[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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sábado, 26 de março de 2022

[2777.] ÁLVARO DUQUE DA FONSECA || 1909 - 1971

 * ÁLVARO DUQUE DA FONSECA *

[24/11/1909 - 18/09/1971]

[Álvaro Duque da Fonseca || ANTT || RGP/430 || PT-TT-PIDE-E-010-3-430]

Filho de Ermelinda Fernanda Monteiro Duque [1890-1945] e de Vasco Loff da Fonseca [1884-1959], Álvaro Duque da Fonseca nasceu na Cidade da Praia, Cabo Verde, em 24 de Novembro de 1909.

Estudante, revelou-se um importantíssimo quadro do Partido Comunista em toda a década de 1930, trabalhando diretamente com os principais dirigentes, nomeadamente Bento Gonçalves

Primo de Carolina Loff da Fonseca e irmão de Dalila Duque da Fonseca, também ativistas, pertencia à estrutura diretiva da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas, tendo a responsabilidade do setor académico. 

Com as prisões, em Janeiro de 1932, de Bernard Freund e de Armando Soares [o futuro médico Armando Ducla Soares], participou na reorganização daquela, sendo eleito, na reunião realizada na Costa da Caparica, para o seu Secretariado, passando a ocupar a parte militar, anteriormente da responsabilidade do 2º sargento Armando Soares: os outros membros eram Carolina Loff da Fonseca (comissão feminina), Francisco de Paula Oliveira (imprensa), Júlio dos Santos Pinto (comissão sindical) e Silvino Leitão Fernandes Costa (organização). 

Passou a reunir-se semanalmente com os restantes membros do Bureau Militar, acompanhando o que se passava na Armada e no Exército. O setor militar das Juventudes Comunistas na Armada era composto por dois Comités de Zona: o terrestre, com células na Brigada de Marinheiros e no Quartel de Marinha; e o marítimo, com células nos navios de guerra Carvalho Araújo, República e Vasco da Gama e, ainda, no Navio Escola Sagres. 

Já as ligações com o Exército revelaram-se mais difíceis de reatar, devido à prisão de Armando Soares. No entanto, estabeleceu contactos com o Batalhão de Automobilistas, Regimento de Artilharia, Artilharia 3 e Companhia de Saúde (1º cabo Mamede, 1º cabo António Roque Pinto). 

Foi da sua responsabilidade, juntamente com Carlos Luís Correia Matoso e Silvino Leitão Fernandes Costa, a impressão do primeiro número do órgão O Soldado Vermelho, distribuído por todas as unidades da Guarnição Militar de Lisboa e da Armada. 

Com o mesmo grupo e a prima, redigiu e imprimiu o manifesto referente à jornada prevista para o dia 29 de Fevereiro de 1932, um outro destinado aos trabalhadores rurais da região de Lisboa e  vários números de O Jovem, órgão das Juventudes Comunistas, O Jovem Militante (teoria), O Elétrico Vermelho (Carris), O Aprendiz Vermelho e O Fatexa, órgãos da célula do Arsenal de Marinha, para além da impressão, também através de copiógrafo ciclostil, do primeiro dos Seis Cursos Elementares de Educação Comunista, traduzido do francês por Carlos Matoso

Com as prisões na Serra de Monsanto, em 24 de Abril, de Carlos Matoso e de Silvino Costa, transferiu da sede clandestina da FJCP para um quarto, alugado pela mãe de Francisco de Paula Oliveira, todo o material de organização e de propaganda, incluindo as máquinas. 

A responsabilidade política era cada vez mais abrangente, substituindo Silvino Costa no setor da Organização e ocupando, temporariamente, o lugar de Pavel na Comissão Política de Agitação e Propaganda, por este se ter deslocado a Bilbau para assistir ao Congresso da União das Juventudes Comunistas Espanholas. 

Entre as suas múltiplas atividades, estava, também, a redação de textos para diversa imprensa partidária, a par de reuniões com o setor militar e do Secretariado Político das Juventudes Comunistas. Em reunião deste, participou na delineação e aprovação do plano das comemorações da XVIII Jornada Internacional das Juventudes, a realizar em 4 de Setembro, que incluía pinturas nas paredes, cartazes de propaganda, selos, hasteamento de bandeiras em diversas partes da cidade de Lisboa e realização de uma manifestação e comício-relâmpago em Alcântara, por seu uma zona operária. 

Foi, então, convidado por Manuel Francisco Roque Júnior a participar na reunião do Comité Regional de Lisboa do Partido Comunista, a realizar em 17 de Setembrona sede da Associação de Classe dos Empregados de Escritório, situada na Rua da Madalena, 225 - 1º dto, e durante a qual foi preso, juntamente com Armando Ramos, Manuel Francisco Roque Júnior, que andava a ser vigiado, Raul Nunes Leal (Processo 568). 

