[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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domingo, 16 de dezembro de 2018

[1977.] JOSÉ BORREGO [II] || COMISSÃO CENTRAL DO MUD-JUVENIL

* JOSÉ MARIA SOARES BORREGO *
[27/03/1918 - ]

[José Borrego || Fotografia de 14/04/1947 || ANTT || RGP/17439]

Quarto filho de Maria José Soares Borrego e de José Maria Borrego Júnior, José Maria Soares Borrego nasceu em 27 de Março de 1918, em Castelo Branco, onde o pai se encontrava com escrivão de direito.

O pai, «militante e propagandista do Partido Democrático de Afonso Costa» e que, quando jovem escrivão de direito em Figueira de Castelo Rodrigo e em Castelo Branco, tinha sido «proprietário, director, redactor e repórter de jornais progressistas e até mesmo proprietário de tipografias várias vezes "empastelada" pelos reaccionários, que o ameaçavam e atacaram várias vezes à paulada, a soco e a tiro», era um democrata e opositor à Ditadura Militar, muito contribuindo para a formação  humana e política dos cinco filhos.

Com oito anos, estando a família já a residir no Porto, José Borrego assistiu à Revolta de 3 de Fevereiro de 1927 contra a Ditadura Militar, disso dando conta num texto que publicou em 1982, na revista História [n.º 40, Fevereiro], intitulado "Fevereiro de 1927: crónica de uma revolta falhada".

[História || Nº 40 || Fevereiro de 1982]

Esses cinco dias intensamente vividos, constituíram uma lição «que nos deixaria marcas que não mais se apagariam».

Em 1936, com dezoito anos, entrou na Escola de Belas-Artes do Porto, onde se evidenciou como activista estudantil. 

Em 4 de Dezembro de 1939, juntamente com os colegas Amândio da Silva, Celestino de Castro, Fernando Monteiro, Francisco Valente, Hernâni Moreira, Joaquim Bento de Almeida, Maria Margarida Soares e Nadir Afonso, assinou a carta enviada ao Ministro da Educação a solicitar autorização para, ao abrigo do decreto regulamentar 21.566 de 6 de Agosto de 1932, fundar a Associação Académica de Belas-Artes do Porto [Gonçalo Esteves de Oliveira do Canto Moniz, O Ensino Moderno da Arquitectura. A Reforma de 57 e as Escolas de Belas-Artes em Portugal (1931-69), Dissertação de Doutoramento em Arquitectura, Coimbra, 2011, Vol. I].

Em 30 de Julho de 1943, segundo Gonçalo Canto Moniz, José Borrego integrou o grupo de 54 estudantes que enviou uma carta ao director da EBAP a apelar à permanência de Carlos Ramos como docente daquela instituição. Entre os subscritores constava, também, o nome de Lobão Vital, cuja amizade se manteve até ao fim.

Em 1946, integrava o denominado “Grupo de Estudantes de Belas-Artes do Porto" que editava um Boletim, promovia actividades e conseguiu, ainda, «implementar o funcionamento de assembleias-gerais de alunos, como espaço de discussão sobre as actividades do grupo e sobre o funcionamento da escola». O Conselho Escolar da EBAP interditou-o e, em 1 de Junho, foi aplicada a vários alunos, entre os quais José Borrego, uma suspensão por 90 dias [Gonçalo Canto Moniz].

Nesse mesmo ano, fez parte da Comissão Central do MUD - Juvenil, juntamente com António Abreu, Francisco Salgado Zenha, Júlio Pomar, Maria Fernanda Silva, Mário Sacramento, Mário Soares, Nuno Fidelino de Figueiredo, Octávio Pato, Óscar Reis e Rui Grácio [apenas Nuno Fidelino de Figueiredo e Rui Grácio não eram membros do Partido Comunista].

No ano seguinte, em 13 de Abril de 1947, foi preso pela PIDE,  saindo em liberdade em 27 de Agosto, tendo o MUD - Juvenil distribuído um panfleto a apelar à sua libertação e de Francisco Salgado Zenha, Augusto Aragão, Almor Viegas Pires, Eugénio de Almeida e outros jovens democratas de todo o país presos à ordem da PIDE [Fundo Alberto Pedroso / Fundação Mário Soares].

