[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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domingo, 13 de dezembro de 2020

[2439.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS - DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [LXI] || 1926 - 1933

* PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || LXI * 

00528. Fernando Augusto Freiria [1927

[Fernando Augusto Freiria]

[Fernando Augusto Freiria.
Lisboa, 12/01/1877. Coronel de Artilharia - professor. Filiação: Maria da Piedade Vaz, Diogo Freiria. Casado com Germana de Alcântara de Albuquerque e Castro. Frequentou a Escola do Exército, a Arma de Artilharia e o Curso de Estado Maior, seguindo a carreira militar: praça (1893); alferes (1897); tenente (1897); capitão (1911); major (1917); tenente-coronel (1917); coronel (1919). Professor da Escola de Guerra (1912-1919) e do Instituto Feminino de Educação e Trabalho (1914-1915, 1920). Chefe do Estado Maior de Gomes da Costa (1914); incluído na restrita Missão Militar Portuguesa que debateu, em Londres, a participação de Portugal na Guerra; adjunto do quartel general de Divisão de Instrução de Tancos (1916); Chefe do Estado Maior da 1.ª Divisão do Corpo Expedicionário Português (1917-1918), sob o comando do general Gomes da Costa; Chefe do Estado Maior da 2.ª Divisão do CEP; Chefe do Estado Maior da Divisão de Operações encarregada de combater a Monarquia do Norte (Dezembro de 1918 – Abril de 1919), chegando a ser preso e, depois de ter conseguido escapar, comandou as tropas que derrotaram os revoltosos em Lisboa; diretor do Instituto Central de Oficiais (1920) e do Instituto dos Pupilos do Exército (1921). 

[Fernando Freiria || Fotografia retirada do Instituto dos Pupilos do Exército]

Manteve atividade política e governativa a partir deste ano: Ministro da Guerra, como independente, nos governos de Francisco Pinto da Cunha Leal e de António Maria da Silva (16/12/1921-06/02/1922, 07/12/1922-21/07/1923); e deputado por Viana do Castelo, integrando, também como independente, as listas do Partido Democrático nas eleições de 29/01/1922. 

[Ilustração Portuguesa || 24/12/1921 || 1.ª reunião do ministério de Francisco Cunha Leal || Fernando Freiria é o 1.º a esquerda]

