[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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sábado, 18 de maio de 2024

[3420.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCV

 * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCV *

01812. César Augusto Esteves [1933]

[César Augusto Esteves.
Ferroviário. Preso em 28/05/1933 e libertado em 02/12/1933.]
[alterado em 14/04/2025]

01813. Frederico Gonçalves [1933]

[Lisboa, c. 1910. Servente de pedreiro. Filiação: Pascoala dos Santos, Luís Daniel Gonçalves. Solteiro. Residência: Rua da Bela Vista ao Grilo, 22 (barraca). Preso pela PSP de Lisboa em 03/12/1933 e entregue à SPS em 04/12/1933, por ter pronunciado, entre outras, as seguintes palavras: «Oliveira Salazar só arranja dinheiro para os comilões e papões, para a tropa e para a Polícia que o rodeia». Libertado em 09/12/1933.]

01814. Fernando Macedo de Sousa [1933, 1937]

[Fernando Macedo de Sousa || ANTT || RGP/222 || PT-TT-PIDE-E-010-2-222]

[Fernando Macedo de Sousa.
Lisboa, 22/02/1912. Empregado de escritório. Filiação: Deolinda da Conceição Bárcea e Sousa, João José de Macedo Sousa. Casado. Residência: Rua das Flores, 11 - Lisboa. Estava filiado na Célula N.º 18 da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas, era o seu representante no Comité de Zona N.º 1 e integrava o Comité Regional de Lisboa daquela. Preso em 09/07/1933, quando participava numa reunião clandestina da Comissão Central das Juventudes Comunistas no Sindicato dos Compositores Tipográficos, juntamente com Adelino dos Santos, Fernando Quirino, João Sério, Joaquim Rodrigues, José Florindo Gilberto de Oliveira e Júlio Vítor Ferreira. Transferido da 1.ª esquadra para o Aljube em 04/12/1933. Julgado pelo Tribunal Militar Especial em 22/01/1934, foi condenado em dezoito meses de prisão correcional e perda dos direitos políticos por dois anos. Transferido, em 09/02/1934, do Aljube para Peniche e, em 16/06/1934, foi internado, por quatro dias, no Hospital de S. José. Passou, em 20/06/1934, para a 1.ª esquadra, seguiu para Peniche em 17/08/1934 e seria libertado em 29/12/1934, por ter terminado a pena imposta pelo TME. Continuou a manter atividade política, nomeadamente na instalação de uma tipografia clandestina. Também terá trabalhado em tipografias relacionadas com o Socorro Vermelho Internacional e a Comissão Inter-Sindical, sendo, por isso, procurado pela polícia desde julho de 1936. Preso em 02/07/1937, «para averiguações», recolheu, incomunicável, a uma esquadra e, em 12/05/1937, seguiu para o Aljube, sendo deportado, em 05/06/1937, para Cabo Verde. Abrangido pela amnistia estabelecida pelo Decreto-Lei n.º 35.041, de 18/10/1945, foi libertado do Tarrafal em 24 de novembro de 1945, ficando a aguardar embarque para Lisboa. Regressou em 01/02/1946, no paquete “Guiné”. Militante Comunista desde 1931, com responsabilidades políticas e sindicais, afastou-se das suas orientações durante a deportação no Tarrafal, onde partilhou as posições de José de Sousa e integrou o grupo dos comunistas afastados, tendo os seus aderentes sido afastados em 1943. Militou, a partir de 1974, no PCP (m-l) e chegou a ser apresentado como candidato da AOC (Aliança Operário-Camponesa) às eleições presidenciais de 1976, tendo a candidatura sido retirada com o apoio ao general Ramalho Eanes.]
[alterado em 23/06/2025]

01815. Francisco Valadas Mestre Ramos Júnior [1933, 1936]

[Francisco Valadas Mestre Ramos Júnior || ANTT || RGP/223 || PT-TT-PIDE-E-010-2-223]