Deodato Ramos, também daquele Comité, já tinha sido detido e, na mesma leva de presos relacionada com esta reunião constavam, também, José de VasconcelosJosé Nunes Scheidecker Togo da Silva Batalha. Foram ainda detidos no mesmo dia António dos Santos SerraHenrique FragosoJosé Amorim José Soares - "O Malatesta". 

Tal como os restantes detidos, recolheu, incomunicável, a uma esquadra, sendo, depois, sujeito a um "apertado interrogatório", ou seja barbaramente torturado e espancado. 

Como era 1º sargento cadete miliciano do Batalhão de Caçadores 7, na situação de licenciado, e fora convocado, em Agosto, para se apresentar no Regimento de Infantaria 1, em Mafra, acabou por ser entregue ao Quartel General do Governo Militar de Lisboa ao ser considerado desertor. 

Julgado pelo TME em 16/12/1933 (Processos 11/933  e 14/933 do TME), foi considerado abrangido pelas disposições do Decreto de 05/12/1932, cessando o respetivo procedimento criminal quanto à sua ação política. 

No entanto, continuava sob a alçada da justiça militar, tendo conseguido evadir-se aquando de uma deslocação para ser ouvido no Tribunal Militar, refugiando-se em Madrid.

Em 1933 estava, pois, em Espanha, onde colaborou com Miguel Wager Russell na impressão de propaganda política destinada ao seu país. Aí nasceu, em 24 de Novembro de 1933, a sua filha Magda

Regressou, clandestinamente, a Portugal e retomou os contactos com Partido Comunista através de Carlos Matoso. Passou a trabalhar diretamente com Bento Gonçalves e aquele, entre outros, sendo responsável pela ligação entre o Comité Central e o Socorro Vermelho Internacional e revisão de textos doutrinários publicados na imprensa partidária, para além de tarefas administrativos, funcionando junto da Comissão Política ligada ao Comité Central (Processos 1435 e 1500)

Preso em 27/02/1935, quando andava fugido e procurado há muito, levado para uma esquadra e transferido para o Aljube em 27/03/1935 e, em 26/05/1935, para Peniche (Processo 1273). Regressou ao Aljube em 03/03/1936 e julgado pelo TME em 04/03/1936, foi condenado a dois anos de prisão e perda de direitos políticos por dez anos (Processos 47 e 102/935 do TME).

Embarcou no Carvalho Araújo em 23/03/1936 com destino a Angra do Heroísmo e, em 23/10/1936, seguiu para o Tarrafal, de onde regressou em 01/10/1944 e levado para Caxias.

No Tarrafal, devido ao agudizar das divergências no seio dos tarrafalistas comunistas, foi expulso em 1943 e integrou, com outros, o Grupo dos Comunistas Afastados: na opinião de Joaquim Ribeiro, que permaneceu 16 anos naquele Campo, "era um indivíduo bastante culto e foi pena que tivesse resvalado na luta-antipartidária" (No Tarrafal, prisioneiro, 1976, p. 98).

Libertado em 12/10/1944, foi residir para a Rua Filipe da Mata, 126 - Lisboa. 

Por intermédio de José de Sousa, com quem tinha militado no Partido Comunista e estado em Cabo Verde, aderiu, por volta de 1946/1947, à Fraternidade Operária Lisbonense, tal como alguns outros antigos camaradas. 

Partiu para Angola e, na década de 1950, vivia em Moçambique, onde foi assassinado, juntamente com a mulher, no Dondo, Sofala, em 28/09/1971. Joaquim Ribeiro também se refere a este assassinato, "em condições trágicas ainda por esclarecer" (p. 98). 

Foi casado com Anémona Adelaide Pinto da França Xavier de Basto (1914-1975) e com Maria de Lurdes Matos Cardoso (1925-1971), havendo descendência dos dois enlaces.

