[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

quarta-feira, 2 de abril de 2025

[3543.] HISTÓRIA & CRÍTICA - V || NÚMERO 4 - JANEIRO DE 1980

 HISTÓRIA & CRÍTICA *

N.º 4 || JANEIRO DE 1980 


[História & Crítica || N.º 4 || Janeiro de 1980]

[João Esteves]

[3542.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CDII

 PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CDII *

02201. Domingos da Silva Martins [1932]

[Domingos da Silva Martins.
Matosinhos, c. 1909. Empregado de comércio. Filiação: Arminda Carolina Martins, António Justino Martins. Solteiro. Residência: Rua Brito Capelo, 544 - Porto. Preso pela Delegação do Porto da Polícia Internacional Portuguesa em 07/03/1932, acusado de fazer parte do Socorro Vermelho Internacional. Segundo declarações por ele prestadas durante o interrogatório de 26/03/1932, aderira, em finais de 1930, ao Socorro Vermelho Internacional através de um padeiro que trabalharia em Águas Santas, pagando 1 escudo de quota mensal. Aparece, ainda, referenciado como  tendo exercido "o lugar de secretário da zona comunista em Matosinhos".]

02202. Jorge Afonso Ribeiro [1932, 1937]

[Jorge Afonso Ribeiro || F. 24/02/1932 || ANTT || RGP/8516 || PT-TT-PIDE-E-010-43-8516]

[Jorge Afonso Ribeiro.
Afife - Viana do Castelo, 02/02/1913. Pintor decorador. Filiação: Maria Cândida Afonso Ramos, José Augusto Afonso Ribeiro. Solteiro / Casado. Residência: Travessa do Bom Retiro, 12 - Porto / Rua Joaquim António Aguiar, 253 - Porto. Preso em 27/01/1932, no Porto, "para averiguações", sendo acusado de pertencer às Juventudes Comunistas. Sem ter sido julgado, foi libertado em 02/04/1932. Preso em 13/10/1937, "para averiguações". Julgado pelo TME em 10/08/1938, seria condenado a 20 meses de prisão correcional. Libertado em 24/12/1938, por ter sido indultado.]

[João Esteves]

[3541.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CDI

 PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CDI *

02197. Fernando Biancard Raposo [1932, 1934]

[Fernando Biancard Raposo || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904]

[Fernando Biancard Raposo.
Lisboa (Alcântara), c. 1912. Empregado de comércio. Filiação: Lucinda Biancard Raposo, Fernando Biancard Raposo. Solteiro. Residência: Beco do Funileiro, 9 - Lisboa. Preso no Jardim da Praça da Armada, juntamente com Edmundo de Almeida Barros, José dos Santos Ferreira e Mário Biancard Raposo, e entregue pelo Comando da PSP de Lisboa à Polícia de Defesa Política e Social em 24/10/1932: estavam a ler "jornais de caráter avançado". Era também acusado de professar "ideias extremistas". Libertado no mesmo dia. Preso em 01/06/1934, "por ser simpatizante anarquista", manter ligações com José Severino de Melo Bandeira, de quem recebeu "vários manifestos de carácter anarquista, dos quais fez distribuição" e ter-se mobilizado para participar na Greve Geral Revolucionária de 18 de Janeiro, concentrando-se, com outros, na Rua Ferreira Borges. Fracassado aquele movimento, aceitou a incumbência de José Severino de Melo Bandeira para distribuir o jornal "A Batalha"Entrou no Aljube em 19/02/1935. Julgado pelo Tribunal Militar Especial de 23/03/1935, seria condenado a 180 dias de prisão correcional e perda de direitos políticos por cinco anos. Por já ter terminado a pena, foi libertado em 30/03/1935.]

02198. Edmundo de Almeida Barros [1932]

[Ericeira, c. 1901. Fotógrafo. Filiação: Maria dos Santos Almeida Barros, Joaquim Noé de Barros. Solteiro. Residência: Rua Joaquim Casimiro, 38 - Lisboa. Preso no Jardim da Praça da Armada, juntamente com Fernando Biancard RaposoJosé dos Santos Ferreira e Mário Biancard Raposo, e entregue pelo Comando da PSP de Lisboa à Polícia de Defesa Política e Social em 24/10/1932: estavam a ler "jornais de caráter avançado". Era também acusado de professar "ideias extremistas". Libertado no mesmo dia.]

