[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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sexta-feira, 17 de julho de 2020

[2391.] FERNANDO PITEIRA SANTOS [IV] || DEVO A MIM PRÓPRIO A MEMÓRIA DA MINHA VIDA (2013)

* FERNANDO PITEIRA SANTOS *
[23/01/1918 - 28/09/1992]

Devo a mim próprio a memória da minha vida. Fernando Piteira Santos
Prisão. Clandestinidade. Exílio. Morte.

Organização e coordenação || Maria Antónia Fiadeira

Prefácio || Maria Antónia Palla

Campo da Comunicação || 2013

[Coordenação Maria Antónia Fiadeiro || Campo da Comunicação || 2013]

Cartas manuscritas inéditas do acervo familiar de Fernando Piteira Santos e que abrangem períodos de prisão, da clandestinidade e do exílio. Trocadas dentro do agregado familiar, reflectem pequenos assuntos de um quotidiano infernizado por um país sob Ditadura: «cartas francas, amigas, afectuosas, de um homem a quem a luta e o combate exigiam temperamento de aço e lucidez de lince»; cartas onde Fernando Piteira Santos se revela «íntimo de si próprio» [Maria Antónia Fiadeiro, p. 27]. 

Ao reunir parte significativa da correspondência trocada durante 30 anos, de 1945 a 1974, entre Fernando Piteira Santos e a mãe, Leonilde Bibiana Maria Piteira Santos [1873 - 26/02/1963], a mulher, Stella Bicker Correia Ribeiro [1917 - 2009], e a enteada, Maria Antónia Fiadeiro, esta «invasão epistolar» transporta-nos para um mundo sombrio de décadas e onde, malgrado as circunstâncias, sobressaem valores, utopias, esperanças e, sobretudo, «muita coragem de todos para as coisas insignificantes do dia a dia» [p. 28].

Cartas que, como refere Maria Antónia Palla no Prefácio "Piteira Santos. Para lá da Razão", «são um documento surpreendente porque nos revelam um aspecto pouco conhecido da personalidade de um homem olhado essencialmente como um intelectual e político», ao deixar transparecer, sobretudo nas missivas enviadas de doze anos de exílio, os sentimentos de «ternura, amizade, amor, saudade, frustração, solidão», sempre conjugados com «o sentido de responsabilidade, em relação aos deveres cívicos e políticos, ao trabalho e à família» [p. 30].

A correspondência para Stella Bicker iniciou-se em 1945, quando Piteira Santos estava preso em Caxias, tendo depois passado para Peniche, onde continuava em Dezembro de 1947. A troca epistolar prisional foi retomada com uma carta enviada em 19 de Agosto de 1961, quando encarcerado no Aljube, por ter sido um dos promotores do Programa para a Democratização da República.

Após o fracasso do assalto ao Quartel de Beja, na noite de 31 de Dezembro de 1961 para 1 de Janeiro de 1962, de que foi um dos mentores, Fernando Piteira Santos foi forçado a entrar na clandestinidade e a exilar-se, iniciando, então, nova troca de correspondência, sobretudo com a enteada que, no Verão de 1967, se fixou no Brasil com os dois filhos.

Em Marrocos, para onde fugiu de barco ao fim de meses na clandestinidade, iniciou o ciclo do exílio, única alternativa para continuar, em segurança, o combate politico há muito iniciado, mas sempre a pensar no regresso ao país, o que fará uma vez,  fugazmente, em 1968.

Antes de se fixar em Argel, passou, ainda, por Paris e Roma, reencontrando outros exilados. Ansiando por notícias, não pretende que lhe enviem «palavras líricas ditadas pela generosa intenção de me trazerem despreocupação e paz»: «preciso de saber o que se passa em casa,que dificuldades têm,  como estão de saúde, como correm os negócios?» [p. 36].

Stella juntar-se-á ao marido em Argel, onde também viveu a filha, Alfredo e os dois netos até ao Verão de 1967, quando estes quatro rumaram ao Brasil, deixando um vazio difícil de preencher e que as cartas trocadas bem evidenciam. A dureza do próprio exílio, a falta da enteada e dos netos, bem como as condições pessoais e materiais que enfrentavam, o prolongamento da ausência, que sempre julgou temporária, do país, o convívio em ambientes restritos e algumas das ilusões políticas desfeitas, são temas expressos em diferentes missivas. Sempre com enorme realismo e lucidez.

Como refere Maria Antónia Palla, «Fernando prometera a Stella, no início do exílio, que este seria apenas escala. "É para Lisboa que eu caminho mesmo quando me desvio no espaço"» [p. 39]. Só conseguiu desembarcar em Lisboa em 2 de Maio de 1974, após doze anos, muito sofridos, de exílio, para viver num Portugal livre depois de 48 anos de uma persistente Ditadura. A mais longa da Europa.


