[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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terça-feira, 7 de dezembro de 2021

[2635.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [CIV] || 1926 - 1933

 * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CIV *

00791. Jaime Bernardo [1928, 1932]

[Lisboa, 1909, pintor da construção civil - Lisboa. Solteiro. Preso em 21/10/1928, "por adquirir pinhas de ferro para fabrico de bombas"; libertado em 01/11/1928 (Processo 4064). Preso pela PSP Lisboa em 28/05/1932, no mesmo dia que Natalino do Carmo e José Moreira, e levado para o Aljube, "acusado de andar distribuindo manifestos subversivos de incitamento à greve"; libertado em 10/06/1932 (v. Processo 434).]

00792. Natalino do Carmo [1932]

[Lisboa, 1908, descarregador de mar e terra - Lisboa. Filiação: Lousa da Encarnação do Carmo e Francisco do Carmo. Solteiro. Preso pela PSP em 28/05/1932, no mesmo dia que Jaime Bernardo e José Moreira, e levado para o Aljube, "acusado de proceder à distribuição de panfletos, incitando à Greve Geral Revolucionária de 30 de Maio"; libertado em 07/06/1932 (v. Processo 399).]

00793. José Moreira [1932]

[Lisboa, 1910, caldeireiro - Lisboa. Filiação: Ernestina Mendes Moreira e José Moreira da Conceição. Viúvo. Preso pela PSP de Lisboa em 28/05/1932, no mesmo dia que Jaime BernardoNatalino do Carmo, e levado para o Aljube, "por andar distribuindo manifestos de incitamento à greve geral que estava marcada para 30 do mesmo mês"; libertado em 03/06/1932 (v. Processo 401).]

00794. José Madeira (Júnior) [1931, 1932, 1932, 1937, 1938]

["O Sapateiro" / "O José Sapateiro". Santa Marinha - Seia, 22/09 ou 11/1892, descarregador - Lisboa. Filiação: Maria do Nascimento e José Madeira. Casado. Preso por um guarda da PSP em 26/08/1931, "por suspeita de ter tomado parte no movimento revolucionário deste dia". Preso pela PSP de Lisboa e entregue em 19/04/1932, "sob a suspeita de ser um dos autores da morte de um guarda daquela corporação, quando da esquadra da Pampulha se evadiu o preso Custódio Rodrigues Ferreira" e "haver tomado parte no movimento revolucionário de 26 de Agosto do ano findo". Devido à fata de elementos conclusivos, por parecer do Director Geral de Segurança Pública, com a concordância do Ministro do Interior, datado de 18/05/1932, foi determinado a sua libertação do Aljube, o que só sucedeu em 30/05/1932. Preso pela PSP de Lisboa e enviado à SPS em 19/10/1932, "por suspeita de ter ligações revolucionárias com Custódio Rodrigues Ferreira, indivíduo este que se evadiu da 29ª esquadra, onde estava preso por motivos políticos, e de ter auxiliado o mesmo indivíduo no transporte de quatro caixotes contendo bombas explosivas, num automóvel, para uma obras em construção junto do portão da Alfândega, próximo da nova estação dos C. F. do Sul e Sueste" (v. Processo 547). Quando estava detido no Aljube, foi entregue à PSP de Lisboa em 07/11/1932. Preso em 28/03/1937, "para averiguações", "recolhendo incomunicável a uma esquadra" e levado para o Aljube em 25/05/1937; libertado em 23/02/1938 (Processo 401/37). Preso em 30/04/1938, "para averiguações, recolhendo à 1ª Esquadra"; libertado em 05/05/1938 (Processo 497/38).]
[alterado em 23/03/2023]

00795Custódio Rodrigues Ferreira [1931, 1932

[Custódio Rodrigues Ferreira || ANTT || RGP/57 || PT-TT-PIDE-E-010-1-57]