[João Esteves]

sábado, 12 de março de 2022

[2755.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [CLIX] || 1926 - 1933

 * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CLIX *

01095. Cassiano Nunes Diogo [1932, 1932, 1934]

[Lisboa, c. 1910, caldeireiro de cobre. Filiação: Maria Ribeiro, Manuel Nunes Diogo. Solteiro. Residência: Rua Elias Garcia, 53 - Amadora. Preso em 05/09/1932 pelo Administrador do Concelho de Oeiras, acusado de, na madrugada do dia 4, fazer com Pedro Batista da Rocha e outros indivíduos, pinturas nas paredes da Amadora, Cacém e Queluz ("Viva o Comunismo", Viva a URSS", "Viva a Juventude Comunista", a foice e o martelo) e hastear, nos fios telefónicos da Amadora, a bandeira comunista. Recolheu, incomunicável, a uma esquadra. Era já procurado há vários meses por ligações a uma célula comunista da Amadora da qual faziam parte cabos do Grupo de Esquadrilhas de Aviação República: teria sido o organizador e controleiro da Célula 33 das Juventudes Comunistas, da qual faziam parte Domingos Pedroso, Elias Gomes, Ferrer Pedroso e Sérgio Simões da Costa, este último eletricista das Esquadrilha de Aviação República (Processo 560). Quando preso, integraria a Célula 32 o Comité de Zona 3, sendo o encarregado da cobrança do Socorro Vermelho Internacional, relacionando-se, então, com os primos Álvaro Duque da Fonseca e Carolina Loff da Fonseca (a camarada "Vera"), detida no mesmo dia. Na atividade partidária, também colaborou com Armando Ducla Soares, Pedro Batista da Rocha, do Secretariado Político, e Silvino Leitão Fernandes Costa (Processo 568). Levado, em 08/10/1932, da 32ª Esquadra para o Hospital de  Santo António dos Capuchos, "para tratamento", "devido à doença do epigrafado", de onde se evadiu, com a colaboração da mãe, em 16 ou 17/11/1932. Preso na fronteira de Vilar Formoso, quando tentava fugir para Espanha, em 30/11/1932 (Processo 595). Enviado, em 06/05/1933, para a enfermaria da Cadeia do Limoeiro; em 31/05/1933, a Direção das Cadeias Civis, por indicação médica, aconselhou a sua entrada num Sanatório ou Hospital especializado por "se encontrar atacado de tuberculose pulmonar". O TME, de 02/06/1933, ordenou a sua libertação a fim de entrar, imediatamente, na Estância Climatérica do Caramulo, o que sucedeu em 05/6/1933. Julgado pelo TME em 16/12/1933, foi considerado abrangido pela amnistia de 05/12/1932. Preso em 13/05/1934, em Forcalhos, junto à fronteira com Espanha, por receber de Madrid correspondência via Manuel Gonzalez Martin: através dela, Francisco Paula de Oliveira procurava que Cassiano Diogo regressasse à atividade política em Lisboa, em virtude das recentes prisões de jovens comunistas, passando a fazer a ligação entre aquele e os membros do Comité Central Executivo das Juventudes (Processo 1147). Libertado em 30/05/1935. Exilou-se, então, em Espanha, onde chegou a estar ligado ao PCE e a participar na Guerra Civil, apesar da sua doença, na sequência da revolta dos militares franquistas contra o governo legítimo da República. O seu nome aparece no volume 1 da Biografia de Álvaro Cunhal, da autoria de José Pacheco Pereira, como Cassiano Diogo das Neves, fuzilado em Espanha em finais de 1937.]
[alterado em 25/03/2022]
[alterado em 06/09/2022]

01096. Carolina Loff da Fonseca [1932, 1940]

[Carolina Loff da Fonseca || F. 01706/1940 || ANTT || RGP/12045 || PT-TT-PIDE-E-010-63-12405]

