[Cipriano Dourado]

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[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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terça-feira, 15 de julho de 2014

[0711.] CRISTINA TORRES DOS SANTOS [V] || O ÚLTIMO DISCURSO - 24/08/1974

* CRISTINA TORRES DOS SANTOS *
[1891 - 1975]

[Cristina Torres || Homenagem em 09/02/1974 || in 
Joaquim Sousa, Cristina Torres, Figueira da Foz, 1983]

ÚLTIMO DISCURSO || 24/08/1974

Discurso proferido no comício do Partido Socialista realizado no Coliseu Figueirense

[Joaquim Sousa, Cristina Torres, Figueira da Foz, 1983]

[João Esteves]

[0710.] CRISTINA TORRES DOS SANTOS [IV] || 1891 - 1975

* CRISTINA TORRES DOS SANTOS *
[21/03/1891 - 01/04/1975]

[Cristina Torres dos Santos || c. 1911]

Professora do ensino técnico na Figueira da Foz e em Braga, Cristina Torres é ainda muito pouco (re)conhecida enquanto defensora dos direitos das mulheres, republicana e resistente à Ditadura Militar e Estado Novo, sofrendo, por isso, várias perseguições que culminaram na sua aposentação. Teve um percurso invulgar, até pelas origens modestas, pautando-se, ao longo de toda a vida, por uma sólida coerência e postura cívica. 

Filha de Ricardo Torres dos Santos, alfaiate, e de Delfina da Cruz Marques, nasceu na Figueira da Foz em 21 de março de 1891.

Em 1914, casou com o jornalista Albano Correia Duque de Vilhena e Nápoles [1894-1963].

Começou a frequentar muito nova as sociedades operárias, recreativas, educativas, republicanas e maçónicas e, com 19 anos, festejou nas ruas a implantação da República, tendo militado no Partido Republicano Português, tal como o marido.

Trabalhou como costureira e estudou, à noite, na Escola Industrial da Figueira. 

Em 1911, fundou a Fraternidade Feminina, Associação de Instrução e Beneficência responsável pelo funcionamento de uma escola nocturna para raparigas e, no ano seguinte, com 21 anos, partiu para Coimbra, onde continuou a labutar como modista enquanto estudava no Liceu e, posteriormente, na Faculdade de Letras [anos lectivos de 1916/1917 a 1918/1919], onde concluiu, em Novembro de 1920, o curso de Histórico-Geográficas.

Leccionou, entre 1915 e 1922, em Escolas Móveis de Coimbra e Montemor-o-Velho e, entre janeiro de 1922 e julho de 1924, exerceu como professora provisória a docência na Escola Comercial da Figueira da Foz. Neste último ano, e devido a diligências dos seus alunos, foi nomeada professora efectiva da Escola Industrial de Bernardino Machado. 

Na sequência do trabalho desenvolvido como educadora e pedagoga, expôs Teses em vários Congressos [Coimbra, Abril de 1918 - Porto, 1927 - Lisboa, Outubro de 1931]; associou-se ao projecto de fundação na Figueira da Foz de uma Delegacia da Universidade Livre de Coimbra [1929], responsável pelo funcionamento de cursos nocturnos de educação básica; e foi nomeada Delegada Voluntária de Vigilância para a Tutoria da Infância da respectiva Câmara Municipal [26/02/1932].

Manteve simultaneamente intensa actividade de propagandista, promoveu conferências, discursou em sessões e pronunciou-se, na imprensa regional da Figueira e de Coimbra, sobre questões feministas, educativas e políticas, para além de publicar esporadicamente poemas e contos para crianças. Utilizou os pseudónimos de Maria República, nos artigos de carácter político, e Nô-quim, nos textos dirigidos aos mais novos.

Mulher simples, obreira de uma persistente actividade pedagógica dirigida aos desfavorecidos, ao operariado e às mulheres, Cristina Torres acabou por ser vítima da corajosa oposição ao salazarismo, tendo sofrido "prisões e martírios", e foi transferida compulsivamente, em dezembro de 1932, para a Escola Industrial e Comercial de Bartolomeu dos Mártires, em Braga, onde permaneceu dezassete anos. Datam desse período os dois livrinhos [Contos e Fábulas] que escreveu, dedicados “Às raparigas e rapazes que passaram pelas minhas aulas e a quem devo as melhores horas da minha vida”, e os seus artigos para a Seara Nova, então dirigida por Câmara Reys.

Acabou por ser afastada do ensino em 1949, na sequência da participação na Campanha de Norton de Matos [23/03/1867-03/01/1955] à Presidência da República, e obrigada a aposentar-se. 

De regresso à Figueira da Foz, subsistiu através de explicações, continuou a resistência ao Estado Novo – pertenceu à Comissão Nacional do III Congresso da Oposição Democrática, realizado em Aveiro, em 1973 – e saudou com emoção e alegria a data de 25 de Abril de 1974. 

