[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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quinta-feira, 6 de outubro de 2022

terça-feira, 7 de maio de 2019

[2132.] FRANCISCO BEIRÃO E SARA BEIRÃO || ANTÓNIO NUNES DA COSTA NEVES

* FRANCISCO BEIRÃO E SARA BEIRÃO: PAI E FILHA || POR ANTÓNIO NUNES DA COSTA NEVES *


António Nunes da Costa Neves publicou na Academia.edu um enriquecedor e inédito artigo sobre Sara Beirão e o pai, Francisco Beirão

Num trabalho de investigação rigoroso e devidamente documentado, recorrendo amiúde a fontes inéditas ou insuficientemente conhecidas, António Neves reconstrói, numa escrita apurada e sem concessões, a biografia da escritora e do pai, médico, tendo a preocupação de proporcionar ao leitor o devido enquadramento histórico, geográfico e familiar a que acrescenta, sempre que oportuno, memórias transmitidas de geração em geração. 

Um árduo trabalho de pesquisa que procura colmatar falhas e erros que se têm perpetuado em sucessivos estudos e, simultaneamente, resgatar do esquecimento o legado de Pai e Filha, sendo muito esclarecedor para quem o lê, estudioso ou não.  

O meu muito obrigado a António Neves pela amabilidade de mo dar a conhecer.

[João Esteves]

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

[1739.] ABIGAIL DE PAIVA CRUZ [I]

* ABIGAIL DE PAIVA CRUZ *
[1883 - 1944]

* CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS || 1931-1938 || LISBOA *

[Abigail de Paiva Cruz || 1928]

Escultora, pintora e tecedora de rendas. 

Nasceu em 28 de Abril de 1883, no Porto, e faleceu em Lisboa em 8 de Outubro de 1944. 

Embora autora de quadros a óleo e de estatuetas, esta discípula de Marques de Oliveira e aluna de Teixeira Lopes destacou-se enquanto artista de rendas, com exposições em Lisboa, Paris (Casa Fast, 1925) e Madrid. 

A revista lisboeta Vida Feminina dedicou-lhe, no número de 10 de Agosto de 1925, uma notícia elogiosa e Sara Beirão enalteceu, em texto datado de Março de 1928, o talento reconhecido internacionalmente. 

[Abigail de Paiva Cruz || Ilustração Portuguesa - N.º 734 || 15/03/1920]

Em 1931, foi convidada pela revista Portugal Feminino a inserir nas suas páginas um curso de rendas de bilros, de croché e outras. 

Nesse mesmo ano, quando gozava de reconhecido prestígio e acabara de abrir uma escola de rendas na Rua das Picoas, n.º 9, aderiu, juntamente com a pintora Emília Adelaide dos Santos Braga, ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas por proposta da Vice-Presidente em exercício, a escritora Sara Beirão. 

Desempenhou, entre 1932 e 1938, funções na Comissão de Arte, onde colaborou com as escritoras Ana das Neves Patrício Álvares (Anita Patrício), Beatriz Arnut, Branca de Gonta Colaço e Maria Amélia Teixeira. Foi eleita sua Secretária em 1936 e 1937 e, em 1938, tornou-se Presidente.

[João Esteves]

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

[1232.] SARA BEIRÃO [III] || FÁTIMA PAIS

* SARA BEIRÃO POR FÁTIMA PAIS *
[in ArganiliaIII série, Nº 25, 2012]

[30/07/1880 - 21/05/1974]
[in Arganilia, Revista Cultural da Beira Serra || III Série, n.º 25, Dezembro de 2012]


quinta-feira, 19 de novembro de 2015

[1194.] ETELVINA LOPES DE ALMEIDA [IV] || 1916 - 2004

* ETELVINA LOPES DE ALMEIDA *
[Serpa, 17/03/1916 – Tábua, 30/04/2004]


[Fontanelas]

O nome de Etelvina Lopes de Almeida merece atenção não só pelo percurso profissional e enquanto escritora, mas também enquanto lutadora pelos direitos das mulheres, oposicionista à Ditadura e construtora de um país livre, nunca, mesmo em tempos difíceis, sombrios e adversos, deixando de intervir enquanto cidadã.

Nascida em 1916, em Serpa, filha de dois professores primários, fez a instrução primária em Idanha-a-Nova e, depois de um percurso atribulado, a família fixou-se em Lisboa, tendo então frequentado o Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho e um colégio interno, em Queluz. 