[Lisboa, 13/09/1893, descarregador / trabalhador - Lisboa. Filiação: Emília da Conceição Antunes / Emília Rodrigues Ferreira e José Rodrigues Ferreira. Casado. Residência:  Vigiado desde, pelo menos, Junho de 1930, mantendo ligações, entre outros, com António BrancoArnaldo Marques, Cândido de Abreu, farmacêutico, David Cardoso e tenente Quilhó. Preso em 30/01/1931, "por estar implicado em manejos revolucionários", mantendo ligações com Fernando Augusto Mariz, João Dias Ferreira, "O Pirralho", e o ex-Tenente Quilhó. Evadiu-se da Esquadra da Pampulha em 05/02/1931, tendo permanecido em Lisboa com o nome de António dos Santos. Preso e entregue pela PSP de Lisboa em 25/06/1932, "por se haver evadido da esquadra da Pampulha em 5 de Fevereiro do ano findo, andando fugido até esta data" e ser considerado um "elemento perigosíssimo" (Processo 523); recolheu, incomunicável, a uma esquadra. Em 24/10/1932, por parecer do Director da Secção Política e Social e despacho do Ministro do Interior, foi determinado que lhe fosse fixada residência obrigatória em Timor. Julgado pelo TME em 14/08/1934, foi condenado a dez anos de degredo numa das colónias à escolha do Governo, com prisão, e vinte mil escudos de multa, ficando, depois à disposição daquele (Processo 40/934 do TME). Seguiu, em 23/09/1934, para Angra do Heroísmo e, em 23/10/1936, integrou a leva de presos políticos que foi inaugurar o Campo de Concentração do Tarrafal, sendo libertado, por ordem do Ministro da Justiça, em 10/12/1946.]

00796. Rogério Gonçalves [1932]

[Porto, 1911, empregado no comércio - Lisboa. Filiação: Rosa da Glória e António Napoleão Gonçalves. Solteiro. Preso em 01/05/1932, juntamente com Arnaldo Marques dos Santos, Carlos Duarte, Joaquim Neves, José Artur da Costa e Martinho Osório, sendo todos levados para o Aljube, por poder estar envolvido nas comemorações do 1º Maio organizadas pelo Partido Comunista e integrar as suas "brigadas de choque"; libertado em 30/05/1932 (Processo 364-A).]  

00797. Arnaldo Marques dos Santos [1932]

[Lisboa, 1913, trabalhador - Lisboa. Filiação: Gertrudes do Couto Santos e Armindo Marques dos Santos. Solteiro. Preso em 01/05/1932, juntamente com Carlos DuarteJoaquim NevesJosé Artur da CostaMartinho Osório e Rogério Gonçalves, sendo todos levados para o Aljube, por poder estar envolvido nas comemorações do 1º Maio organizadas pelo Partido Comunista e integrar as suas "brigadas de choque"; libertado em 30/05/1932 (Processo 364-A).] 

00798. Carlos Duarte [1932]

[Lisboa, 1910, marceneiro - lisboa. Filiação: Maria da Conceição Duarte e Pedro Duarte. Soteiro. Preso em 01/05/1932, juntamente com Arnaldo Marques dos SantosJoaquim NevesJosé Artur da CostaMartinho Osório e Rogério Gonçalves, sendo todos levados para o Aljube, por poder estar envolvido nas comemorações do 1º Maio organizadas pelo Partido Comunista e integrar as suas "brigadas de choque"; libertado em 30/05/1932 (Processo 364-A).] 

00799. Joaquim Neves [1932, 1932]

[Torres Vedras, 1907, pintor - Lisboa. Filiação: Maria das Neves Justina e José das Neves. Solteiro. Preso pela PSP de Lisboa e entregue em 07/03/1932, "por ser detentor de manifestos clandestinos, de carácter comunista"; libertado em 24/03/1932 (Processo 250). Preso em 01/05/1932, juntamente com Arnaldo Marques dos SantosCarlos DuarteJosé Artur da CostaMartinho Osório e Rogério Gonçalves, sendo todos levados para o Aljube, por poder estar envolvido nas comemorações do 1º Maio organizadas pelo Partido Comunista e integrar as suas "brigadas de choque"; libertado em 30/05/1932 (Processo 364-A).] 

