* PRESOS POLÍTICOS 1926-1933: NOTÍCIAS || 0002 *
0002. 5 de fevereiro de 1927
Assalto gorado à Casa de Reclusão da Trafaria
«Ontem, de manhã, foram presos na Trafaria cinco indivíduos que ali apareceram numa «camioneta» com o propósito de assaltarem a Casa de Reclusão Militar. Conduzidos para Lisboa, foram interrogados no Governo Militar, recolhendo, depois, a várias esquadras.»
0003. 15 de fevereiro de 1927
Os presos - O «Infante de Sagres» fundeou ontem em S. José de Ribamar
«O vapor «Infante de Sagres» que, como tínhamos informado, levantara ferro do porto de Leixões anteontem à noite, fundeou ontem, por volta das 7 horas, em S. José de Ribamar.
Tentámos ir a bordo pouco depois da sua entrada no Tejo. Baldado empenho, porém. O «Infante de Sagres» está ancorado a cerca de meia milha da terra, e a sua tripulação tem ordem rigorosa para não deixar aproximar qualquer barco. Entre a terra e o «Infante de Sagres», equidistante dum e doutro, encontra-se o cruzador «Carvalho Araújo». Quando a nossa gasolina se aproximou do vapor que conduz os oficiais revoltosos do Norte, uma ordem breve e enérgica de bordo fê-lo parar. E, perante a curiosidade dos presos, que pressurosamente acorreram à amurada de estibordo para saberem de quem se tratava, declinámos a nossa identidade. Mandaram-nos esperar. Entretanto, os oficiais presos, entre os quais descobrimos muitos do Exército e alguns da G. N. R., além de vários paisanos.
Um oficial de Marinha assomou ao alto da escada do portaló, anunciando-nos que o sr. imediato tinha ordem para não receber ninguém a bordo, e convidando-nos, por esse motivo, a afastarmo-nos.
Foi o que fizemos, dando a volta ao navio, cujo «deck», em ambos os bordos, estava cheio de presos. Depois de nos afastarmos, o «Infante de Sagres» lá continuou no seu isolamento, parecendo estar de quarentena perante a sentinela à vista do «Carvalho Araújo».
Na praia de Algés, apareceram muitos curiosos e, possivelmente, pessoas das famílias dos presos, que tiveram de se contentar com ver o «Infante de Sagres» de longe.
Alguns representantes da Empresa Nacional de Navegação, à qual pertence o «Infante de Sagres», e que experimentaram ir a bordo, tiveram a mesma resposta obtida pelo redator do Século.
Todo este rigor é devido ao facto de terem ainda que embarcar, no «Infante de Sagres», os presos militares do movimento de Lisboa, e que, com os do Porto, irão residir em vários pontos das nossas colónias onde serão julgados. Ao que nos disseram no Ministério da Guerra, o embarque dos presos far-se-á logo que, pelo Ministério das Colónias, sejam indicados os pontos para onde devem ser conduzidos. Após o embarque, o «Infante de Sagres» sairá imediatamente do Tejo.»
[João Esteves]
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