[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]
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sábado, 31 de maio de 2025

[3649.] MANUEL CAMPO LIMA (1916 - 1996) || "POLÍCA DE A a Z" - FERNANDO PITEIRA SANTOS

 * MANUEL CAMPOS LIMA *

[1916 - 1996]

Figura indissociável da luta antifascista, foi o último diretor do jornal "O Diabo", proibido pela Censura em 21 de dezembro de 1940.

Aquando da homenagem que lhe foi prestada por democratas algarvios, em Portimão, a 16 de dezembro de 1984, Fernando Piteira Santos evocou-o na rubrica Política de A a Z, seção de leitura incontornável, publicada no "Diário de Lisboa" no dia seguinte.

[Diário de Lisboa || 17/12/1984]

quarta-feira, 30 de abril de 2025

[3595.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CDXLIII

 PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CDXLIII *

01963-A. Júlio César de Almeida

Fernando Piteira Santos: "Um soldado da liberdade"

[Diário de Lisboa || 15/10/1977]

[João Esteves]

quinta-feira, 29 de outubro de 2020

[2420.] HÁ 84 ANOS - A ABERTURA DO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO TARRAFAL || 29 DE OUTUBRO DE 1936

 HÁ 84 ANOS, EM 29 DE OUTUBRO DE 1936, 152 HOMENS "INAUGURAVAM" O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO TARRAFAL, O "CAMPO DA MORTE LENTA" *

Como refere Fernando Piteira Santos, em texto datado de 15 de Fevereiro de 1978, aquando da trasladação dos restos mortais daqueles que lá pereceram, «O presidente do Tribunal Militar Especial, coronel de Cavalaria Mouzinho de Albuquerque, declarou um dia que os deportados para o Tarrafal lá deveriam ficar, isolados e esquecidos até entregarem a alma a Deus.»

[Fotografia de jovens marinheiros, que participam na revolta de 8 de Setembro de 1936, a serem encaminhados para o porto onde embarcariam para o Tarrafal || ANTT || PT/TT/SNI/ARQF/RP-003/35045]

«Eram, na sua maioria, homens jovens ou em pleno vigor; eram trabalhadores, intelectuais, marinheiros; anarquistas, comunistas, republicanos, antifascistas todos; sem partido ou ideologia definida alguns. Eram portugueses que tinham sido condenados à morte lenta naquele lugar inóspito, insalubre, isolados de amigos, companheiros e camaradas, separados das famílias, mal alimentados, obrigados a trabalhos penosos, sem assistência médica, sem jornais, sem notícias, meses inteiros sem correspondência.

[...]

Mas não conseguiram os carrascos fascistas matar naqueles que regressaram a combatividade e a esperança.» [Fernando Piteira Santos, 30/10/1976]

[Fernando Piteira Santos, "Política de A a Z", Diário de Lisboa, 30/10/1976].

[João Esteves]

quarta-feira, 28 de outubro de 2020

[2418.] TRASLADAÇÃO DOS RESTOS MORTAIS DOS ANTIFASCISTAS FALECIDOS NO TARRAFAL [III] || POLÍTICA DE A a Z - FERNANDO PITEIRA SANTOS

 * TARRAFAL || FERNANDO PITEIRA SANTOS *

POLÍTICA DE A a Z || DIÁRIO DE LISBOA || 15/02/1978

«Dia de saudade para os sobreviventes e dia de meditação antifascista, é este do regresso dos condenados do Campo da Morte Lenta.»

«O presidente do Tribunal Militar Especial, coronel de Cavalaria Mouzinho de Albuquerque, declarou um dia que os deportados para o Tarrafal lá deveriam ficar, isolados e esquecidos até entregarem a alma a Deus.»

[Diário de Lisboa || Política de A a Z || 15/02/1978 || Fernando Piteira Santos]

sexta-feira, 17 de julho de 2020

[2391.] FERNANDO PITEIRA SANTOS [IV] || DEVO A MIM PRÓPRIO A MEMÓRIA DA MINHA VIDA (2013)

* FERNANDO PITEIRA SANTOS *
[23/01/1918 - 28/09/1992]

Devo a mim próprio a memória da minha vida. Fernando Piteira Santos
Prisão. Clandestinidade. Exílio. Morte.

Organização e coordenação || Maria Antónia Fiadeira

Prefácio || Maria Antónia Palla

Campo da Comunicação || 2013

[Coordenação Maria Antónia Fiadeiro || Campo da Comunicação || 2013]

Cartas manuscritas inéditas do acervo familiar de Fernando Piteira Santos e que abrangem períodos de prisão, da clandestinidade e do exílio. Trocadas dentro do agregado familiar, reflectem pequenos assuntos de um quotidiano infernizado por um país sob Ditadura: «cartas francas, amigas, afectuosas, de um homem a quem a luta e o combate exigiam temperamento de aço e lucidez de lince»; cartas onde Fernando Piteira Santos se revela «íntimo de si próprio» [Maria Antónia Fiadeiro, p. 27]. 