[Cidade da Praia (Ilha de Santiago) - Cabo Verde, 12/11/1911, s/profissão / doméstica. Filiação: Ida Loff Fonseca. Solteira. Residência: Rua Pinheiro Chagas, 47 - Lisboa. O percurso político de Carolina Loff é um dos mais polémicos e intrigantes, já que destacada militante e dirigente comunista na década de 30, com passagens pela União Soviética e missões da Internacional Comunista na Espanha Republicana durante a Guerra Civil, envolveu-se emocionalmente, depois de ter sido presa pela segunda vez, em 1940, com o inspetor da PVDE responsável pelo seu processo. Apesar de expulsa do Partido Comunista, está por apurar o seu real envolvimento com os serviços de espionagem soviética, já que se revelara um quadro ao serviço da Internacional Comunista com tarefas atribuídas em Espanha e Portugal e que continuou, depois disso, a entrar e sair da URSS com enorme facilidade. Filha de Ida Loff Fonseca, "jovem destemida e moderna, de uma família abastada" (Anabela Natário, "Carolina Loff", Portuguesas com História - Século XX, Temas e Debates, 2008) nasceu em Cabo Verde (Praia, Santiago) em 12/11/1911 e faleceu em 06/03/1999, com 87 anos. O pai, Carlos Eugénio de Vasconcelos (1883-1928), seria natural da Madeira e os bisavós, "um ucraniano de apelido Loff e a belga Lídia Léger", emigraram para Cabo Verde em meados do século XIX, dando "início a um futuro próspero" (A. Natário). Aos 15 anos partiu, com a mãe, para Lisboa e estudou no Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho, a funcionar no Largo do Carmo, onde concluiu o Curso Geral dos Liceus. Prima dos ativistas comunistas Álvaro (1910-1975) e Dalila Duque da Fonseca (15/01/1911-1992), era, tal como aqueles, originária de Cabo Verde e dirigente da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas nos primórdios da década de 30, depois de ter aderido por intermédio de José Grácio Ribeiro (n. 1910), estudante de Direito mais tarde afastado e que enfileirou na União Nacional. Integrou a primeira célula feminina comunista, organizada por Wilma Freund, cedo se notabilizou pela dedicada militância e enquanto autora de parte dos artigos da imprensa da FJCP. Presa, pela primeira vez, em 06/09/1932, quando estava grávida do seu companheiro Carlos Matoso e andava a colar propaganda, sendo levada, incomunicável, para uma esquadraPassou pela Cadeia das Mónicas e, embora detida e sob vigilância da Polícia e Vigilância e Defesa do Estado (PVDE), o parto ocorreu na Maternidade Bensaúde, onde a filha Helena nasceu em 1933. O companheiro, Carlos Luís Correia Matoso (n. 15/07/1908-03/03/1959), dirigente do Partido Comunista, não terá chegado a conhecer a filha Helena: julgado à revelia em 20/10/1934 e condenado a 10 anos de degredo, foi preso em 11/05/1938, passou sucessivamente por diversas esquadras, Cadeia do Aljube, Forte de Caxias e de Peniche, até ser enviado para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde entrou em 20/06/1939. Solto em 20/12/1945, regressou em 10/01/1946 e emigrou para o Brasil, onde se suicidou “passado pouco tempo, em condições misteriosas” (Edmundo PedroMemórias. Um Combate pela Liberdade, I Volume, Âncora Editores, 2007). Em Março de 1935, Carolina Loff partiu para a União Soviética com a bebé, a convite de Francisco Paula de Oliveira, frequentou a Escola Leninista, da Internacional Comunista, com o pseudónimo Ana Marta, e quando Bento Gonçalves e Álvaro Cunhal foram a Moscovo, nesse mesmo ano, reencontraram-na a trabalhar “como intérprete e tradutora nas edições em língua estrangeira” (José Pacheco PereiraÁlvaro Cunhal – Uma Biografia Política, Vol. 1 – “Daniel”, O Jovem Revolucionário (1913-1941), Lisboa, Temas e Debates, 1999), destinadas, sobretudo, ao Brasil. Aí, lidou com alguns dos nomes importantes da Internacional Comunista que, em 1937, a enviaram para Espanha com a finalidade de montar uma emissora clandestina do Comintern para Portugal (mais conhecida por rádio do PCP) que passasse por funcionar em Lisboa e denunciasse o apoio do governo aos revoltosos espanhóis, o que sucedeu: a emissão “era feita a partir do próprio edifício da sede do PCE em Valência e transmitida pela Telefónica para Madrid”, fazendo quase tudo sozinha – “era a locutora e redigia grande parte do material que era transmitido”. Além disso, “lidava diretamente com os mais altos responsáveis do PCE” e intervém "junto da comunidade portuguesa exilada em Espanha, informando sobre o seu comportamento político quer o PCE, quer os serviços de informação associados ao secretariado de Togliatti /«Alfredo»” (JPP, vol. 1), usando um passaporte belga em nome de Berthe Mouchet. Nesse ano de 1937, o seu nome surgiu como possibilidade para substituir Armando Magalhães em Paris, o quadro mais influente naquela cidade e em rota de colisão com as orientações de Francisco  Paula de Oliveira, então o principal dirigente do PCP, numa tentativa de solucionar conflitos internos que se arrastavam sem solução a contento deste. Em 1938, fez parte da direção da União Antifascista dos Portugueses Resistentes em Espanha, sediada em Madrid, trabalhou no Comité da Frente Popular em Barcelona e manteve-se naquele país até ao fim da Guerra Civil, tendo sido presa e torturada pelos franquistas, afirmando-se então como jornalista belga. As autoridades espanholas entregaram-na na fronteira portuguesa em Outubro de 1939, “acompanhada por um personagem misterioso [Nikolas Gargoff], suposto delegado da IC, e que vai ter um papel igualmente obscuro no processo da «reorganização»” (JPP, vol. 1) do Partido Comunista Português em 1940-1941.Ao não ser, estranhamente, detida, regressou à luta política dentro do núcleo dirigente daquele. Até ser presa em 30/05/1940, viveu clandestina, usou o nome de Maria Luísa, manteve estreita colaboração com Álvaro Cunhal no Secretariado, contribuiu para a redacão de documentos políticos e de textos sobre a política internacional do movimento comunista, bem como interveio na sua distribuição. Depois de levada para uma esquadra, incomunicável, foi transferida, em 06/07/1940, para a Cadeia das Mónicas. Julgada pelo TME em 16/11/1940 e condenada na pena de prisão de cinco meses, foi libertada nesse mesmo dia. Devido ao comportamento na prisão, chegando a ser acareada com Álvaro Cunhal e Francisco Miguel, e ao facto de se ter ligado ao subinspetor da PIDE Júlio de Almeida, com quem viveu cerca de dez anos e que, depois, partiu para Angola, viria a ser expulsa do Partido na década de 40, estando por apurar o real envolvimento com os serviços de espionagem soviética, já que se revelara um quadro ao serviço da Internacional Comunista com tarefas atribuídas em Espanha e Portugal e que continuou sempre a entrar e sair da URSS com enorme facilidade. O seu nome, a par do de Helena [Vieira] Faria, constou como exemplo nefasto nas primeiras edições do importante manual político de conduta em caso de detenção pela polícia política Se Fores Preso, Camarada..., bem como no Lutemos contra os espiões e provocadores – Breve história de alguns casos de provocação no PCP,  da autoria do Secretariado do CC do PCP e saído em 1952. Usou, ainda, os pseudónimos “Berta”, “Marta da Costa” e “Sylvie”. Edmundo Pedro manteve relações de amizade com Carolina Loff, que lhe apresentou a filha, então já sexagenária e mãe de um casal de gémeos, criada e educada na União Soviética, sendo uma dos muitos estrangeiros, incluindo filhos de portugueses, que passaram pela escola internacional de Ivanovo. O percurso intrigante e enigmático de Carolina Loff saiu reforçado por se ter recusado sempre, apesar da sua longevidade, a esclarecer episódios dessa vivência, originando, entre outras, as obra de ficção O Enigma de Zulmira, de Vasco Graça Moura, e Cartas Vermelhas, de Ana Cristina SilvaSegundo Anabela Natário, "Carolina afastou-se da política activa, mas nunca deixou de contribuir para as causas antifascistas, inclusive para o Partido Comunista". Feminae - Dicionário Contemporâneo (Lisboa, CIG, 2013) incluiu uma nota biográfica de Carolina Loff da Fonseca. 