Já casado com Júlia Borrego e referenciado como "profissional de arquitectura", foi julgado pelo Tribunal Plenário de 15 de Março de 1949 e condenado em 100 dias de prisão correccional, tendo a sentença sido confirmada por acórdão do Supremo Tribunal de Justiça de 19 de Julho de 1950 [Processo 575/47; anteriormente, já lhe tinha sido aberto o Processo 1659/SR]. 

José Borrego foi, ainda, Sócio Auxiliar da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, a que pertencia a sua mulher.

Em 1951, apoiou a candidatura presidencial de Ruy Luís Gomes subscrita pelo Movimento Nacional Democrático e, aquando do comício realizado em Rio Tinto, no Cine Vitória, foi um dos muitos presentes agredido pela polícia, tendo de se deslocar ao Hospital de Santo António devido a contusões diversas no dorso e pernas [José da Silva, Memórias de um operário, 2.º volume, 1971].


[José da Silva || Memórias de um operário || 1971]

A partir do início da década de 1950, José Borrego aparece associado às actividades do ODAM - Organização em Defesa de uma Arquitectura Moderna / Organização dos Arquitectos Modernos e, entre as suas traduções, consta o livro Manière de Penser l'Urbanisme, de Le Corbusier [Maneira de Pensar o Urbanismo, Publicações Europa-América, 1969].

Só em 1978, 42 anos depois de ter entrado na Escola de Belas-Artes do Porto, é que José Borrego recebeu o respectivo diploma. 

A par da sua intervenção enquanto arquitecto, trabalhando no Porto e em Lisboa, José Borrego foi um dos mais dinâmicos membros do cineclubismo, assumindo diversos cargos no Cineclube Imagem e no Cineclube do Porto.

[João Esteves]

sábado, 15 de dezembro de 2018

[1972.] JOSÉ BORREGO [I] || A REVOLTA DE 3 DE FEVEREIRO DE 1927, NO PORTO

* JOSÉ BORREGO *
[27/03/1918 - ]



No N.º 40 da revista História, de Fevereiro de 1982, o arquitecto José Borrego descreve o ambiente e episódios da Revolta contra a Ditadura Militar que eclodiu no Porto em 3 de Fevereiro de 1927.

Tinha, então, quase 9 anos, mas o que presenciou, tanto individualmente, como no seio da família ou entre amigos e colegas do Liceu Alexandre Herculano, ficou-lhe para sempre na Memória e fortaleceu o seu trajecto político posterior de resistente antifascista. 


Nesse escrito, insuficientemente conhecido, José Borrego remete-nos para esse longínquo dia 3 de Fevereiro de 1927, quando se encontrava no Liceu, para onde entrara em Outubro de 1926 e cujo Reitor era o republicano Rodrigues Fontinha, e as aulas foram abruptamente interrompidas em virtude de haver "uma revolução".

O pai, José Maria Borrego Júnior, "muito alto, quase dois metros, magro, de fato cinzento quase preto, com o chapéu de abas ligeiramente reviradas para cima, o bigode alourado e sobrancelhas bastas que lhe acentuavam o ar assustador", foi buscá-lo ao estabelecimento escolar, bem como a dois outros irmãos mais velhos, dizendo-lhe que "Desta vez é a sério, ou eles ou nós! Mas deixa lá, tu não percebes isto. É preciso restaurar a República!».

Entrincheirado em casa, localizada na Rua de Santos Pousada, descreve o evoluir do conflito entre os revoltosos e as tropas afectas à Ditadura e os temores por que a família passa, claramente contra o regime saído do 28 de Maio de 1926.

[...]

Dava-se o apoio possível aos revoltosos:


 Ao mesmo tempo que José Borrego descreve a evolução do conflito a favor das forças da Ditadura, evoca os ensinamentos políticos que ele e os irmãos sempre receberam do pai: 

«Todos nós, desde muito novos, ouvíamos o nosso pai fazer uma constante exaltação da ideia republicana e democrática, avançando constantemente uma definição socialista que para sempre nos marcara.»

«Falava-nos dos seus tempos de militante e propagandista do Partido Democrático de Afonso Costa e de como se vira envolvido em violentas lutas contra monárquicos e os reaccionários, quando jovem escrivão de direito na vila beiroa de Figueira de Castelo Rodrigo, depois já em Castelo Branco - num e noutro sítio, proprietário, director, redactor e repórter de jornais progressistas e até mesmo proprietário de tipografias várias vezes "empastelada" pelos reaccionários, que o ameaçavam e atacaram várias vezes à paulada, a soco e a tiro.»

