[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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quinta-feira, 30 de abril de 2020

[2364.] RUY LUÍS GOMES [II] || PORTUGAL DEMOCRÁTICO (1956)

* RUY LUÍS GOMES *
[05/12/1905 - 27/10/1984]

Fotografia publicada no N.º 2 do jornal Portugal Democrático, editado em São Paulo

[Portugal Democrático || N.º 2 || 04/08/1956 || ANTT || PT-TT-JPD-0001_m0018]

sábado, 22 de junho de 2019

[2153.] MOVIMENTO NACIONAL DEMOCRÁTICO [I] || COMISSÃO CENTRAL

* MOVIMENTO NACIONAL DEMOCRÁTICO *

[Da esquerda para a direita - António Areosa Feio, Albertino Macedo, Virgínia Moura, Rui Luís Gomes, Maria Lamas e José Morgado]

[Virgínia Moura || Mulher de Abril, Álbum de Memórias || Edições Avante! || 2015]

domingo, 16 de dezembro de 2018

[1977.] JOSÉ BORREGO [II] || COMISSÃO CENTRAL DO MUD-JUVENIL

* JOSÉ MARIA SOARES BORREGO *
[27/03/1918 - ]

[José Borrego || Fotografia de 14/04/1947 || ANTT || RGP/17439]

Quarto filho de Maria José Soares Borrego e de José Maria Borrego Júnior, José Maria Soares Borrego nasceu em 27 de Março de 1918, em Castelo Branco, onde o pai se encontrava com escrivão de direito.

O pai, «militante e propagandista do Partido Democrático de Afonso Costa» e que, quando jovem escrivão de direito em Figueira de Castelo Rodrigo e em Castelo Branco, tinha sido «proprietário, director, redactor e repórter de jornais progressistas e até mesmo proprietário de tipografias várias vezes "empastelada" pelos reaccionários, que o ameaçavam e atacaram várias vezes à paulada, a soco e a tiro», era um democrata e opositor à Ditadura Militar, muito contribuindo para a formação  humana e política dos cinco filhos.

Com oito anos, estando a família já a residir no Porto, José Borrego assistiu à Revolta de 3 de Fevereiro de 1927 contra a Ditadura Militar, disso dando conta num texto que publicou em 1982, na revista História [n.º 40, Fevereiro], intitulado "Fevereiro de 1927: crónica de uma revolta falhada".

[História || Nº 40 || Fevereiro de 1982]

Esses cinco dias intensamente vividos, constituíram uma lição «que nos deixaria marcas que não mais se apagariam».

Em 1936, com dezoito anos, entrou na Escola de Belas-Artes do Porto, onde se evidenciou como activista estudantil. 

Em 4 de Dezembro de 1939, juntamente com os colegas Amândio da Silva, Celestino de Castro, Fernando Monteiro, Francisco Valente, Hernâni Moreira, Joaquim Bento de Almeida, Maria Margarida Soares e Nadir Afonso, assinou a carta enviada ao Ministro da Educação a solicitar autorização para, ao abrigo do decreto regulamentar 21.566 de 6 de Agosto de 1932, fundar a Associação Académica de Belas-Artes do Porto [Gonçalo Esteves de Oliveira do Canto Moniz, O Ensino Moderno da Arquitectura. A Reforma de 57 e as Escolas de Belas-Artes em Portugal (1931-69), Dissertação de Doutoramento em Arquitectura, Coimbra, 2011, Vol. I].

Em 30 de Julho de 1943, segundo Gonçalo Canto Moniz, José Borrego integrou o grupo de 54 estudantes que enviou uma carta ao director da EBAP a apelar à permanência de Carlos Ramos como docente daquela instituição. Entre os subscritores constava, também, o nome de Lobão Vital, cuja amizade se manteve até ao fim.

Em 1946, integrava o denominado “Grupo de Estudantes de Belas-Artes do Porto" que editava um Boletim, promovia actividades e conseguiu, ainda, «implementar o funcionamento de assembleias-gerais de alunos, como espaço de discussão sobre as actividades do grupo e sobre o funcionamento da escola». O Conselho Escolar da EBAP interditou-o e, em 1 de Junho, foi aplicada a vários alunos, entre os quais José Borrego, uma suspensão por 90 dias [Gonçalo Canto Moniz].