[João Esteves]

quinta-feira, 19 de julho de 2018

[1842.] CARLOS LUÍS CORREIA MATOSO [I] || DO ALJUBE AO TARRAFAL

* CARLOS LUÍS CORREIA MATOSO (1908 - 1959) || ALJUBE || CAXIAS || PENICHE || CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO TARRAFAL *

Carlos Matoso foi um relevante militante do Partido Comunista na década de 30, tendo sido deportado para o Campo de Concentração do Tarrafal em 1939, onde foi vítima de inenarrável violência e assistiu ao falecimento do seu camarada Bento Gonçalves. 

Regressou em 10 de Janeiro de 1946, “acabrunhado, tristonho, perdida a sua magnífica exuberância antiga" [Armindo Rodrigues], e exilou-se no Brasil, onde constituiu família e se suicidou em 3 de Março de 1959.

[Carlos Luís Correia Matoso || 12/09/1931 || ANTT || ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Elisa Correia Dias Matoso e de José Matoso, nasceu em 15 de Julho de 1908, em Vila do Bispo – Algarve.

Estudante de Agronomia, aderiu à Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas, onde foi um importante quadro, juntamente com Carolina Loff da Fonseca, Edmundo Pedro, Francisco Paula de Oliveira (Pável), Fernando Quirino, Francisco Ferreira, Gilberto Florindo de Oliveira, Grácio Ribeiro, Manuel Rodrigues de Oliveira, Pedro Baptista da Rocha e Victor Hugo Velez Grilo.

Desempenhou, durante a década de 1930, actividade muito relevante no seio do Partido Comunista Português, tendo trabalhado, entre outros, com Bento Gonçalves, seu Secretário-Geral.

Fez parte do grupo que preparava acções para o 1.º de Maio de 1932, com recurso ao uso das bombas.

Terá sido preso em 24 de Abril, quando as experimentavam na Serra de Monsanto, juntamente com Abel Augusto Gomes de Abreu (gráfico da Casa da Moeda), António Franco Trindade, Álvaro Augusto Ferreira, Eduardo Valente Neto (marítimo), João Lopes Dinis (canteiro, faleceu no Tarrafal em 12/12/1941), Manuel Francisco da Silva (pedreiro) e Silvino Fernandes Costa (ajudante de farmácia).