Comandante, em 1926, do Regimento de Infantaria 16 de Santarém, onde tirocinava para a promoção a general, opôs-se, com os seus efetivos, ao golpe militar de 28 de Maio de 1926: assumiu o controlo da cidade e ordenou a detenção dos militares António Jacinto da Silva Brito de Pais, de Armando Humberto da Gama Ochoa, que viria a integrar o triunvirato que governou o país de 1 a 3 de Junho de 1926, e de José Mendes Cabeçadas, "que por lá andavam com intuitos subversivos" [José Luís Andrade, Ditadura ou Revolução, Casa das Letras, 2016]. Combateu, desde então, a Ditadura Militar. Integrou a liderança militar que desencadeou, no Porto, a Revolta de 3 de Fevereiro de 1927, sendo Chefe do seu Estado Maior. Fracassada aquela, foi detido e deportado para S. Tomé: juntamente com outros implicados, nomeadamente o general Adalberto Gastão de Sousa Dias, embarcou, em Leixões, no "Infante de Sagres” e, de regresso à capital, fez transbordo para o barco "Lourenço Marques", no qual seguiu para São Tomé, onde se manteve com residência fixada durante cerca de 13 meses. Este vapor saiu no dia 21/02/1927, à noite, levando deportados com destino aos Açores, Cabo Verde, Guiné e Angola, tendo aportado em S. Tomé por volta de 12/03/1927. Em fevereiro de 1928, por interferência da sua família e do general Sousa Dias, passou a ter residência obrigatória fixada no Funchal, instalando-se, primeiro, na Pensão Éden e, depois, na Quinta das Cruzes. Desembarcou, em 18/12/1928, em Lisboa, continuando na situação de preso, ainda que em sua casa. Seguiu, em 05/03/1929, para o presídio militar de Elvas, a fim de ser submetido a julgamento pelo Tribunal Militar Especial reunido, em 13/04/1929, no Forte da Graça. Presidiu a este o general Francisco das Chagas Parreira, tendo por um dos vogais o almirante Vitorino Gomes da Costa; o seu advogado foi Adelino da Palma Carlos, então um recém-licenciado em direito. Foi-lhe, novamente, fixada residência obrigatória na Madeira, permanecendo no Funchal entre 1929 e 1931, cidade onde leccionou, criou e dirigiu o Instituto de Instrução Secundária. Em Abril de 1931, integrou o grupo que preparou e dirigiu a Revolta da Madeira, assumindo, mais uma vez, as funções de chefe do seu Estado Maior. Demitido do Exército, por motivos políticos, em 15/04/1931. Na sequência do fracasso, engrossou o grupo de deportados para Cabo VerdeTerá desembarcado na cidade da Praia em 17/05/1931, ilha de Santiago, e levado, juntamente com os outros deportados, mais de trinta, civis e militares, para o Lazareto. Terá permanecido ali cerca de um mês e, em 06/06/1931, seguiu para a ilha de S. Nicolau, onde chegou no dia seguinte, ao anoitecer, e encaminhado para o edifício do Seminário, um velho casarão de dois andares, guardado por uma força indígena ida de Angola e 40 guardas civis, com dois subchefes e um chefe, deslocados de Lisboa. Foi um dos militares que não foi, explicitamente, abrangido pela amnistia decretada em 05/12/1932 (Decreto 21.943), permanecendo em Cabo Verde até 1936: no entanto, o seu nome deixou de constar em documentos assinados pelos deportados políticos nas diferentes ilhas. Em finais de julho de 1935, após o falecimento do general Sousa Dias, o Governador de Cabo Verde propôs, em telegrama ao Ministério do Interior, o seu repatriamento, juntamente com António Fernandes Varão (major), Francisco Filipe de Sousa (major), Francisco Alexandre Lobo Pimentel (major), Inácio Severino de Melo Bandeira (major), João Manuel Carvalho (contra-almirante), José Mendes dos Reis (coronel) e Luís António da Silva Tavares de Carvalho (major), até porque três se encontravam doentes, incluindo Fernando Freiria. O parecer da Polícia de Vigilância de Defesa do Estado foi desfavorável, considerando-os "altamente inconvenientes no Continente e Ilhas Adjacentes", posição secundada por Salazar, enquanto Presidente do Conselho, em documento datado de 13/09/1935. Regressou doente em 1936 e seria reintegrado no Exército, na situação de reforma, continuando sem atividade política conhecida. Faleceu em 13/04/1955, em Lisboa, com 78 anos de idade. Sepultado no Cemitério do Alto de S. João, no talhão dos Combatentes da Grande Guerra.]
[alterado em 31/05/2024]
   [alterado em 14/04/2025]
[alterado em 30/05/2025]

[João Esteves]

domingo, 29 de novembro de 2020

[2429.] ADALBERTO GASTÃO DE SOUSA DIAS [I] || DEPORTADO PARA S. TOMÉ, AÇORES, MADEIRA E CABO VERDE, ONDE FALECEU

 * ADALBERTO GASTÃO DE SOUSA DIAS *

[1865 - 28/07/1935]

O general Sousa Dias foi dos poucos oficiais de alta patente a não aderir ao golpe militar de 28 de Maio de 1926 e que desde o início procurou combater a Ditadura Militar.

Chefiou o movimento revolucionário de 03/02/1927 e foi deportado para S. Tomé (1927) e Açores (1928-1929). Em 1930, Voltaria a ser deportado para os Açores e, depois, para a Madeira onde, em 04/04/1931, por ser o oficial de mais alta patente, foi escolhido para chefiar a sublevação contra a Ditadura e assumir o comando da "Junta Militar".