«Descrevia-nos, com pormenores cheios de minúcia, a revolução russa de 1917, falava-nos dos anarquistas ibéricos e dos russos e prenunciava-nos um mundo em que um dia as pessoas teriam todas iguais direitos e deveres, em liberdade e a caminho da abundância e da cultura.»

«Marcara-nos bem com a ideia de que todo o homem tem o direito a uma casa, à alimentação, à saúde e à instrução.»

«Criara-nos o asco às polícias políticas, desde a Inquisição - de que nos contara os horrores -, de Pina Manique, das "Secretas" da monarquia e das ditaduras "republicanas", e fizera-nos ver em que quadro de tirania se estava já a viver e no que se criaria se a revolta fosse perdida.»

«Cultivava em nós o sentido profundo da independência nacional e o da função pública como uma dádiva ao País.»

«E fazia com que não nos esquecêssemos, para o resto das nossas vidas, de que os principais líderes democráticos tinham morrido pobres como sempre tinham sido ou depois de esgotarem as suas fortunas ao serviço do País.»

Esses cinco dias vividos por José Borrego, «que parecia demorarem anos», constituíram uma lição «que nos deixaria marcas que não mais se apagariam».

Fracassada a Revolta de Fevereiro de 1927, triunfou a repressão, as torturas, os fuzilamentos:




Três ou quatro anos depois, José Borrego andava a vender selos do Socorro Vermelho e viria a pertencer ao Partido Comunista Português. 

[José Maria Soares Borrego || Fotografia de 14/04/1947 || ANTT || RGP/17439]

Na década seguinte, em Julho de 1946, integraria a Comissão Central do MUD - Juvenil, sendo preso em 1947, ao mesmo tempo que era um dos apoiantes masculinos da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz. 

[João Esteves]

quarta-feira, 18 de junho de 2014

[0668.] IVONE DIAS LOURENÇO [III] || 1937 - 2008

* IVONE CONCEIÇÃO DIAS LOURENÇO *
[03/04/1937 - 24/01/2008]

[in Por teu livre pensamento ||Assírio e Alvim || 2007]

Filha de António Dias Lourenço da Silva [23/03/1915-07/08/2010] e de Casimira da Conceição Silva [08/09/1917-05/01/2009], funcionários clandestinos do Partido Comunista Português.

Irmã de Lígia Lourenço

Afilhada de Alves Redol [1911-1969], que lhe deu o nome, nasceu em 3 de abril de 1937, em Vila Franca de Xira, e morreu no dia 24 de janeiro de 2008, com 70 anos de idade. 

Em resultado do ambiente em que vivia, “conheceu vários lares durante a sua infância e foi entregue aos cuidados de amigos da família para beneficiar de direitos tão elementares como a educação” [Por teu livre pensamento, p. 133], tendo, aos sete anos, ido viver com o editor Francisco Lyon de Castro [24/10/1914-11/04/2004]. 

Deixou de viver com os pais, sujeitos às regras da clandestinidade, embora mantivesse contactos esporádicos com eles, passou pela Figueira da Foz e, quando aqueles foram presos em Dezembro de 1949, regressou a Lisboa. 

A consciência política manifestou-se, pela força das circunstâncias, muito cedo.

Em 1946, com nove anos, fez de “filha” da “criada” durante o IV Congresso do Partido Comunista, “sempre a cirandar no jardim da vivenda onde se realizou, para poder avisar lá para dentro de algum movimento anormal no exterior” [Ivone Dias Lourenço, “Ora viva, Liberdade”]. 

Iniciou a actividade política no MUD Juvenil pela mão de Domingos Abrantes, com apenas 15 anos, tornou-se militante do PCP pouco depois, em 1953, e passou à clandestinidade em 1955, “após um rápido contacto com o seu pai, entretanto evadido da prisão do forte de Peniche” [Por teu livre pensamento, p. 134]. 

Começou por apoiar apoiar casas clandestinas.

Foi presa numa casa do Pinhal novo em 23 de novembro de 1957, com 20 anos de idade, e enviada para Caxias, onde foi sujeita a um período de seis meses de isolamento e a sessões de interrogatórios de dois a três dias de duração.

Na prisão, conviveu com Aida Magro, Aida Paulo, Alda Nogueira, Cândida Ventura, Fernanda de Paiva Tomás, Julieta Gandra, Maria Ângela Vidal e Campos, Maria da Piedade Gomes dos Santos, Maria Eugénia Varela Gomes, Maria Luísa Costa Dias e as irmãs Georgette e Sofia Ferreira, mulheres com muita experiência de luta e, algumas, com peso na direcção e militância comunistas. 

