[Cipriano Dourado]

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[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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sexta-feira, 16 de março de 2018

[1768.] SOFIA POMBA GUERRA [III]

* MARIA SOFIA CARRAJOLA POMBA AMARAL DA GUERRA *
[19/07/1906 - 12/08/1976]

[Sofia Pomba Guerra || Fotografia cedida pela neta Maria Leonor Guerra Rodrigues Eisman]

Farmacêutica, analista e professora, nasceu a 19 de Julho de 1906 em São Pedro, Elvas, e cedo partiu para África.

Conhecida pelas actividades comunistas, antifascistas e anticolonialistas, sobretudo em Moçambique e na Guiné, onde viveu a partir de meados da década de 30. 

Em Lourenço Marques, publicou alguns estudos sobre frutos silvestres e produtos exportáveis, foi analista no Hospital Miguel Bombarda, leccionou na Escola Primária Correia da Silva, onde teve como aluno o poeta, jornalista e activista moçambicano Rui Nogar (1932-1993), e  aderiu ao Partido Comunista Português em Lourenço Marques, por intermédio do ferroviário Cassiano Carvalho Caldas [1915-2002/2003].

Manteve naquela cidade militância activa, colaborou nos jornais Emancipador e Itinerário, publicação editada entre 1941 e 1955, participou, entre 1947 e 1948, na construção de uma estrutura comunista local [José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal, vol. 3] e desenvolveu, juntamente com Noémia de Sousa, actividades no âmbito do Movimento dos Jovens Democratas Moçambicanos, versão local do MUDJ da metrópole, integrando a direcção. 

[Sofia Pomba Guerra || 1949 || RGP/19514]

Em 1949, tornou-se na primeira mulher branca a ser presa e deportada para a metrópole: apresentada na PIDE em 23 de Novembro de 1949, ficou detida em Caxias até 4 de Julho de 1950, quando foi libertada por ordem do Tribunal Plenário de Lisboa, por ter sido absolvida. 

[Registo Geral de Presos || RGP/19514]

Partiu então para Cabo Verde, onde se junta ao marido, e seguiu depois para a Guiné, onde veio a ser proprietária da Farmácia Lisboa e ensinou inglês no Liceu de Bissau. 

Mais uma vez, procurou reatar a actividade política, juntamente com Fausto Teixeira e o médico Gumercindo de Oliveira Correia: Pacheco Pereira refere que Sofia Pomba Guerra era vigiada pela PIDE, que sabia que a farmacêutica recebia e fazia circular revistas comunistas francesas e panfletos portugueses, procurando mesmo organizar células comunistas nos meios operários [JPP, vol. 3]. 

No entanto, onde a sua actuação mereceu destaque e obteve reconhecimento foi junto do embrionário nacionalismo independentista, patente nas referências elogiosas que muitos dos dirigentes guineenses fazem ao seu papel anticolonialista, nomeadamente no auxílio à organização clandestina de reuniões, na prestação de informações relevantes sobre prisões iminentes, como a de Carlos Correia, e na preparação de fugas, como a de Luís Cabral. 

Esteve associada, em janeiro de 1959, à fundação do Movimento de Libertação da Guiné, trabalhando na sua farmácia Epifânio Souto Amado e Osvaldo Vieira, que seria um dos principais combatentes do PAIGC, morto em 1974. 

Amílcar Cabral [1924-20/01/1973], com quem Sofia conviveu na década de 60, no discurso pronunciado num Seminário de Quadros do PAIGC, efectuado entre 19 e 24 de novembro de 1969, referiu-se à contribuição de dois brancos na fuga de Luís Cabral da capital guineense, afirmando explicitamente que “uma pessoa que teve influência no trabalho do nosso Partido em Bissau, foi uma portuguesa. Só quem não está no Partido é que não sabe isso. Ao Osvaldo, a primeira pessoa que lhe ensinou coisas para a luta, foi ela, não fui eu. Eu não conhecia o Osvaldo” [AC, Alguns Princípios do Partido, pp. 21-22].