Apesar dos seus 83 anos, integrou a manifestação de apoio ao M.F.A. que, no dia 27 de Abril de 1974, se realizou na Figueira. Tinha a felicidade de, pela segunda vez na vida, festejar na rua a mudança de regime político: 64 anos depois de se empenhar no triunfo da República, era a vez de assistir ao início da Democracia, pela qual tanto tinha lutado e sacrificado. 

Segundo Joaquim Sousa, autor de um importante livro dedicado a Cristina Torres, em 10 de Agosto integrou, enquanto convidada, a mesa do primeiro comício do Partido Comunista realizado na cidade. 

Em 24 de Agosto, participou e interveio no comício do Partido Socialista, partido a que aderiu pouco tempo depois e “foi eleita, por unanimidade e aclamação, Presidente Honorária da Seção” [Joaquim Sousa].

Faleceu em 1 de Abril de 1975, estando representados no seu funeral o Partido Socialista, o Partido Comunista, o MDP/CDE e o Partido Popular Democrático.

O perfil de educadora, cujo legado perdurou em muitos dos seus alunos, e a postura cívica e política tornaram-na numa referência local e motivaram a atribuição do nome Cristina Torres à Escola Secundária Nº 3 da Figueira da Foz. 

Ofereceu o seu espólio, bem como o do marido, ao Museu e à Biblioteca da sua terra. Constituído por manuscritos, correspondência, artigos publicados, discursos, panfletos, informações acerca da intervenção política e enquanto professora e educadora, documentos biográficos, homenagens e fotografias, serviu de base à exposição que a Câmara Municipal lhes dedicou em 1992 e da qual resultou um minucioso catálogo.

O Dicionário de  Educadores Portugueses [dir. de António Nóvoa), Asa, 2003] contém a sua biografia, assim como o Dicionário no Feminino (séculos XIX-XX) [Livros Horizonte, 2005].

[João Esteves]

sexta-feira, 2 de abril de 2010

[0056.] CRISTINA TORRES DOS SANTOS [I] || 1891 - 1975

* CRISTINA TORRES DOS SANTOS *
[21/03/1891 - 01/04/1975]


[Fotografia que ilustra a capa do livro de Joaquim Sousa]

Pouco conhecida enquanto defensora dos direitos das mulheres, sobretudo quando comparada com as contemporâneas, Cristina Torres teve um percurso invulgar, até pelas suas origens modestas, pautando-se, ao longo de toda a vida, por uma sólida coerência e postura cívica. Natural da Figueira da Foz [n. 21/03/1891], filha de Ricardo Torres dos Santos, alfaiate, e de Delfina da Cruz Marques, casou, em 1914, com o jornalista Albano Correia Duque de Vilhena e Nápoles (1894-1963).

Frequentou desde pequena as sociedades operárias, recreativas, educativas, republicanas e maçónicas, festejou nas ruas a implantação da República, tendo militado no Partido Republicano Português, tal como o marido, começou a trabalhar muito nova como costureira e estudou, à noite, na Escola Industrial local. Fundou, em 1911, a Fraternidade Feminina, Associação de Instrução e Beneficência responsável pelo funcionamento de uma escola nocturna para raparigas e, no ano seguinte, com 21 anos, partiu para Coimbra, onde continuou a labutar como modista enquanto estudava no Liceu e, posteriormente, na Faculdade de Letras (anos lectivos de 1916/1917 a 1918/1919), onde concluiu, em Novembro de 1920, o curso de Histórico-Geográficas.

Leccionou, entre 1915 e 1922, em Escolas Móveis de Coimbra e Montemor-o-Velho e, entre Janeiro de 1922 e Julho de 1924, exerceu como professora provisória a docência na Escola Comercial da Figueira da Foz. Neste último ano, e devido a diligências dos seus alunos, foi nomeada professora efectiva da Escola Industrial de Bernardino Machado. Na sequência do trabalho desenvolvido como educadora e pedagoga, expôs Teses em vários Congressos (Coimbra, Abril de 1918 - Porto, 1927 - Lisboa, Outubro de 1931); associou-se ao projecto de fundação na Figueira da Foz de uma Delegacia da Universidade Livre de Coimbra (1929), responsável pelo funcionamento de cursos nocturnos de educação básica; e foi nomeada Delegada Voluntária de Vigilância para a Tutoria da Infância da respectiva Câmara Municipal (26/02/1932).

Manteve simultaneamente intensa actividade propagandista, promoveu conferências, discursou em sessões e pronunciou-se, na imprensa regional da Figueira e de Coimbra, sobre questões feministas, educativas e políticas, para além de publicar esporadicamente poemas e contos para crianças. Utilizou os pseudónimos de Maria República, nos artigos de carácter político, e Nô-quim, nos textos dirigidos aos mais novos.

