de Camilo Zuzarte Cortesão Abreu [17/06/1890 – 22/02/1966], que chegou a estudar na Faculdade de Letras e abandonou-a por se envolver em questões políticas. 

O avô materno era proprietário de fábricas em Vila do Conde; a mãe era prima de Leonardo Coimbra; e o pai era primo direito de Jaime Cortesão, tendo Irene Cortesão casado com o filho deste, o médico António Augusto Zuzarte Cortesão [1916-1995], e de Maria Ester Zuzarte Cortesão [24/06/1882 – 12/03/1914] que, em 20 de Novembro de 1910, presidiu à sessão fundadora do Núcleo de Cantanhede da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e foi eleita sua Secretária. 

Oriunda de uma família com intenso envolvimento político republicano e, posteriormente, oposicionista, tendo o pai participado nas primeiras revoltas contra a Ditadura Militar, andou fugido, foi deportado para S. Tomé e Príncipe, viveu em Espanha e, finalmente, exilou-se no Brasil onde faleceu, a mãe desempenhou papel crucial na sua formação, transmissão de valores, educação e estabilidade. 

Irene Cortesão, tal como a irmã Elvira, fez em casa a instrução primária com professoras particulares, estudou no Liceu Carolina Michaëlis por decisão da mãe, onde sofreu algumas contrariedades por não ser baptizada e não ter aderido à Mocidade Portuguesa Feminina e foi aluna de Natércia Freitas Guimarães da Silva [Medina] [1914-1963], professora efectiva de Biologia e futura activista da AFPP (sócia nº 193). Licenciou-se em Ciências Biológicas na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto. 

Na década de 40, juntamente com a irmã Maria Elvira Coelho Cortesão Abreu [25/03/1921 – Dezembro de 2011], integrou o grupo fundador da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, onde era a sócia nº 124 segundo apontamentos de Irene Castro, tendo a irmã mais nova, Maria Luísa Coelho Zuzarte Cortesão [n. 1932] pertencido à mesma agremiação. 

O marido consta do rol de sócios auxiliares da AFPP/Porto, onde era o sócio nº 135, foi por duas vezes preso [1935, 1958], ambos pertenceram ao MUD, sendo muitas vezes em casa das irmãs Cortesão que se reunia a sua Comissão Feminina, e participaram na campanha presidencial de Norton de Matos em 1949. 

Enquanto activista da AFPP, Irene Cortesão participou regularmente nas suas iniciativas e reuniões, tendo sido entrevistada por Lúcia Serralheiro em 8 de Abril de 2002 sobre essa militância [Mulheres em grupo contra a corrente, Edições Evolua, 2011]. 

O percurso profissional enquanto professora foi afectado por pertencer a uma família oposicionista. Segundo relato de Vanda Gorjão, que entrevistou Irene Cortesão em 21 de Fevereiro de 1999, então com 74 anos, “começou a dar aulas no Colégio Araújo Lima, «um colégio de gente que, em princípio, era de esquerda». Quando precisou de legalizar a sua situação, o Ministério da Educação recusou-lhe o diploma de ensino particular. Sem conseguir colocação em nenhum estabelecimento de ensino, ficou dois anos em casa, dando lições particulares e escrevendo sebentas à máquina. Um período que recorda como muito difícil: «fui uma aluna bem classificada, todas as minhas colegas ocuparam lugares na Faculdade e eu fiquei em casa. Foi muito duro. [...] Senti imenso que estava a ser realmente penalizada»”. Por fim, devido “a intervenção de um parente e da família de uma ex-aluna, movendo influências, permitiram-lhe obter o diploma do Ministério, quando o mesmo já lhe tinha sido recusado antes. «Pude então dar aulas. Não continuei no Colégio [porque] tinha um ambiente pouco do meu agrado: eram meninas bem. Gostei muito mais de passar para o ciclo preparatório»” [Vanda Gorjão, Mulheres em tempos sombrios. Oposição feminina ao Estado Novo]. 

Após a data de 25 de Abril de 1974, foi autora de programas e manuais escolares e, segundo Lúcia Serralheiro, foi pioneira na escrita de um manual de educação sexual. 

Sócia nº 1635 da Associação de Solidariedade Social dos Professores. 

A Câmara Municipal do Porto, presidida por Fernando Cabral, atribuiu-lhe a Medalha de Mérito em 15 de Junho de 1989. 

[João Esteves]