[Mértola, 13/09/1904. Servente de pedreiro. Filiação: Maria Valadas Mestre, Francisco Mestre Ramos. Solteiro. Residência: Calçada dos Barbadinhos, 231 - Lisboa / Travessa do Conde de Avintes, 20. Anarquista. Participou, em 19/06/1932, na Conferência Nacional da Aliança Libertária Portuguesa, em representação do Comité Regional Sul da Aliança Libertária Alentejana. Foi um dos organizadores do Sindicato dos Trabalhadores Rurais do Concelho de Mértola, juntamente com Valentim Adolfo João e Florival da Graça. Integrou o Grupo de Propaganda e Estudos Sociais da Mina de São Domingos e refugiou-se em Espanha na sequência da greve dos mineiros aí ocorrida naquele ano e na qual teve papel de destaque. Procurado, foi preso em 15/05/1933, em Lisboa, no Sindicato dos Manipuladores de Pão, «por suspeita de saber onde se encontravam escondidos dois indivíduos que esta Polícia procurava» e haver a suspeita de fazer parte da CGT. Transferido, em 04/12/1933, da 1.ª esquadra para o Aljube. Seguiu, em 09/02/1934, para Peniche e, em 03/06/1934, regressou a Lisboa para ser julgado em 09/06/1934. Condenado ao pagamento de uma multa de sete mil e duzentos escudos, convertida em prisão caso não fosse paga, reingressou em Peniche em 19/06/1934. Libertado em 06/06/1935. Preso no Posto de VRSA em 04/09/1936, recolheu à Cadeia Civil daquela localidade. Transferido para Lisboa em 17/09/1936, seria libertado em 19/09/1936.]

01816. Daniel Jorge Martins [1933]

[Lisboa, c. 1916. Filiação: Emília da Conceição Martins, Isidoro Martins. Solteiro. Residência: Travessa do Poço dos Negros, 13 - Lisboa. Preso pela PSP em 03/12/1933 e entregue à SPS em 05/12/1933, «por ter cantado uns versos cuja letra continha alusões subversivas» numa festa realizada no Grupo Dramático Recreativo 13 de Outubro. Libertado em 11/12/1933.]

01817. Mário da Silva [1933]

[Lisboa, c. 1916. Marceneiro. Filiação: Maria da Costa, Augusto João da Silva. Solteiro. Residência: Estrangeira de Cima, B. 13. Preso pela PSP em 03/12/1933 e entregue à SPS em 05/12/1933, por ter tentado impedir a captura de Daniel Jorge Martins que, no Grupo Dramático Recreativo 13 de Outubro, «cantava versos cuja letra continha matéria subversiva». Libertado em 11/12/1933.]

01818. António Nascimento [1933]

[1.º sargento da Guarda Fiscal. Levado preso de Ponte da Barca para a SPS/Porto em 05-06/12/1933. Transitou, em 14-15/12/1933, para a Casa de Reclusão. Libertado da Casa de Reclusão pela SPS/Porto em finais de 1933 ou início de 1934.]
[alterado em 20/05/2024]
[alterado em 24/05/2024]

01819. José Esteves [1933]

[2.º Cabo da Guarda Fiscal. Levado preso de Ponte da Barca para a SPS/Porto em 05-06/12/1933. Transitou, em 14-15/12/1933, para a Casa de Reclusão. Libertado da Casa de Reclusão pela SPS/Porto em 25-26/12/1933.]
[alterado em 20/05/2024]
[alterado em 24/05/2024]

[João Esteves]

terça-feira, 16 de março de 2021

[2527.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [LXXXIV] || 1926 - 1933

  * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || LXXXIV *

[O Rebate || 08/06/1928]

