[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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segunda-feira, 7 de abril de 2025

[3556.] TARRAFAL - PRESOS POLÍTICOS E SOCIAIS (1936-1954 / 1961-1974) || FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO

* O TARRAFAL - PRESOS POLÍTICOS E SOCIAIS (1936-1954. 1961-1974) *

FUNDAÇÃO JOSÉ SARAMAGO || 9 DE ABRIL || 18.30

No dia 9 de abril, às 18h30, o auditório da FJS acolhe uma conversa a partir do livro “Tarrafal – campo de concentração”, coordenado por Alfredo Caldeira e João Esteves. Além dos autores, participam na sessão: Antónia Gato Pinto, Diana Andringa, Domingos Abrantes, Fernando Rosas, Luís Farinha e Maria Luísa Tiago de Oliveira.


[João Esteves]

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

[2188.] LUÍSA TIAGO DE OLIVEIRA [II] || O ACTIVISMO ESTUDANTIL NO IST (1945 - 1980)

* LUÍSA TIAGO OLIVEIRA *
[ORGANIZADORA]

LIVROS NO ALJUBE || 12 DE NOVEMBRO DE 2019 || 18.30

O Activismo Estudantil no IST (1945 - 1980) || Edições Fénix || Luísa Tiago de Oliveira (Org.)

«Analisámos a génese, afirmação e o ocaso de um activismo estudantil no IST com uma cultura de resistência antifascista, uma combatividade forte e uma hegemonia de esquerda» [Luísa Tiago de Oliveira, p. 171]

sábado, 25 de maio de 2019

[2141.] LUÍSA TIAGO DE OLIVEIRA [I] || O ACTIVISMO ESTUDANTIL NO IST (1945 - 1980)

* LUÍSA TIAGO OLIVEIRA *
[ORGANIZADORA]

O ACTIVISMO ESTUDANTIL NO IST (1945 - 1980)

Edições Fénix || Abril de 2019

[Edições Fénix || 2019]

Tendo por organizadora Luísa Tiago de Oliveira, o livro O Activismo Estudantil no IST (1945 – 1980) desvenda 35 anos dos movimentos associativo e estudantil da Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico (AEIST). Três décadas e meia compreendidas entre o pós-guerra e o derrubamento da Ditadura - construção da Democracia, correspondendo à «génese, afirmação e ocaso de um activismo estudantil de grande combatividade, culturalmente interveniente, com uma prática de resistência anti-Regime forte e uma hegemonia de esquerda» [Preâmbulo, p. 7].

A partir do cruzamento do Arquivo da AEIST, composto por 1735 caixas que, pela primeira vez, foram inventariadas e fichadas, com Arquivos Particulares de protagonistas, periódicos associativos, vinte e três entrevistas formais a presidentes e dirigentes da agremiação, das quais se publica a transcrição de dezanove, e «a observação participante […] nos encontros e actividades com antigos estudantes do IST», Luísa Tiago de Oliveira reconstrói os diferentes processos de mobilização e resistência estudantis num quotidiano condicionado, até 1974, por teias policiais e institucionais da Ditadura, num permanente equilíbrio entre «luta invisível e luta visível» [p. 16].

Da expulsão, por motivos políticos, de três docentes em Junho de 1947 à “despolitização” do movimento estudantil a partir de finais da década de 1970, a Autora considera possível repartir por cinco fases a mobilização e intervenção da AEIST: do pós-guerra até 1956/57; a luta contra o Decreto-Lei 40 900, datado de 12 de Dezembro de 1956, em defesa da autonomia associativa, e a grande mobilização pela realização do Dia do Estudante, em Março de 1962, culminando, em 11 de Maio, na prisão em massa de cerca de 1500 estudantes acantonados na Cantina da Cidade Universitária; o período que medeia entre esta crise e 1967/69, abarcando as prisões e expulsões de 1963 a 1965; a fase que culmina no 25 de Abril de 1974, com a crescente politização do Movimento Estudantil, o aparecimento das “Novas Esquerdas”, conceito algo ambíguo e generalista, a questão da Guerra Colonial e a contestação à institucionalização de “vigilantes”, rapidamente denominados “gorilas”, nos estabelecimentos do ensino superior; e, por fim, a época imediatamente subsequente à revolução, com a representação dos estudantes nos diversos órgãos de gestão e a «grande politização, partidarização e conflitualidade no activismo estudantil» [p. 169].