Posteriormente, Luís Cabral, na sua Crónica de Libertação, evoca os contactos que manteve com esta “deportada para a Guiné, com a indicação de se tratar de um elemento altamente perigoso” e que, “embora vigiada pela polícia política, cujo chefe veio morar mesmo em frente da sua casa, retomou na primeira oportunidade as suas actividades políticas”. 

 [Sofia Pomba Guerra com o Marido, Dr. Guerra || Fotografia cedidas pela neta Leonor]

Relacionou-se com Amílcar Cabral, Aristides Pereira, Fernando Fortes, Luís Cabral, a quem deu lições de Inglês do 7.º ano do liceu, e muitos outros e, “apesar da posterior separação da actividade anticolonialista do movimento geral antifascista, a dr.ª Sofia Pomba Guerra continuou, como no passado, a ser a amiga e conselheira de cada um de nós” [idem]. 

O rótulo de desterrada política antifascista e comunista acompanhou-a por todos os locais por onde passou e nunca tal a impediu de intervir politicamente e manter-se fiel às suas ideias. 

Faleceu em 12 de Agosto de 1976, tendo Luís Cabral reencontrado em Portugal o marido, o dr. Guerra, “que parecia estar sempre muito distante das actividades da esposa, [mas] era um grande patriota e democrata português que encorajava e apoiava essa activi-dade” [idem],  com a filha mais nova Tafia. 

Feminae. Dicionário Contemporâneo, editado pela CIG em 2013, contém a biografia de Sofia Carrajola Pombo Guerra, com a respectiva bibliografia [neste dicionário consta, incorrectamente, Carrejola em vez de Carrajola, sendo o nome completo correto Maria Sofia Carrajola Pomba Amaral da Guerra].

NOTA: Agradece-se, mais uma vez, a cedência das Fotografias e as informações prestadas pela Neta, Sr.ª D. Maria Leonor Guerra Rodrigues Eisman.

[João Esteves]

sexta-feira, 12 de junho de 2015

[0998.] SOFIA POMBA GUERRA [I]

* MARIA SOFIA CARRAJOLA POMBA AMARAL DA GUERRA *

[19/07/1906 - 12/08/1976]

Farmacêutica, analista e professora, nasceu a 19 de julho de 1906 em São Pedro, Elvas, e cedo partiu para África.

Conhecida pelas actividades comunistas, antifascistas e anticolonialistas, sobretudo em Moçambique e na Guiné, onde viveu a partir de meados da década de 30. 

Em Lourenço Marques, publicou alguns estudos sobre frutos silvestres e produtos exportáveis, foi analista no Hospital Miguel Bombarda, leccionou na Escola Primária Correia da Silva, onde teve como aluno o poeta, jornalista e activista moçambicano Rui Nogar (1932-1993), e  aderiu ao Partido Comunista Português em Lourenço Marques, por intermédio do ferroviário Cassiano Carvalho Caldas [1915-2002/2003].

Manteve naquela cidade militância activa, colaborou nos jornais Emancipador e Itinerário, publicação editada entre 1941 e 1955, participou, entre 1947 e 1948, na construção de uma estrutura comunista local [José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal, vol. 3] e desenvolveu, juntamente com Noémia de Sousa, actividades no âmbito do Movimento dos Jovens Democratas Moçambicanos, versão local do MUDJ da metrópole, integrando a direcção. 

Em 1949, tornou-se na primeira mulher branca a ser presa e deportada para a metrópole: apresentada na PIDE em 23 de novembro de 1949, ficou detida em Caxias até 4 de julho de 1950, quando foi libertada por ordem do Tribunal Plenário de Lisboa, por ter sido absolvida. 

Partiu então para Cabo Verde, onde se junta ao marido, e seguiu depois para a Guiné, onde veio a ser proprietária da Farmácia Lisboa e ensinou inglês no Liceu de Bissau. 

Mais uma vez, procurou reatar a actividade política, juntamente com Fausto Teixeira e o médico Gumercindo de Oliveira Correia: Pacheco Pereira refere que Sofia Pomba Guerra era vigiada pela PIDE, que sabia que a farmacêutica recebia e fazia circular revistas comunistas francesas e panfletos portugueses, procurando mesmo organizar células comunistas nos meios operários [JPP, vol. 3]. 