Ao reunir parte significativa da correspondência trocada durante 30 anos, de 1945 a 1974, entre Fernando Piteira Santos e a mãe, Leonilde Bibiana Maria Piteira Santos [1873 - 26/02/1963], a mulher, Stella Bicker Correia Ribeiro [1917 - 2009], e a enteada, Maria Antónia Fiadeiro, esta «invasão epistolar» transporta-nos para um mundo sombrio de décadas e onde, malgrado as circunstâncias, sobressaem valores, utopias, esperanças e, sobretudo, «muita coragem de todos para as coisas insignificantes do dia a dia» [p. 28].

Cartas que, como refere Maria Antónia Palla no Prefácio "Piteira Santos. Para lá da Razão", «são um documento surpreendente porque nos revelam um aspecto pouco conhecido da personalidade de um homem olhado essencialmente como um intelectual e político», ao deixar transparecer, sobretudo nas missivas enviadas de doze anos de exílio, os sentimentos de «ternura, amizade, amor, saudade, frustração, solidão», sempre conjugados com «o sentido de responsabilidade, em relação aos deveres cívicos e políticos, ao trabalho e à família» [p. 30].

A correspondência para Stella Bicker iniciou-se em 1945, quando Piteira Santos estava preso em Caxias, tendo depois passado para Peniche, onde continuava em Dezembro de 1947. A troca epistolar prisional foi retomada com uma carta enviada em 19 de Agosto de 1961, quando encarcerado no Aljube, por ter sido um dos promotores do Programa para a Democratização da República.

Após o fracasso do assalto ao Quartel de Beja, na noite de 31 de Dezembro de 1961 para 1 de Janeiro de 1962, de que foi um dos mentores, Fernando Piteira Santos foi forçado a entrar na clandestinidade e a exilar-se, iniciando, então, nova troca de correspondência, sobretudo com a enteada que, no Verão de 1967, se fixou no Brasil com os dois filhos.

Em Marrocos, para onde fugiu de barco ao fim de meses na clandestinidade, iniciou o ciclo do exílio, única alternativa para continuar, em segurança, o combate politico há muito iniciado, mas sempre a pensar no regresso ao país, o que fará uma vez,  fugazmente, em 1968.

Antes de se fixar em Argel, passou, ainda, por Paris e Roma, reencontrando outros exilados. Ansiando por notícias, não pretende que lhe enviem «palavras líricas ditadas pela generosa intenção de me trazerem despreocupação e paz»: «preciso de saber o que se passa em casa,que dificuldades têm,  como estão de saúde, como correm os negócios?» [p. 36].

Stella juntar-se-á ao marido em Argel, onde também viveu a filha, Alfredo e os dois netos até ao Verão de 1967, quando estes quatro rumaram ao Brasil, deixando um vazio difícil de preencher e que as cartas trocadas bem evidenciam. A dureza do próprio exílio, a falta da enteada e dos netos, bem como as condições pessoais e materiais que enfrentavam, o prolongamento da ausência, que sempre julgou temporária, do país, o convívio em ambientes restritos e algumas das ilusões políticas desfeitas, são temas expressos em diferentes missivas. Sempre com enorme realismo e lucidez.

Como refere Maria Antónia Palla, «Fernando prometera a Stella, no início do exílio, que este seria apenas escala. "É para Lisboa que eu caminho mesmo quando me desvio no espaço"» [p. 39]. Só conseguiu desembarcar em Lisboa em 2 de Maio de 1974, após doze anos, muito sofridos, de exílio, para viver num Portugal livre depois de 48 anos de uma persistente Ditadura. A mais longa da Europa.


Dividido em 4 capítulos, o primeiro contém cartas  enviadas e recebidas na prisão, balizadas entre 4 de Dezembro de 1945 e 12 de Outubro de 1961, aquando das suas detenções no Forte de Caxias (1945), na Fortaleza de Peniche (1947) e na Cadeia do Aljube (1961), tendo como interlocutoras a mãe, a futura esposa, com quem casaria em 7 de Fevereiro de 1948, e a enteada.

O Capítulo 2 envolve o período da clandestinidade, imediatamente a seguir ao Golpe dr Beja, e contém dois manuscritos: o primeiro, datado de 22 de Março de 1962, onde «analisa com amarga frieza a sua situação» [p. 35] e as seis opções que se lhe afiguravam possíveis, antecipando a cada uma delas as eventuais críticas de quem o conhecia, englobadas numa suposta "Voz pública": «A - Situação de ocultação severa, muito reduzidos e espaçados contactos, actividade limitada a tarefas "intelectuais"»; «B - Situação de ocultação cuidadosa, contactos efectivos e regulares, actividade política prudente»; «C - Asilo diplomático»; «D - Desaparecimento»; «E - Entregar-me à prisão (embora alegando um objectivo compreensível)»; «F - Prisão por iniciativa da PIDE ou acaso» ]pp. 91-92].

