[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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quinta-feira, 4 de março de 2021

[2516.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [LXXXII] || 1926 - 1933

* PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || LXXXII *

0659. António da Cruz Vígua [1931]

[Lisboa, 1911 (?), lavador de automóveis - Lisboa. Filiação: Natividade da Conceição Cruz e José da Vígua. Preso por soldados de Cavalaria 7 em 26/08/1931, por ter tomado parte na Revolta que eclodiu nesse dia. Levado para a Penitenciária e deportado para Timor, embarcando no vapor Pedro Gomes em 02/09/1931 (Processo 326). Abrangido pela  amnistia de 05/12/1932, desembarcou em Lisboa em 09/06/1933 e apresentou-se em 12/06/1933.]

0660. António da Cruz [1929]

[Lisboa, 1895 (?), tipógrafo - Lisboa. Filiação: Júlia Augusta da Cruz e Aurélio João da Cruz. Preso em 01/10/1929, "por imprimir manifestos contra a Ditadura Militar"; libertado em 31/12/1929 (Processo 4440).]

00661. António da Fonseca [1927]

[António da Fonseca.
Fornos de Algodres, c. 1891. Servente jornaleiro. Filiação: Maria Adelaide, Manuel da Fonseca. Casado. Residência: Rua da Palmeira, 24 - Lisboa Preso em 06/11/1927, "acusado de saber da existência de bombas e do local onde estas se encontram"; libertado em 07/11/1927 (?). No entanto, há uma notícia, censurada de "O Século" que refere que foi transferido para a Penitenciária de Lisboa em 13/11/1927.]
[alterado em 04/01/2025]

0662. António da Graça [1932]

[Ferreira do Zêzere, 1888 (?), industrial - Lisboa. Filiação: Felicíssima da Graça. Preso em 04/01/1932, "por estar implicado no complot revolucionário contra o Batalhão de Caçadores N.º 7, aquartelado no Castelo", dirigido por João da Silva Quilhó (v. Processo 205). Teria sido aliciado por Diamantino Galamba, tendo sido libertado em 20/01/1932.]

0663. António da Piedade Cipriano [1933]

[Serpa, 1913, empregado no comércio - Lisboa. Filiação: Maria Isabel da Piedade Cipriano e Joaquim Cipriano. Preso em 24 ou 26/01/1933, por ser o filiado 100 das Juventudes Comunistas, secretariando a Célula N.º 10 e representando-a no Comité de Zona N.º 1. Passou para a organização do Partido Comunista, onde militaria há ano e meio por intermédio de Ernesto dos Santos, fazendo parte, desde Maio de 1932, do Comité Regional enquanto delegado do Comité de Zona N.º 1. Usava o pseudónimo "Borodine", assistiu, em Junho, à Conferência Regional realizada na Costa da Caparica que teve a dirigi-la Francisco de Paula Oliveira e ficou responsável pela Comissão Regional do Socorro Vermelho Internacional. Envolveu-se com Ernesto dos Santos, em 4 de Setembro, na divulgação da 18.ª Jornada Internacional das Juventudes Comunistas, pintando inscrições e afixando nas paredes selos, cartazes e exemplares do jornal "O Jovem", propaganda que lhe fora entregue por Afonso Martins da Silva. Em Dezembro, participou na conferência Regional da Amadora, sendo nomeado para fazer parte do Comité Central Executivo das Juventudes Comunistas, com o cargo de secretário da Comissão de Pioneiros, acumulando com as responsabilidades no SVI, no Comité Regional e no controlo do Comité de Zona N.º 4. Seria o autor de desenhos utilizados em cartazes de propaganda, em títulos de jornais e noutras publicações. Preso junto à esquadra de Alcântara, na sequência de uma reunião do Comité de Zona N.º 4 realizada em 24/01/1933 e em que participavam Adolfo Teixeira Pais, Manuel dos Santos, "O Manuel da Fonte Santa", Floriano Gabriel Sampaio Luz e João Ferreira de Abreu, tendo os dois últimos sido também presos. Julgado pelo TME em 02/03/1934, foi condenado a 15 meses de prisão correccional (Processo 31/934, do TME), enviado para Peniche em 20/03/1934 e libertado em 11/05/1934. Subscreveu a Carta Aberta, datada de 30/03/1933, onde os presos políticos do Aljube denunciavam as torturas sofridas, sendo que «foram espancados 49, e alguns duma  maneira bastante selvagem». Neste documento, que consta do ANTT e assinado por «republicanos, comunistas e sindicalistas, alguns dos quais foram combatentes da Grande Guerra tendo já, à Pátria e à República, prestado relevantes serviços», elucida-se que os presos «foram barbaramente espancados uns, conservados em rigorosa incomunicabilidade por longos dias outros, e insultados quase todos»; «foram uns torturados por espancamento, outros por algemas, muitos conservados de pé sem comer e sem beber, alguns proibidos de utilizarem as retretes para satisfazerem as suas necessidades durante alguns dias» [ANTT, PT-TT-PIDE-001-00546_m0001].