Novamente preso, foi demitido do Exército e deportado para Cabo Verde: levado, primeiro, para o Campo de Concentração de Presos Políticos de São Nicolau, aí permaneceu até 21/08/1931; foi, depois, transferido para a ilha de Santo Antão e, por fim, para a de São Vicente, onde faleceu no hospital em 28/07/1935 e não em Junho de 1934 como tem sido referido. Os seus restos mortais chegaram a Portugal em 30/11/1935, tendo sido sepultado na Guarda em 03/12/1935.


Chaves (ou Guarda), 03 ou 31/12/1865 [consoante as fontes], General. Filho de Ana Albina Sampaio de Sousa Dias, de Chaves, e de José Maria de Sousa Dias, Oficial do Exército, natural de Lisboa. 

Estudou em Vila Real (liceu – 1875/1880) e na Universidade de Coimbra (1881-1883), onde fez os preparatórios para a Escola do Exército ingressando, de seguida, nesta instituição, em Lisboa (1883-1887). 

Fez carreira militar na arma de Infantaria: alferes (1889); tenente (1895); capitão (1902); major (1906); tenente-coronel (1915); coronel (1918); general (1924). 

Assumiu-se, sempre, como republicano, filiando-se no Partido Democrático após a revolução de Outubro de 1910. Combateu as tropas monárquicas de Paiva Couceiro (1912), não apoiou a ditadura de Pimenta de Castro, recusando qualquer colaboração (1915), esteve temporariamente detido durante o Sidonismo e colocado no Regimento de Infantaria de Reserva n.º 18, no Porto e, em Janeiro de 1919, aquando da revolta monárquica, recusou-se a prestar fidelidade à Monarquia e ao rei, combatendo a “Monarquia do Norte”. Iniciou, então, a sua vida política activa, sendo eleito deputado pelo Porto (1921, 1923, 1924).

Condecorado com os graus de Grande-Oficial da Ordem Militar de Avis (1920), Comendador da Ordem Militar de Cristo (1923) e Comendador da Ordem Militar de Santiago de Espada (1924). 

Comandante, desde 1925, da 3.ª Divisão do Exército, sediada no Porto, não aderiu aos revoltosos de 28 de Maio de 1926, tentando mesmo combatê-los, sem sucesso, devido à elevada adesão àqueles de várias unidades sob o seu comando. Dos raros Oficiais a não pactuar com rebelião militar de Gomes da Costa iniciada em Braga, pediu a exoneração e passou, de imediato, a combater a Ditadura Militar. 

Embora se encontrasse sob prisão e com baixa no Hospital Militar do Porto, foi indigitado para chefiar a revolta que eclodiu naquela cidade em 03/02/1927. Fracassada aquela, foi detido e deportado para S. Tomé: juntamente com outros implicados, embarcou, em Leixões, no "Infante de Sagres e, de regresso à capital, fez transbordo para o barco "Lourenço Marques", no qual seguiu para São Tomé. Este vapor saiu no dia 21/02/1927, à noite, levando deportados com destino aos Açores, Cabo Verde, Guiné e Angola, tendo aportado em S. Tomé aproximadamente em 12/03/1927 [ANTT, PT/TT/MI-DGAPC/2/700/138]. 

Em Novembro de 1927, o Conselho de Ministros deliberou a sua transferência imediata para Ponta Delgada, via Funchal, decisão transmitida ao general em 29 desse mesmo mês. Foi ainda informado que embarcaria no vapor Nyassa em 01/12/1927, data em que este este transporte passaria por S. Tomé, fazendo, depois, escala na Madeira. Sousa Dias ainda contestou essa decisão, por não querer abandonar os seus camaradas de desterro, sobretudo aqueles que tinham servido sob as suas ordens no movimento revolucionário de 03/02/1927, disso dando conta a todos os núcleos de deportados espalhados pelas Ilhas e Colónias. 

[in O General Sousa Dias e as Revoltas contra a Ditadura – 1926/1931, organização de A. H. de Oliveira Marques, com a colaboração de A. Sousa Dias || Publicações Dom Quixote || Abril de 1975]

Depois de passar pelo Funchal, onde há uma fotografia sua entre vários deportados políticos, chegou, em Dezembro de 1927, ao Faial, ilha onde lhe tinha sido fixada residência obrigatória. 