00672. Luís da Costa Figueiredo [1928, 1928, 1929, 1930, 1932, 1935, 1936, 1942]

[Luís de Figueiredo || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Entre 1928 e 1942, Luís da Costa Figueiredo foi preso oito vezes, deportado quatro e conseguiu fugir de três dos locais de deportação. Passou por S. Tomé, Ponta Delgada, Angra do Heroísmo, Ilha Graciosa, Aljube e Campo de Concentração do Tarrafal. Filho de Virgínia de Sousa Figueiredo e de Francisco da Costa Figueiredo, nasceu em 25 de Junho de 1897, em Sátão - Ferreira das Aves. Advogado, foi preso, pela primeira vez, em Maio de 1928, «por fazer parte do comité revolucionário de Viseu e Coimbra» e deportado, em 7 de Junho, para S. Tomé, de onde se evadiu em 1 de Julho. Terá regressado a Lamas de Ferreira de Aves, onde nascera, e no âmbito da "Revolta do Castelo" de 20 de Julho de 1928, participou activamente, juntamente com Aquilino Ribeiro, que vivia próximo, em Soutosa, nas movimentações efectuadas pelo regimento de Pinhel, tendo sido presos em Contenças na sequência do assalto ao comboio da Beira Alta. Levado, juntamente com os outros implicados, nomeadamente Aquilino Ribeiro e o médico António Gomes Mota, para o Presídio Militar de Fontelo, os três evadiram-se na noite de 15 de Agosto, pelas 21 horas e 15 minutos, após terem serrado o soalho da casa onde se encontravam e passado através de uma abertura de cerca de 0,55m por 0,40m, descido para uma loja com o auxílio de uma escada e, uma vez livres da prisão e da loja, saltaram o muro da vedação que rodeava o edifício. Os encontros conspirativos de Luís Figueiredo com Aquilino Ribeiro repetiram-se, tendo-se, também, reencontrado em Paris. No ano seguinte, o informador Trovão detectou-o na região de Viseu, segundo comunicação feita em 27 de Junho de 1929, sendo preso dois dias depois «por se ter evadido de S. Tomé». Deportado, em 22 de Julho de 1929, para Ponta Delgada (Processo 4350), onde se reencontrou com o tenente Manuel António Correia. Segundo este, no livro Memórias de um Resistente às Ditaduras [Temas e Debates, 2011], os dois fugiram juntos em Agosto de 1929, num pequeno veleiro. Daí, com várias interrupções para contactarem com outros republicanos na mesma situação, passaram pela Ilha do Pico; Horta, onde embarcaram num transatlântico com destino a Marselha, mas com o objectivo, falhado, de saírem em Lisboa; Palermo; Nápoles; Marselha; La Guardia, onde se encontrava Bernardino Machado; e Tui, onde fizeram a travessia do rio Minho, separando-se em Braga. Sempre vigiado, as informações de Abril e Junho de 1930 referiam que Luís da Costa Figueiredo fornecera bombas a Eleutério Santa Cruz Barbeitos, reunia-se no escritório da Rua dos Fanqueiros e mantinha ligações conspirativas com o aspirante da Marinha Alexandre Rodrigues, capitão Jaime Baptista e tenentes Francisco de Oliveira Pio, Moura e Quilhó. Novamente preso em 15 de Junho de 1930, «por se ter evadido de Ponta Delgada, onde se encontrava com residência fixa» e continuar a conspirar, com o ex-tenente Manuel António Correia e o ex-aspirante da Marinha Alexandre Rodrigues, entre outros, contra a Ditadura. Estava, então, envolvido na revolta reviralhista preparada para 21 de Junho. Deportado, em 8 de Agosto de 1930, para Angra do Heroísmo (Processo 4600), passou para o Depósito de Deportados Políticos de Santa Cruz, na Ilha Graciosa, de onde escapou em 4 de Novembro dentro de um cesto de vime levado para o navio Carvalho Araújo, juntamente com outro deportado político de apelido Gonçalves. Chegou a desembarcar em Ponta Delgada e no Funchal para contactar outros deportados políticos e, depois, seguiu para Vigo a bordo de um barco estrangeiro. Entrou em Portugal por Monção e preso, pela quinta vez, em 26 de Julho de 