[Cipriano Dourado]

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[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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terça-feira, 21 de janeiro de 2020

[2261.] JOSÉ MANUEL SARAIVA DE AGUIAR [I] || PRESO DUAS VEZES, DEPORTADO PARA ANGRA DO HEROÍSMO (1935 - 1943)

* JOSÉ MANUEL SARAIVA DE AGUIAR *
[1896 - ?]

Alfaiate, preso por duas vezes, a primeira por ser anarquista e, depois, enquanto activista comunista, José Manuel Saraiva de Aguiar permaneceu encarcerado mais de treze anos, sete e meio dos quais deportado em Angra do Heroísmo (Dezembro de 1935 - Julho de 1943).

[José Manuel Saraiva de Aguiar || 03/08/1932 || ANTT || Livro de Cadastrados 3 || ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Ana da Conceição Saraiva e de Fortunato José de Aguiar, José Manuel Saraiva de Aguiar terá nascido em 1896, em Vila Nova de Foz Côa.

Preso em 26 de Maio de 1927, «por ser anarquista, constando o seu nome de uma relação da União Anarquista Portuguesa» [Processo 3115], só saiu em liberdade em 1 de Junho de 1928 [ANTT, Cadastro Político 1190].

Quatro anos depois, em 26 de Junho de 1932, voltou a ser preso, desta vez acusado de «fazer parte das "brigadas de choque" do Partido Comunista Português».

[José Manuel Saraiva de Aguiar || ANTT || Livro de Cadastrados 3 || ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

O seu Cadastro Político, inicialmente da autoria da Polícia Internacional Portuguesa, tanto enquadra a sua actividade enquanto simpatizante do Partido Comunista, como refere a sua militância no âmbito da Célula N.° 5, integrando o Comité de Zona N.° 1, com Afonso Henriques Ventura, Francisco Campos e Jaime Tiago.

Teria passado para a Célula N.° 12, controlaria as Células Números 1, 3, 18 e 19 e faria parte do Comité Regional de Lisboa, enquanto representante do Comité de Zona N.° 1, reunindo-se aquele muitas vezes em sua casa.

Utilizando o pseudónimo "Morgado", mantinha contactos regulares com Júlio César Leitão [Célula 3 do Comité de Zona N.° 1], Manuel Alpedrinha e Manuel Francisco Roque Júnior. Na sequência da prisão de vários militantes comunistas na Serra de Monsanto, em 24 de Abril de 1932, José Manuel Saraiva de Aguiar participou em reuniões com o fim de serem reorganizadas as "brigadas de choque", debilitadas pela intervenção policial, e preparar a jornada do 1.º de Maio.

Nesse propósito, bem como o de retomar o fabrico de bombas, reuniu-se ou encontrou-se, em momentos diferentes, com Afonso Henriques Ventura, António Manuel Castilho da Cunha Belém, Francisco Campos, Francisco Rodrigues [filiado 51 da Célula 5], Jaime Tiago, Manuel Francisco Roque Júnior, Raúl Maneta, entre outros.

Preso Jaime Tiago, é afirmado pela PIP que José Manuel Saraiva de Aguiar retirou da sua casa todo o arquivo do Comité Regional, havendo, no entanto, outras fontes que referem que aquele foi mesmo apreendido.

Considerado como tendo uma «actividade extraordinária e extremamente perigoso», foi determinado por despacho do Ministro do Interior [Albino dos Reis], de 10 de Agosto de 1932, a sua deportação para Timor ou Cabo Verde [Processo 460/SPS].

Em resposta ao requerimento de José Manuel Saraiva de Aguiar solicitando a restituição à liberdade, o Ministro do Interior deliberou, por despacho de 19 de Janeiro de 1933, o respectivo julgamento pelos Tribunais Especiais, o que sucedeu em 21 de Novembro de 1934.

[José Manuel Saraiva de Aguiar || ANTT || RGP/243 || PT-TT-PIDE-E-010-2-243_m0091]

Condenado a 10 anos de prisão em degredo, ficando, depois, à disposição do Governo [Processo 14/933 do TME], interpôs recurso dessa sentença, tendo o TME de 28 de Novembro anulado o primeiro julgamento.