02199. Mário Biancard Raposo [1932]

[Preso no Jardim da Praça da Armada, juntamente com Edmundo de Almeida BarrosFernando Biancard Raposo José dos Santos Ferreira, e entregue pelo Comando da PSP de Lisboa à Polícia de Defesa Política e Social em 24/10/1932: estavam a ler "jornais de caráter avançado". Libertado no mesmo dia.]

02200. José dos Santos Ferreira [1932]

[Preso no Jardim da Praça da Armada, juntamente com Edmundo de Almeida BarrosFernando Biancard Raposo Mário Biancard Raposo, e entregue pelo Comando da PSP de Lisboa à Polícia de Defesa Política e Social em 24/10/1932: estavam a ler "jornais de caráter avançado". Libertado no mesmo dia.]

[João Esteves]

terça-feira, 1 de abril de 2025

[3540.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CD

 PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CD *

02196. Vítor Castro da Fonseca [1927, 1933]

[Vítor Castro da Fonseca || in António Ventura120 Anos de Maçonaria no Algarve 1816 - 1936 || Sul, Sol e Sal || 2019]

[Vítor Castro da Fonseca.
Faro, 12/04/1879. Advogado. Filiação: Maria Júlia Castro da Fonseca, Manuel José da Fonseca. Divorciado. Residência: Largo da Cruz, 13 - Faro. Frequentou a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, cidade onde, em 1900, foi iniciado na Maçonaria, na Loja Academia Livre N.º 202, com o nome simbólico de "Sólon". Licenciou-se em 1907 e até 1927 manteve-se ativo na Maçonaria, integrando e fundando diversas Lojas [António Ventura120 Anos de Maçonaria no Algarve 1816 - 1936]. Permaneceu na Beira, Moçambique, entre 1912 e 1915, tendo regressado a Faro neste último ano, cidade onde se fixou até morrer. Aí, dirigiu, em 1923, o quinzenário "O Progresso do Sul"Com o advento da Ditadura Militar, participou na revolta de Fevereiro de 1927, integrando, com Manuel Pedro Guerreiro e Sebastião José da Costa, a Junta Revolucionária de Faro. Permaneceu na canhoneira "Bengo" quando esta, no dia 4, começou a bombardear a cidade [Artur Barracosa MendonçaBlogue Almanaque Republicano]. Na sequência do fracasso desse movimento revolucionário, foi julgado e condenado a 18 meses de prisão, tendo permanecido na Penitenciária de Lisboa durante cerca de quatro meses. Libertado, regressou a Faro, onde passou a ser vigiado. Em 22/11/1930, o Delegado da Polícia Política informava que Vítor Castro da Fonseca "é o chefe geral do movimento revolucionário em todo o Algarve" e, em 25 de novembro, tinha recebido Plínio SilvaPreso em 31/05/1933 pela PSP de Faro e entregue, no dia seguinte, à Polícia de Defesa Política e Social. Negou, então, ter voltado à atividade política depois do fracasso do movimento revolucionário de fevereiro de 1927, bem como ter apresentado Elvino Martins Nunes a  José Eduardo de Sousa Barbosa, sendo libertado em 07/06/1933. Segundo António Ventura, apoiou, em 1945, o Movimento de Unidade Democrática (MUD), integrando a Comissão Distrital de Faro. Faleceu em 14/04/1956, dois dias depois de completar 77 anos.]

[João Esteves]

[3539.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXCIX

 PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXCIX *

02195. António Teixeira Danton [1927]

[António Teixeira Danton || ANTT ||  Livro de Cadastrados 3 || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[António Teixeira Danton.
Chaves, c. 1888. Funcionário público. Filiação: Maria Júlia Danton, António Danton. Casado. Residência: Rua Vale Santo António, 217 - Lisboa. Juntamente com António EvaristoArtur FreitasPinto Quartin e Sebastião Eugénio, fez parte do Grupo de Estudos Sociais de Alcântara que, em 1917, fundou o Ateneu Popular (1917-1921). Constituído por operários e militantes anarquistas, tratava-se de uma instituição de ensino universitário e livre para a educação do povo, tendo por objetivo a difusão cultural. Posteriormente, apareceu associado à fundação do Partido Comunista Português e integrou, em Março e Outubro de 1921, a sua Comissão Geral de Educação e Propaganda. Sebastião Eugénio também viria a fazer parte do mesmo Partido. Referenciado e fichado pela Polícia ainda durante a 1.ª República, foi preso em 20/10/1927, "acusado de conspirar contra a Ditadura Militar e de ter relações políticas com elementos revolucionário". Libertado em 28/11/1927.]

