[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

quinta-feira, 4 de março de 2021

[2516.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [LXXXII] || 1926 - 1933

* PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || LXXXII *

0659. António da Cruz Vígua [1931]

[Lisboa, 1911 (?), lavador de automóveis - Lisboa. Filiação: Natividade da Conceição Cruz e José da Vígua. Preso por soldados de Cavalaria 7 em 26/08/1931, por ter tomado parte na Revolta que eclodiu nesse dia. Levado para a Penitenciária e deportado para Timor, embarcando no vapor Pedro Gomes em 02/09/1931 (Processo 326). Abrangido pela  amnistia de 05/12/1932, desembarcou em Lisboa em 09/06/1933 e apresentou-se em 12/06/1933.]

0660. António da Cruz [1929]

[Lisboa, 1895 (?), tipógrafo - Lisboa. Filiação: Júlia Augusta da Cruz e Aurélio João da Cruz. Preso em 01/10/1929, "por imprimir manifestos contra a Ditadura Militar"; libertado em 31/12/1929 (Processo 4440).]

0661. António da Fonseca [1927]

[Fornos de Algodres, 1891 (?), servente jornaleiro - Lisboa. Filiação: Maria Adelaide e Manuel da Fonseca. Preso em 06/11/1927, "acusado de saber da existência de bombas e do local onde estas se encontram"; libertado em 07/11/1927 (Processo 3331).]

0662. António da Graça [1932]

[Ferreira do Zêzere, 1888 (?), industrial - Lisboa. Filiação: Felicíssima da Graça. Preso em 04/01/1932, "por estar implicado no complot revolucionário contra o Batalhão de Caçadores N.º 7, aquartelado no Castelo", dirigido por João da Silva Quilhó (v. Processo 205). Teria sido aliciado por Diamantino Galamba, tendo sido libertado em 20/01/1932.]

0663. António da Piedade Cipriano [1933]

[Serpa, 1913, empregado no comércio - Lisboa. Filiação: Maria Isabel da Piedade Cipriano e Joaquim Cipriano. Preso em 24 ou 26/01/1933, por ser o filiado 100 das Juventudes Comunistas, secretariando a Célula N.º 10 e representando-a no Comité de Zona N.º 1. Passou para a organização do Partido Comunista, onde militaria há ano e meio por intermédio de Ernesto dos Santos, fazendo parte, desde Maio de 1932, do Comité Regional enquanto delegado do Comité de Zona N.º 1. Usava o pseudónimo "Borodine", assistiu, em Junho, à Conferência Regional realizada na Costa da Caparica que teve a dirigi-la Francisco de Paula Oliveira e ficou responsável pela Comissão Regional do Socorro Vermelho Internacional. Envolveu-se com Ernesto dos Santos, em 4 de Setembro, na divulgação da 18.ª Jornada Internacional das Juventudes Comunistas, pintando inscrições e afixando nas paredes selos, cartazes e exemplares do jornal "O Jovem", propaganda que lhe fora entregue por Afonso Martins da Silva. Em Dezembro, participou na conferência Regional da Amadora, sendo nomeado para fazer parte do Comité Central Executivo das Juventudes Comunistas, com o cargo de secretário da Comissão de Pioneiros, acumulando com as responsabilidades no SVI, no Comité Regional e no controlo do Comité de Zona N.º 4. Seria o autor de desenhos utilizados em cartazes de propaganda, em títulos de jornais e noutras publicações. Preso junto à esquadra de Alcântara, na sequência de uma reunião do Comité de Zona N.º 4 realizada em 24/01/1933 e em que participavam Adolfo Teixeira Pais, Manuel dos Santos, "O Manuel da Fonte Santa", Floriano Gabriel Sampaio Luz e João Ferreira de Abreu, tendo os dois últimos sido também presos. Julgado pelo TME em 02/03/1934, foi condenado a 15 meses de prisão correccional (Processo 31/934, do TME), enviado para Peniche em 20/03/1934 e libertado em 11/05/1934. Subscreveu a Carta Aberta, datada de 30/03/1933, onde os presos políticos do Aljube denunciavam as torturas sofridas, sendo que «foram espancados 49, e alguns duma  maneira bastante selvagem». Neste documento, que consta do ANTT e assinado por «republicanos, comunistas e sindicalistas, alguns dos quais foram combatentes da Grande Guerra tendo já, à Pátria e à República, prestado relevantes serviços», elucida-se que os presos «foram barbaramente espancados uns, conservados em rigorosa incomunicabilidade por longos dias outros, e insultados quase todos»; «foram uns torturados por espancamento, outros por algemas, muitos conservados de pé sem comer e sem beber, alguns proibidos de utilizarem as retretes para satisfazerem as suas necessidades durante alguns dias» [ANTT, PT-TT-PIDE-001-00546_m0001].

