[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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sábado, 24 de outubro de 2020

[2413.] ALBERTO FERREIRA [XII] || CENTENÁRIO (1920 - 2020) - BIBLIOTECA NACIONAL

 * CENTENÁRIO DE ALBERTO FERREIRA || (1920 - 2020) *

Biblioteca Nacional || 29 de Outubro || 18.00 Horas ||

|| Sessão: Paula Morão || António Braz Teixeira ||

[Fotografia de Alberto Ferreira, cerca 1965]

«No centenário de Alberto Ferreira (1920-2000)

Sessão | 29 out. '20 | 18h00 | Auditório | Entrada livre (limitada a 21 lugares, com inscrição prévia para rel_publicas@bnportugal.gov.pt)

Alberto Ferreira, 1920-2000 – ensaísta, crítico, professor, editor, publicista, além do técnico agrário que começou por ser. A sua biografia, longa e cuidadosamente estabelecida no catálogo Alberto Ferreira, 1920-2000: escrita e intervenção (BNP, 2010) [BNP (2010) - Alberto Ferreira, 1920-2000: escrita e intervenção. Pesquisa e selecção de Maria José Marinho e Manuela Vasconcelos, Lisboa, BNP, 2010. E-book da obra disponível gratuitamente na Livraria Online da BNP], mostra a relevância das raízes familiares na sua formação e nos seus primeiros passos profissionais, que, a par da militância política desde cedo, lhe deu a experiência e a proximidade com «o país real» que «o choca profundamente» (entrada «1940», BNP, 2010, p. 12). De 1951 a 1954 faz o então chamado curso de Histórico-Filosóficas, na Faculdade de Letras de Lisboa, e é relevante notar que está já na casa dos trinta anos – mais tarde, portanto, do que a norma dos seus colegas. Esta mescla de matrizes que a biografia esclarece vai nortear muito do seu percurso, dialeticamente informado por aquelas bases no terreno concreto dos campos e dos vinhedos (comum a amigos e companheiros como Alves Redol), caldeando essa prática com as leituras situadas nos domínios das revistas literárias (em algumas delas trabalhou), a que se juntam as componentes da sua formação em disciplinas da História e da Filosofia. É a sobreposição destes elementos que vem a salientar-se na sua obra de crítico e de ensaísta, nos livros de ficção, na carreira de professor. A partir de 1972, ensina «Sociologia da Arte na Escola Piloto para formação de profissionais de cinema, no Conservatório» (BNP, 2010, p. 25), e depois fazendo o estágio para docente do Ensino Secundário no liceu Camões, sendo efetivo logo a seguir (BNP, 2010, p. 29). Virá a ser professor auxiliar convidado do Departamento de Literaturas Românicas da Faculdade de Letras de Lisboa a partir de 76 – marcando sucessivas vagas de alunos das suas aulas de Cultura Portuguesa, até à reforma em 1986; o convite tem implícito o reconhecimento da sua obra ensaística, e a sua vocação pedagógica é reconhecida por muitos alunos (como documentam cartas transcritas em BNP, 2010).

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Em 2000, na brochura Leiamos da Editora O Escritor, que acolheu Alberto Ferreira nas suas publicações mais recentes, temos na capa uma fotografia recente do nosso autor, abrindo a porta a um excerto do segundo volume de Real e Realidade, que, por razões explicadas na nota prévia autógrafa datada de dezembro de 1999, nunca veria a luz dos prelos. Parecia agora ter vontade de o dar à estampa, com o título Heraclito e a Filosofia, mas também desta feita o livro não sairia. No passo transcrito naquela brochura (p. VI), lê-se uma reflexão sobre o tempo que vale recordar:

(…) no devir está contido o futuro que é parte de uma trilogia totalista do tempo passado – presente e futuro. Daí o caráter histórico de toda a filosofia que não seja apenas prospetiva (…). (…) o presente tem algo de flutuante, impreciso e inesperado. Mas o facto de contar com o passado torna desde logo a reflexão histórica – e, deste modo, a filosofia é sempre histórica.

Combinando a filosofia com a história, perfis do rosto de Jano, como fez em toda a sua obra de ensaísta, esta síntese da temporalidade representa, afinal, a capacidade de a si mesmo se situar com a limpidez de um pensamento que perdura e a si mesmo se inscreve na indagação do humano. A noção de devir, com o palimpsesto entre história e filosofia, entre ficção e desenho - exuberante e pulsional desenho, pode servir de emblema ao que sempre persistirá da obra de Alberto Ferreira, inteligência luminosa que não se apaga com o tempo. Sabem-no e continuarão a sabê-lo todos quantos estudam a cultura e a literatura em Portugal entre os séculos XVIII, XIX e XX: Deambular ao lusco-fusco (título do seu último livro, 1999) torna-se mais fácil e profícuo com o auxílio precioso da sua lente de aumentar.

