[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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domingo, 19 de maio de 2024

[3425.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCX

PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCX * 

01852. Acácio Tomás de Aquino [1933]

[Acácio Tomás de Aquino || ANTT || RGP/20 || PT-TT-PIDE-E-010-1-20_P2]

[Acácio Tomás de Aquino.
Lisboa, 09/11/1899. Pedreiro. Filiação: Maria Teresa de Aquino, João Tomás de Aquino. Casado. Residência: Rua Aliança Operária, 48 - Lisboa / Travessa de Paulo Martins, 45 - Lisboa. Dirigente anarco-sindicalista, integrava o Sindicato da Construção Civil e era o Secretário da Federação dos Operários da Construção Civil. Pertenceu às Juventudes Sindicalistas e à Confederação Geral do Trabalho, sendo seu secretário entre 1919 e 1933. Detido em agosto de 1923, inculpado de distribuir manifestos. Sob a ditadura, passou à semiclandestinidade e integrou o Comité de Ação da CGT que decretou a Greve Geral Revolucionária de 18/01/1934. Preso pela SPS/Lisboa em 11/12/1933, "por estar envolvido num negócio para o fabrico e venda de 100 bombas que se destinavam a ser utilizadas por ocasião da greve geral revolucionária a eclodir após a publicação dos decretos sobre Sindicatos". Levado, incomunicável, para uma esquadra. O respetivo processo foi enviado ao TME em 28/12/1933. Transferido, em 04/01/1934, para a 1.ª esquadra. Em 08/03/1934, a 2.ª Seção daquele tribunal, reunida na Trafaria,  condenou-o a 12 anos de degredo e a vinte mil escudos de multa, ficando à disposição do Governo. Deportado, em 08/09/1934, para Angra de Heroísmo e, em 23/10/1936, seguiu para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde conheceu a “frigideira”, destacou-se na Organização Libertária Prisional e preparou, voluntariamente, as lápides dos que faleciam. Passou, em 31/12/1945, para a tutela do Ministério da Justiça. Apesar de cumprida a pena em março de 1946, continuou encarcerado por lhe faltar pagar os vinte contos de multa. Regressou em 10/11/1949 e a liberdade definitiva foi-lhe concedida em 22/11/1952. Faleceu em 30/11/1998, em Lisboa, com 99 anos.]
[alterado em 24/05/2024]

01853. Artur da Silva Calado [1933]

[Lisboa, c. 1899. Enfermeiro. Filiação: Maria Cristina. Viúvo. Residência: Beco dos Loios, 12. Preso pela SPS/Lisboa em 11/12/1933, «por suspeita de manter ligações de caráter revolucionário com o agitador político José Maria de Almeida Júnior». Ficou incomunicável numa esquadra. Libertado em 19/12/1933.]

01854. Gutemberg Alves Esteves [1933, 1933]

[Lisboa, c. 1910. Serralheiro mecânico do Arsenal da Marinha. Filiação: Belmira da Conceição Alves, Reinaldo Esteves. Solteiro. Residência: Rua Damasceno Monteiro, 49 - Lisboa. Preso em 16/11/1933, «para averiguações»; libertado no mesmo dia. Preso pela SPS/Lisboa em 11/12/1933, «por se ter intrometido com um agente desta Polícia»; libertado no mesmo dia.]

01855. Maria Antónia [1933]

[DomésticaPresa pela SPS/Lisboa em 11/12/1933, ficou incomunicável numa esquadra. Libertada em 13-14/12/1933.]
[alterado em 14/04/2025]

01856. Joaquim Lourenço [1933]

[Enviado pelo TME, deu entrada na SPS/Lisboa em 11-12/12/1933. Recolheu à 1.ª esquadra, ficando à ordem daquele tribunal.]

01857. António Pires Toscano [1933]

[Enviado pelo TME, deu entrada na SPS/Lisboa em 11-12/12/1933. Recolheu à 1.ª esquadra, ficando à ordem daquele tribunal.]

01858. Manuel Fortunato [1933]

[Deu entrada na SPS/Porto em 11-12/12/1933. Libertado do Aljube local pela SPS/Porto em 15-16/12/1933.]
[alterado em 20/05/2024]

01859. Armando António Marques [1933]

[Transferido do Aljube para a 15.ª esquadra em 11/12/1933.]

01860. João Luís Paulo Júnior [1933]

[Deu entrada na SPS/Porto em 12-13/12/1933. Libertado do Aljube pela SPS/Porto em 15-16/12/1933.]
[alterado em 20/05/2024]

[João Esteves]

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

[1722.] ABÍLIO GONÇALVES [I] || AMASSADOR / PADEIRO

* ABÍLIO GONÇALVES (1911-2004) || DEPORTADO PARA ANGRA DO HEROÍSMO E TARRAFAL *

Filiado na Aliança Libertária Portuguesa, Abílio Gonçalves esteve envolvido nos preparativos da Greve Geral de 18 de Janeiro de 1934. 

Preso nesse mesmo dia, esteve 13 anos preso: deportado, primeiro, para Angra do Heroísmo, integrou, dois anos depois, a primeira leva de presos políticos enviada para o Campo de Concentração do Tarrafal, de onde foi libertado em Janeiro de 1946.

[Abílio Gonçalves || ANTT || RGP/12 || PT-TT-PIDE-E-10-1-12_c0030]

Filho de Guilhermina de Jesus e de José Gonçalves, Abílio Gonçalves nasceu em Vinhó, concelho de Arganil, em 16 de Outubro de 1911.