0664. Luís António Soares [1928, 1931, 1937]

[Luís António Soares || Guerra Civil de Espanha]

[Luís António Soares.
Antes de fugir de Portugal para combater na Guerra Civil de Espanha ao lado dos Republicanos, Luís António Soares foi preso por três vezes, entre 1928 e 1937, e deportado para Moçambique [1929] e Cabo Verde [1931]. Aderiu neste ano ao Partido Comunista Português e, na sequência das vivências no país vizinho, filiou-se no Partido Comunista de Espanha. Filho de Mariana das Dores Soares e de Joaquim Ramos Soares, Luís António Soares era natural de Beringel - Beja. Os seus familiares seriam de origem operária e camponesa e, em 1911, terá integrado, durante três meses, o Batalhão de Voluntários da República Portuguesa, tendo-se filiado no Partido Republicano Português em 1914. Participou nos movimentos revolucionários contra a Ditadura Militar saída do 28 de Maio de 1926, tendo sido preso pela primeira vez em Abril de 1928 e deportado, talvez em 1929, para Lourenço Marques. A segunda prisão de Luís António Soares aconteceu em 23 de Abril de 1931, em Moçambique, onde seria empregado no comércio, na sequência de uma tentativa de levantamento militar para secundar os movimentos da Madeira (4 de Abril), Açores (8 de Abril) e Guiné (17 de Abril), tendo sido detido com armas na mão. Deportado para Cabo Verde, aí conheceu e conviveu com Bento Gonçalves que, preso em 29 de Setembro de 1930, fora deportado para Cabo Verde em 15 de Fevereiro de 1931, para as ilhas do Sal e Fogo, de onde regressou em Fevereiro de 1933. Foi por intermédio do Secretário-Geral do Partido Comunista Português que Luís António Soares aderiu, em 1932, a esta organização. Abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro deste ano, apesar de só ter sido informado de tal em 1933, foi enviado, em Agosto, para a Guiné. A terceira, e última prisão, verificou-se naquela colónia, onde estava como funcionário público. Preso no Comando de Polícia da Guiné Portuguesa, daí fugiu em 26 de Fevereiro de 1937 e terá seguido para a Guiné Francesa, onde as autoridades lhe terão facultado um passaporte para Espanha, país onde chegou em 17 de Outubro via Dakar. Trabalhou, então, na União dos Antifascistas Portugueses Residentes em Espanha, cujo Secretário-Geral era Francisco Oliveira Pio [1897 - 1972], e no Socorro Rojo Internacional (Grupo Manuel dos Santos), sob a direcção de Joaquim Caetano. Em Abril de 1938, solicitou o ingresso no Partido Comunista de Espanha. Com a derrota dos republicanos, passou para França, onde integrou a Resistência. Já idoso, em meados da década de 1960 terá regressado a Portugal e, quando se encontrava a viver em Portela das Padeiras (Santarém), foi entrevistado para o Jornal do Ribatejo por João Matos Madeira e Helena Neves, estando presentes Alves Castela e Lino Ribeiro. É pai de Pedro dos Santos Soares (1915 - 1975) e de Arminda dos Santos Soares, ambos com relevante militância clandestina no Partido Comunista.]
[alterado em 04/10/2024]

0665. António da Rosa Palhota [1932]

[Mação, c. 1913, grumete-artilheiro - Gil Eanes. Filiação: Maria Rita de Jesus e João da Rosa Palhota. Preso em 16/09/1932, "por fazer propaganda comunista" e enviar, por diversas vezes, panfletos a Francisco Marques, ex-1.º cabo da GNR residente em Mação. Entregue pelos Serviços Auxiliares de Marinha em 25/10/1932, recolhendo ao Aljube (v. Processo 525). Condenado, em 04/11/1932, a três meses de prisão pelo Ministro do Interior. Libertado em 10/12/1932, por ter sido abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro.]