No epílogo de Diário de Édipo (1965, 2ªed., p. 259) já deixara estas linhas, retrato de personagem e autorretrato:

A busca e a prática do humanismo constituem momento inseparável da conquista das alturas. O homem singular realiza a marcha, mas cada passo seu é acompanhado de outros passos – nunca homem algum fica só perante a caminhada.

Assim foi Alberto Ferreira, assim nos toma pela mão e nos diz quem somos.

Outubro de 2020

Paula Morão

Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa»

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

domingo, 20 de maio de 2018

[1813.] MARIA JOSÉ MARINHO [III]

* MARIA JOSÉ MARINHO || DÉCADA DE 1950 || MUD JUVENIL *

FOTOGRAFIA: GUALTER SOARES, SACUNTALA DE MIRANDA E MARIA JOSÉ MARINHO


[in Sacuntala de Miranda || Memórias de um peão nos combates pela liberdade || Edições Salamandra || 2003]

quinta-feira, 17 de maio de 2018

[1812.] MARIA JOSÉ MARINHO [II]

* MARIA JOSÉ MARINHO || HOMENAGEM NA BIBLIOTECA NACIONAL *

 22 DE MAIO || 18.00 HORAS

Fotografia de há 35 anos de um grupo excepcional com quem muito aprendi e que nunca esquecerei! O SABER ao serviço dos outros!

sábado, 28 de abril de 2018

[1798.] MARIA JOSÉ MARINHO [I]

* MARIA JOSÉ MARINHO *

|| HOMENAGEM NA BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL ||

|| 26 DE ABRIL - 16 DE JULHO ||

[Fotografia de Maria José Marinho || Anos 80]

INFORMAÇÃO RETIRADA DO SÍTIO DA BNP: 

"Maria José Marinho: 90 anos

MOSTRA | Sala de Referência | 26 abr. - 16 jul. 2018 | Entrada livre

[Fotografia de Maria José Marinho. Anos 80.]

A Questão Coimbrã ou do Bom Senso e Bom Gosto iniciou-se em agosto de 1865, quase imediatamente após a publicação de Odes modernas, de Antero de Quental, quando este, na sequência do ataque de A. Feliciano de Castilho, inserido no posfácio do Poema da mocidade, de Manuel Pinheiro Chagas, lhe respondeu com o opúsculo Bom Senso e Bom Gosto. Carta ao Excelentíssimo Senhor António Feliciano de Castilho.

Nascia assim a nossa ainda hoje maior polémica literária, uma espécie de «guerra» entre «antigos» e «modernos»: Castilho e os seus discípulos, acompanhados por Ramalho Ortigão e Camilo Castelo Branco, contra os jovens bacharéis (a chamada Escola de Coimbra), principalmente Antero de Quental e Teófilo Braga, seguidores entusiastas das modernas correntes literárias europeias que começavam a chegar a Portugal.

A verdadeira batalha que se seguiu durou mais de seis meses, até meados do verão de 1866, e durante esse espaço de tempo publicaram-se cerca de meia centena de opúsculos e um número incalculável de artigos em jornais e revistas.

[Folha de rosto de «Bom senso e bom gosto. A questão coimbrã. Textos integrais da polémica.» Ed. lit.: Alberto Ferreira, recolha, notas e biobiliografia: Maria José Marinho, Lisboa, Portugália, 1966-1970. BNP TR. 5015 V.]

Em 1966, cem anos passados sobre o desencadear da polémica, a Portugália Editora decidiu editar a obra Bom Senso e Bom Gosto. A Questão Coimbrã, quatro imponentes volumes da autoria de Alberto Ferreira, tal como consta em todas as capas. Nas respetivas folhas de rosto podemos ler que a recolha, notas e biobibliografia são da autoria de Maria José Marinho. Trabalho ciclópico, pois ela é ainda a responsável pela inclusão de textos adicionais em cada um dos volumes e, por último, também da bibliografia cronológica de toda a obra, bem como dos índices biobibliográficos dos autores citados, de títulos citados e de personalidades mitológicas e históricas.

Maria José Marinho deve ser considerada com toda a justiça coautora desta monumental realização. A injustiça cometida nas capas da edição da Portugália foi reparada na segunda edição da Imprensa Nacional-Casa da Moeda (1985-1989), onde já surge em paridade a menção dos nomes de Alberto Ferreira e de Maria José Marinho.

