[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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quarta-feira, 8 de maio de 2024

[3407.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCXCII

 PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCXCII *

01743. Alfredo José da Costa [1933]

[Barreiro, c. 1890. Empregado de comércio. Filiação: Maria da Costa, Eduardo Costa. Preso aos 43 anos, integrou, em 19/11/1933, a leva de presos políticos deportada para Angra do Heroísmo. Por ter terminado a pena imposta pelo Tribunal Militar Especial, regressou dos Açores em 08/10/1934. Consta de uma fotografia de grupo tirada na Fortaleza de Angra do Heroísmo, juntamente com: 1 – Raul Jorge Wheelhouse; 2 – José Praça; 3 – António Marques; 4 – António João da Silva; 5 – João Lopes Soares; 6 – José Matos Machado; 7 – Bernardino Dias; 8 – Joaquim de Oliveira Guerreiro; 9 – Jaime António Palma Mira; 10 – António Seca; 11 – Alfredo José da Costa; 12 – João Perdigão; 13 – Augusto Monteiro (Espólio de João Lopes Soares / Fundação Mário Soares).]

01744. António Dias [1933]

[Lisboa, c. 1899. Filiação: Mariana Dias. Deportado por ordem do Governo para Angra do Heroísmo em 19/11/1933. Julgado pelo TME - Açores em 20/08/1934, seria condenado a 420 dias de prisão correcional. Regressou em 09/11/1934, saindo em liberdade.]

01745. Júlio César Leitão [1932, 1933]

[Júlio César Leitão || ANTT || RGP/545 || PT-TT-PIDE-E-010-3-545]

[Vila Nova de Foz Côa, c. 1891. Barbeiro. Filiação: Umbelina, José Leitão. Residência: Rua Jardim do Regedor - Lisboa. Expulso do Brasil em 1928 por militar no Partido Comunista local e ser considerado indesejável. Em Portugal, entrou em contacto com os comunistas nacionais e esteve na origem da da convocação, em abril de 1929, do «Pleno» da Amadora, do qual resultou a formação de um «Comité Central Executivo» do Partido Comunista, o qual integrou juntamente com Bento Gonçalves e o espanhol Manuel Delicado. Fez parte do Comité Regional de Lisboa e desenvolveu intensa atividade partidária, utilizando o pseudónimo "Nelson" na organização de células e comités. Preso em 17/03/1932, passou por esquadras e Cadeia de Monsanto,  esteve para ser deportado para a ilha Terceira por despacho do ministro do Interior, o que não se concretizou, e seria barbaramente torturado. Deportado para Angra do Heroísmo em 19/11/1933, foi transferido para Lisboa em 09/11/1934 e libertado em 21/12/1934.]

01746. António Franco Trindade [1932]

[António Franco Trindade || ANTT || RGP/4|| PT-TT-PIDE-E-010-1-4]