0666. António da Silva Amorim [1931, 1938, 1939]

[António da Silva Amorim || ANTT || RGP/10769 || PT-TT-PIDE-E-010-54-10769]

[Arganil, --/11/1903, motorista - Lisboa. Filiação: Margarida Cândida da Silva Amorim e José Luís Alves da Silva Amorim. Preso em 20/02/1931, "acusado de conduzir no automóvel com que trabalha o ex-tenente Quilhó e de ter ligações com João António Certã." Libertado em 28/03/1931 (v. Processo 4803). Preso em 10/10/1938, foi levado, incomunicável, para uma esquadra e transferido para a 1.ª esquadra em 26/10/1938. Seguiu para o Aljube em 19/11/1938 e, em 25/11/1938, entrou em Caxias. Saiu em liberdade condicional em 23/12/1938 (Processo 1132/38). Em 04/02/1939, foi preso e julgado pelo TME, sendo condenado a 12 meses de prisão. Depois de ficar detido na 1.ª esquadra, seguiu para Peniche em 07/02/1939. Libertado em 26/11/1939.]

[João Esteves]

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

[2257.] LUÍS ANTÓNIO SOARES [I] || 3 VEZES PRESO, 2 VEZES DEPORTADO, COMBATENTE NA GUERRA CIVIL DE ESPANHA

* LUÍS ANTÓNIO SOARES *

[Luís António Soares || Guerra Civil de Espanha]

Antes de fugir de Portugal para combater na Guerra Civil de Espanha ao lado dos Republicanos, Luís António Soares foi preso por três vezes, entre 1928 e 1937, e deportado para Moçambique [1929] e Cabo Verde [1932]. Aderiu neste ano ao Partido Comunista Português e, na sequência das vivências no país vizinho, filiou-se no Partido Comunista de Espanha.

Filho de Mariana das Dores Soares e de Joaquim Ramos Soares, Luís António Soares era natural de Beringel - Beja.

Os seus familiares seriam de origem operária e camponesa e, em 1911, terá integrado, durante três meses, o Batalhão de Voluntários da República Portuguesa, tendo-se filiado no Partido Republicano Português em 1914.

Participou nos movimentos revolucionários contra a Ditadura Militar saída do 28 de Maio de 1926, tendo sido preso pela primeira vez em Abril de 1928 e deportado, talvez em 1929, para Lourenço Marques. 

A segunda prisão de Luís António Soares aconteceu em 23 de Abril de 1931, em Moçambique, onde seria empregado no comércio, na sequência de uma tentativa de levantamento militar para secundar os movimentos da Madeira (4 de Abril), Açores (8 de Abril) e Guiné (17 de Abril), tendo sido detido com armas na mão.

Deportado para Cabo Verde, aí conheceu e conviveu com Bento Gonçalves que, preso em 29 de Setembro de 1930, fora deportado para Cabo Verde em 15 de Fevereiro de 1931, para as ilhas do Sal e Fogo, de onde regressou em Fevereiro de 1933. 

Foi por intermédio do Secretário-Geral do Partido Comunista Português que Luís António Soares aderiu, em 1932, a esta organização. Abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro deste ano, apesar de só ter sido informado de tal em 1933, foi enviado, em Agosto, para a Guiné.

A terceira, e última prisão, verificou-se naquela colónia, onde estava como funcionário público. Preso no Comando de Polícia da Guiné Portuguesa, daí fugiu em 26 de Fevereiro de 1937 e terá seguido para a Guiné Francesa, onde as autoridades lhe terão facultado um passaporte para Espanha, país onde chegou em 17 de Outubro via Dakar.

Trabalhou, então, na União dos Antifascistas Portugueses Residentes em Espanha, cujo Secretário-Geral era Francisco Oliveira Pio [1897 - 1972], e no Socorro Rojo Internacional (Grupo Manuel dos Santos), sob a direcção de Joaquim Caetano

Em Abril de 1938, solicitou o ingresso no Partido Comunista de Espanha.