Maria José Vieira Marinho, que nasceu no Porto a 21 de abril de 1928, era filha do filósofo José Marinho. Aí frequentou o Liceu Carolina Michaëlis e, mais tarde, em Lisboa, a Faculdade de Letras, onde concluiu o curso de Ciências Histórico-Filosóficas. Conheceu o ensaísta Alberto Ferreira, ainda como explicando do pai, com o qual veio a casar. Iniciou depois a atividade de tradutora tendo, nessa qualidade, divulgado relevantes obras da literatura europeia e mundial, tais como, entre muitas outras, Adolfo, de Benjamin Constant; Temor e tremor, de Kierkegaard; Aureliano, de Louis Aragon; Nana, de Émile Zola; Introdução à Medicina Experimental, de Claude Bernard; A colina da saudade, de Han Suyin.

Em 1981 ingressa na Biblioteca Nacional (BN) onde, já em 1982, passou a integrar a Área de Espólios (atual Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea.

[Capa de «Espólio do Conde de Arnoso. Inventário», Biblioteca Nacional, introd. e inventário: Maria José Marinho, Lisboa, B.N., 2005. BNP H.G. 54430 V.]

Organizou e inventariou inúmeros espólios literários, de que se destacam os de Oliveira Martins, de Ramalho Ortigão, de Virgínia Vitorino (com Júlia Ordorica), de Bernardo Pindela, o Conde de Arnoso, de António Boto (com Aurora Machado), de José Estevão. Mas foi sobretudo ao organizar o imenso espólio de Jaime Batalha Reis que ela se tornou na maior especialista deste importante elemento da Geração de 70. Revista inglesa: crónicas, de Jaime Batalha Reis (org., introd. e notas de Maria José Marinho. Lisboa: D. Quixote, 1988); O essencial sobre Jaime Batalha Reis (Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1996) são obras que atestam a sua ação pioneira na divulgação da personalidade do nosso último cônsul na Rússia dos Czares.

Registe-se ainda a edição de Alberto Ferreira, 1920-2000; escrita e intervenção (Lisboa: BNP, 2010), com Manuela Vasconcelos, e a sua colaboração assídua na imprensa, principalmente na Revista da Biblioteca Nacional e nas páginas literárias do Diário de Lisboa.

[Capa de «Alberto Ferreira, 1920-2000. Escrita e intervenção», org.: Biblioteca Nacional de Portugal, pesq. e sel.: Maria José Marinho, Manuela Vasconcelos, Lisboa, Biblioteca Nacional de Portugal, 2010. BNP B.A.D. 7259 V.]

Além do trabalho desenvolvido na Biblioteca Nacional, contribuiu também para o enriquecimento patrimonial da instituição, estando na origem da doação, pela mãe, do espólio de José Marinho à BN, doando também, ela própria e em representação dos filhos, o espólio de Alberto Ferreira."

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

[0784.] ALBERTO FERREIRA [VIII]

- NASCIDO A 5 de OUTUBRO de 1920 -

 [BNP, 2010]

* Excerto da entrevista de Rodrigues da Silva [01/10/1939-09/01/2009] para o Jornal de Letras [12 de Agosto de 1998] *
 [...]

sábado, 21 de junho de 2014

[0680.] ALBERTO FERREIRA [I]

[05.10.1920-10.12.2000]

Um resistente e um Homem íntegro, injustamente esquecido, que comecei por conhecer enquanto ímpar professor e pedagogo no Liceu Camões, depois do 25 de Abril, sempre pronto a conviver com os mais novos e a ouvi-los, em sala de aula ou em voltas incessantes pelo pátio, mesmo com aqueles que não eram seus alunos (como era o meu caso). 

Reencontrei-o, depois, em casa dos meus pais. A ele e à Maria José Marinho, pois a filha, também Maria José Marinho, já a conhecia.

Mas foi na Faculdade de Letras e na Biblioteca Nacional, durante a década de 1980, que mais contatámos e conversámos, convidando-me, sempre que nos cruzávamos, para a sua mesa, a que se juntavam, não raras vezes, entre outros, os professores José Tengarrinha e Manuel Ferreira. 

Afetuoso, sensível, excelente ouvinte e, simultaneamente, um contador de histórias e de História que a todos prendia, dotado de uma cultura vastíssima, muito contribuiu para a minha formação enquanto cidadão interessado pela História e Histórias, interpelando, com interesse genuíno, o estado dos meus trabalhos.