No entanto, onde a sua actuação mereceu destaque e obteve reconhecimento foi junto do embrionário nacionalismo independentista, patente nas referências elogiosas que muitos dos dirigentes guineenses fazem ao seu papel anticolonialista, nomeadamente no auxílio à organização clandestina de reuniões, na prestação de informações relevantes sobre prisões iminentes, como a de Carlos Correia, e na preparação de fugas, como a de Luís Cabral. 

Esteve associada, em janeiro de 1959, à fundação do Movimento de Libertação da Guiné, trabalhando na sua farmácia Epifânio Souto Amado e Osvaldo Vieira, que seria um dos principais combatentes do PAIGC, morto em 1974. 

Amílcar Cabral [1924-20/01/1973], com quem Sofia conviveu na década de 60, no discurso pronunciado num Seminário de Quadros do PAIGC, efectuado entre 19 e 24 de novembro de 1969, referiu-se à contribuição de dois brancos na fuga de Luís Cabral da capital guineense, afirmando explicitamente que “uma pessoa que teve influência no trabalho do nosso Partido em Bissau, foi uma portuguesa. Só quem não está no Partido é que não sabe isso. Ao Osvaldo, a primeira pessoa que lhe ensinou coisas para a luta, foi ela, não fui eu. Eu não conhecia o Osvaldo” [AC, Alguns Princípios do Partido, pp. 21-22].

Posteriormente, Luís Cabral, na sua Crónica de Libertação, evoca os contactos que manteve com esta “deportada para a Guiné, com a indicação de se tratar de um elemento altamente perigoso” e que, “embora vigiada pela polícia política, cujo chefe veio morar mesmo em frente da sua casa, retomou na primeira oportunidade as suas actividades políticas”. 

Relacionou-se com Amílcar Cabral, Aristides Pereira, Fernando Fortes, Luís Cabral, a quem deu lições de Inglês do 7.º ano do liceu, e muitos outros e, “apesar da posterior separação da actividade anticolonialista do movimento geral antifascista, a dr.ª Sofia Pomba Guerra continuou, como no passado, a ser a amiga e conselheira de cada um de nós” [idem]. 

O rótulo de desterrada política antifascista e comunista acompanhou-a por todos os locais por onde passou e nunca tal a impediu de intervir politicamente e manter-se fiel às suas ideias. 

Faleceu em 12 de Agosto de 1976, tendo Luís Cabral reencontrado em Portugal o marido, o dr. Guerra, “que parecia estar sempre muito distante das actividades da esposa, [mas] era um grande patriota e democrata português que encorajava e apoiava essa activi-dade” [idem],  com a filha mais nova Tafia. 

Feminae. Dicionário Contemporâneo, editado pela CIG em 2013, contém a biografia de Sofia Carrajola Pombo Guerra, com a respetiva bibliografia [neste dicionário consta, incorretamente, Carrejola em vez de Carrajola, sendo o nome completo correto Maria Sofia Carrajola Pomba Amaral da Guerra].


[João Esteves]

segunda-feira, 5 de maio de 2014

[0621.] FEMINAE [XXXIII] - Letra N

- ENTRADAS -


- LETRA N -


0836. Natal
0837. Natalina Mora Pereira Bastos
0838. Natércia Ferreira de Brito Camacho Resende da Rocha 
Natércia Freire - v. Natércia Ribeiro de Oliveira Freire dos Santos 
0839. Natércia Ribeiro de Oliveira Freire dos Santos 
Natércia Rocha - v. Natércia Ferreira de Brito Camacho Resende da Rocha
Nina Catarino - v. Maria da Graça Pinto Braga Heitor Catarino
0840. Noémia de Paiva Henriques 
Noémia de Sousa - v. Carolina Noémia Abranches de Sousa
0841. Nova Alvorada
0842. Nova Aurora
0843. Núcleo Feminino de Assistência Infantil da Junta Patriótica do Norte