Nesse mesmo ano, fez parte da Comissão Central do MUD - Juvenil, juntamente com António Abreu, Francisco Salgado Zenha, Júlio Pomar, Maria Fernanda Silva, Mário Sacramento, Mário Soares, Nuno Fidelino de Figueiredo, Octávio Pato, Óscar Reis e Rui Grácio [apenas Nuno Fidelino de Figueiredo e Rui Grácio não eram membros do Partido Comunista].

No ano seguinte, em 13 de Abril de 1947, foi preso pela PIDE,  saindo em liberdade em 27 de Agosto, tendo o MUD - Juvenil distribuído um panfleto a apelar à sua libertação e de Francisco Salgado Zenha, Augusto Aragão, Almor Viegas Pires, Eugénio de Almeida e outros jovens democratas de todo o país presos à ordem da PIDE [Fundo Alberto Pedroso / Fundação Mário Soares].

Já casado com Júlia Borrego e referenciado como "profissional de arquitectura", foi julgado pelo Tribunal Plenário de 15 de Março de 1949 e condenado em 100 dias de prisão correccional, tendo a sentença sido confirmada por acórdão do Supremo Tribunal de Justiça de 19 de Julho de 1950 [Processo 575/47; anteriormente, já lhe tinha sido aberto o Processo 1659/SR]. 

José Borrego foi, ainda, Sócio Auxiliar da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, a que pertencia a sua mulher.

Em 1951, apoiou a candidatura presidencial de Ruy Luís Gomes subscrita pelo Movimento Nacional Democrático e, aquando do comício realizado em Rio Tinto, no Cine Vitória, foi um dos muitos presentes agredido pela polícia, tendo de se deslocar ao Hospital de Santo António devido a contusões diversas no dorso e pernas [José da Silva, Memórias de um operário, 2.º volume, 1971].


[José da Silva || Memórias de um operário || 1971]

A partir do início da década de 1950, José Borrego aparece associado às actividades do ODAM - Organização em Defesa de uma Arquitectura Moderna / Organização dos Arquitectos Modernos e, entre as suas traduções, consta o livro Manière de Penser l'Urbanisme, de Le Corbusier [Maneira de Pensar o Urbanismo, Publicações Europa-América, 1969].

Só em 1978, 42 anos depois de ter entrado na Escola de Belas-Artes do Porto, é que José Borrego recebeu o respectivo diploma. 

A par da sua intervenção enquanto arquitecto, trabalhando no Porto e em Lisboa, José Borrego foi um dos mais dinâmicos membros do cineclubismo, assumindo diversos cargos no Cineclube Imagem e no Cineclube do Porto.

[João Esteves]

quinta-feira, 7 de abril de 2016

[1424.] LUÍS NEVES REAL [I]

* LUÍS NEVES REAL *
[1910-1985]

[Pormenor de uma fotografia retirada do Blogue Ruy Luís Gomes]

Quanto mais se penetra na estrutura da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, ou na do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, mais sobressai o carácter político enquanto grupos de mulheres oposicionistas à Ditadura do Estado Novo, indo muito para além da tentativa de aglutinar mulheres em torno da reivindicação de direitos.

Se se destacam muitos nomes de mulheres, sendo numerosas as que se encontram por estudar e por reconstituir percursos, militâncias e sociabilidades, também sobressaem nomes de homens, nomeadamente no Porto, que procuraram contribuir com a sua solidariedade e ativismo para a sobrevivência da Associação Feminina Portuguesa para a Paz.

Já se referiu o nome de Mário Sacramento. Segue-se agora o de Luís Neves Real, sendo que, apesar da sua relevância enquanto matemático ou enquanto cineclubista destacado, não foi ainda possível associar-lhe um rosto.

Professor universitário, matemático, engenheiro, cinéfilo e cineclubista. 

Licenciado em Ciências Matemáticas (1932), com 18 valores, e em Engenharia Electrotécnica (1937) pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, Luís Neves Real foi um dos muitos intelectuais que integraram, enquanto sócios auxiliares, a Delegação local da Associação Feminina Portuguesa para a Paz [Lúcia Serralheiro, Mulheres em Grupo Contra a Corrente, Rio Tinto, Evolua Edições, 2011].