Dividido em 4 capítulos, o primeiro contém cartas  enviadas e recebidas na prisão, balizadas entre 4 de Dezembro de 1945 e 12 de Outubro de 1961, aquando das suas detenções no Forte de Caxias (1945), na Fortaleza de Peniche (1947) e na Cadeia do Aljube (1961), tendo como interlocutoras a mãe, a futura esposa, com quem casaria em 7 de Fevereiro de 1948, e a enteada.

O Capítulo 2 envolve o período da clandestinidade, imediatamente a seguir ao Golpe dr Beja, e contém dois manuscritos: o primeiro, datado de 22 de Março de 1962, onde «analisa com amarga frieza a sua situação» [p. 35] e as seis opções que se lhe afiguravam possíveis, antecipando a cada uma delas as eventuais críticas de quem o conhecia, englobadas numa suposta "Voz pública": «A - Situação de ocultação severa, muito reduzidos e espaçados contactos, actividade limitada a tarefas "intelectuais"»; «B - Situação de ocultação cuidadosa, contactos efectivos e regulares, actividade política prudente»; «C - Asilo diplomático»; «D - Desaparecimento»; «E - Entregar-me à prisão (embora alegando um objectivo compreensível)»; «F - Prisão por iniciativa da PIDE ou acaso» ]pp. 91-92].

A outra carta corresponde a um texto longo, datado de 2 de Março do mesmo ano, dirigido a Franco Nogueira, Ministro dos Negócios Estrangeiros, onde denuncia a perseguição que lhe é movida e, sobretudo, o acto de violência e de represália da PIDE ao prender a sua mulher em 15 de Fevereiro, por o não conseguir capturar: «A prisão de Maria Stella é uma violência e é um acto de represália. Não se argumente que existia um qualquer pretexto legítimo para a sua prisão. O seu crime é ser minha Mulher. Não é legal, nem é decente, perseguir a família de um adversário político» [p. 94]; «Será amanhã legítimo pedir à Senhora Franco Nogueira explicações, informações ou responsabilidades relativas aos actos do Ministro Franco Nogueira?» [p. 95].

[Coordenação Maria Antónia Fiadeiro || Campo da Comunicação || 2013]

O Capítulo 3 reporta-se ao período do exílio e insere missivas enviadas e recebidas quando em Alger, centradas no agregado familiar, embora com maior incidência nas endossadas à enteada / filha Maria Antónia Fiadeiro.

A "Morte" encerra o livro através do texto de Maria Antónia Fiadeiro "Para Fernando Piteira Santos: Uma carta sem correio", publicado no Jornal de Letras em 20 de Outubro de 1992: «Foi pelo correio, creio, que todos sobrevivemos afectivamente. Líamos as palavras como se tocássemos a vida» [p. 153].

Esta correspondência constitui mais um importante contributo para se olhar para Fernando Piteira Santos de forma inteira, enquanto resistente antifascista, político, historiador, cidadão e Homem de família, ao mesmo tempo que retira do esquecimento os que com ele sempre conviveram e que, em momentos muito difíceis, constituíram o seu suporte afectivo.

[João Esteves]

domingo, 18 de maio de 2014

[0640.] FEMINAE [XXXIX] - Letra S

- ENTRADAS -


- LETRA S -

Sabina da Conceição - v. Bonequeiras de Estremoz
Sara - v. Maria José de Almeida Furtado de Mendonça
0897. Sara Coelho
0898. Sara Graça
0899. Sara Medeiros
0900. Sara Rodrigues Lamarão Bramão
0901. Segunda Guerra Mundial: mulheres inglesas residentes em Portugal
0902. Selda Potocka
0903. Serviço Voluntário Feminino
0904. Silvéria Mafra Soler
0905. Sílvia Cardoso Ferreira da Silva
0906. Silvina Augusta de Almeida
0907. Simy Toledano Ezagüy
0908. Sociedade da Cruz Branca de Coimbra
0909. Sofia Cândida Ribeiro de Freitas
0910. Sofia de Carvalho Burnay de Melo Breyner 
0911. Sofia de Mello Breyner Andresen
0912. Sofia de Oliveira
0913. Sofia de Oliveira Ferreira 
0914. Sofia de Sousa
Sofia Gomes - v. Maria Sofia dos Santos Gomes 
0915. Sofia Margarida da Graça Afreixo
Sofia Pomba Guerra - v. Maria Sofia Carrajola Pomba Amaral da Guerra
Sofia Santos - v. Maria Sofia dos Santos Gomes
Soroptimistas Internacional - v. Associações de Mulheres nas décadas de 70 e 80 do século XX
Stella Fiadeiro - v. Maria Stella Bicker Correia Ribeiro Piteira Santos
Stella Piteira Santos - 
v. Maria Stella Bicker Correia Ribeiro Piteira Santos
0916. Susana Mendonça dos Santos

[Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, 2013]

domingo, 4 de maio de 2014

[0617.] FEMINAE [XXXII] || LETRA M [VI]