1932, «por andar fugido», tendo-se «evadido da Ilha Graciosa, onde se encontrava com residência fixa, por motivos políticos, em 1930»; levado, incomunicável, para uma esquadra. Segundo os informadores policiais, continuava a conspirar, reunindo-se, entre outros, com o ex-capitão Jaime Baptista, José Lopes Soares, José Severo dos Santos, Sarmento de Beires e Utra Machado. Era ainda apontado como tendo participado na revolta de 26 de Agosto de 1931. Por estar tuberculoso, em 7 de Setembro de 1932 foi-lhe fixada residência obrigatória em Sátão, de onde era natural, tendo seguido do Aljube para aí no dia 10, em regime de liberdade condicional (Processo 485). Abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro de 1932, foi restituído à liberdade definitiva. Poucos meses depois, em 15 de Julho de 1933, quando estava novamente para ser detido, Luís da Costa Figueiredo escapou à prisão ao manter-se escondido na casa dos pais, em Sátão, com a cumplicidade da irmã Amélia, conseguindo iludir a GNR quando esta revistou a casa, concluindo-se que teria fugido. Sempre vigiado, preso, pela sexta vez, em 21 de Maio de 1935, «por haver conhecimento nesta polícia de que andava desenvolvendo uma grande actividade revolucionária», sendo considerado «um elemento perigoso dentro do País» (Processo 1486). Preso pela Secção Política e Social da PVDE e levado para uma esquadra, foi transferido para o Aljube em 6 de Junho. Libertado em 19 de Outubro de 1935, voltaria a ser detido em 24 de Novembro de 1936, «por manter ligações político-revolucionárias», directa ou indirectamente, com alguns dos arguidos no processo do assalto ao cobrador da Alfândega de Lisboa (Processo 2410), nomeadamente com Maria do Rosário Campos, ex-tenente Manuel António Correia e António Joaquim. Transferido para o Aljube em 11 de Janeiro de 1937, em Maio desse ano foi, ainda, acusado de estar envolvido, juntamente com Manuel António Correia e Abílio dos Reis Morais, então já no Brasil, num movimento revolucionário em preparação (Processos 3362/SPS e 390/38). Em 5 de Junho de 1937, integrou a 2.ª leva de presos políticos que embarcou para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde chegou no dia 12. Por ter sido autorizado a viver no estrangeiro, embarcou, em 20 de Abril de 1939, no vapor Guiné de forma a aguardar, em S. Vicente, um transporte para o Rio de Janeiro. Por despacho do Ministro do Interior de 3 de Março de 1940, «foi deferido o requerimento de Miguel de Sousa Figueiredo, em que solicitava autorização para o epigrafado, seu irmão, regressar ao País por se encontrar em estado precário de saúde». Seria preso pela oitava, e última, vez em 9 de Junho de 1942 e libertado dois dias depois. Segundo Manuel António Correia, Luís Figueiredo, aquando da terceira ou quarta prisão, em Junho de 1929 ou Junho de 1930, teria sido ferozmente torturado pela Polícia de Informações, tanto na sede da Rua da Leva da Morte, como na Serra de Monsanto,  para onde fora levado, salvando-se ao ser socorrido por uma patrulha da GNR. Ainda segundo o mesmo autor: «O Luís de Figueiredo, extremamente valente, a quem os maus tratos da Polícia de Informações não conseguiram arrancar os nomes dos seus camaradas, era bastante acanhado» [Manuel António Correia, Memórias de um Resistente às Ditaduras]. Segundo o Filho, aquando da Segunda Guerra Mundial, esteve envolvido, juntamente com os irmãos, na extracção e processamento de volfrâmio que era vendido aos ingleses. Luís da Costa Figueiredo ainda pôde assistir ao 25 de Abril de 1974 e ao fim da ditadura. Faleceu em 24 de Junho de 1974 e foi sepultado no dia seguinte, dia em que completaria 79 anos. Na maior parte da documentação, o nome próprio aparece com z (Luiz), tal como tinha sido registado.]