Pelas diferentes fases perpassa as sucessivas tensões entre a AEIST e os poderes políticos e académicos e, por outro lado, o agudizar das tensões subjacentes ao próprio associativismo estudantil em resultado das diferentes correntes político-associativas que se iam definindo e confrontando. 

Porque «os associativos preocupavam-se em manter a seu lado os não-associativos, ou seja, a maioria dos estudantes» [p. 64], este estudo dá destaque ao papel da AEIST na intervenção dos problemas quotidianos, desde a alimentação na cantina às questões pedagógicas; esmiúça a função específica de cada secção ou organismo; e explora os espaços, escolares e extra-escolares, das sociabilidades estudantis, fortemente marcadas pelos desporto, pelo convívio e debate, pela partilha e intenso envolvimento cultural – da literatura ao cinema, da música ao teatro e às artes plásticas. 

A relevância da AEIST no âmbito do associativismo estudantil da capital é reafirmada por muitos dos seus dirigentes, realçando-se as condições privilegiadas de espaço – talvez «a única Associação de Estudantes de Lisboa com edifício autónomo e destinado a actividades associativas, desde a fase do projecto do arquitecto Pardal Monteiro» [Mónica Maurício, p. 115], a capacidade económica e possuir máquinas de stencil e offset, para além da localização central.

O activismo estudantil marcou, cívica e politicamente, todos os que nele se envolveram, constituindo cada uma das dezanove entrevistas transcritas, todas datadas de 2010, um contributo essencial para a compreensão dos anos posteriores a 1950: João Cravinho (aluno entre 1953 – 1959); José Fernando Pinharanda (1954 – 1962); Heitor Santos (1956 – 1962); António Garcia (1959 – 1965 / 1969 – 1970); Jorge Dias de Deus (1958 – 1964); Fernando vicente (1960 – 1968); Mário Lino (1959 – 1965); António Mota Redol (1960 – 1967); Pedro Santos Coelho (1960 – 1967); Jorge Veludo (1962 – 1969); Paula Fonseca (1962 – 1969); José Mariano Gago (1965 – 1971); João Vieira Lopes (1964 – 1972 / 1978 – 1980); António Abreu (1965 – 1971); Fernando Valdez (1966 – 1974); Carlos Costa (1968 – 1976); Alfredo Gomes (1970 – 1979); Pedro Gonçalves Henriques (1971 – 1976); Carlos Pimenta (1972 – 1979).  

O livro contém, ainda, uma minuciosa Cronologia, com indicação da data, acontecimento e fonte, subdividida em três períodos (1911 – 1944; 1945 – 1980; 1982 – 2006) e, da autoria de António Mota Redol, uma primeira lista de 98 estudantes e/ou engenheiros do IST detidos pela PIDE ou pela DGS desde 1945, reconstituída a partir de diversas fontes, incluindo testemunhos orais. 

Embora Portugal vivesse em Ditadura, com as perseguições, a prisão e a tortura a recair sobre os que a combatiam, «os estudantes constituem um grupo que, enquanto tal, o Estado Novo reprimia, mas não da forma mais dura» [p. 62], sendo que «os estudantes do IST parecem ter sido mais poupados pela repressão do que outros grupos sociais» [p. 63]. 




quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

[2031.] ALBERTO DE ALMEIDA [I] || DEPORTADO PARA TIMOR (1931)

* ALBERTO DE ALMEIDA *
[1907 - 1932]

REVOLTA DE 26 DE AGOSTO DE 1931 CONTRA A DITADURA MILITAR || DEPORTADO PARA TIMOR, ONDE FALECEU EM 1932

[Navio "Pedro Gomes" que, em 2 de Setembro de 1931, transportou 358 deportados políticos para Timor]

Filho de Maria do Carmo de Almeida e de Manuel de Almeida, Alberto de Almeida terá nascido em 1907, em Viseu.

Pintor, antigo empregado da Câmara Municipal de Lisboa, com residência no Bairro da Bélgica - 265, em Lisboa, foi preso em 26 de Agosto de 1931, acusado de ter participado na Revolta contra a Ditadura Militar ocorrida nesse dia.