Em 1929, foi mandado regressar ao Continente, submetido a julgamento no Tribunal Militar Especial, reunido no Forte da Graça, em Elvas, em 13/04/1929 e condenado a dois anos de prisão, tendo sido descontado o tempo em que esteve deportado. 

Apesar de já ter cumprido o tempo da pena a que fora condenado, regressou, em 1930, à mesma ilha açoriana por lhe ter sido aí fixada residência e, em seguida, deportado para o Funchal onde, em 04/04/1931, por ser o oficial de mais alta patente, foi escolhido para chefiar a sublevação contra a Ditadura e assumir o comando da “Junta Militar”. 

Falhada a revolta, foi novamente preso, demitido do Exército, sem direito a pensão, honras e uso de medalhas militares e condecorações, e deportado para Cabo Verde. 

Desembarcou na cidade da Praia, ilha de Santiago, e levado, juntamente com os outros deportados, mais de trinta, civis e militares, para o Lazareto, «onde nos meteram, cercado de arame farpado, pregando-nos as janelas, guardados por soldados pretos, numa aglomeração a mais anti-higiénica; dando-nos uma água insalubre para beber, em que se encontravam vários vermes em suspensão; e uma vala comum, sem escoante onde, sem distinção, todos íamos satisfazer as nossas necessidades corporais» [carta ao filho Adalberto, datada de 21/08/1931, in O General Sousa Dias e as Revoltas contra a Ditadura – 1926/1931, organização de A. H. de Oliveira Marques, com a colaboração de A. Sousa Dias, Publicações Dom Quixote, Abril de 1975].  

Terá ficado ali cerca de um mês e, em 6 de Junho de 1931, embarcou para a ilha de S. Nicolau, onde chegou no dia seguinte, ao anoitecer. Levado para o edifício do Seminário, um velho casarão de dois andares,  aí chegaram a estar, ao todo, «cerca de 170 presos políticos», guardados pela «força indígena vinda de Angola» e «40 guardas civis, com dois subchefes e um chefe», idos de Lisboa: «Nunca presumi que se encerrasse um general dentro dum restrito campo de prisioneiros políticos, cercado de arame farpado, ou de um muro de 5m de altura (como no Seminário de S. Nicolau), sujeitando-o aos mais mesquinhos vexames, e aos mais insólitos enxovalhos».

Como bem lembra José J. Cabralestudioso sobre a deportação e Estado Novo em Cabo Verde, o corredor interior ao longo de todo o edifício foi baptizado pelos deportados "avenida General Sousa Dias" e, recorrendo-se do livro do historiador A. H. de Oliveira Marques sobre este, refere que ele passava dias a fio deitado na cama, outros tantos, desolado, a deambular pelo corredor, em resultado do não atendimento de denúncias que fazia, de maus tratos a que todos eram submetidos, dos colegas tuberculosos a contaminarem os outros. 

Permaneceu em S. Nicolau até 21 de Agosto. Depois, foi transferido, sem saber porquê, «visto não ter pedido, nem directa nem indirectamente; nem tão pouco consinto que se peça, para a Ponta do Sol na Ilha de Santo Antão» onde, «ao menos aqui, já respiro!» [carta citada]. Na viagem, pode observar o local onde se iria «organizar um novo Campo de Concentração na Ilha de S. Nicolau num sítio conhecido pelo nome de Tarrafal», já em construção e que «excederá tudo o que até se tem praticado». 

[No entanto, não terá sido concluído, apesar do plano inicial, sendo visíveis quatro casas desmontáveis, adquiridas ao estrangeiro, e os postes para ser pregada a vedação de arame farpado. Muito deste material seria, depois, reutilizado no Tarrafal de Santiago, aberto em 1936.  Para todos os efeitos, as condições físicas e psicológicas vividas quotidianamente pelos deportados no Seminário/Prisão de S. Nicolau, sob isolamento, regras de clausura, repressão, incomunicabilidade, acomodação, censura, restrições, vigilância policial e despotismo arbitrário e humilhante [Victor Barros, Campos de Concentração em Cabo Verde - As Ilhas como espaço de Deportação e de Prisão no Estado Novo, Imprensa da Universidade de Coimbra, 2009], fez com que acabasse por ficar conhecido como o Campo de Concentração de Presos Políticos de S. Nicolau.]