[Carlos Luís Correia Matoso || 12/09/1931 || ANTT || ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Em 1933 ou 1934, nasceu-lhe a filha Helena, fruto da sua relação com Carolina Loff. Esta e a filha recém-nascida partiram para a União Soviética, onde chegaram em Abril de1935, tendo Helena sido recolhida na escola internacional de Ivanovo.

Julgado à revelia pelo Tribunal Militar Especial em 20 de Outubro de 1934, foi condenado a dez anos de prisão no degredo e multa de vinte mil escudos, ficando, depois, à disposição do Governo.

Depois de andar anos na clandestinidade e procurado, foi preso pela Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (PVDE) em 11 de Maio de 1938, aquando do assalto nocturno a uma tipografia clandestina, no Rego [Processo 562/938, enviado ao TME em 01/09/1938].

Levado para uma Esquadra incomunicável, entrou no Aljube em 3 de Agosto. Transferido, no dia 10, para uma Esquadra, tendo regressado ao Aljube em 23 e enviado para Caxias em 26 do mesmo mês.

Em 27 de Setembro, novamente transferido para uma Esquadra (a 1.ª) e, dois dias depois, seguiu para o Reduto Norte de Caxias, tendo sido enviado para Peniche em 1 de Novembro.

Voltou ao Aljube em 22 de Março de 1939.

Julgado pelo Tribunal Militar Especial em 10 de Maio de 1939, viu a pena de 20 de Outubro de 1934 ser agravada para doze anos e perda dos direitos políticos por cinco anos.

Em 20 de Junho de 1939, integrou a 6.ª leva de presos políticos enviada para o Campo de Concentração do Tarrafal, juntamente com Alberto Araújo e Augusto Valdez, de onde só foi libertado em 20 de Dezembro de 1945.

No Tarrafal, foi, como muitos outros presos, vítima de inenarrável violência, tendo assistido ao falecimento de Bento Gonçalves, que há muito conhecia e com quem militara no Partido Comunista: “Carlos Matoso ao notar aquela imobilidade, aquela qualquer coisa que logo nos fazia distinguir a vida da morte; pegou num pequeno espelho e aproximou-o à boca de Bento Gonçalves. Já não havia sopro de vida, e Carlos Matoso não pode conter toda a sua mágoa e toda a sua revolta. // - Assassinos! // O capitão Olegário fitou-o demoradamente e não tardou que o chamasse à secretaria para o esbofetear” [Tarrafal – Testemunhos, 1978].

Regressou em 10 de Janeiro de 1946: “Vinha acabrunhado, tristonho, perdida a sua magnífica exuberância antiga” [Armindo Rodrigues, Um poeta recorda-se, p. 223].

[Carlos Luís Correia Matoso || 12/09/1931 || ANTT || ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

No Campo de Concentração, integrou o núcleo dirigente Organização Comunista Prisional do Tarrafal, juntamente com outros membros do Comité Central, alguns dos quais haviam tinham pertencido ao seu Secretariado, como Alberto Araújo, Francisco Miguel, Júlio Fogaça, Manuel Alpedrinha, Miguel Wager Russell e Militão Ribeiro.

No seu livro Um poeta recorda-se – Memórias de uma vida, o médico e poeta Armindo Rodrigues, amigo de convívio diário de Carlos Matoso durante a década de 30, tece-lhe os maiores elogios políticos, partidários e humanos:

Do Carlos Matoso nunca me adveio o menor perigo. Pelo contrário, quando o prenderam pela última vez, no assalto nocturno a uma tipografia clandestina, no Rego […] não disse uma palavra que pudesse comprometer-me” [p. 16].

“[…] homem honrado e inflexível” [p. 150].

 “Dos regressados da deportação, um era o meu amigo Carlos Matoso, a quem devo a mudez leal que a meu respeito manteve. Vinha acabrunhado, tristonho, perdida a sua magnífica exuberância antiga. E a breve trecho, por diligência do irmão rico, oficial da Aviação Marítima e genro único do banqueiro Soto Maior, emigraria para o Brasil” [pp. 223-224].

Exilado no Brasil, Carlos Matoso procurou reconstruir a sua vida e formou família: casou com 
Raimunda Mirtes Soares e do enlace nasceu Maria Tereza Matoso Sampaio. 

Em próximos postes, publicar-se-á o testemunho inédito, detalhado e comovente disponibilizado por Rodney de Castro Rodrigues, casado com a sua neta Rafaela.
  