00800. José Artur da Costa [1932]

[Lisboa, 1916, colchoeiro - Lisboa. Filiação: Deolinda da Costa. Solteiro. Preso em 01/05/1932, juntamente com Arnaldo Marques dos SantosCarlos DuarteJosé Artur da CostaMartinho Osório e Rogério Gonçalves, sendo todos levados para o Aljube, por poder estar envolvido nas comemorações do 1º Maio organizadas pelo Partido Comunista e integrar as suas "brigadas de choque"; libertado em 30/05/1932 (Processo 364-A).]

[João Esteves]

sábado, 23 de janeiro de 2021

[2470.] JOSÉ MOREIRA [I] || ASSASSINADO AOS 37 ANOS PELA PIDE

 * JOSÉ MOREIRA *

[12/10/1912 - 23/01/1950]

Militante do Partido Comunista e principal responsável pelas tipografias clandestinas, José Moreira foi preso em 22 de Janeiro de 1950, barbaramente torturado e assassinado pela PIDE em 23 ou 24 desse mesmo mês. Tinha 37 anos!  

[José Moreira || 23/01/1950 || ANTT || RGP/19600 || PT-TT-PIDE-E-010-98-19600]

Serralheiro, filho de Guilhermina de Jesus e de Manuel Maria, José Moreira nasceu em 12 de Outubro de 1912, em Vieira de Leiria.

Começou por trabalhar como operário vidreiro na Marinha Grande e, em 1945, enquanto militante do Partido Comunista, passou à clandestinidade, tornando-se responsável pelo sector das tipografias e distribuição da sua imprensa.

Foi preso com Filomena Pereira Galo [n. 0/10/1911], sua mulher, na manhã de 22 de Janeiro de 1950, em Vila do Paço, concelho de Torres Novas, onde viviam numa casa clandestina, devido a uma denúncia. Usava, então, o nome de José Mendes de Oliveira e a brigada da PIDE que a assaltou sabia quem nela vivia [Processo 184/50]. 

[Filomena Pereira Galo || 22/01/1950 || ANTT || RGP/19601 || PT-TT-PIDE-E-010-98-19601]

Como consta do Auto de Busca e Apreensão, descobriram rolos, papel e tinta da tipografia onde trabalhava e a sua bicicleta – marca “Popular Special, com dínamo, porta-bagagem, campainha e com a chapa número mil setecentos e setenta".

Levado nesse mesmo dia para o Aljube, ficou em isolamento contínuo e sujeito a violentas torturas na António Maria Cardoso, já que a PIDE pretendia obter rapidamente informações da localização das diferentes tipografias, de forma a impedir que fossem mudadas: desde há cinco anos, quando José Moreira assumira a responsabilidade por elas, que nenhuma tinha sido descoberta. 



José Moreira não prestou quaisquer informações e foi assassinado em 23 ou 24 de Janeiro de 1950, tendo o seu corpo sido atirado da janela do 3.º andar da sede da PIDE, numa tentativa de simular suicídio, e levado, já cadáver, para o Banco do Hospital de S. José.  

[José Moreira || 23/01/1950 || ANTT || RGP/19600 || PT-TT-PIDE-E-010-98-19600]

No programa televisivo da RTP "José Moreira e o pensamento moderno português", datado de 01/10/1975, o historiador Joaquim Barradas de Carvalho confirma a António Borges Coelho, também historiador, que trabalhou, entre 1945 e 1947/8, com José Moreira na distribuição do Avante! por todo o país, encontrando-se quinzenalmente para desempenhar essa tarefa. E que certo dia, no âmbito de uma reflexão sobre como proceder na eventualidade de se ser preso, José Moreira afirmou que "Se for preso, farei o que puder".

Como afirma António Borges Coelho no mesmo programa, José Moreira, "sendo um dos homens pouco conhecido, que não aparece no primeiro plano, fez a História" [https://arquivos.rtp.pt/conteudos/jose-moreira-e-o-pensamento-moderno-portugues/].

[João Esteves]