Foi um dos militares que não foi, explicitamente, abrangido pela amnistia decretada em 05/12/1932 (Decreto 21.943) e continuou, mesmo em terras longínquas, a combater a Ditadura Militar, mantendo, dentro do possível, contactos com civis, ex-militares e militares. 

Por fim, adoeceu em Santo Antão e, devido ao agravamento do seu estado de saúde, foi transferido para o hospital de S. Vicente, onde faleceu em 28/07/1935, disso dando conta um telegrama enviado pelo Governador de Cabo Verde ao Ministro das Colónias [ANTT, PT-TT-MI-GM-4-14-559_c0006]. 

Em vésperas do seu falecimento, o Governador tinha enviado ao mesmo ministro o seguinte telegrama: «rogo vexa transmitir Ministério Interior creio ser máxima conveniência repatriação imediata ex-General Sousa Dias está gravemente doente. É conveniente repatriar maior número de deportados possível» [ANTT, PT-TT-MI-GM-4-14-559_c0007]. 

Em Agosto de 1935, foi autorizada a sua trasladação para a Guarda [ANTT, PT-TT-MI-GM-4-32-44], tendo os restos mortais chegado a Lisboa, a bordo do vapor “Guiné”, em 30/11/1935. 

[Adalberto Gastão de Sousa Dias || Diário de Lisboa || 02/12/1935] 

A urna foi coberta com a bandeira nacional, transportada aos ombros de antigos companheiros da deportação em África e na Madeira e encaminhada para a Estação do Rossio, «onde foi colocada num vagão armado em câmara ardente que, atrelado ao comboio correio da Beira Baixa, seguiu, às 23 horas, para a Guarda, terra natal do extinto» [Diário De Notícias, “General Sousa Dias – Os seus restos mortais chegaram de Cabo Verde e seguiram para a Guarda”, 03/12/1935]. 

Foram organizados vários turnos e estiveram presentes, entre muitos outros, Alfredo Guisado, António Augusto, António Joaquim Pires, António Lomelino, Arantes Pedroso, Armando do Vale, Augusto César Loureiro, Aurélio Daniel, Avelino Cascais, Carlos Américo Garcez, Carlos Babo, Carlos Köpke [Carlos Alberto Coque], Carvalhão Duarte, Carvalho Araújo, César Nunes, Edmundo Gonçalves Lamego, Eduardo Bravo, Eduardo França Borges, Eduardo Pinto de Sousa, Eugénio Ferreira, Francisco de Aragão e Melo, Heitor Ferreira, Herculano Vasco, João Augusto Sousa (reverendo), João de Sousa, Joaquim Bento, José Maria Antunes, José Sebastião Frescata, Joubert Pereira, Julião Custódio, Júlio Anjos, Lopes Andrade, Lúcio Escórcio, Lúcio Martins (capitão), Manuel Martinho, Manuel Moutinho, Manuel Roberto, Marinho da Silva, Martins dos Santos, Maurício Costa, Máximo Barros, Pereira Vitorino, Ramon de La Féria, Ribeiro de Carvalho, Rogério Soares, Roque da Silveira, Sá Cardoso (general), Simões Raposo, Vieira Marques, Viriato de Almeida e Zeferino da Silva.

Três anos após o 25 de Abril, por Decreto do Conselho da Revolução de 02/06/1977 (decreto 232/77), foi reintegrado, a título póstumo, no Exército e no seu posto de General, com todas as honras ao mesmo inerentes e o direito às condecorações e graus honoríficos que possuía. 

Em 1980, recebeu o grau de Grande-Oficial da Ordem da Liberdade.

[João Esteves]

domingo, 19 de janeiro de 2020

[2258.] ÁLVARO DA COSTA RAMOS [I] || PRESO 4 VEZES - DEPORTADO PARA ANGOLA E MADEIRA

* ÁLVARO DA COSTA RAMOS *
[1895/6 - 1948]

Anarquista, Álvaro da Costa Ramos foi preso por quatro vezes entre Maio de 1927 e Julho de 1934, sendo deportado para Angola e, depois, transferido para a Madeira. 