[João Esteves]

terça-feira, 19 de junho de 2018

[1836.] CAROLINA LOFF DA FONSECA [I] || 1911 - 1999

* CAROLINA LOFF DA FONSECA (1911 - 1999) || IMPORTANTE DIRIGENTE COMUNISTA NA DÉCADA DE 1930 || EXPULSA DO PARTIDO COMUNISTA POR ENVOLVIMENTO EMOCIONAL COM O INSPECTOR DA PVDE JÚLIO DE ALMEIDA *

O percurso político de Carolina Loff é um dos mais polémicos e intrigantes, já que destacada militante e dirigente comunista na década de 30, com passagens pela União Soviética e missões da Internacional Comunista na Espanha Republicana durante a Guerra Civil, envolveu-se emocionalmente, depois de ter sido presa pela segunda vez, em 1940, com o inspector da PVDE responsável pelo seu processo. 

Apesar de expulsa do Partido Comunista, está por apurar o seu real envolvimento com os serviços de espionagem soviética, já que se revelara um quadro ao serviço da Internacional Comunista com tarefas atribuídas em Espanha e Portugal e que continuou, depois disso, a entrar e sair da URSS com enorme facilidade. 

[Carolina Loff || 01/06/1940 || ANTT || PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 63, registo n e 12405 || PT/TT/PlDE/E/010/63/12405 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filha de Ida Loff Fonseca, "jovem destemida e moderna, de uma família abastada" [Anabela Natário, "Carolina Loff", Portuguesas com História - Século XX, Temas e Debates, 2008] nasceu em Cabo Verde (Praia, Santiago) em 12 de Novembro de 1911 e faleceu em 6 de Março de 1999, com 87 anos. 

O pai, Carlos Eugénio de Vasconcelos [1883 - 1928], seria natural da Madeira e os bisavós, "um ucraniano de apelido Loff e a belga Lídia Léger", emigraram para Cabo Verde em meados do século XIX, dando "início a um futuro próspero" [A. Natário].

Aos 15 anos partiu, com a mãe, para Lisboa e estudou no Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho, a funcionar no Largo do Carmo, onde concluiu o Curso Geral dos Liceus. 

Prima dos activistas comunistas Álvaro [1910 - 1975] e Dalila Duque da Fonseca [15/01/1911 - 1992], era, tal como aqueles, originária de Cabo Verde e dirigente da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas nos primórdios da década de 30, depois de ter aderido por intermédio de José Grácio Ribeiro, estudante de Direito mais tarde afastado e que enfileirou na União Nacional. 

Integrou a primeira célula feminina comunista, organizada por Wilma Freund, cedo se notabilizou pela dedicada militância e enquanto autora de parte dos artigos da imprensa da FJCP. 

[Carlos Luís Correia Matoso || 12/09/1931 || ANTT || ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Presa pela primeira vez em 6 de Setembro de 1932, quando estava grávida do seu companheiro Carlos Matoso e andava a colar propaganda. 

Passou pela Cadeia das Mónicas e, embora detida e sob vigilância da Polícia e Vigilância e Defesa do Estado (PVDE), o parto ocorreu na Maternidade Bensaúde, onde a filha Helena nasceu em 1933. 

O companheiro Carlos Luís Correia Matoso [n. 15/07/1908], dirigente do Partido Comunista, não terá chegado a conhecer a filha Helena: julgado à revelia em 20 de Outubro de 1934 e condenado a 10 anos de degredo, foi preso em 11 de maio de 1938, passou sucessivamente por diversas esquadras, Cadeia do Aljube, Forte de Caxias e de Peniche, até ser enviado para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde entrou em 20 de Junho de 1939. Solto em 20 de Dezembro de 1945, regressou em 10 de Janeiro de 1946 e emigrou para o Brasil, onde se suicidou “passado pouco tempo, em condições misteriosas” [Edmundo Pedro, Memórias. Um Combate pela Liberdade, I Volume, Âncora Editores, 2007]. 

Em Março de 1935, Carolina Loff partiu para a União Soviética com a bebé, a convite de Francisco Paula de Oliveira, frequentou a Escola Leninista, da Internacional Comunista, com o pseudónimo Ana Marta, e quando Bento Gonçalves e Álvaro Cunhal foram a Moscovo, nesse mesmo ano, reencontraram-na a trabalhar “como intérprete e tradutora nas edições em língua estrangeira” [José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal – Uma Biografia Política, Vol. 1 – “Daniel”, O Jovem Revolucionário (1913-1941), Lisboa, Temas e Debates, 1999], destinadas sobretudo ao Brasil. 