A outra carta corresponde a um texto longo, datado de 2 de Março do mesmo ano, dirigido a Franco Nogueira, Ministro dos Negócios Estrangeiros, onde denuncia a perseguição que lhe é movida e, sobretudo, o acto de violência e de represália da PIDE ao prender a sua mulher em 15 de Fevereiro, por o não conseguir capturar: «A prisão de Maria Stella é uma violência e é um acto de represália. Não se argumente que existia um qualquer pretexto legítimo para a sua prisão. O seu crime é ser minha Mulher. Não é legal, nem é decente, perseguir a família de um adversário político» [p. 94]; «Será amanhã legítimo pedir à Senhora Franco Nogueira explicações, informações ou responsabilidades relativas aos actos do Ministro Franco Nogueira?» [p. 95].

[Coordenação Maria Antónia Fiadeiro || Campo da Comunicação || 2013]

O Capítulo 3 reporta-se ao período do exílio e insere missivas enviadas e recebidas quando em Alger, centradas no agregado familiar, embora com maior incidência nas endossadas à enteada / filha Maria Antónia Fiadeiro.

A "Morte" encerra o livro através do texto de Maria Antónia Fiadeiro "Para Fernando Piteira Santos: Uma carta sem correio", publicado no Jornal de Letras em 20 de Outubro de 1992: «Foi pelo correio, creio, que todos sobrevivemos afectivamente. Líamos as palavras como se tocássemos a vida» [p. 153].

Esta correspondência constitui mais um importante contributo para se olhar para Fernando Piteira Santos de forma inteira, enquanto resistente antifascista, político, historiador, cidadão e Homem de família, ao mesmo tempo que retira do esquecimento os que com ele sempre conviveram e que, em momentos muito difíceis, constituíram o seu suporte afectivo.

[João Esteves]

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

[2187.] FERNANDO PITEIRA SANTOS [III] || NOVA SÍNTESE - 13 (2018)

* FERNANDO PITEIRA SANTOS *
[23/01/1918 - 28/09/1992]

PITEIRA SANTOS POR ANTÓNIO MOTA REDOL
[REVISTA NOVA SÍNTESE - 13 || 2018]

No centenário do nascimento de Fernando Piteira Santos (1918 - 2018), António Mota Redol insere um relevante e muito completo texto sobre o "Historiador e Activista" [pp. 391-446]: «contra a estratégia do esquecimento que os sistemas cultural e informativo vêm procedendo há muito - com a complacência e a abstenção de quem as não devia ter -, relembrar consiste numa forma de luta a que a Nova Síntese não se esquiva» [p. 392].



[Nova Síntese 13 || Edições Colibri || 2018]

[João Esteves]

segunda-feira, 24 de junho de 2019

[2154.] JOAQUIM BARRADAS DE CARVALHO [V] || FERNANDO PITEIRA SANTOS (19/06/1980)

* JOAQUIM BARRADAS DE CARVALHO *
[13/06/1920 - 18/06/1980]

"Um historiador pouco cómodo para a Universidade"

[História e Crítica || 09 || Junho - Julho de 1982]

Texto de Fernando Piteira Santos no Diário de Lisboa de 19 de Junho de 1980

[Fernando Piteira Santos || Diário de Lisboa || 19/06/1980]

sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

segunda-feira, 18 de abril de 2016

[1439.] MANUEL DE AZEVEDO [II]

* MANUEL RODRIGUES MONTEIRO DE AZEVEDO *
[1916 - 1984]

|| MANUEL DE AZEVEDO POR FERNANDO PITEIRA SANTOS ||

Texto de Fernando Piteira Santos no Diário de Lisboa, na sua coluna Política de A a Z, aquando do desaparecimento físico de Manuel de Azevedo: jornalista, homem da cultura que pertenceu à geração do neo-realismo, antifascista e cidadão íntegro.


[Fernando Piteira Santos || Diário de Lisboa || 9 de Julho de 1984]

quinta-feira, 19 de junho de 2014

[0672.] BELMIRA MENDES CRUZ [I]

BELMIRA MENDES DE VASCONCELOS CRUZ *

* Um nome incontornável (mas pouco conhecido) no combate à ditadura desde a década de 30 e no apoio aos ex-presos e filhos de presos políticos *


Professora do Ensino Liceal, tendo leccionado nos anos de 1960 no Liceu Camões. 

Militante do Partido Comunista Português desde a década de 30 do século XX, quando estudante da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. 

Integrou o Bloco Académico Antifascista (BAA), organização ilegal e clandestina que visava combater a ditadura e o governo salazarista. 

Nesse âmbito, fez parte do Comité Regional de Lisboa, juntamente com Alexandre Babo [1916-2007] e Fernando Piteira Santos [1918-1992], entre outros [Alexandre Babo, Recordações de um caminheiro, Lisboa, Escritor, 1993]

Pertenceu ao Socorro Vermelho Internacional (SVI) e desempenhou, até 1974, “importantes tarefas no apoio ao aparelho clandestino do Partido e, no âmbito da solidariedade às vítimas da repressão fascista, acolheu em sua casa filhos de funcionários do Partido presos e familiares de presos e perseguidos, que se encontravam em situação difícil” [Avante!, 08/11/2007]. 

Casada com Hilário Pereira de Vasconcelos Cruz, mãe de Maria Manuela Mendes Cruz Bernardino e sogra de José Manuel Mendonça de Oliveira Bernardino. 

Faleceu a 30 de Outubro de 2007, com 89 anos de idade.
[JE]