[Edição da Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (CIG) / 2013]

sábado, 22 de março de 2014

[0553.] FEMINAE [XVII] || LETRA C

* FEMINAE || C *


0173. Cacilda Machado 
0174. Camila Ávila de Castro
0175. Camila Simões
0176. Cândida de Lacerda
0177. Cândida Ribeiro Gaspar Caraça
0178. Carlota Fonseca 
0179. Carlota Mafra
Carlota Talassi - v. Carlota Talassi da Silva 
0180. Carlota Talassi da Silva
0181. Carlota Porfíria Veloso
0182. Carlota Rosa Lobato Pimentel Alegria
Carlota Veloso 
v. Carlota Porfíria Veloso
0183. Carmen Cardoso
0184. Carmen Martins
0185. Carmen Oliveira
0186. Carmen Osório
0187. Carmen Vaz Figueiredo
0188. Carolina Augusta de Almeida
0189. Carolina Augusta de Castro
0190. Carolina Corneta
0191. Carolina da Assunção Lima
0192. Carolina de Oliveira
0193. Carolina Emília
0194. Carolina Falco de Lacerda
0195. Carolina Felgas 
0196. Carolina Loff da Fonseca
0197. Carolina Matilde Esmeraldo
0198. Carolina Noémia Abranches de Sousa
0199. Carolina Santos
0200. Carolina Silva
0201. Carolina Tavares de Lemos
Casa de Abrigo - v. Instituto Monsenhor Airosa
Casa do Retiro - v. Instituto Monsenhor Airosa
0202. Casimira da Conceição Silva [Martins]
0203. Catarina Fontory
0204. Catarina José Baião da Lança Pereira de Sande Salema
Catarina Rafael - v. Catarina Ramos Machado Rafael
0205. Catarina Ramos Machado [Rafael]
0206. Catarina Talassi
Cecília Areosa Feio - v. Cecília Simões Areosa Feio
0207. Cecília das Neves
0208. Cecília Machado
0209. Cecília Simões Areosa Feio
0210. Celeste Leitão
0211. Celestina Paladini
0212. Centro Espiritualista Luz e Amor
0213. Cesaltina das Dores
0214. Cesina Borges Adães Bermudes
0215. Cinira Alzira Polónio
Cinira Polónio - v. Cinira Alzira Polónio
0216. Clara Ermelinda Vieira
0217. Clara Lima
0218. Claudina Laborrière
0219. Claudina Rosa Botelho
0220. Clementina do Céu
0221. Clementina Santos
0222. Clotilde Augusta da Luz Xavier
0223. Clube Lisboeta de Senhoras
0224. Coeducação em Portugal
Colégio de Regeneração - v. Instituto Monsenhor Airosa
0225. Comendadeiras
0226. Comissão da Condição Feminina
0227. Comissão para a Política Social Relativa à Mulher
0228. Conceição de Almeida
0229. Conceição Mota Soares
0230. Conceição Vitória Marques
Condessa da Ega (2.ª) - v. Juliana Maria Luisa Carolina Sofia de Oeynhausen e Almeida
Condessa d’Edla - v. Elisa Frederica Hensler
0231. Condessa de Alto Marim
Condessa de Burnay (1.ª) - v. Maria Amélia de Carvalho Burnay
Condessa de Ficalho (5.ª) - v. Maria Josefa de Melo
Condessa de Mafra (4.ª) - v. Sofia Burnay de Melo Breyner
Condessa de Proença-a-Velha (1.ª) - v. Ludovina Augusta da Cunha Castro Meneses Pita
Condessa de Stroganoff - v. Juliana Maria Luísa Carolina Sofia de Oeynhausen e Almeida
Condessa de Tomar (1.ª) - v. Luísa Meredith Read
0232. Convento de Nossa Senhora do Bom Sucesso 
Cooperativa Editorial de Mulheres/IDM - v. Associações de Mulheres nas décadas de 70 e 80 do século XX
Coordenadora Nacional de Mulheres - v. Associações de Mulheres nas décadas de 70 e 80 do século XX
0233. Cremilda Torres
0234. Cruzada das Mulheres Portuguesas