Com a derrota dos republicanos, passou para França, onde integrou a Resistência. Já idoso, em meados da década de 1960 terá regressado a Portugal e, quando se encontrava a viver em Portela das Padeiras (Santarém), foi entrevistado para o Jornal do Ribatejo por João Matos Madeira e Helena Neves, estando presentes Alves Castela e Lino Ribeiro.

Luís António Soares é o pai de Pedro dos Santos Soares [1915 - 1975] e de Arminda dos Santos Soares, ambos com relevante militância clandestina no Partido Comunista.

[João Esteves]

quinta-feira, 9 de janeiro de 2020

[2248.] ARMINDA DOS SANTOS SOARES [II] || PRESA EM 1953

* ARMINDA DOS SANTOS SOARES *
[N. 07/12/1917 ]

[Arminda Lopes Soares || 26/12/1953 || ANTT || RGP/21435 || PT-TT-PIDE-E-010-108-21435]

Filha de Olívia dos Santos Espinho Soares e de Luís António Soares, antifascista que se opôs à ditadura salazarista, combateu na Guerra Civil de Espanha, disso dando testemunho Pedro Rocha, e na França ocupada. Foi preso e esteve internado num campo de concentração, de onde terá fugido e voltado ao combate contra os nazis. Terá sido condecorado pelo General de Gaulle enquanto herói da resistência francesa. No final da década de 1960, quando já era muito idoso e quando se encontrava a viver em Portela das Padeiras (Santarém), foi entrevistado para o Jornal do Ribatejo por João Matos Madeira e Helena Neves, estando presentes Alves Castela e Lino Ribeiro [informação retirada de um poste de João Matos Madeira no FB - FNM].

Irmã de Pedro dos Santos Soares [13/01/1915 - 10/05/1975], militante clandestino do Partido Comunista, Arminda dos Santos Soares nasceu em 7 de Dezembro de 1917, em Beringel - Beja.

Casou, no início da década de 1940, com o advogado escalabitano Humberto Pereira Diniz Lopes [17/10/1919 - 23/11/1984], jovem militante do Partido Comunista, embora na legalidade, passando o casal a revelar as mesmas opções políticas. 

Segundo Teresa Lopes Moreira, Arminda Soares envolveu-se, em 1944, na criação do Club Literário Guilherme de Azevedo e do Grupo Pró-Cultura dos Empregados no Comércio para fundar o primeiro jardim-de-infância em Santarém, projecto pioneiro que durou apenas três meses.

A partir de 1946, a militância política fez com que Humberto Lopes fosse várias vezes preso, passando Arminda Soares a visitá-lo, bem como ao irmão Pedro

[Arminda Lopes Soares || 26/12/1953 || ANTT || RGP/21435 || PT-TT-PIDE-E-010-108-21435]

Em 24 de Dezembro de 1953, Arminda Soares foi presa «por desobediência» quando estava a assistir ao julgamento do julgamento do marido, acusado de desenvolver propaganda do Partido Comunista através do Movimento Nacional Democrático, tendo sido condenado a dois anos e meio de prisão. Levada para os calabouços da 20.ª Esquadra da PSP, foi julgada em 26 de Dezembro no Tribunal da Polícia, sendo-lhe aplicada uma multa e suspendendo a pena de 15 dias de prisão correccional por dois anos. 

Quando Humberto Lopes e Pedro Soares se encontravam presos no Forte de Peniche e se preparou a fuga de Álvaro Cunhal, do irmão e de outros camaradas em Janeiro de 1960, Arminda dos Santos Soares constituía o primeiro sinal para a confirmar, através da visita dominical ao marido, o que não sucedeu pelo facto dos planos terem sido antecipados uma semana. 

[Arminda Lopes Soares || 26/12/1953 || ANTT || RGP/21435 || PT-TT-PIDE-E-010-108-21435]

Segundo Teresa Lopes Moreira, em texto no Correio do Ribatejo de 31 de Outubro de 2014, «o divórcio e a morte do irmão e da cunhada [Maria Luísa Costa Dias] num acidente [9 de maio de 1975] tornaram-na mais amarga, mas não quebraram os laços da militância».