Oposicionista desde o final da década de 1920 à Ditadura, quando era estudante universitário e envolveu-se na greve académica de 1928 contra a supressão das três escolas superiores do país (Letras do Porto, Direito em Lisboa e Farmácia em Coimbra), foi dos primeiros professores universitários a ver rescindido o seu contrato, o que sucedeu em maio de 1934, quando era Assistente da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, por ter assinado um “protesto” dirigido ao Reitor e aos Diretores daquela instituição contra o tipo de ensino ministrado e a falta de liberdade. 

Com ele, foram afastados os também Assistentes António Barros Machado [1912-2002] e Henrique Vítor Ziller Perez. 

Data desse tempo o contacto com Ruy Luís Gomes [1905-1984], de quem será, durante décadas, amigo, colaborador e companheiro de ideário político, estando ambos associados ao impulso dado ao movimento matemático naquela cidade através do Centro de Estudos Matemáticos – fundado em 18 de fevereiro de 1942, onde também pontificavam Almeida Costa, Manuel Barros, Manuel Miranda, Alfredo Pereira Gomes –, da Sociedade Portuguesa de Matemática e do Seminário de Matemática, que chegou a funcionar em casa de Luís Neves Real. 

Embora novamente contratado, em 1942, como 2.º Assistente além do quadro da FCUP, rescindiu o contrato em 1945, passando a dedicar-se exclusivamente ao Centro de Estudos Matemáticos, onde permaneceu até Ruy Luís Gomes ser demitido em maio de 1947 [Fernando Rosas e Cristina Sizifredo, Estado Novo e Universidade: a perseguição aos professores, Lisboa, Tinta-da-China, 2013]. 

Deu explicações de matemática e, sócio da empresa Neves e Pascaud, proprietária dos cinemas Batalha, Olímpia e Trindade, tornou-se, naquele ano, associado do Cineclube do Porto (CCP), tal como Manuel de Azevedo, outro nome ligado à Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, deixando profundas marcas enquanto cineclubista, programador e crítico. 


[Com a devida vénia, reproduz-se aqui o esclarecedor apontamento de Fernando Ribeiro, retirado do seu blogue A Matéria do Tempo: Baixo-relevo de Américo Soares Braga (1909-1991) na fachada do Cinema Batalha, Porto. A figura feminina que se encontra de pé em baixo, à esquerda, representa uma ceifeira empunhando uma foice; à sua direita, com uma corrente ao ombro, está representado um operário, que tinha na sua mão um martelo. Antes da inauguração do cinema em 1947, o martelo teve que ser retirado, porque a representação de uma camponesa e de um operário, com uma foice e um martelo nas mãos, fazia com que este baixo-relevo fosse "subversivo"...]

Segundo Lúcia Serralheiro, a AFPP organizou em janeiro de 1952 um concerto com Fernando Lopes Graça no Cinema Batalha, onde também participou Maria da Graça Amado da Cunha, pianista e sócia da AFPP de Lisboa, a cuja direção pertenceu entre 1944 e 1948.

Nesse mesmo ano, em maio, Luís Neves Real consta entre as testemunhas de defesa de Virgínia Moura que, mais uma vez, fora detida, aguardando em Caxias o julgamento [Manuela Espírito Santo, Tem cuidado meu amor. Cartas da prisão de Virgínia Moura e António Lobão Vital, Associação dos Jornalistas e Homens de Letras do Porto, 2015]. 

Em setembro de 1952, aquando da homenagem a António Luís Gomes, pai de Ruy Luís Gomes, Luís Neves Real escreveu para o jornal República o texto «Uma lição dos homens da “Propaganda”» e que o Blogue Bernardino Machado, do Dr. Manuel Sá Marques, deu relevo. 

Um ano depois, em 1 de abril de 1953, publicou no Diário de Lisboa o texto "A obra de investigação no domínio das Matemáticas empreendida pelo prof. Rui Luís Gomes". 