[Carolina Loff || 01/06/1940 || ANTT || PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 63, registo n 12405 || PT/TT/PlDE/E/010/63/12405 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Aí, lidou com alguns dos nomes importantes da Internacional Comunista que, em 1937, a enviaram para Espanha com a finalidade de montar uma emissora clandestina do Comintern para Portugal (mais conhecida por rádio do PCP) que passasse por funcionar em Lisboa e denunciasse o apoio do governo aos revoltosos espanhóis, o que sucedeu: a emissão “era feita a partir do próprio edifício da sede do PCE em Valência e transmitida pela Telefónica para Madrid”, fazendo quase tudo sozinha – “era a locutora e redigia grande parte do material que era transmitido”. Além disso, “lidava directamente com os mais altos responsáveis do PCE” e intervém "junto da comunidade portuguesa exilada em Espanha, informando sobre o seu comportamento político quer o PCE, quer os serviços de informação associados ao secretariado de Togliatti /«Alfredo»” [JPP, vol. 1], usando um passaporte belga em nome de Berthe Mouchet. 

Nesse ano de 1937, o seu nome surgiu como possibilidade para substituir Armando Magalhães em Paris, o quadro mais influente naquela cidade e em rota de colisão com as orientações de Francisco de Paula Oliveira, então o principal dirigente do PCP, numa tentativa de solucionar conflitos internos que se arrastavam sem solução a contento deste. 

Em 1938, fez parte da direcção da União Antifascista dos Portugueses Resistentes em Espanha, sediada em Madrid, trabalhou no Comité da Frente Popular em Barcelona e manteve-se naquele país até ao fim da Guerra Civil, tendo sido presa e torturada pelos franquistas, afirmando-se então como jornalista belga. 

As autoridades espanholas entregaram-na na fronteira portuguesa em Outubro de 1939, “acompanha-da por um personagem misterioso [Nikolas Gargoff], suposto delegado da IC, e que vai ter um papel igualmente obscuro no processo da «reorganização»” [JPP, vol. 1] do Partido Comunista Português em 1940-1941.

Ao não ser, estranhamente, detida, regressou à luta política dentro do núcleo dirigente daquele. 

Até ser presa em Maio de 1940, viveu clandestina, usou o nome de Maria Luísa, manteve estreita colaboração com Álvaro Cunhal no Secretariado, contribuiu para a redacção de documentos políticos e de textos sobre a política internacional do movimento comunista, bem como interveio na sua distribuição. 

Devido ao comportamento na prisão, chegando a ser acareada com Álvaro Cunhal e Francisco Miguel, e ao facto de se ter ligado ao subinspector da PIDE Júlio de Almeida, com quem viveu cerca de dez anos e que, depois, partiu para Angola, viria a ser expulsa do Partido na década de 40, estando por apurar o real envolvimento com os serviços de espionagem soviética, já que se revelara um quadro ao serviço da Internacional Comunista com tarefas atribuídas em Espanha e Portugal e que continuou sempre a entrar e sair da URSS com enorme facilidade. 

[Carolina Loff || 01/061940 || ANTT || PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 63, registo n 12405 || PT/TT/PlDE/E/010/63/12405 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

O seu nome, a par do de Helena [Vieira] Faria, constou como exemplo nefasto nas primeiras edições do importante manual político de conduta em caso de detenção pela polícia política Se Fores Preso, Camarada..., bem como no Lutemos contra os espiões e provocadores – Breve história de alguns casos de provocação no PCP,  da autoria do Secretariado do CC do PCP e saído em 1952. 

Usou ainda os pseudónimos “Berta”, “Marta da Costa” e “Sylvie”. 

Edmundo Pedro manteve relações de amizade com Carolina Loff, que lhe apresentou a filha, então já sexagenária e mãe de um casal de gémeos, criada e educada na União Soviética, sendo uma dos muitos estrangeiros, incluindo filhos de portugueses, que passaram pela escola internacional de Ivanovo. 

O percurso intrigante e enigmático de Carolina Loff saiu reforçado por se ter recusado sempre, apesar da sua longevidade, a esclarecer episódios dessa vivência, originando, entre outras, as obra de ficção O Enigma de Zulmira, de Vasco Graça Moura, e Cartas Vermelhas, de Ana Cristina Silva. 

Segundo Anabela Natário, "Carolina afastou-se da política activa, mas nunca deixou de contribuir para as causas antifascistas, inclusive para o Partido Comunista".

Feminae - Dicionário Contemporâneo [Lisboa, CIG, 2013] incluiu uma nota biográfica de Carolina Loff da Fonseca.

NOTA: Atenção ao uso indevido das imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Registo Geral de Presos / 12405 [Carolina Loff Fonseca / PT-TT-PIDE-E-010-63-12405_m0001].

[João Esteves]