Naquele Liceu foi aluna de Olímpia Perry Vidal Pereira Bastos - filha do republicano e militar João Pereira Bastos - que tinha sido ativista, quando estudante, da Associação de Propaganda Feminista e que militou, na década de 40, no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas [integrou, entre 1940 e 1943, a Secção de Literatura, com as ativistas Leontina Hogan, Maria da Luz Albuquerque, Maria da Luz de Deus, Maria Lamas e Teresa Leitão de Barros]. 

Afirmou-se profissionalmente na Rádio Renascença e, seguidamente, na Emissora Nacional, onde foi afastada por motivos políticos, tendo ainda sido chefe de redação da revista Modas & Bordados, onde colaborou e trabalhou com Maria Lamas.

Enquanto mulher atenta aos problemas e dificuldades das outras mulheres, aderiu, em 1945, ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, presidido por Maria Lamas e onde Sara Beirão tinha tido igualmente um papel relevante.

Assistiu a várias reuniões, disso dando conta as respetivas atas, esteve representada com O tontinho da esquina na Exposição Livros Escritos por Mulheres, iniciativa do Conselho realizada na Sociedade Nacional de Belas Artes em Janeiro de 1947, e participou nas conferências então realizadas, juntamente com Maria Lamas, Fernanda Tasso de Figueiredo, Maria Palmira Tito de Morais, Maria Helena Lucas, Alice Maia Magalhães, Maria Alda Nogueira, Joana Campino Miguel, Carmen Dolores, Manuela Porto, Maria da Luz Espírito Santo, Maria Valentina de Sousa, Maria Teresa Ana de Neves, Benvinda Caires e Amália Neves.

No dia 8 de Janeiro, Etelvina Lopes de Almeida e Carmen Dolores leram textos e declamaram poemas de várias autoras, cujos perfis foram esboçados por Joana Campina Miguel.

Terá militado também na Associação Feminina Portuguesa para a Paz, ambas agremiações encerradas e proibidas pela Ditadura.

A sua consciência política levou-a a enfrentar publicamente essa mesma Ditadura: aderiu, em 1945, ao MUD – Movimento de Unidade Democrática; subscreveu, em 1948, um documento a solicitar o fim da censura e a libertação dos presos políticos, sendo, por isso mesmo, afastada da Emissora Nacional no ano seguinte; participou nas campanhas de Norton de Matos e do general Humberto Delgado; e, em 1962, denunciou a Guerra de África, sendo, então, demitida da revista Modas & Bordados.

Foi ainda, segundo Maria Antónia Fiadeiro, uma mulher generosa, solidária e amável, nomeadamente aquando da prisão de Stella Piteira Santos em 1961.

Se a adesão ao associativismo feminino e as iniciativas contra a Ditadura já bastariam para que o nome de Etelvina Lopes de Almeida ficasse registado na História, em 1969 integrou o grupo restrito de mulheres que fizeram parte das listas da oposição candidatas à Assembleia Nacional.

Depois de Lília da Fonseca ter sido o primeiro nome feminino a integrá-las em 1957, Etelvina Lopes de Almeida fez parte, juntamente com Joana de Barros e Sophia de Mello Breyner Andresen, das listas da CEUD dinamizadas por Mário Soares, colaborando e discursando em inúmeras iniciativas que os jornais República e Diário de Lisboa destacaram.

Na Fundação Mário Soares há várias fotografias dessa época e em que é percetível a presença de Etelvina Lopes de Almeida.

Tinha então 53 anos e era, a seguir a Raúl Rego, a candidata mais velha pelo círculo de Lisboa.

Em todo o país, foram apenas 11 as mulheres candidatas pela Oposição, sendo somente 25 as que integraram as suas listas entre 1945 e 1974.

O 25 de Abril de 1974 apanhou-a com 58 anos feitos, tendo Etelvina Lopes de Almeida continuado a revelar-se uma cidadã empenhada, interveniente e militante.

Foi reintegrada na Rádio em 26 de Julho de 1974, passou a chefiar, em 1975, o departamento da RDP Internacional e aderiu ao Partido Socialista, tendo sido uma das primeiras mulheres a ser eleita deputada para a Assembleia Constituinte de 1975 (cerca de 9% de mulheres) e, nas eleições subsequentes, para a Assembleia da República, sempre pelo distrito de Évora.