Com algumas delas, foi autora de uma das treze cartas incluídas no manifesto enviado clandestinamente da Prisão de Caxias, datado de maio de 1961, e dirigido às “organizações femininas e democráticas do mundo inteiro”, onde se fazia a denúncia das torturas e das condições em que as mulheres antifascistas estavam presas. 

Reveladas pelo jornal Público em 20 e 21 de Novembro de 2004, São José Almeida transcreve, entre outros, o testemunho tocante de Ivone Dias Lourenço, que desde a meninice teve que lidar com a PIDE: 

Estou presa há três anos e meio, mas foi sob o temor da prisão que aprendi, de pequena, a amar meus pais. Perseguidos políticos, a vida de sacrifícios, sobressaltos e fugas a que foram forçados, bem cedo nos roubaram o convívio uns dos outros. / A infância foi sem pais – foi incompleta. Depois, tinha eu então doze anos, ambos foram presos. No princípio foi a desorientação por não os ter, e um quase instintivo receio pelo que lhes pudesse acontecer. Era grande o amor e grande a dor; vaga a ideia da razão por que assim era. / Mas foi preciso querer saber tanta coisa e ter de deixar a escola; querer trabalhar e não encontrar emprego; querer comer e não ter o quê. [...] A razão dos pais presos ficou clara. E passei a amá-los mais. [...] tenho 24 anos. O resto: o noivado interrompido. O meu noivo... vê-lo não, escrever não: é proibido. Os amigos, estejam perto ou estejam longe, nem sequer podem nomear-se: é proibido. / Ver a mãe por entre vidros e grades, a metro e meio de distância, sorrir sempre e não falar do dinheiro de que precisa, dos carinhos que lhe faltam e a mim também, das saudades e da importância que apertam o coração. “Tudo bem.” “Não custa nada”. Porque ela ficaria triste, e há o guarda entre nós a cada sílaba pronunciada. O meu irmão pequenino [nascido em 1949, da união de Casimira da Conceição Silva com José Augusto da Silva Martins, passou os dois primeiros anos em Caxias, onde a mãe se encontrava presa e teria então onze anos] cresce, cresce, está mais alto do que eu. Não sei se um palmo se meio: a distância não permite medições. [...] / Em verdade, a mim não custa, podeis crer. Mas a mãe que triste veio porque há dias, novamente, não deixaram que entregasse dúzia e meia de laranjas. “Uma dúzia, nem mais uma”, é tudo o que basta a um preso político. A revista de modas e uns poemas de amor também não podem entrar. Vêm os óculos, o segundo par de óculos sucessivamente comprados por receita do médico da cadeia. Nenhum serve. “É só presa, esta mulher”: para quê perder tempo a saber se sofre de miopia ou se o que tem é astigmatismo? Para quê investigar uma doença de garganta se não é caso de morte? Emagrece de mês para mês. Mas que importa? Ainda não está à morte. A camisola tricotada para o meu irmão não pode sair daqui: é proibido. E uma história para crianças, feita por uma companheira sobre um voo com rumo às estrelas, também é proibido. É proibido dizer numa carta para a família que a esperança de voltar para junto dela é uma constante. É proibido dizer-lhes que um nosso companheiro está doente e não é tratado, foi espancado ou está a pão e água no ‘segredo’. É proibido dizer que a razão foi só ter escrito sobre um prato o nome próprio. Não vale a pena esperar pelo Natal e Ano Novo para abraçar a família: mesmo uma vez por ano, é proibido abraçá-la. / Foi proibido dizer que é injusta a proibição e queremos que a levantem: deu dois meses sem visitas – pune-se a cadeia inteira porque, enfim, tem coração. É proibido tentar saber quem foi preso. No carro celular que passou no pátio há pouco, pode ter vindo o meu pai, outros pais, outros irmãos ou maridos – tantos deles perseguidos, perseguidos, perseguidos, só por serem portugueses. Se aqui estão presos também, jamais podem lobrigar-se: é proibido. É proibido cantar, é proibido rir alto. Proibido trabalhar. Preso político: é proibido viver. / Não aceito! Nem que morra na prisão.

 [“Cartas manifesto de mulheres na prisão de Caxias – I/Ivone Dias Lourenço”, Público, 20/11/2004, p. 13]. 