Feminae - Dicionário Contemporâneo, editado em 2013 pela CIG, inseriu a biografia possível de Arminda dos Santos Soares, constituindo um primeiro passo para a divulgação e estudo do seu percurso político. Por sua vez, os textos de Teresa Lopes Moreira no Correio do Ribatejo permitem redescobrir o percurso comum do casal.

Fonte:
ANTT, Registo Geral de Presos 21435 [Arminda dos Santos Soares / PT-TT-PIDE-E-010-108-21435].

[João Esteves]

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

[1630.] PEDRO BATISTA DA ROCHA [II]

* MILITANTE DAS JUVENTUDES COMUNISTAS E DO PARTIDO COMUNISTA || ACTIVISTA DO SOCORRO VERMELHO INTERNACIONAL || PRESO POLÍTICO || COMBATENTE DA GUERRA CIVIL DE ESPANHA || PASSAGEM PELOS CAMPOS DE INTERNAMENTO EM FRANÇA E DE TRABALHO NA ALEMANHA NAZI || EXILADO *


O percurso político de Pedro Rocha é invulgarmente rico e complexo, tendo abrangido quase todo o período da Ditadura Militar, Salazarista e Marcelista.

Filho de Hermínia do Carmo Batista e de António José da Rocha, músico militar preso por estar envolvido na Revolta Republicana de 31 de Janeiro de 1891, no Porto, Pedro Baptista da Rocha nasceu em 25 de Julho de 1912, em Lisboa. 

[Escrito com paixão || Caminho || 1991]

Filho único, frequentou o Liceu Gil Vicente cujo ambiente, associado à influência familiar em torno dos ideais da República, muito contribuiu para a sua adesão à luta contra a Ditadura Militar e militância comunista, onde usou os pseudónimos de "Helder", de "Osvaldo" e de "José Pedro da Rocha".


Segundo as suas memórias, intituladas Escrito com paixão [Caminho, 1991], com 18 anos era já membro das Juventudes Comunistas, onde trabalhou directamente com Francisco Paula de Oliveira e, depois, com Fernando Quirino. 


Detectado e procurado como activista comunista desde 1932, Pedro Rocha desempenhou ainda trabalho partidário, entre outros, com Álvaro Duque da Fonseca, Carolina Loff da Fonseca, Cassiano Nunes Diogo e Júlio dos Santos Pinto. Em 1933, integrou o Secretariado Político das Juventudes Comunistas.

Foi, simultaneamente, activista do Socorro Vermelho Internacional em Lisboa e, posteriormente, encarregado da sua reorganização no Alentejo e Algarve.

Preso, pela primeira vez, em 23 de Julho de 1933, juntamente com Rodrigo Ollero das Neves [n. 27/06/1906], na casa da Rua Bernardim Ribeiro, 57, 4.º, foi julgado pelo Tribunal Militar Especial em 22 de Janeiro de 1934 e condenado a dezoito meses de prisão correccional e perda dos direitos políticos por dois anos, sendo libertado em 27 de Janeiro do ano seguinte.

Voltou a ser preso, "para averiguações", em 16 de Maio de 1936 e libertado em 26 do mesmo mês.

Em 1937, dando seguimento ao apelo do Partido Comunista para que militantes e simpatizantes se juntassem às forças republicanas de Espanha, Pedro Rocha partiu para aquele país, via França, chegando à Catalunha depois de uma atribulada e tormentosa viagem, tendo atravessado os Pirenéus a pé. 

[Diário de Lisboa || 9 de Setembro de 1983 || p. 5]

Em Espanha, manteve contactos estreitos com os portugueses Caetano João, César de Almeida, Jaime de Morais, Manuel Roque, Mário Reis, Miguel Ramos, Óscar Morais e Utra Machado, entre outros. Aí também se cruzou com Luís António Soares, pai de Pedro Soares, seu camarada das Juventudes Comunistas.

Concluído o curso na Escola de Artilharia N.º 2, em Lorca, perto de Valência, foi promovido a tenente de artilharia e, em 30 de Outubro de 1938, passou a capitão.