[José Manuel Saraiva de Aguiar || ANTT || RGP/243 || PT-TT-PIDE-E-010-2-243_m0091]

No entanto, o TME, em julgamento de 4 de Dezembro de 1935, voltou a condená-lo mantendo a primeira decisão [Processo 14/933 do TME]. A pesada pena a que foi condenado terá, ainda, a ver com o facto de ser acusado de, juntamente com Francisco Campos e Jaime Tiago, ter planeado atentados pessoais contra o Ministro das Finanças [António de Oliveira Salazar] e o Capitão Baleizão do Passo.

Na Biografia Prisional inscrita no Registo Geral de Presos, há a anotação de ter ido para o Aljube em 20 de Outubro de 1934 e, em 19 de Dezembro, enviado para Peniche.

Voltou ao Aljube em 10 de Dezembro de 1935, embarcando, em 18 de Dezembro, para Angra do Heroísmo, de onde regressou em 9 de Julho de 1943 para dar entrada em Peniche.

Abrangido pela amnistia e indulto de 18 de Outubro de 1945, José Manuel Saraiva de Aguiar foi libertado em 1 de Novembro.

NOTA: Atenção ao uso indevido das imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 1190 [José Manuel Saraiva de Aguiar / PT-TT-PIDE-E-001-CX12_m0299, m0299a, m0299b, m0299c].

ANTT, Registo Geral de Presos 243 [José Manuel Saraiva de Aguiar / PT-TT-PIDE-E-010-2-243].

[João Esteves]

terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

[2048.] ANTÓNIO DAS NEVES [I] || MILITANTE COMUNISTA - PRESO POLÍTICO (1931 - 1934)

* ANTÓNIO DAS NEVES *
[1899 - ?]

MILITANTE COMUNISTA || PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DA CLASSE DOS CAIXEIROS DE LISBOA || PRESO POLÍTICO (1931 - 1934)

[ANTT || Fotografia 1929 || 03/08/1932 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Maria Assunção e de Evangelino das Neves, António das Neves terá nascido em 1899, em Lisboa.

Caixeiro, a residir na Calçada de Santana nº 59 - 3.º, foi preso em 10 de Novembro de 1931 pela Secção de Justiça e Informações do Comando da PSP «por ser figura marcante no meio comunista», sendo, ainda, o Presidente da Direcção da Classe dos Caixeiros de Lisboa [ANTT, Cadastro Político 4261].

Libertado em 13 de Janeiro de 1932 [Processo 142], voltou a ser novamente preso em 13 de Junho do mesmo ano, acusado de ser «o filiado nº 127 da Célula 18 do Comité de Zona Nº 1, do Partido Comunista Português» [Cadastro Político].

[ANTT || Fotografia 1929 || 03/08/1932 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Mais uma vez, António das Neves é referido como Presidente da Associação de Classe dos Caixeiros, tendo por Vice-Presidente Manuel Pilar Coelho, membro da Direcção do Partido Comunista e, segundo João Arsénio Nunes, o principal impulsionador da sua reorganização a partir da conferência de Abril de 1929.

No âmbito das suas actividades naquela Associação, cuja Direcção «é toda simpatizante comunista e tem como divisa a de Carlos Marx "Proletários de todos os países, Uni-vos"» [Cadastro Político], terá convidado Manuel Alpedrinha [Manuel Augusto da Rosa Alpedrinha, RGP/137] para leccionar Português, Geografia e Economia nos cursos que ali funcionavam.

Enquanto caixeiro, recebia na loja onde estava empregado diversa correspondência partidária, levantada, entre outros, por Jaime Tiago [RGP/76].

Nas declarações prestadas à Polícia Política, António das Neves terá referido, entre outras informações, que fora convidado por Manuel Alpedrinha para integrar o Secretariado Político do Partido Comunista, o que recusara; sabia que aquele camarada, José de Sousa e Manuel Francisco Roque Júnior [RGP/13641] eram procurados, dando, por várias vezes, abrigo a este último; que a sede clandestina estaria instalada em casa do alfaiate Crescêncio Teixeira [Artur Gomes Crescêncio Fernandes Teixeira, RGP/671]; e que manteve contactos para a comemoração do 1.º de Maio, nomeadamente com Jaime Tiago, Saraiva de Aguiar [José Manuel Saraiva de Aguiar, RGP/243] e um tal Vaquinhas.