0664. Luís António Soares [1928, 1931, 1937]

[Luís António Soares || Guerra Civil de Espanha]

[Antes de fugir de Portugal para combater na Guerra Civil de Espanha ao lado dos Republicanos, Luís António Soares foi preso por três vezes, entre 1928 e 1937, e deportado para Moçambique [1929] e Cabo Verde [1932]. Aderiu neste ano ao Partido Comunista Português e, na sequência das vivências no país vizinho, filiou-se no Partido Comunista de Espanha. Filho de Mariana das Dores Soares e de Joaquim Ramos Soares, Luís António Soares era natural de Beringel - Beja. Os seus familiares seriam de origem operária e camponesa e, em 1911, terá integrado, durante três meses, o Batalhão de Voluntários da República Portuguesa, tendo-se filiado no Partido Republicano Português em 1914. Participou nos movimentos revolucionários contra a Ditadura Militar saída do 28 de Maio de 1926, tendo sido preso pela primeira vez em Abril de 1928 e deportado, talvez em 1929, para Lourenço Marques. A segunda prisão de Luís António Soares aconteceu em 23 de Abril de 1931, em Moçambique, onde seria empregado no comércio, na sequência de uma tentativa de levantamento militar para secundar os movimentos da Madeira (4 de Abril), Açores (8 de Abril) e Guiné (17 de Abril), tendo sido detido com armas na mão. Deportado para Cabo Verde, aí conheceu e conviveu com Bento Gonçalves que, preso em 29 de Setembro de 1930, fora deportado para Cabo Verde em 15 de Fevereiro de 1931, para as ilhas do Sal e Fogo, de onde regressou em Fevereiro de 1933. Foi por intermédio do Secretário-Geral do Partido Comunista Português que Luís António Soares aderiu, em 1932, a esta organização. Abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro deste ano, apesar de só ter sido informado de tal em 1933, foi enviado, em Agosto, para a Guiné. A terceira, e última prisão, verificou-se naquela colónia, onde estava como funcionário público. Preso no Comando de Polícia da Guiné Portuguesa, daí fugiu em 26 de Fevereiro de 1937 e terá seguido para a Guiné Francesa, onde as autoridades lhe terão facultado um passaporte para Espanha, país onde chegou em 17 de Outubro via Dakar. Trabalhou, então, na União dos Antifascistas Portugueses Residentes em Espanha, cujo Secretário-Geral era Francisco Oliveira Pio [1897 - 1972], e no Socorro Rojo Internacional (Grupo Manuel dos Santos), sob a direcção de Joaquim Caetano. Em Abril de 1938, solicitou o ingresso no Partido Comunista de Espanha. Com a derrota dos republicanos, passou para França, onde integrou a Resistência. Já idoso, em meados da década de 1960 terá regressado a Portugal e, quando se encontrava a viver em Portela das Padeiras (Santarém), foi entrevistado para o Jornal do Ribatejo por João Matos Madeira e Helena Neves, estando presentes Alves Castela e Lino Ribeiro. É pai de Pedro dos Santos Soares (1915 - 1975) e de Arminda dos Santos Soares, ambos com relevante militância clandestina no Partido Comunista.]

0665. António da Rosa Palhota [1932]

[Mação, 1913 (?), grumete-artilheiro - Gil Eanes. Filiação: Maria Rita de Jesus e João da Rosa Palhota. Preso em 16/09/1932, "por fazer propaganda comunista" e enviar, por diversas vezes, panfletos a Francisco Marques, ex-1.º cabo da GNR residente em Mação. Entregue pelos Serviços Auxiliares de Marinha em 25/10/1932, recolhendo ao Aljube (v. Processo 525). Condenado, em 04/11/1932, a três meses de prisão pelo Ministro do Interior. Libertado em 10/12/1932, por ter sido abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro.]

0666. António da Silva Amorim [1931, 1938, 1939]

[António da Silva Amorim || ANTT || RGP/10769 || PT-TT-PIDE-E-010-54-10769]

[Arganil, --/11/1903, motorista - Lisboa. Filiação: Margarida Cândida da Silva Amorim e José Luís Alves da Silva Amorim. Preso em 20/02/1931, "acusado de conduzir no automóvel com que trabalha o ex-tenente Quilhó e de ter ligações com João António Certã." Libertado em 28/03/1931 (v. Processo 4803). Preso em 10/10/1938, foi levado, incomunicável, para uma esquadra e transferido para a 1.ª esquadra em 26/10/1938. Seguiu para o Aljube em 19/11/1938 e, em 25/11/1938, entrou em Caxias. Saiu em liberdade condicional em 23/12/1938 (Processo 1132/38). Em 04/02/1939, foi preso e julgado pelo TME, sendo condenado a 12 meses de prisão. Depois de ficar detido na 1.ª esquadra, seguiu para Peniche em 07/02/1939. Libertado em 26/11/1939.]

[João Esteves]

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