[Álvaro da Costa Ramos || 1934 || ANTT || Livro de Cadastrados 4 || ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904_m0008 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Carlota Enes Costa Ramos e de Adriano Augusto da Conceição Ramos, Álvaro da Costa Ramos terá nascido em 1895 ou 1896, em Lisboa, Freguesia de Santa Catarina.

Viveu com a família na Ilha do Faial, onde o pai era o director da Alfândega. Com o seu falecimento, mãe e filhos regressaram a Lisboa, indo viver para Campo de Ourique, provavelmente para a Rua 4 de Infantaria, 62 -2.° Esquerdo.

Integrou, segundo o filho Moisés Silva Ramos, os Batalhões da República formados em 1919 para combater os monárquicos em Monsanto.

Despenseiro, pertenceu, ainda antes do 28 de Maio de 1926, ao Sindicato do Pessoal de Câmaras da Marinha Mercante. Aquando da revolta de 7 de Fevereiro de 1927, terá participado na tentativa de assalto ao Quartel de Sapadores de Caminhos-de-Ferro, em Campo de Ourique.

Preso, pela primeira vez, em 27 de Maio de 1927, acusado de anarquista e bombista [Processo 3117], foi libertado em 9 de Junho. 

[Álvaro da Costa Ramos || 15/09/1927 || ANTT || Livro de Cadastrados 3 || ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0015 || "Imagem cedida pelo ANTT"] 

Novamente preso em 30 de Agosto do mesmo ano, por estar na posse de três exemplares do jornal A Luta [Processo 3192]. Levado para os calabouços do Governo Civil, integraria o grupo de presos que foram, em 18 de Setembro de 1927, deportados para Angola.

Permaneceu algum tempo em Sá da Bandeira. Por por motivos de saúde, foi-lhe fixada residência na Madeira, juntamente com Arnaldo Simões Januário, de onde fugiu com a ajuda de militantes anarquistas que trabalhavam a bordo dos barcos que aportavam na ilha.

A viver clandestinamente em Lisboa, na zona das Janelas Verdes, Álvaro da Costa Ramos voltaria a ser preso em 6 de Dezembro de 1929, próximo do Teatro Nacional, «por se ter evadido da Madeira, onde se encontrava deportado, e por ter em seu poder documentos que o comprometiam» [Processo 4468]. Levado para o Aljube, seria libertado em 29 de Abril de 1930.

Pertencendo ao Sindicato do Pessoal de Câmaras dos Navios de Longo Curso, esteve envolvido na Greve Geral Revolucionária de 18 de Janeiro de 1934. Responsável pela compra da tipografia e sua instalação na Ramada, por incumbência de Mário Castelhano, coube-lhe a impressão da respectiva propaganda, em colaboração com José Severino de Melo Bandeira.

Fracassada a Greve, transferiu a tipografia da Ramada para a Rua Fidié, onde procedeu à impressão e composição do primeiro número clandestino do jornal A Batalha, em Abril de 1934, com uma tiragem de milhares de exemplares.

Referenciado pela Secção Política e Social da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado em Fevereiro de 1934, acusado de estar envolvido no 18 de Janeiro através de ligações a Custódio da Costa, Manuel Augusto da Costa [faleceu no Tarrafal em 3 de Junho de 1945], Manuel Henriques Rijo e Mário Castelhano, da Confederação Geral do Trabalho, e procurado pela polícia por ser «um dos mais antigos agitadores revolucionários», estando «preso várias vezes e deportado para as Colónias» [Processo 1011], só seria preso em 27 de Julho de 1934. Estava, também, indiciado por ter assistido a reuniões de anarquistas em Almada [Processo 1237].

[Álvaro da Costa Ramos || ANTT || RGP/526 || PT-TT-PIDE-E-010-3-526_m0257]

Levado para o Aljube em 23 de Agosto de 1934 e julgado pelo Tribunal Militar Especial em 23 de Março de 1935, Álvaro da Costa Ramos foi acusado de actividade revolucionária e propaganda subversiva, sendo condenado a 360 dias de prisão correccional e perda de direitos políticos por cinco anos [Processo 218/934].

