[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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segunda-feira, 20 de outubro de 2014

[0810.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [XXII]

* NOS 100 ANOS DO CNMP || 1914-2014 *



Inserido nas Jornada Internacionais Falar de Mulheres - 10 anos depois, decorreu hoje de manhã a evocação do centenário do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Foram também oradores Anne Cova e Paulo Guinote, tendo a sessão sido moderada por Natividade Monteiro. 

O CNMP foi constituído há 100 anos, em Março de 1914, e merece ser evocado, celebrado e estudado por razões óbvias.

Apenas  algumas notas. 

1.º O CNMP sobreviveu durante 33 anos, tornando-se a organização de mulheres que mais tempo perdurou durante todo o século XX: nasceu e cresceu durante a 1.ª República; conheceu a Ditadura Militar; e foi extinta pela Ditadura do Estado Novo, em 28 de Junho de 1947.

2.º Durante esses anos sobressaem 3 nomes, embora só 2 é que permanecem vivos, historiograficamente falando:
  • Adelaide Cabete, nome mais sonante desde a fundação até 1935, ano em que faleceu.
  • Maria Lamas, que está associado aos três últimos anos do CNMP e que lhe deu nova vida.
  • Maria Clara Correia Alves, o nome “esquecido” e que foi essencial nos primeiros anos da sua existência até à viragem da década de 10 para a de 20.

3.º Os 33 anos do CNMP foram desiguais, passando por várias fases:
  • A década de 1910, que corresponde ao início, teve como principais dinamizadoras Adelaide Cabete e Maria Clara Correia Alves. Está ainda por esmiuçar o porquê do surgimento em Março de 1914, quando ainda subsistiam a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e a Associação de Propaganda Feminista, organizações lideradas por correlegionárias de Adelaide Cabete? Os republicanos e maçónicos já não confiavam em Ana de Castro Osório ou era uma orientação internacional que se impunha às feministas portuguesas?
  • Na década de 1920, quando a República estava já a soçobrar, atingiu o seu primeiro ponto alto ao tornar-se uma organização feminista com impacto em Portugal e no estrangeiro mediante os 6 congressos internacionais e 4 nacionais a que esteve associado entre 1920 e 1929. É também nestes anos que maçónicas repartiram os sucessivos corpos gerentes.
  • Com o endurecimento da ditadura Militar e a sua mutação em Estado Novo, sobrevive com muitas dificuldades e ambiguidades, verificando-se um difícil equilíbrio do CNMP com as outras organizações de mulheres criadas pela ditadura: OMEN e MPF. Talvez por o CNMP não ser então uma organização “segura”, as mulheres de esquerda tenham avançado para a fundação da Associação Feminina Portuguesa para a Paz (1935-1952). Até 1935, mesmo quando estava em Angola, Adelaide Cabete continuava a ser a sua figura tutelar.
  • Em meados da década de 40 deu-se o renascimento do CNMP com a eleição de uma direção presidida por Maria Lamas.

4.º O CNMP tinha começado como uma organização republicana e feminista, embora se declarasse apolítica e arreligiosa, e acabava como uma agremiação antifascista.

  •  A forte adesão de jovens mulheres universitárias, intelectuais e oposicionistas por altura do fim da II Guerra não foi um acaso.
  • Em torno do CNMP, da AFPP, do MUD e do MUD Juvenil despontava a segunda geração de mulheres oposicionistas.
  • A resistência ao fascismo não se deu só no masculino e continua a ser um erro crasso não ver o alcance da militância política, para além da cultural, destas mulheres.

5.º Em conclusão, o CNMP deixa, pelo menos, dois legados: enquanto aglutinador de republicanas, feministas e maçónicas num primeiro momento e, na última fase, enquanto mobilizador e dinamizador da oposição feminina antifascista.

6.º Alguns estudos sobre o CNMP:


domingo, 19 de outubro de 2014

[0808.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [XXI] || ROSA DE LURDES MATIAS PIRES CORREIA [I]

* NOS 100 ANOS DO CNMP || 1914-2014 *

|| ROSA DE LURDES MATIAS PIRES CORREIA ||


[0807.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [XX] || CÉLIA ROSA BATISTA COSTA [I]

* NOS 100 ANOS DO CNMP || 1914-2014 *

|| CÉLIA ROSA BATISTA COSTA ||


[0806.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [XIX] || VANDA GORJÃO [I]

* NOS 100 ANOS DO CNMP || 1914-2014 *

|| VANDA GORJÃO ||

 [ONG da CC da CIDM, 1994]


[0805.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [XVIII] || ROSMARIE WANK-NOLASCO LAMAS [I]

* NOS 100 ANOS DO CNMP || 1914-2014 *

|| ROSMARIE WANK-NOLASCO LAMAS ||

[Bertrand Editora, 1995]
  


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

[0765.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [XVII]

* NOS 100 ANOS DO CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS || 1914-2014 *



Apesar dos estudos de referência de Rosmarie Wank-Nolasco Lamas [Mulheres para além do seu tempo, Bertrand Editora, 1995], de Vanda Gorjão [A Reivindicação do voto no programa do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1914-1947), Lisboa, CIDM, 1994], de Célia Rosa Batista Costa [O Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1914-1947) – Uma organização feminista (2007)] de Rosa de Lurdes Matias Pires Correia [O Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas: a principal associação de mulheres da primeira metade do século XX (1914-1947) (2013)] e da síntese publicada no Dicionário de História da I República e do Republicanismo, há ainda um longo percurso a fazer no estudo e divulgação do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, quer enquanto a organização de mulheres que mais anos se manteve em exercício, quer como núcleo legal de oposição ao Estado Novo. 

O Espólio Maria Lamas, pertença do Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea da Biblioteca Nacional, contém variada documentação sobre a sua proibição pelo salazarismo, incluindo correspondência trocada entre a escritora e o Governador Civil de Lisboa. 

Além do mais, dispomos da memória viva de muitas activistas que iniciaram a vida cívica e política no Conselho há mais de cinquenta anos e que urge ouvir, registar e preservar, sabendo dar valor à sua coragem e inconformismo em “tempos sombrios”, como demonstrou Vanda Gorjão em Mulheres em tempos sombrios. Oposição feminina ao Estado Novo.

[João Esteves]