Numa intervenção feita na Assembleia Constituinte afirmou que a sua vida de antifascista começou aos 16 anos, «visitanto presos nas cadeias», tendo a sua mãe sido professora de Francisco Miguel e outros comunistas eleitos deputados «fizeram antifascismo dentro da minha casa com o meu pai» [fotocópia do Diário da Assembleia Constituinte cedida pela Dr.ª Edite Estrela].

Em 1993, presidiu em Estrasburgo a uma sessão do parlamento Europeu para idosos, de que resultou a Carta Europeia para os Idosos.

Revelou-se igualmente como escritora, tendo o conto Maria Verdade, editado em 1952, sido muito bem acolhido pela crítica e estado na origem de uma peça de teatro representada no Teatro de S. Luís.


Escreveu, ainda, Bia Calatroia, «a história de uma mulher sofrida, igual a tantas outras» centrada no Alentejo (1948), Histórias que o mundo conta, bem como o conhecido ABC da Culinária, apreendido pela PIDE na grande confiscação feita nos armazéns da editora Europa-América.


Enquanto escritora, integrou, em 1959, a direção da Sociedade Portuguesa de Escritores presidida por Jaime Cortesão.

Em 1995, foi agraciada pelo Presidente da República Mário Soares com a Comenda da Ordem de Mérito

Fez parte da Associação das Mulheres Socialistas, que a homenageou em 1994, e manteve a mesma militância política até ao fim, tendo dedicado os últimos anos de vida à Fundação Sara Beirão – António Costa Carvalho, em Tábua, instituição fundada por si e pelo amigo e correligionário Igrejas Caeiro

Diga-se, num aparte, que Sara Beirão foi uma das militantes da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas em Tábua, ainda antes da implantação da República, e integrou a direção do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas nos anos 30 e 40.

Em 2001, três anos antes do seu desaparecimento físico, Etelvina Lopes de Almeida declarou num autorretrato feito para a revista Faces de Eva que «Não lamento nada do que me aconteceu. Quero que se saiba que não trocava a minha vida por nada».

Faleceu em 2004, a 30 de Abril, em Tábua, 20 anos depois de se ter aposentado da RDP.

[João Esteves ||
19 de Novembro de 2015]

sábado, 8 de fevereiro de 2014

[0513.] SARA BEIRÃO [II]


- Sara Beirão -
[30/07/1880-21/05/1974]

Sara Beirão fotografada pelo jornal O Mundo aquando da sua participação no comício republicano de 2 de maio de 1909, em Tábua, a que se seguiu a inauguração do Centro Republicano Tabuense.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

[0212.] SARA BEIRÃO [I] || 1880 - 1974

* SARA BEIRÃO *
[30/07/1880 - 21/05/1974]

[Sara Beirão || 1928 || Pormenor de uma fotografia do II Congresso Feminista]

Filha do médico Francisco de Vasconcelos de Carvalho Beirão, a jornalista e escritora Sara de Vasconcelos Carvalho Beirão nasceu em Tábua em 30 de Julho de 1880.

Para além da notoriedade enquanto autora foi, desde a Monarquia, propagandista republicana e militou na Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas.

A sua estreia no jornalismo deu-se no periódico Tabuense fundado pelo pai, servindo-se do pseudónimo Álvaro de Vasconcelos. Passou por Coimbra, onde colaborou no jornal Humanidade e, quando se fixou em Lisboa, manteve colaboração diversificada na imprensa: Boletim da Câmara Municipal de Lisboa, O Comércio do Porto, Diário de Coimbra, Diário de Lisboa, Diário de Notícias, Eva, Figueirense, Ilustração, Jornal da Mulher, Jornal de Notícias, Modas e Bordados, Portugal Feminino, O Primeiro de Janeiro, O Século, O Século Ilustrado, Serões, Vértice.

Assinou textos em jornais brasileiros - Diário Português e Vida Carioca - e proferiu conferências sobre temas educativos e femininos.

[O Mundo || Maio de 1909]

Embora menos conhecida, a intervenção política é igualmente significativa. Em 2 de Maio de 1909, secretariou, juntamente com Teresa Henriques Gomes, o primeiro comício republicano realizado em Tábua, a que se seguiu a inauguração do Centro Republicano Tabuense, presidido pelo pai, o que mereceu destaque no jornal O Mundo, que inseriu a fotografia de Sara Beirão.