0673. Mário Ferreira da Silva [1928, 1939 (?)]

[Mário Ferreira da Silva || 11/05/1928 || ANTT || ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-1-NT-8902 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

["O Mário Pitosga". Lisboa, 07/02/1897, pedreiro - Lisboa. Filiação: Albina Rosa Ferreira. Preso em 07/05/1928, "por ser bombista e fazer parte dum complot para assassinar Sua Ex.ª o Presidente da República" (Processo 3686), e deportado para Angola em 07/06/1928. Transferido para a Madeira em 20/10/1930 e, em 12/11/1930, seguiu para Ponta Delgada. Em Dezembro de 1932, estava com residência fixada em Cabo Verde, não tendo sido abrangido pela amnistia de 05/12/1932. Em 1939, continuava em Cabo Verde, tendo embarcado, em 09 de Agosto, para Luanda, a fim de cumprir quatro anos de degredo.]

0674. Carlos Luís Paula [1928, 1928, 1934]

[Filho de Leonor da Conceição e de António Luís Paula, Carlos Luís Paula nasceu em Lisboa, provavelmente em 1899. Pintor da construção civil, terá casado aos 18 anos com Luísa da Conceição, tecedeira da indústria têxtil e ambos trilharam o mesmo caminho em defesa dos trabalhadores, participando em lutas comuns. Em 1918, nasceu na Rua de Campo de Ourique, 75, onde o casal residia, a filha Aida da Conceição Paula. Com o advento da Ditadura Militar, Carlos Luís Paula sofreu várias perseguições, passou pelos calabouços do Governo Civil de Lisboa e, em 14 de Abril de 1928, foi preso acusado de "ser fabricante de explosivos" (Processo 3676). Deportado para Angola em 7 de Junho, evadiu-se em 9 de Junho, quando o vapor "Moçambique" aportou no Funchal, e foi recapturado em 27 de Julho de 1928. Cerca de dezoito meses  depois, Luísa da Conceição e Aida Paula partiram para Angola tendo, posteriormente, Carlos Luz Paulo regressado à metrópole por pressão dos médicos já "que o clima lhe fora adverso e ele estava em perigo de vida" [depoimento de Aida Paula em Mulheres Portuguesas na Resistência, 1975]. De regresso a Campo de Ourique, aproximou-se do Partido Comunista e começou a levar o Avante! para casa, lendo-o em voz alta à esposa, que não sabia ler. Em 24 de Julho de 1934, na sequência da prisão do ourives Armando Alves de Castro, que já estivera deportado em Timor e era procurado por se ter evadido, em 6 de Junho, do Hospital de S. José, foi novamente detido e libertado em 8 de Agosto (Processo 1197). Em 26 de Junho de 1936 andava fugido à polícia, "acusado de suspeita de ter feito alguns dizeres e desenhos de carácter comunista nas guaritas das novas instalações da Esquadra dos Caminhos de Ferro" (Processo 1839). Durante a Guerra Civil de Espanha, o casal Carlos e Luísa acolheu quatro refugiados espanhóis, enquanto a mulher continuava a trabalhar numa fábrica. Deve ter falecido pouco tempo depois, já que quando a mulher foi presa pela primeira vez numa tipografia clandestina do Partido Comunista, em Maio de 1939, foi registada como viúva.]

0675. José Gomes [1928, 1928, 1937]

["O José Dourador". Palmela, 05/12/1893, pintor - Lisboa. Filiação: Gertrudes de Jesus e Manuel Gomes. Preso em 14/04/1928, por ser "agitador e fabricante de explosivos", e deportado para Angola em 07/06/1928 (Processo 3676). Evadiu-se em 9 de Junho, com Carlos Luís Paula, quando o vapor "Moçambique" aportou no Funchal, e foi recapturado em 22 de Julho de 1928. Apresentou-se, em 20/10/1930, no Quartel General do Governo Militar da Madeira, teve residência fixada nos Açores e, em Março de 1931, embarcou para Cabo Verde. Abrangido pela amnistia de 05/12/1932, regressou de Cabo Verde, apresentou-se em 26/04/1933 e saiu em liberdade. Preso em 17/04/1937, "para averiguações", recolheu a uma Esquadra. Em 07/05/1937 foi levado para a 1.ª Esquadra, passou pelo Aljube em 02/06/1937 e seguiu, em 05/06/1937 para o Tarrafal. Abrangido pela amnistia de 1945, foi libertado em 16/11/1945, aguardando o regresso a Lisboa.]
[alterado em 27/12/2022]

00676. Raul de Sousa [1928, 1931]

[Industrial. Deportado para África em 07/06/1928, juntamente com António da Silva/Domingos da Silva, Carlos Luís Paula, José Anacleto, José Gomes, Luís da Costa Figueiredo, Mário da Silva e Mário Ferreira da Silva. Estava na Madeira quando eclodiu a revolta de 04/04/1931, a que aderiu. Com o seu fracasso, foi enviado em maio para Cabo Verde. Pode tratar-se de Raul Rodrigues de Sousa (01377.)]
[alterado em 31/05/2024]

0677. António da Silva ou Domingos da Silva [1928]

[António da Silva ou Domingos da Silva || 11/05/1928 || ANTT || ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-1-NT-8902 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

["O Violas". Lisboa, 1907 (?), carpinteiro - Lisboa. Filiação: Maria José Amparo. Preso em 05/05/1928, "por fazer parte do complot que devia atentar contra a vida de Sua Excelência o Senhor Presidente da República e ainda por ser um elemento avançado e perigoso", mantendo ligações com António de Magalhães, Carlos Luís Paula, José Gomes e Raul Guitarrista. Deportado para Angola em 07/06/1928, em 21/08/1930 embarcou com destino ao Funchal, onde chegou em 10/09/1930 e ficou a a guardar instruções da Metrópole.]  