[Diário de Lisboa || 1 de Abril de 1953, p. 7]

A colaboração com Ruy Luís Gomes manteve-se e, em 1955, apresentaram no [Primeiro] Congresso Nacional de Filosofia, realizado em Braga, a comunicação “De Poincaré ao Intuicionismo Atual na Crítica dos Fundamentos da Matemática; Reflexos no Pensamento Filosófico e Matemático Português, texto de onde se dá destaque ao pensamento de Sampaio Bruno. 

No dia do jubileu de Ruy Luís Gomes, em 5 de dezembro de 1975, coube a Luís Neves Real, enquanto antigo aluno, o primeiro dos seus assistentes e companheiro de lutas, a autoria do importante discurso evocativo.

Um ano depois da morte do Mestre, em 1985, o texto “Testemunho de Luís Neves Real”, complementado com a atividade posterior a 1975, foi editado no Boletim da Sociedade Portuguesa de Matemática, n.º 8 [setembro de 1985]. 

Em 1986, na sequência do seu desaparecimento, a Faculdade de Ciências da Universidade do Porto criou o Prémio Dr. Neves Real, atribuído anualmente ao aluno que completar a Licenciatura em Matemática Pura com média mais elevada, não inferior a 17 valores. 

O seu impressionante Curriculum Vitae foi publicado no Boletim da Sociedade Portuguesa de Matemática de Dezembro de 1988 [n.º 11], dele se destacando os prémios recebidos nos anos letivos de 1928-1929 [Prémio Gomes Teixeira] e de 1930-1931 [Prémio Gomes da Silva]; os convites, ainda enquanto aluno, para Assistente dos 1.º e 2.º Grupos de Matemática; as instituições em que colaborou; as seis propostas, entre 1937 e 1946, para bolseiro, todas recusadas; e os trabalhos da sua autoria.

[João Esteves]

domingo, 28 de fevereiro de 2016

[1365.] VIRGÍNIA MOURA E ANTÓNIO LOBÃO VITAL POR FERNANDO MOUGA [I]

* FERNANDO MOUGA || VIRGÍNIA MOURA E ANTÓNIO LOBÃO VITAL *


No seu livro memorialista Janela da Memória (1996), que merecia outras leituras e divulgação, Fernando Mouga (1914- 1997), conceituado advogado antifascista que se fixou definitivamente em Viseu a partir de Maio de 1944 e amicíssimo de Virgínia Moura e de António Lobão Vital, descreve assim o casal:

[Fernando Mouga || Janela da Memória || 1996]

sábado, 3 de janeiro de 2015

domingo, 22 de junho de 2014

[0685.] NAZARÉ PATACÃO [I]

* MARIA DA NAZARÉ FERREIRA PATACÃO *

[Nazaré Patacão]

Licenciada em Físico-Química. 

Filha de Maria das Dores Vilar e de Domingos Ferreira Patacão, nasceu a 16 de julho de 1924 em Aveiro, cidade onde teve contactos com a Associação Feminina Portuguesa para a Paz e se tornou sua sócia de província. 

Prosseguiu os estudos universitários no Porto, onde era a sócia n.º 242 da Delegação da Associação Feminina Portuguesa para a Paz e pertenceu ao MUD Juvenil, em nome do qual assinou vários comunicados aos estudantes portuenses. 

A sua prisão pela PIDE, em meados de 1947, suscitou os protestos de Ruy Luís Gomes [1905-1984] que acabou também por ser detido e foi a causa imediata da sua expulsão da Universidade por ter dirigido uma carta ao diretor da Faculdade [entrevista de Ruy Luís Gomes à revista Flama a 24 de maio de 1974]. 

Esteve presa alguns meses no Forte de Caxias e foi proibida de exercer a profissão. 

Apoiou, nas eleições de outubro de 1969, a lista da CDE candidata pelo Porto.

Casada com o engenheiro António Soares, um dos autores que desenhou, com Jorge Delgado, o Palácio de Cristal.

[João Esteves]

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

[0493.] RUY LUÍS GOMES [I] || CAMPANHA PRESIDENCIAL - 1951

* CAMPANHA PRESIDENCIAL DE RUY LUÍS GOMES || 1951 *

Postal editado pelo MUD-Juvenil || 1951


 [via Madalena Coelho Marques de Almeida, que apoiou o MUD-Juvenil e participou na campanha]