[Militante do Partido Comunista no início de década de 1930, foi um dos resistentes à Ditadura Militar e ao Estado Novo que mais anos esteve preso: de 24 de Abril de 1932 a 30 de Maio de 1950. Ericeira - Mafra, c. 1906. Litógrafo da Casa da Moeda. Filiação: Maria de Jesus Costa da Trindade, Prudêncio Franco da Trindade. Solteiro. Residência: Avenida Almirante Reis, 35 - Lisboa. Integrou o Comité de Zona N.º 1 do Partido Comunista Português. Filiado nº 132 da Célula 19, foi seu Secretário, tendo ainda a cargo o controlo da Célula 18. Esteve envolvido nos preparativos da jornada de luta preparada para o dia 29/02/1932 e que implicava o recurso a bombas, a qual acabou por não se realizar devido à prisão de alguns dos implicados. De seguida, com Álvaro Augusto Ferreira e Manuel Francisco da Silva ("O Manuel Pedreiro" que faleceu em 24 de Agosto de 1941, quando detido na Fortaleza de Angra do Heroísmo), fez parte do núcleo responsável pela preparação de ações durante o 1.º de Maio, com recurso ao uso dos explosivos não utilizadas anteriormente. Jaime Tiago e Manuel Alpedrinha também acompanharam os preparativos. No dia 24/04/1932, quando o grupo experimentava o material na Serra de Monsanto e se treinava sob a instrução de Manuel Francisco da Silva, a PSP e a Polícia Especial do Ministério do Interior intervieram e prenderam alguns dos presentes, entre eles António Franco TrindadeAbel Augusto Gomes de Abreu (gráfico da Casa da Moeda), Álvaro Augusto Ferreira, Carlos Luís Correia Matoso (estudante de Agronomia), Eduardo Valente Neto (marítimo), João Lopes Dinis (canteiro, faleceu no Tarrafal em 12/12/1941), Manuel Francisco da Silva (pedreiro) e Silvino Fernandes Costa (ajudante de farmácia). Outros, conseguiram fugir. Era considerado «elemento duma atividade extraordinária e perigosíssimo pela ação revolucionária desenvolvida, sendo de notar que, como funcionário do Estado, não hesitou em sacrificar o seu lugar aos manejos revolucionários em que se envolveu». Fez parte da leva de 143 presos políticos que, em 19/11/1933, embarcou no vapor "Quanza", fundeado a cerca de 500 metros da praia sul de Peniche, com destino à Fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo, onde chegou a 22. Julgado em 24/08/1934 pela Secção dos Açores do Tribunal Militar Especial, foi condenado, tal como muitos dos seus camaradas, a 14 anos de degredo, ficando depois à disposição do Governo, e à multa de vinte mil escudos. Embora tenha interposto recurso, a sentença foi confirmada em 30/08/1934 e, em 23/10/1936, integrou a primeira leva de presos políticos que seguiu para o Campo de Concentração do Tarrafal. Aí, integrou a Organização Comunista Prisional do Tarrafal (OCPT) e, na sequência de divergências no seu seio, formou, com Álvaro Duque da Fonseca, Boaventura Gonçalves, Fernando Macedo, Fernando Quirino, Jaime Tiago, José de Sousa, Leonilde Felizardo e Virgílio de Sousa o grupo dos comunistas afastados, sendo expulsos do Partido Comunista em 1943 [José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal - Uma Biografia Política, Vol. I, 1999]. Em 09701/1946, subscreveu a exposição dirigida por presos políticos no Tarrafal à Comissão Executiva do Movimento de Unidade Democrática (MUD), onde se saúda e apoia as resoluções tomadas na sessão de 08/10/1945. Subscreveram-na ainda, António BatistaAntónio Gato PintoAntónio Gonçalves CoimbraArmindo GuimarãesConstantinoEurico Martins PiresFrancisco Silvério MateusJaime TiagoJoão MariaJoaquim Pedro e  Tomás Marreiros [Casa Comum/Fundação Mário Soares]. Só foi libertado (liberdade condicional) do Tarrafal em 30/05/1950. Regressou e apresentou-se na PVDE em 22/06/1950, indo residir para a Rua António Pedro, 54. A liberdade definitiva só se deu em 02/06/1953. Dos 18 anos que esteve preso, três foram passados na Fortaleza de São João Baptista, Açores, e catorze no Tarrafal, Cabo Verde.]

[João Esteves]

sexta-feira, 7 de abril de 2023

[3264.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [CCV] || 1926 - 1933

 PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCV *

01301. António Dias [1933]

[Trás-os-Montes, c. 1907, condutor de carroças. Filiação: Rosa Dias. Casado. Residência: Travessa do Rosário. Preso pela SVPS em 01/01/1933, "por lhe ter sido apreendida uma pistola", recolheu, incomunicável, a uma esquadra. Libertado da 5.ª esquadra em 05/01/1933.]

01302. António Ferreira de Carvalho Júnior [1931, 1933]

["Varandas". Amadora, c. 1907, proprietário. Filiação: Maria da Glória Ferreira, António Ferreira de Carvalho. Divorciado. Residência: Amadora. Preso em 25/09/1931, por ter andado armado com uma espingarda de guerra durante o movimento revolucionário de 26/08/1931; libertado, sob vigilância, em 13/01/1932. Preso em 07/01/1933, "para averiguações", recolheu, incomunicável, a uma esquadra; libertado da 4.ª esquadra no dia seguinte.]

01303. José Correia Pires [1933, 1936]

[José Correia Pires || ANTT || RGP/5169 || [José Correia Pires] PT-TT-PIDE-E-010-26-5169_m0347]