Nesse mesmo mês de Maio, dinamizou a constituição do núcleo de Tábua da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, tornou-se sua Presidente em reunião por si convocada (23/05/1909) e, segundo confidenciou Beatriz Pinheiro de Lemos a Ana de Castro Osório, era “uma fervorosa propagandista”.

Nessa qualidade, subscreveu a saudação ao novo Directório do Partido Republicano Português (1909) e assinou, entre 1912 e 1914, textos no jornal A Madrugada, onde apelava à solidariedade entre as mulheres.

Depois de um interregno, prosseguiu a militância feminista no Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas.

Assumiu, a partir de 1925, grande protagonismo mediante o desempenho de cargos dirigentes: Vogal (1925, 1927, 1928), Vice-Presidente (1931-1934, 1943-1945), Presidente (1936-1941) e Presidente-Honorária (1942) da Direcção; Presidente da Assembleia Geral (1929, 1930); e Presidente da Secção de Sufrágio (1926). Também integrou as Secções da Paz (1931), do Sufrágio (1932-1934) e da Imprensa (1933, 1934).


No Segundo Congresso Feminista e de Educação, realizado em 1928, apresentou a tese “A mulher portuguesa no comércio” e, na assembleia geral de 30 de Dezembro de 1928, foi indigitada para integrar a comissão responsável por organizar um plano de conferências feministas. Era então cronista de O Primeiro de Janeiro, onde manteve durante anos a secção “Confessionário Feminino”.

Durante a década de 30, e até à viragem protagonizada por Maria Lamas, em 1945, tornou-se no rosto mais visível do CNMP. Com a partida de Adelaide Cabete para Angola, passou a desempenhar as funções de Presidente em Exercício e, em 1936, surgiu como Presidente.

Na qualidade de dirigente, angariou dezenas de sócias, muitas delas escritoras (Maria Amélia Teixeira) e artistas e, entre 1934 e Maio de 1946, assumiu as funções de Directora e Editora da revista Alma Feminina, onde escreveu regularmente. Muitos dos textos eram dedicados a feministas portuguesas (Adelaide Cabete, Ana de Castro Osório, Elina Guimarães) e estrangeiras (Avril de Sainte-Croix, Jane Addams, Luise Ey, Marquesa de Aberdeen, Simone Beauvoir).

Discursou, em nome do Conselho, na homenagem à escritora brasileira Iveta Ribeiro (1931) e na sessão comemorativa da Paz, realizada no Grémio Beirão (15/06/1932); foi a autora do folheto de propaganda a favor da Paz (1934); participou na recepção promovida a Adelaide Cabete quando do seu regresso de África; presidiu à sessão evocativa do 67.º aniversário desta médica, organizada na Universidade Popular Portuguesa; pertenceu à Comissão que entregou na Assembleia Nacional um requerimento pedindo que as competências da Tutoria da Infância sobre as raparigas fosse alargada dos 16 para os 21 anos, de forma a impedir o registo de toleradas antes desta idade, como estava sucedendo (10/02/1940); realizou, a convite do núcleo numeroso de sócias do Concelho de Vila da Feira, a conferência “A Mulher na civilização de hoje” (1940); fez parte do grupo encarregado de recolher os donativos a favor da Cruz Vermelha Inglesa (1940); e integrou a delegação que visitou o Jardim-Escola João de Deus, com a finalidade de se estudar o sistema de ensino adoptado naquele estabelecimento (24/03/1941).

Esteve representada na importante “Exposição de Livros Escritos por Mulheres” organizada pela agremiação em 1947, na Sociedade Nacional de Belas Artes, até porque nunca abandonou a actividade de escritora.

Em 1961, fundou em Tábua, com António Costa Carvalho, seu marido, a Casa de Repouso e Assistência para Artistas e Intelectuais.

Morou em Lisboa, na Av. Duque de Ávila, 94, 3.º, e faleceu em Tábua, em 21 de Maio de 1974, com quase noventa anos.

[v. JE, "Sara Vasconcelos de Carvalho Beirão", Dicionário no Feminino (Séculos XIX-XX), Livros Horizonte, 2005, pp. 846-848]

Em 2012, FÁTIMA PAIS publicou um texto biográfico de Sara Beirão na revista Arganilia, III série, Nº 25.



[João Esteves]