Libertado em 23 de Julho de 1935, por ter terminado a pena imposta pelo TME.

Expulso da Marinha Mercante, Álvaro da Costa Ramos montou uma pequena oficina, enquanto a mulher abriu um pequeno ateliê de costura.

Integrava, em 1946, o Grupo Anarquista "Os Iconoclastas", de Lisboa, e faleceu em 1948.

Pai do militante libertário Moisés Silva Ramos, falecido em 21 de Outubro de 2000, entrevistado por António Candeias em Abril de 1989, aquando do estudo Educar de Outra Forma - A Escola Oficina N.° 1 de Lisboa, 1905 - 1930 [Volume II - Anexos, Porto, 1992]. Moisés Silva Ramos expôs, então, relevantes informações sobre o pai.

NOTA: Atenção ao uso indevido das imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Livro de Cadastrados 3 [Álvaro da Costa Ramos / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903].

ANTT, Livro de Cadastrados 4 [Álvaro da Costa Ramos / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904].

ANTT, Cadastro Político 1585  [Álvaro da Costa Ramos / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0783, m0783a, m0783b].

ANTT, Registo Geral de Presos 526 [Álvaro da Costa Ramos / PT-TT-PIDE-E-010-3-526_m0257].

António CandeiasEducar de Outra Forma - A Escola Oficina N.° 1 de Lisboa, 1905 - 1930, Volume II - Anexos, Porto, 1992.

[João Esteves]

terça-feira, 4 de dezembro de 2018

[1943.] PAULO ROSA [I] || DEPORTADO (1930)

* PAULO ROSA (n. 1903) || DEPORTADO PARA OS AÇORES E PARA A MADEIRA (1930) *

[Paulo Rosa || 16/08/1932 || ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Ana Cândida Pereira e de Jerónimo Rosa, Paulo Rosa terá nascido em 1903, em Viseu.

Empregado do Comércio e Proprietário, esteve envolvido em movimentações contra a Ditadura Militar.

Preso em 13 de Abril de 1930, acusado de estar envolvido num movimento revolucionário em ligação com o Dr. Luís da Costa Figueiredo, tendo transportado carabinas, bombas, granadas de mão e cartuchos de Viseu para o Barreiro e Lisboa, material que foi entregue ao Aspirante Rodrigues (Barreiro) e Luís de Figueiredo (Lisboa).

[Paulo Rosa || 16/08/1932 || ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Embarcou para os Açores em 8 de Maio do mesmo ano e, meses depois, encontrava-se com residência fixa na Madeira, no Concelho de Ponta do Sol.

Segundo ofício do Governo Militar da Madeira, de 18 de Novembro de 1930, deixou de fazer a sua apresentação na Administração daquele Concelho no dia 10, presumindo-se que se tenha evadido nesta data.

Preso em Viseu em finais de Junho de 1932, foi entregue à Polícia Política em 1 de Julho. Declarou, então, que se tinha evadido da Madeira em 10 de Novembro de 1930 devido ao estado de saúde da mãe: desembarcou em Leixões no dia 13 e dirigiu-se para a sua residência de Vildemoinhos, onde assistiu ao falecimento da mãe, «nunca mais tendo saído daquela localidade, nem se tendo imiscuído mais em assuntos políticos ou revolucionários» [ANTT, Cadastro Político 1418].

[Paulo Rosa || 16/08/1932 || ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Considerado «elemento revolucionário e político de acção» e «principal colaborador do Dr. Luís de Figueiredo, actualmente com residência fixada em Santarém», foi-lhe fixada residência obrigatória em Portimão, para onde seguiu em 20 de Setembro de 1932 [Processo 506].

NOTA: Atenção ao uso indevido das imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 1418 [Paulo Rosa / PT-TT-PIDE-E-001-CX14_m0711, m0711a].
ANTT, Livro de Cadastrados, Fotografia 1915 [Paulo Rosa / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0024].

[João Esteves]