[Nasceu em São Bartolomeu de Messines, em 17 de abril de 1907, filho de Isabel Pires e de José Correia. Carpinteiro, a viver e a trabalhar em Messines, integrou o núcleo local das Juventudes Sindicalistas, militou na Confederação Geral do Trabalho e pertenceu ao Sindicato da Construção Civil, onde foi um dos responsáveis pela abertura, efémera, de uma escola, causando a sua ordem de prisão, em janeiro de 1931, pelo Administrador do Concelho de Silves. Não tendo sido detido desta vez, foi-o no ano seguinte ou início de 1933, em Faro, devido ao trabalho desenvolvido junto dos trabalhadores das estradas para que se cumprisse o horário de trabalho legal de oito horas. Entregue, em 12/01/1933, pelo Comando da PSP de Faro à SVPS; recolheu, incomunicável, a uma esquadraLevado para o Aljube, onde permaneceu seis meses, teve como companheiros de cativeiro alguns dos nomes mais relevantes do anarquismo e do anarcossindicalismo, como Emídio Santana, José Augusto de Castro e Manuel Joaquim de Sousa. Julgado pelo Tribunal Militar Especial em 1933 e absolvido, regressou a Messines, onde se envolveu ativamente na preparação da Greve de 18 de janeiro de 1934 na região, reunindo-se, entre outros, com Mário Castelhano e Virgílio Pires Barroso, este último um importante ativista da CGT em Silves. Por terem sido descobertos alguns dos explosivos a utilizar, refugiou-se, durante algum tempo, na casa do republicano José Ventura Vargas, em São Marcos da Serra, encontrando-se aí aquando daquela ação grevista. Andou clandestino pelo Alentejo, com a colaboração de anarquistas e de ferroviários do “Sul e Sueste”, exilando-se em Espanha, onde permaneceu quinze meses. Chegou a estar preso em Alcalá de Guadaíra, na província de Sevilha e, em Madrid, integrou o secretariado da Federação Anarquista dos Portugueses Exilados (FAPE), ligada à Federação Anarquista da Região Portuguesa (FARP). Chegou a trabalhar em San Sebastían, mas a evolução da situação política naquele país fez com que regressasse, clandestinamente, a Portugal, entrando por onde tinha saído. Fixou-se, então, em Lisboa, com a mulher e os cinco filhos, adotou o pseudónimo de “Júlio Rocha”, retomou contactos e ligou-se a conspirações reviralhistas, o que levou a que fosse detido. Preso em 5 de novembro de 1936, recolheu, incomunicável, à 32.ª esquadra, daqui passou, em 9 de janeiro de 1937, para a 1.ª esquadra e, em 1 de março, entrou no Aljube para, no dia 3, ser transferido para a 28.ª esquadra em “regime de incomunicabilidade”. Voltou, em 16 da março, à 1.ª esquadra e, em 23 do mesmo mês, seguiu para o Aljube, onde permaneceu até ser deportado, em 5 de junho, para Cabo Verde, embarcando, com mais quarenta e um presos, no “Lourenço Marques”. No Tarrafal, onde permaneceu mais de oito anos e meio sem ter sido julgado, assistiu à morte do seu antigo camarada Mário Castelhano, sofreu castigos na “Frigideira”, integrou a “Brigada Brava”, outra forma de punir violentamente os presos, e construiu, enquanto carpinteiro, muitos dos caixões daqueles que iam sendo vítimas das condições concentracionárias. Regressou em 20 de fevereiro de 1945 e levado para Caxias, seria julgado pelo Tribunal Militar Especial em 7 de março, que o amnistiou ao abrigo do Decreto 34.377, de 12 de janeiro de 1945. Libertado em 9 de março, manteve atividade libertária e fixou residência em Almada, onde se empenhou no associativismo e cooperativismo local. A seguir ao 25 de Abril de 1974, esteve na fundação do Grupo de Cultura e Ação Libertária de Almada, criado em 13 de maio (em 1975, passaria a Centro de Cultura Libertária), e colaborou no mensário Voz Anarquista, que também ajudara a lançar, entre outra imprensa. Escreveu A Revolução Social e a Sua interpretação Anarquista e Memórias de um Prisioneiro do Tarrafal, livros editados em 1975. Faleceu em 28 de outubro de 1976, em Almada.]

[João Esteves]

sábado, 27 de janeiro de 2018

[1709.] ANTÓNIO DIAS [I]

* ANTÓNIO DIAS || DEPORTADO PARA ANGRA DO HEROÍSMO *

Filho de Mariana Dias, nasceu em Lisboa e teria 34 anos aquando da sua prisão em 1933.

Tipógrafo, fez parte da leva de 143 presos políticos que, em 19 de Novembro de 1933, embarcou no vapor Quanza, fundeado a cerca de 500 metros da praia sul de Peniche, com destino à Fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo, onde chegou a 22.

[ANTT || RGP 3]

Julgado em 20 de Agosto de 1934, foi condenado a 420 dias de prisão e perda de direitos políticos por cinco anos.

Regressou de Angra do Heroísmo em 9 de Novembro, sendo solto nesse mesmo dia.

Fonte: ANTT, Registo Geral de Presos / 3.

[João Esteves]