Permaneceu seis anos e nove meses na prisão de Caxias. 

Foi-lhe concedida a liberdade condicional em 27 de maio de 1964 e solta em 8 de Junho. 

Recusou inicialmente repetir a clandestinidade, por considerar que “devia viver e conhecer gentes diferentes". 

No entanto, reingressou, três meses depois, por acção de Rogério Carvalho, na clandestinidade: tinha 27 anos. 

Colaborou no aparelho técnico do VI Congresso, realizado em Setembro de 1965, em Kiev, saindo e entrando de forma ilegal do país. 

Desenvolveu tarefas de organização ligadas à juventude: primeiro no Porto, em sectores operários; depois em Lisboa, onde viveu em casa da família do funcionário clandestino José Carlos Almeida, preso, no Porto, no dia 21 de abril de 1974; e finalmente no norte, encontrando-se, aquando da revolução de Abril de 1974, numa aldeia piscatória do concelho de Matosinhos. 

Só voltou à vida legal em maio,  reencontrando o pai, “que não via desde os tempos que precederam a sua fuga de Peniche” [Por teu livre pensamento, p. 136].

Tornou-se, desde Setembro desse ano, jornalista do jornal Avante!, órgão oficial do Partido Comunista, onde trabalhou até se reformar em 2003. 

Sócia número 422 do Sindicato dos Jornalistas, pertenceu à União dos Resistentes Antifascistas Portugueses (URAP). 

Apesar dos quase 55 anos de militância partidária e de ser funcionária do PCP desde os 18 anos, nunca exerceu cargos políticos. 

A vida de Ivone Dias Lourenço é uma das 25 histórias de ex-presos políticos portugueses inserida por Rui Daniel Galiza (texto) e João Pina (fotografia) na obra Por Teu Livre Pensamento.

[João Esteves, "Ivone Conceição Dias Lourenço", in Feminae. Dicionário Contemporâneo, CIG, 2013]

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

[0493.] RUY LUÍS GOMES [I] || CAMPANHA PRESIDENCIAL - 1951

* CAMPANHA PRESIDENCIAL DE RUY LUÍS GOMES || 1951 *

Postal editado pelo MUD-Juvenil || 1951


 [via Madalena Coelho Marques de Almeida, que apoiou o MUD-Juvenil e participou na campanha]

domingo, 19 de janeiro de 2014

[0490.] MADALENA COELHO MARQUES DE ALMEIDA [I]

* MADALENA COELHO MARQUES DE ALMEIDA *
[01/02/1916 - 2013]

 
[Pormenor de um grupo de sócias do CNMP - Coimbra]

Professora, licenciada em Germânicas pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. 

Apoiante do MUD e do MUD-Juvenil, integrou o numeroso grupo de mulheres da região centro que, em 1946, subscreveu o documento solicitando a Maria Lamas, na qualidade de Presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, a formação de uma delegação em Coimbra. 

Aderiu, no mesmo período, ao núcleo de Coimbra da Associação Feminina Portuguesa para a Paz. 

Participou na campanha presidencial de Norton de Matos, tendo discursado, a 13 de Janeiro de 1949, no comício realizado no Teatro Avenida, em Coimbra. 

Manteve actividade oposicionista na década seguinte.

Presa pela PIDE juntamente com o marido, Boaventura de Almeida Lopes Tavares [15/06/1917-17/05/1974], em 27 de Agosto de 1962, na Figueira da Foz. Na mesma data, mas em Coimbra, foi detida Eva Amado.

Levada para Caxias, permaneceu detida até 20 de Novembro, sendo libertada sob caução. Julgada em 16 de Novembro do ano seguinte, foi condenada a 1 ano de prisão e perca de direitos políticos, enquanto Eva Amado foi condenada a 14 meses de prisão.

Ivone Maria da Conceição Teles, licenciada em Farmácia, e Maria Regina Dias Carvalheiro, advogada, integraram o mesmo processo, embora tenham sido detidas posteriormente - a 30 de Outubro e a 18 de Dezembro -, tendo ambas sido absolvidas aquando do julgamento a 16 de Novembro de 1963.


Acusada de pertencer ao Partido Comunista, foi afastada do ensino e reintegrada na sequência da revolução de Abril de 1974. 

O marido, engenheiro civil, faleceu menos de um mês decorrido sobre esta data com 57 anos.


[João Esteves]