[ANTT || Fotografia 1929 || 03/08/1932 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Por tudo isto, e porque estava iminente a adesão da Classe dos Caixeiros à Comissão Sindical segundo documentos apreendidos noutras circunstâncias, António das Neves foi considerado «elemento activo e perigoso» [Cadastro Político; Processo 460].

Julgado pelo Tribunal Militar Especial em 21 de Novembro de 1934, aquele considerou «em dar como não provado o crime em que o epigrafado era acusado» e absolveu-o, sendo António dasNeves libertado nesse mesmo dia. 

NOTA: Atenção ao uso indevido das imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 4261 [António das Neves / PT-TT-PIDE-E-001-CX06_m0842, m0842a, m0842b].
ANTT, Livro de Cadastrados - 3, Fotografia 1929 [António das Neves / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0025].

[João Esteves]

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

[1952.] ALEXANDRINO PEREIRA CAMPOS [I] || DEPORTADO PARA ANGOLA (1927)

* ALEXANDRINO PEREIRA CAMPOS *

PARTICIPAÇÃO NA REVOLTA DE 3 DE FEVEREIRO DE 1927 || DEPORTADO PARA ANGOLA (1927 - 1930) || PRESO EM 1931 E 1932

[Alexandrino Pereira Campos || 03/09/1927 || ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Rosa Pereira de Oliveira Campos e de António Pereira Campos, Alexandrino Pereira Campos terá nascido em 1899, no Porto.

Electricista, foi preso em 14 de Setembro de 1927, «por ter ameaçado de morte dois agentes da P.S.P. em serviço na Polícia de Informações do Porto» [ANTT, Cadastro Político 1363].

Segundo o mesmo Cadastro Político, da autoria da Polícia de Defesa Política e Social, foi condenado «nos Tribunais Militares pelos acontecimentos de 3 de Fevereiro e por, sendo civil, ter andado fardado de marinheiro comandando grupos civis, e ainda por lhe terem sido encontrados em sua casa cartuchos com balas e vários carregadores» [Processo 3205].

Em 18 de Setembro de 1927, foi deportado para Angola e três anos depois, em 20 de Outubro de 1930, apresentou-se no Quartel-General do Governo Militar da Madeira, «vindo das colónias».

[Alexandrino Pereira Campos || 03/09/1927 || ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Regressado ao Continente, apresentou-se, em 26 de Fevereiro de 1931, na Polícia de Defesa Política e Social, indo residir para a Rua do Estêvão 14, no Porto.

Detido para averiguações em 17 de Agosto de 1931, acusado de «estar a fazer ligações com os operários do Arsenal», saiu em liberdade em 21 do mesmo mês depois de interrogado, por não haver motivos para manter a sua detenção.

Novamente preso em 14 de Abril de 1932, por fazer parte do grupo que planeou assaltar a Esquadra de Alcântara a fim de libertar José Maria Videira, 1.º sargento reformado, e José Severo dos Santos, ex-sargento da Marinha, e ter guardado em sua casa as duas pistolas metralhadoras destinadas àquela acção.

[Alexandrino Pereira Campos || 03/09/1927 || ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Por despacho do Ministro do Interior de 22 de Junho de 1932, foi-lhe aplicada a pena de três meses de prisão, tendo saído em liberdade em 9 de Julho de 1932.

Entretanto, o seu nome foi arrolado ao Processo 452, onde constavam como arguidos Alves Augusto Ferreira,  Artur Alfredo Dias - "O Maneta" [2.º sargento inválido da Marinha], Francisco Campos, Leonilde Felizardo e Manuel Alpedrinha. 

NOTA: Atenção ao uso indevido das imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 1363 [Alexandrino Pereira Campos / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0576, m0588a, m0588b].
ANTT, Livro de Cadastrados, Fotografia 1770 [Alexandrino Pereira Campos / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0015].

[João Esteves]