Preso por praças do Exército na Avenida António Augusto de Aguiar e levado para o Batalhão de Caçadores 5, seguiu para a Cadeia Nacional / Penitenciária de Lisboa.

Deportado para Timor [Processo 326], uma semana depois, na noite de 2 de Setembro de 1931, foi levado da Penitenciária de Lisboa e embarcou, com mais 357 deportados (271 civis e 87 militares), no navio Pedro Gomes.

FOTOGRAFIAS DE MILITARES DEPORTADOS A AGUARDAR O EMBARQUE NO NAVIO PEDRO GOMES || TORRE DO TOMBO

[27/08/1931 || PT/TT/EPJS/SF/001-001/0020/1022F || Pormenor]

[27/08/1931 || PT/TT/EPJS/SF/001-001/0020/1023F || Pormenor]



[27/08/1931 || PT/TT/EPJS/SF/001-001/0020/1029F || Pormenor]

[27/08/1931 || PT/TT/EPJS/SF/001-001/0020/1026F || Pormenor] 

No Pedro Gomes seguiam os principais chefes militares da revolta de 26 de Agosto, tendo o barco navegado pelo Mar Mediterrâneo, atravessado o Canal do Suez e chegado a Dili em 16 de Outubro, sem fazer qualquer escala nas colónias portuguesas. 

Segundo ofício do Ministério do Interior, faleceu em Timor em 25 de Maio de 1932. 

No entanto, segundo documentação disponibilizada por J. Quintanilha Mantas, Alberto de Almeida faleceu com uma biliosa em 8 de Janeiro de 1932, quando seguia numa lancha do campo de concentração de Ataúro para o hospital de Dili. Segundo a mesma fonte, teria enlouquecido naquele campo de concentração onde, logo que o seu estado se manifestou, perdeu a fala - que nunca mais recuperou - passando a comunicar por mímica.


[Manuscrito de João da Silva, publicado em FNM por J. Quintanilha Mantas]

António Monteiro Cardoso, no livro Timor na 2.ª Guerra Mundial - O Diário do Tenente Pires [colaboração de Luísa Tiago de Oiveira, CEHCP, 2007], refere que a comissão organizadora do seu funeral foi composta por Carlos Santos Barata, Jaime Pereira Rodrigues Baptista [Capitão de Infantaria, 1883 - 1938], Manuel dos Santos Pimenta [ex-Alferes de Artilharia / escriturário] e Mário de Moura [1.º Sargento de Metralhadoras 1].

Nota: Muito obrigado a J. Quintanilha Mantas pelo envio de preciosas informações complementares sobre Alberto de Almeida.

Fonte:
ANTT, Cadastro Político 3342 [Alberto de Almeida / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0367].


[João Esteves]
[actualizado em 22/09/2019]

sábado, 6 de janeiro de 2018

[1693.] ABÍLIO CRISTÓVÃO SÉRGIO [I]

* PARTICIPAÇÃO NA REVOLTA DE 26 DE AGOSTO DE 1931 *

* DEPORTADO PARA TIMOR (1931-1932) *

Serralheiro.

Filho de Júlia da Conceição Sérgio e de João Francisco Sérgio, nasceu em Lisboa, em 1901.

Envolvido na Revolta de 26 de Agosto de 1931 contra a Ditadura Militar, foi preso nesse mesmo dia na Praça Marquês de Pombal.

Deportado para Timor em 2 de Setembro, embarcou no dia seguinte no vapor "Pedro Gomes".

Abrangido pela amnistia concedida pelo Decreto 21.943, de 5 de Dezembro de 1932, foi autorizado a regressar e desembarcou em Lisboa em 1933, tendo-se apresentado às autoridades policiais em 12 de Junho.

Continuou a residir em Alcântara, na Rua Rodrigues Faria, 85.

António Monteiro Cardoso, no livro Timor na 2ª Guerra Mundial - O Diário do Tenente Pires [Colaboração de Luísa Tiago de Oliveira - CEHCP-ISCTE, 2007] inclui o nome na extensa lista de deportados para Timor entre 1927 e 1931.

Para além do registo policial, desconhecem-se outras informações sobre este Deportado [ANTT, Cadastro Político N.º 3256].