* FEMINAE || M (VI) *


0784. Maria Rosa Charrua
0785. Maria Rosa Parreira Colaço 
Maria Rosa Colaço - v. Maria Rosa Parreira Colaço
0786. Maria Rosa Simões de Carvalho
Maria Saavedra - v. Helena de Sousa Costa Belo Correia
Maria Sampaio - v. Maria Elisa Botelho de Andrade Sampaio Casqueiro Ruas
0787. Maria Santos
0788. Maria Seabra da Cruz Almeida
0789. Maria Shaw Saldanha Ferreira Pinto Stilwell 
0790. Maria Silvério Laborde Nunes
Maria Simões - v. Maria Olímpia da Cunha Viana Vaz Simões Anjos
0791. Maria Soares/1
0792. Maria Soares/2
0793. Maria Sofia Carrajola Pomba Amaral da Guerra
0794. Maria Sofia dos Santos Gomes 
0795. Maria Stella Bicker Correia Ribeiro Piteira Santos
0796. Maria Teodora Pimentel 
0797. Maria Teresa Baptista Gomes de Almeida
Maria Teresa Dinis Sampaio - v. Maria Teresa Garcez Palha Moniz Pereira Dinis Sampaio Themudo Barata
0798. Maria Teresa Garcez Palha Moniz Pereira Dinis Sampaio [Themudo Barata]
0799. Maria Teresa Navarro
0800. Maria Trigueiros
Maria Ulrich - v. Maria de Lima Mayer Ulrich
Maria Veleda - v. Maria Carolina Frederico Crispim
Maria Velutti - v. Maria da Conceição Singer Velluti
0801. Maria Virgínia Castro
0802. Maria Visconti
0803. Maria Vitória
0804. Maria Zilda Ribeiro Borja Santos 
0805. Maria Zulmira Casimiro de Almeida
0806. Mariana Bárbara da Trindade 
0807. Mariana de Santo António Moreira Freire Correia Manuel Torres de Aboim do Canto e Castro
0808. Mariana dos Santos Calhau Perdigão 
Mariana Estopa - v. Bonequeiras de Estremoz
0809. Mariana Ferraz
0810. Mariana Perpétua de Castro e Sousa
0811. Mariana Raquel de Melo
0812. Mariana Rochedo
0813. Mariana Torres
0814. Marieta Amélia da Silveira
0815. Marieta Mariz
0816. Marina Simões
Marquesa de Pomares - v. Maria Manuela de Brito e Castro de Figueiredo e Melo da Costa Lorena
Marquesa de Ponta Delgada - v. Leonor da Câmara
Marquesa de Tomar (1.ª) - v. Luísa Meredith Read 
0817. Marta Ortigão Sampaio
0818. Martha Amstad 
Maternidade de Cascais - v. Obra Maternal Maria Amália Vaz de Carvalho 
Mathilde Bensaúde - v. Mathilde Simon Rachel Bensaúde
0819. Mathilde Simon Rachel Bensaúde
0820. Matilde de Sant’Ana e Vasconcelos Moniz de Bettencourt 
0821. Matilde Isabel de Sant’Ana e Vasconcelos Moniz de Bettencourt
Matilde Marcelo - v. Matilde de Sant’Ana e Vasconcelos Moniz de Bettencourt
0822. Matilde Pola
Mayá - v. Maria Margarida Canavarro de Meneses Fernandes Costa
0823. Medicina e Mulher
Meninas do Asilo da Bandeira - v. Asilo de Meninas Órfãs e Desamparadas
Mercedes Blasco -  v. Conceição Vitória Marques
0824. Mercedes Fantony
0825. Mildred O’Rourke 
0826. Mily Possoz 
0827. Miquelina Maria Possante Sardinha Quintal
Mirita Casimiro - v. Maria Zulmira Casimiro de Almeida 
Miss Arabela - Pseudónimo da escritora Maria Amália Vaz de Carvalho.
Mocidade Feminina - v. Alma Feminina/2 
0828. Mocidade Portuguesa Feminina
0829. Morgadio Feminino
Mm’zelle Caprice - v. Conceição Vitória Marques
Movimento de Libertação das Mulheres - v. Associações de Mulheres nas décadas de 70 e 80 do século XX
Movimento Democrático de Mulheres - v. Associações de Mulheres nas décadas de 70 e 80 do século XX
0830. Mulheres
0831. Mulheres Americanas de Lisboa 
0832. Mulheres e Movimento Espírita nas primeiras décadas do século XX
0833. Mulheres Magazine
0834. Mulheres tradutoras
0835. Muriel Rosalie Tait 
Myriam - Pseudónimo utilizado por Maria Carolina Frederico Crispim.

[Edição da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) / 2013]

quinta-feira, 10 de abril de 2014

[0583.] STELLA PITEIRA SANTOS [I]


* STELLA PITEIRA SANTOS *

[01.06.1917-22.01.2009]

- Extratos da Entrevista a Gina de Freitas / 1974 -

[Gina de Freitas, A força ignorada das companheiras, Plátano, 1975]