0678. José Anacleto [1928]

[José Anacleto || 11/05/1928 || ANTT || ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-1-NT-8902 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

["O Olho de Vidro". Deportado para África em 07/06/1928, juntamente com António da Silva/Domingos da Silva, Carlos Luís Paula, José Gomes, Luís da Costa Figueiredo, Mário da Silva, Mário Ferreira da Silva e Raul de Sousa.]

[João Esteves]

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

[2450.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [LXVIII] || 1926 - 1933

 * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || LXVIII *

[Diário de Notícias || 05/07/1927 || ANTT || PT-TT-MI-DGAPC-2-701-553]

00566. Adalberto Veiga [1927]

[Adalberto Veiga.
Funcionário superior dos correios - Chefe de Divisão da Administração Geral dos Correios. Preso em 03/07/1927 pela Polícia de Informações do Ministério do Interior e levado para a Penitenciária de Lisboa com os outros detidos na mesma altura. Terá sido libertado da Cadeia Nacional em 14/07/1927.]
[alterado em 22/04/2025]

0567. Henrique Augusto da Silva [1927, 1934]

[Lisboa, 1890 (?), sapateiro - Lisboa. Filiação: Júlia Maria e José da Silva. Preso em 03/07/1927 pela Polícia de Informações do Ministério do Interior e levado para a Penitenciária com os outros detidos na mesma altura. Preso em 08/01/1934, «por suspeitas de ter dado vivas ao Comunismo»; libertado em 12/01/1934.]

00568. João José da Conceição Camoesas [1927, 1928]

[João Camoesas]

[João José da Conceição Camoesas.
Elvas, 13/03/1887. Médico. Filiação: Francisca do Carmo Camoesas, Joaquim José Camoesas. Casado. Residência: Vila Nova da Estefânia, 20. Trabalhou como caixeiro, estudou no Liceu Nacional de Évora e licenciou-se em Medicina na Universidade de Lisboa (1919), quando era deputado. Maçom (1911) e militante do Partido Republicano Português/Partido Democrático (1915), partido pelo qual foi sucessivamente eleito deputado, primeiro por Elvas (1915-1917) e, depois, por Portalegre (1919, 1921, 1922 e 1925), intervindo nas áreas da instrução pública, da assistência, da saúde e do trabalho. Foi, por duas vezes, Ministro da Instrução, primeiro no governo de António Maria da Silva (09/01/1923-15/11/1923) e, depois, no de Domingos Leite Pereira (01/08/1925-18/12/1925), procurando promover, sem sucesso, uma importante e inédita reforma global do sistema educativo. Combateu a Ditadura Militar desde os seus primórdios, sendo preso em 05/07/1927 pela Polícia de Informações do Ministério do Interior e levado para a Penitenciária com outros detidos na mesma circunstância. Levado, em 19/07/1927, da Cadeia Nacional para o Governo Civil, a fim de ser interrogado pelo tenente Brás Vieira, da PI-MI. Regressou, no mesmo dia, à Cadeia Nacional. Preso em 20/02/1928, acusado de ser "agente de ligação entre os comités revolucionários e os elementos avançados". Estava na Penitenciária de Lisboa quando foi deportado para S. Tomé em 04/05/1928, embarcando no "Gil Eanes". Exilou-se, no ano seguinte, nos Estados Unidos da América, país a que já se deslocara várias vezes integrando missões oficiais de estudo. Faleceu em New Bedford, em 12/11/1951.]
[alterado em 19/06/2024]
[alterado em 20/06/2024]
[alterado em 27/06/2024]
[alterado em 22/05/2025]

00569. Evaristo Luís das Neves Ferreira de Carvalho [1927, 1934]

[Evaristo Luís das Neves Ferreira de Carvalho || 1911 || in As Constituintes de 1911 e os seus deputados]

[Soure, 10/01/1865. Advogado e notário. Filiação: Maria da Purificação Freire Ferreira de Carvalho, Evaristo Maria das Neves Ferreira de Carvalho. Formado em Direito pela Universidade de Coimbra. Republicano, colaborou, desde muito novo, em diversos periódicos e foi eleito deputado à Assembleia Nacional Constituinte pelo círculo da Figueira da Foz (1911); voltaria a ser deputado pelo círculo de Coimbra (1915, 1919). Preso na primeira semana de Julho de 1927 pela Polícia de Informações do Ministério do Interior e levado para a Penitenciária com outros detidos republicanos na mesma circunstância. Preso em 28/01/1934, acusado de ter atrasado, intencionalmente, a saída do "Diário Liberal" aquando da Greve Geral de 18/01/1934; libertado em 15/03/1934, por ter sido despronunciado pelo TME. Faleceu em Lisboa, em 26/12/1938.]
[alterado em 27/06/2024]