Segundo a notícia necrológica publicada no jornal A Batalha, começou a trabalhar muito novo devido a dificuldades económicas da família e, "após alguns anos nas fainas agro-pastoris veio para Lisboa onde foi marçano, aprendendo em seguida o ofício de padeiro (amassador)".

Filiado na Associação de Classe dos Manipuladores de Pão, foi eleito secretário da Mesa da Assembleia Geral e, posteriormente, integrou a Comissão Administrativa do respectivo Sindicato. Nessa qualidade, envolveu-se nos preparativos da Greve de 18 de Janeiro de 1934, mantendo contactos com António Gonçalves, Luís Gonçalves Amorim, Manuel Henriques Rijo, entre outros.

Empregado numa padaria da Rua D. Pedro V, foi preso nesse mesmo dia, acusado de ter à sua guarda bombas de dinamite para serem utilizadas durante o movimento revolucionário. 

[Abílio Gonçalves || ANTT || RGP/12 || PT-TT-PIDE-E-10-1-12_c0030]

Espancado durante os interrogatórios e transferido para o Presídio Militar da Trafaria, foi julgado pelo Tribunal Militar Especial em 24 de Março e condenado a dez anos de degredo, com prisão, e multa de vinte mil escudos.

Em 8 de Setembro de 1934, embarcou no navio "Lima" para a Fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo, onde voltou a ser "sujeito a frequentes espancamentos e a encerramento de castigo na poterna" [A Batalha, N.º 203]. 

[Fotografia de 17/10/1935 || Acácio Tomás de Aquino || O Segredo das Prisões Atlânticas, 1978]

Dois anos depois, em 23 de Setembro de 1936, seguiu no navio "Luanda" para o Campo de Concentração do Tarrafal, em Cabo Verde, aí permanecendo mais de dez anos. Segundo Cândido de Oliveira, no seu livro Tarrafal - O Pântano da Morte, passou, ao todo, 48 dias de internamento na "frigideira". 

Abrangido pela amnistia de 18 de Outubro de 1945, Abílio Gonçalves foi libertado em 23 de Janeiro de 1946 e regressou, no navio "Guiné", em 1 de Fevereiro.

[Abílio Gonçalves || ANTT || RGP/12 || PT-TT-PIDE-E-10-1-12_c0030]

Com dificuldades de arranjar trabalho em Portugal, partiu para Moçambique e, depois, estabeleceu-se na Suazilândia, de onde regressou após o 25 de Abril de 1974.

Abílio Gonçalves manteve, então, as ligações aos Libertários: sócio do Centro de Estudos Libertários, foi presidente do respectivo Conselho Fiscal (1987) e membro da  Comissão Administrativa (1988 e 1989), colaborando, também, no jornal A Batalha.

Faleceu em 20 de Janeiro de 2004, com 92 anos, em Pinheiro de Loures, onde tinha estabelecido um restaurante e residia.

Fontes: 
ANTT, Cadastro Político 5141 [Abílio Gonçalves / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0059, m0059a].
ANTT, Registo Geral de Presos 12 [Abílio Gonçalves / PT-TT-PIDE-E-10-1-12_c0030].
A Batalha, N.º 203.

[João Esteves]

domingo, 30 de outubro de 2016

[1539.] OS QUE MORRERAM NO TARRAFAL [V]

[Paulo José Dias (1904-1943) || Fogueiro marítimo]

* Pedro de Matos Filipe *
[Almada, 19/06/1905 - Tarrafal, 20/09/1937]
1.º Preso a morrer no Tarrafal

Nome de rua na Cova da Piedade


Anarco-Sindicalista.

Filho de Margarida Rosa e de José de Matos Filipe, nasceu em Almada em 19 de Junho de 1905. 

Carregador / Estivador de porto, presidiu à Assembleia Geral da Associação "Terra e Mar", de Almada.

Participou no movimento de 18 de Janeiro de 1934, em Almada, tendo promovido a greve na fábrica Parry & Son. 

Preso em 30 de Janeiro de 1934, acusado de posse de explosivos e bombas. Residia, então, na Quinta da Regaleira - Cova da Piedade.

Condenado pelo Tribunal Militar Especial a 12 anos de degredo e multa de 20.000$00. 

Enviado, em 8 de Setembro de 1934, para a fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo. 

[17/10/1935 || Angra do Heroísmo || Pormenor de uma fotografia publicada em O Segredo das Prisões Atlânticas, de Acácio Tomás de Aquino (A Regra do Jogo, 1978]

Seguiu para o Tarrafal em 23 de Outubro de 1936, onde faleceu em 20 de Setembro de 1937 sem qualquer assistência médica ou farmacêutica.

Segundo Acácio Tomás de Aquino, Pedro de Matos Filipe, que "era um dos rapazes mais fortes do Acampamento", quando morreu "estava reduzido a pele e osso" [p. 94]. No último encontro com o amigo, disse que estava "com uma diarreia de sangue há bastante tempo, e o médico nada me fez até à data!" [O Segredo das Prisões Atlânticas, A Regra do Jogo, 1978, p. 94]

[Rafael Tobias Pinto da Silva (1911-1937) || Relojoeiro]

Este último foi enviado para o Tarrafal já depois de ter sido absolvido pelo Tribunal Militar Especial! 


  
[Edição de Fevereiro de 1978, aquando da trasladação dos corpos dos presos políticos portugueses mortos no Campo de Concentração do Tarrafal]