[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

domingo, 28 de fevereiro de 2021

[2515.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [LXXXI] || 1926 - 1933

* PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || LXXXI *

0656. António da Costa [1931]

[Lisboa, 1904 (?), servente do Arsenal da Marinha. Filiação: Elisa Lourenço da Costa e Joaquim Pedro da Costa. Entregue pela PSP em 26/02/1931, por ter dado, na via pública, "vivas subversivos e por possuir manifestos clandestinos". Libertado no mesmo dia.]

0657. António da Cruz Albarraque [1928, 1933]

[Lisboa, 1882 (?), empregado na Câmara Municipal de Lisboa. Filiação: Maria da Conceição Albarraque e João Francisco da Cruz. Preso em 24/07/1928, "por fazer a apologia do movimento revolucionário de 20 de Julho"; libertado em 06/08/1928 (Processo 3896). Preso em 31/05/1933, "por estar envolvido em manejos revolucionários", colaborando com António Marques no transporte de material explosivo de Alpiarça para Sacavém (Processo 746). Libertado em 02/03/1934, por ter sido despronunciado pelo TME.]

0658. António da Cruz Cristina [1932, 1933, 1935] 

[António da Cruz Cristina || ANTT || RGP/1278 || PT-TT-PIDE-E-010-7-1278]

[Lisboa, 26/12/1910, furriel do Regimento de Telegrafistas. Filiação: Maria Rita da Cruz Cristina e Mário da Graça Cristina. Preso em 06/01/1932, por estar implicado no movimento revolucionário em preparação e ser quem desenvolvia maior actividade dentro do Regimento de Telegrafistas. Além disso, mantinha contactos com, entre outros: ex-tenente Andrade (Alberto Maria de Andrade); capitão Câmara; José Batista Machado Júnior (2.º sargento); José dos Santos Coração; José Maria Videira (1.º sargento reformado); Manuel Sanches Dias (empregado bancário); e Pedro Gamaliel Alves (furriel do Regimento de Telegrafistas). Entregue, em 14/01/1932, ao Governo Militar de Lisboa, foi punido com 30 dias de prisão disciplinar agravada. Tendo reclamada, a punição passou para nove dias de prisão, tendo, mais tarde, sido amnistiado. Preso em Novembro de 1933, entregue à PVDE pelo Comandante do Regimento de Telegrafistas, por suspeita de actividades conspirativas, e deportado para Angra do Heroísmo, tendo embarcado em Peniche em 19/11/1933. Nos Açores, foi ouvido em auto em  15/03/1934 (Processo 825-A). Preso em 21 ou 22/06/1935, quando seria empregado no comércio, por estar activamente envolvido na Organização Revolucionária de Sargentos, em estreita colaboração com Francisco Horta Catarino (furriel), Trajano Ambrósio da Silva (sargento-ajudante) e Vilela (sargento-ajudante). Levado para uma esquadra, foi transferido para o Aljube em 24/07/1935. a partir daí, percorreu vários estabelecimentos prisionais: enfermaria do Limoeiro (03/08/1935, 28/10/1935); Aljube (18/09/1935, 09/11/1935, 06/05/1936); recusou-se ir para a enfermaria da Cadeia de Monsanto; e Peniche (29/11/1935).

[António da Cruz Cristino || 1936 || Preso em Peniche || Pormenor de fotografia, in Francisco Horta Catarino, Falando do Reviralho]

[in Francisco Horta Catarino || Falando do Reviralho || Ed. do Autor || 1978]

Julgado pelo TME em 30/05/1936, foi condenado na pena de quatro anos de desterro a cumprir no Tarrafal (Processo 183/935, do TME). Recorreu e, em julgamento de 11/07/1936, a pena foi alterada para 24 meses de prisão correccional (Processo 183/935, do TME), embarcando, em 17 ou 18/10/1936, para Angra do Heroísmo, a fim de dar entrada na Fortaleza de S. João Batista. Terminou a pena imposta pelo TME em 16/06/1937, mas continuou em prisão preventiva, só sendo libertado em 08/08/1938. António da Cruz Cristina foi o principal elemento de ligação de Francisco Horta Catarino, com residência fixada em Peniche, na estruturação da ORS, mantendo, nesse âmbito, sucessivos contactos e reuniões com Abel de Azevedo Cabral (sargento-ajudante), António Carlos Silva, António Fialho, António Folgado (ex-sargento da Aeronáutica), Ascensão (ex-tenente), Brás (sargento-ajudante), Eleutério Mendonça (sargento), Francisco Rosa Ventura (coronel), Graça (sargento-ajudante), Isidro Pina (2.º sargento do B. C. 2), Joaquim Fernandes (2.º sargento), Joaquim Peres de Carvalho (2.º sargento), José Casimiro Brazão Gambôa (1.º sargento da Aeronáutica, demitido por motivos políticos), Manuel José de Faria (sargento-ajudante da Armada), Matias (tenente), Otelo Rodrigues (sargento), Pereira (sargento-ajudante), Queirós, Raúl da Encarnação Garcia (furriel do Regimento de Artilharia 3), Sebastião Lino (sargento) e Silvestre (2.º sargento) (Processo 1647). Segundo o seu Processo Político, "apesar de novo e um tanto acriançado, possui o vírus revolucionário e desenvolveu uma formidável actividade". O seu processo político foi requisitado pela Junta de Salvação Nacional após o 25 de Abril de 1974.]

[João Esteves]

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