00570. Mário da Silva [1927, 1928]

[Antigo vereador socialista da Câmara Municipal de Lisboa, eleito nas eleições municipais de 22/11/1925. Preso na primeira semana de julho de 1927 pela Polícia de Informações do Ministério do Interior e levado para a Penitenciária com outros detidos na mesma circunstância. Seria primo de Ferreira da Silva, vidraceiro da Rua de O Mundo, falecido na Penitenciária de Lisboa onde estava preso na sequência da Revolta de Fevereiro de 1927 (ANTT, PT-TT-MI-DGAPC-2-701-554). Deportado para Angola em 07/06/1928, sendo referenciado como membro do Concelho Central do Partido Socialista.]
[alterado em 27/06/2024]

00571. José Joaquim Pereira Osório [1926, 1927, 1930, 1931]

[José Joaquim Pereira Osório]

[José Joaquim Pereira Osório.
Porto, 14/07/1861. Curador dos Órfãos da Comarca do Porto. Filiação: Elisa Rosa de Sousa Pereira Osório e António José Pereira Osório. Casado. Residência: Avenida da República, 600 - Vila Nova de Gaia. Republicano, integrou a Comissão Administrativa da Câmara Municipal do Porto (1911); foi Governador Civil de Coimbra (1913-1914) e do Porto (1914-1915, 1915-917); e senador pelo círculo do Porto, eleito nas listas do Partido Democrático (1919, 1921, 1922), tendo chegado a presidir ao Senado (20/02/1922-30/11/1922). Fez parte, com Adriano Gomes Pereira, Caldeira Scevola, Eduardo Ferreira dos Santos e Jaime Cortesão, do comité que, no Porto, preparou a Revolução de 14/05/1915. Preso em 30/05/1926, em Santarém, juntamente com o deputado Álvaro de Castro, "sob a acusação de pretenderem desviar tropas que vinham a caminho de Lisboa". Preso pela Polícia de Informações do Ministério do Interior no Porto, em 11/07/1927, juntamente com outros "democráticos", acusado de ter "entendimentos com os emigrados políticos". Levado para a Casa de Reclusão ou para o Aljube local, estava previsto seguir para a Penitenciária de Lisboa. Preso pela Polícia de Informações do Porto e entregue em 24/07/1930, "por suspeita de estar comprometido no movimento revolucionário em preparação"; libertado em 31/07/1930. Preso no Porto e entregue em 14/04/1931; libertado em 10/05/1931, tendo-lhe sido fixada residência em Espinho. Em junho, foi deferido o seu requerimento para regressar ao Porto. Faleceu em 28/01/1937, no Porto.]
[alterado em 28/06/2024]
[alterado em 20/03/2025]

0572. Júlio Augusto Ribeiro da Silva [1927, 1927, 1935]

[Júlio Augusto Ribeiro da Silva || ANTT || RGP/1086]

[Guarda, 05/01/1872. Jornalista. Filiação: Isabel Maria Ribeiro da Silva e António Leopoldino Ribeiro da Silva. Subinspector das finanças e jornalista, tendo dirigido A Montanha e A Lanterna. Republicano, foi Governador Civil de Coimbra (1921-1922) e senador do Partido Democrático eleito pelo círculo da Guarda (1919, 1921, 1922, 1925). Preso pela Polícia de Informações do Ministério do Interior no Porto, em 11/07/1927, juntamente com outros «democráticos», acusado de ter «entendimentos com os emigrados políticos», tendo sido libertado no dia seguinte após novo interrogatório. Preso em 21/09/1927, «por conspirar ativamente contra a Situação», e libertado em 29/10/1927. Preso pela SPS do Porto em 21/05/1935 e levado para o Aljube da cidade; libertado em 22/05/1935. Faleceu em Pedrinha, Gondomar, em 21/06/1940.]
[alterado em 28/06/2024]

[João Esteves]