Mulher simples e voluntariosa, obreira de uma persistente actividade pedagógica dirigida aos desfavorecidos, ao operariado e às mulheres, Cristina Torres acabou por ser vítima da corajosa oposição ao Salazarismo e foi transferida compulsivamente, em Dezembro de 1932, para a Escola Industrial e Comercial de Bartolomeu dos Mártires, em Braga, onde permaneceu dezassete anos. Datam desse período os dois livrinhos Contos e Fábulas, dedicados “Às raparigas e rapazes que passaram pelas minhas aulas e a quem devo as melhores horas da minha vida”, e os seus artigos para a Seara Nova, então dirigida por Câmara Reys.

Foi afastada do ensino em 1949, na sequência da participação na Campanha de Norton de Matos à Presidência da República, e obrigada a aposentar-se. 

De regresso à Figueira, subsistiu através de explicações, continuou a resistência ao Estado Novo – pertenceu à Comissão Nacional do III Congresso da Oposição Democrática, realizado em Aveiro, em 1973 – e saudou com emoção e alegria a data de 25 de Abril de 1974, apesar dos seus 83 anos. 

Tinha a felicidade de, pela segunda vez na vida, festejar na rua a mudança de regime político: 64 anos depois de se empenhar no triunfo da República, era a vez de assistir ao início da Democracia, pela qual tanto tinha lutado e sacrificado. Meses depois, aderiu ao Partido Socialista e faleceu em 1 de Abril de 1975.

Ofereceu o seu espólio, bem como o do marido, ao Museu e à Biblioteca da terra natal. Constituído por manuscritos, correspondência, artigos publicados, discursos, panfletos, informações acerca da intervenção política e enquanto professora e educadora, documentos biográficos, homenagens e fotografias, serviu de base à exposição que a Câmara Municipal lhes dedicou em 1992 e da qual resultou um minucioso catálogo.

[v. João Esteves, "Santos, Cristina Torres dos", Dicionário de Educadores Portugueses (dir. de António Nóvoa), Asa, 2003; "Cristina Torres dos Santos", Dicionário no Feminino (séculos XIX-XX), Livros Horizonte, 2005]

[João Esteves]

quarta-feira, 17 de março de 2010

[0012.] ETELVINA LOPES DE ALMEIDA [I] || 1916 - 2004

* ETELVINA LOPES DE ALMEIDA *
[17/03/1916 - 30/04/2004]

[Etelvina Lopes de Almeida]

Nasce em Serpa a jornalista, locutora e jornalista Etelvina Lopes de Almeida, tendo falecido com 88 anos, em 30 de Abril de 2004, em Tábua.

Frequentou o Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho e um colégio interno, em Queluz. Começou por trabalhar na Rádio Renascença e, em 1945, quando já era locutora da Emissora Nacional, aderiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, talvez influenciada por Maria Lamas, já que Etelvina Lopes de Almeida era também chefe de redacção da revista Modas e Bordados, dirigida por aquela escritora.

No âmbito do Conselho, participou nos eventos realizados aquando da Exposição de Livros Escritos por Mulheres de todo o Mundo, organizada, em Janeiro de 1947, na Sociedade Nacional de Belas Artes. 

No ano seguinte, devido a actividades oposicionistas, foi afastada da Emissora Nacional, só sendo reintegrada em 26 de Julho de 1974, na sequência da revolução de Abril desse ano. 

Terá também pertencido à Associação Feminina Portuguesa para a Paz e continuou a trabalhar no Modas e Bordados até ser novamente despedida, por ter assinado, em 1962, “um documento da oposição contra a guerra de África”.

Em 1969, fez parte da lista de candidatos a deputados pela Comissão Eleitoral de Unidade Democrática (C.E.U.D.). 

[Outubro de 1969 || Etelvina Lopes de Almeida discursando em comício da CEUD (Vila Franca de Xira ou Abrigada) || in http://casacomum.org/cc/visualizador?pasta=06786.003.002]

Já depois de Abril de 1974, militou no Partido Socialista, foi deputada à Assembleia Constituinte (1975-1976) e à Assembleia da República, eleita e reeleita pelo Círculo Eleitoral de Évora (1976; 1978).

Dedicou os últimos anos de vida à Fundação Sara Beirão – António Costa Carvalho, em Tábua, onde passou a viver permanentemente. 

A pedido de Ilda Soares de Abreu, redigiu, em 2001, o "(Auto) - Retrato" para a revista Faces de Eva. Estudos sobre a Mulher, onde traçou sumariamente o seu percurso desde a infância até 1995, quando foi agraciada pelo Presidente da República, Mário Soares, com a Comenda da Ordem de Mérito.

[v. João Esteves, Dicionário no Feminino (Séculos XIX-XX), Lisboa, Livros Horizonte, 2005, p. 327]

[João Esteves]