[Diário de Lisboa || 9 de Setembro de 1983 || p. 5]

Em Fevereiro de 1939, juntamente com Jaime Cortesão, Jaime de Morais, Mário Fernandes e outros portugueses, saiu de Espanha e começou a prolongada passagem pelos campos de internamento franceses e, em meados de 1941, durante um ano, esteve em campos de trabalho na Alemanha.

Regressou a Portugal em 1942, sendo preso, "para averiguações", em 4 de Dezembro de 1943, enviado para o Aljube e libertado em 19 de Janeiro de 1944.

Nesse mesmo ano, em Maio, partiu para Angola, onde continuou a ser vigiado e perseguido pela PIDE.


Partiu, então, para Brazaville e aí trabalhou, durante 14 anos, como locutor da RTF. Em fins de 1959, fixou-se no Brasil, trabalhando no Estado de São Paulo.

Logo que eclodiu a Revolução de 25 de Abril, ofereceu, por carta, os seus préstimos profissionais ao Movimento das Forças Armadas, não tendo obtido qualquer resposta.

Em 1976, ao fim de 28 anos de exílio e de 43 de militância antifascista, regressou a Portugal.

João Varela Gomes, em artigo publicado no Diário de Lisboa de 9 e 10 de Setembro de 1983, dá amplo destaque ao percurso político de Pedro Rocha, inserindo documentação sua enquanto participante na Guerra Civil de Espanha.

[Varela Gomes || "A derrota" || DL, 09/09/1983]

[João Esteves]

sábado, 3 de janeiro de 2015

[0891.] ARMINDA DOS SANTOS SOARES [I] || UMA MULHER NOS PREPARATIVOS DA FUGA DE PENICHE (1960)

* ARMINDA SOARES *


|| UMA MULHER NOS PREPARATIVOS DA FUGA DE PENICHE A 3 DE JANEIRO DE 1960 ||

[Gravura de Margarida Tengarrinha segundo desenho de Álvaro Cunhal]

Filha de Olívia dos Santos Espinho Soares e de Luís António Soares, antifascista que se opôs à ditadura salazarista, combateu na Guerra Civil de Espanha, foi preso e esteve internado num campo de concentração em França aquando da Segunda Guerra Mundial.

Irmã de Pedro dos Santos Soares [13/01/1915-10/05/1975], militante clandestino do Partido Comunista.

Casou, no início da década de 1940, com o advogado escalabitano Humberto Pereira Diniz Lopes [17/10/1919-23/11/1984], jovem militante do Partido Comunista, embora na legalidade, passando o casal a revelar as mesmas opções políticas. 

Segundo Teresa Lopes Moreira, Arminda Soares envolveu-se, em 1944, no projecto do Club Literário Guilherme de Azevedo e do Grupo Pró-Cultura dos Empregados no Comércio para fundar o primeiro jardim-de-infância em Santarém, projecto pioneiro que durou apenas três meses.

A partir de 1946, a militância política fez com que Humberto Lopes fosse várias vezes preso nas cadeias políticas, passando Arminda Soares a visitar quer o marido, quer o irmão Pedro. 

Arminda também conheceu, temporariamente, a prisão durante dois dias, entre 24 e 26 de Dezembro de 1953, quando o marido estava novamente detido e condenado a dois anos e meio, acusado de pertencer ao Movimento Nacional Democrático.

Quando Humberto Lopes e Pedro Soares se encontravam presos no Forte de Peniche e se preparou a fuga de Álvaro Cunhal, do irmão e de outros camaradas em janeiro de 1960, Arminda dos Santos Soares constituía o primeiro sinal para a confirmar, através da visita dominical ao marido, o que não sucedeu pelo facto dos planos terem sido antecipados uma semana. 

Recorrendo novamente às palavras de Teresa Lopes Moreira, inscritas no Correio do Ribatejo de 31 de outubro de 2014, "o divórcio e a morte do irmão e da cunhada [Maria Luísa Costa Dias] num acidente [9 de maio de 1975] tornaram-na mais amarga, mas não quebraram os laços da militância".

Feminae - Dicionário Contemporâneo, editado em 2013 pela CIG, inseriu a biografia possível de Arminda dos Santos Soares, constituindo um primeiro passo para a divulgação e estudo do seu percurso político. Por sua vez, os textos de Teresa Lopes Moreira no Correio do Ribatejo permitem redescobrir o percurso comum do casal.