[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

sábado, 28 de fevereiro de 2026

[3674.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CDXCIX

 PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CDXCIX *

02508. Aurélio Dias [1932]

[Aurélio Dias || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Aurélio Dias.
Constância, 1904. Marítimo - fragateiro. Filiação: Carolina da Piedade, João Dias Ferreira. Casado. Residência: Cruzes da Sé, 27 – Lisboa. Militante do Partido Comunista desde 1931, integrou a Célula 17 do Comité de Zona 2 e, depois, a Célula 24 do Comité de Zona 1. Participou nos preparativos da jornada de luta a ocorrer no dia 29 de fevereiro de 1932, que implicava o recurso a bombas e acabou por não se realizar devido à prisão de alguns dos implicados. Envolveu-se, depois, na organização da jornada do 1.º de Maio. Mantinha ligações políticas com Álvaro Augusto Ferreira, António Franco da Trindade, Artur Serra, Carlos Norberto, Eduardo Valente Neto, Francisco Fernandes MeraJosé Martins Pinto Júnior, Leonel da Rosa Felício, Manuel Francisco da Silva ("O Manuel Pedreiro"), Manuel Moor e Valério da CruzConsiderado «elemento duma atividade extraordinária e de uma grande preponderância no meio marítimo em Alfama, sendo bastante perigoso pelo desembaraço da sua ação revolucionária» foi preso no dia 24 de abril de 1932, na Serra de Monsanto, quando o grupo experimentava material explosivo a usar durante o 1.º de Maio. Em 10 de agosto de 1932, por parecer do Diretor-Geral de Segurança Pública, e concordância do ministro do Interior, decidiu-se que «lhe seja fixada residência obrigatória em Cabo Verde ou Timor, tendo dado entrada na Cadeia Penitenciária, onde fica aguardando a oportunidade de embarque». O seu processo seguiu, em 24 de fevereiro de 1933, para o TME, onde foi julgado em 20 de outubro de 1934 e condenado a 10 anos de degredo com prisão e multa de vinte mil escudos. Interpôs recurso e no julgamento de 3 de novembro a pena passou para «2 anos de prisão correcional, dada por expiada com a já sofrida». Entretanto, já falecera em 30 de outubro, na Penitenciária de Lisboa, com 30 anos. A única fotografia que se conhece foi tirada na prisão e tem uma cruz por cima para indicar que falecera.

02509. Francisco Fernandes Mera [1932]

[Francisco Fernandes Mera.
Cañiza – Pontevedra, 1909. Empregado de comércio. Filiação: Maria Joana Mera Álvares, Joaquim José Fernandes Nobre. Solteiro. Residência: Rua da Ribeira Nova, 56 ou Rua de S. Paulo, 190 – Lisboa. Preso em 27 de fevereiro de 1932, acusado de ter  na sua posse «grande número de manifestos subversivos editados pelo Partido Comunista Português». Entregue, em 26 de março de 1932, à Polícia Internacional Portuguesa.]

02510. Domingos Marques Correia [1929]

[Domingos Marques Correia.
Idanha-a-Nova, 1906. 1.º cabo de Infantaria 1. Filiação: Maria Piedade Moreira, Venâncio Marques Carrasco. Solteiro. Residência: Quartel de Infantaria 1. Preso em 21 de março de 1929, «fazer parte da organização revolucionária de Infantaria N.º 1», e deportado para a Guiné em 30 de maio. Deixou de ser considerado deportado político em 14 de janeiro de 1930 e declarou não querer regressar ao Continente como fora autorizado. Foi-lhe concedida licença para regressar em 7 de junho de 1943.]  

02511. Jaime dos Santos Ventura [1928]

[Jaime dos Santos Ventura.
Mação, 1880. Comerciante. Filiação: Maria Antónia Victorino de Matos Condeixa, Joaquim dos Santos Ventura. Residência:  Soure. Republicano, foi administrador do concelho de Soure. Vigiado desde, pelo menos, outubro de 1927, devido às suas ligações revolucionárias a Ilídio dos Santos NogueiraJaime de MoraisMartins de LimaRaul Madeira e Urbano Rocha Dantas. Preso em 16 de fevereiro de 1928, «por ordem superior», e libertado no dia 18.]

02512. Joaquim Augusto da Silva [1933]

[Joaquim Augusto da Silva.
Preso em 16 de outubro de 1933, acusado de ter «ligações de carácter revolucionário com elementos conhecidos da Polícia», nomeadamente Raul dos Santos Salvado. Libertado no mesmo dia por nada se ter provado.]

02513. Germano Manuel Batista [1931]

[Germano Manuel Batista.
Benavente, 1901. Pedreiro. Filiação: Capitolina Maria Rodrigues Baptista, António Joaquim Baptista. Solteiro. Residência: Rua Barão de Sabrosa, 169 – Lisboa. Preso em 26 de agosto de 1931, na Rua Tomás Ribeiro,  por ter participado no movimento revolucionário desse dia e levado pela GNR para o Quartel do Carmo. Passou para a Cadeia Nacional e deportado para Timor em 2 de setembro. Abrangido pela amnistia de 5 de dezembro de 1932, regressou em 9 de junho de 1933 e apresentou-se no dia 12.]

[João Esteves]

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