[João Esteves]

[3538.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXCVIII

 PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXCVIII *

02194. Manuel Paula Ventura [1930, 1934]

[Manuel Paula Ventura || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904]

[Manuel Paula Ventura.
Olhão, 31/07/1885. Advogado. Filiação: Maria do Sacramento Ventura, António Joaquim Ventura. Casado. Residência: Avenida da República - Olhão. Republicano, filiado no Partido Democrático, fora eleito, no início de 1927, Presidente da sua Comissão Política Concelhia. Associado aos acontecimentos ocorridos em Moncarapacho em 17/02/1928, quando uma violenta explosão matou Américo Vilar e António Calhabotas, dois anarco-sindicalistas idos do Barreiro que se encontravam a preparar bombas num pardieiro: o seu carro foi utilizado pelos envolvidos e serviu para transportar e ocultar os corpos do local da tragédia. Conseguiu, então, fugir para Espanha: chegado a Ayamonte, seguiu para Sevilha e, de Gibraltar, partiu para a Argentina, já que o irmão Cândido se encontrava a viver em Buenos Aires desde o início de 1927. Aqui, publicou artigos em "O Jornal Português". Instalou-se, depois, na Bélgica, em Anvers, à frente de uma firma de comissões e consignações, e aí escreveu, em sua defesa, uma "Declaração" sobre a sua participação nos acontecimentos de Moncarapacho". Autorizado a regressar a Portugal em 1929, seria preso em 19/07/1930 e deportado, no dia seguinte, para os Açores, acusado de "prejudicar a ação da Ditadura Nacional, desenvolvendo ultimamente uma enorme atividade conspiratória na preparação de um movimento revolucionário no Algarve". Enviado para Cabo Verde em 1931, após a Revolta da Madeira, conseguiu fugir de barco para Espanha. Abrangido pela amnistia de 05/12/1932, voltou ao país. Preso e entregue pela PSP de Faro à PVDE em 25/04/1934 por auxílio a dois exilados políticos não incluídos naquela [o capitão Lapa e o comandante Sebastião da Costa], tendo assegurado, em dezembro de 1933, os meios para a sua vinda a Portugal por escassos dias. Por decisão do Conselho de Ministros de 11/07/1934, foi proibida a sua residência em território nacional por dois anos. Notificado em 18 do mesmo mês, "seguiu para a fronteira devidamente acompanhado" no dia 20. Inicialmente, ficou em  Ayamonte e, depois, mudou-se para Huelva. Obrigado, pelas autoridades portuguesas, a mudar-se para uma localidade mais afastada da fronteira, regressou a Huelva devido ao surgimento de graves problemas cardíacos. A esposa, Francisca Alves Ventura, requereu, então, autorização para regressar ao país, o que foi concedido em 01/08/1935 pelo Presidente do Conselho de Ministros, Oliveira Salazar, desde que sob prisão. No entanto, faleceria dois dias depois, em Huelva, disso dando conhecimento o jornal ABC de Madrid, de 4 de Agosto.  Só em 1967, com o falecimento da esposa, o corpo seria trasladado para Portugal.]

[João Esteves]

[3537.] HISTÓRIA & CRÍTICA - IV || NÚMERO 3 - MAIO / JULHO DE 1979

HISTÓRIA & CRÍTICA *

N.º 3 || MAIO / JULHO DE 1979 


[História & Crítica || N.º 3 || Maio - Julho de 1979]

[João Esteves]

[3536.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXCVII

 PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXCVII *

02193. Artur de Oliveira Santos [1928, 1940]

[Artur de Oliveira Santos || F. 04/09/1928 || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Artur de Oliveira Santos.
Republicano prestigiado em Ourém, Artur de Oliveira Santos testemunhou, em Lisboa, a Revolução de 5 de Outubro de 1910. Foi Administrador do Concelho de Vila Nova de Ourém quando do fenómeno de Fátima e combateu a Ditadura Militar desde o seu início. Participou na Revolta de 20 de Julho de 1928, esteve preso e exilou-se em Espanha em 1931, onde interveio na Guerra Civil, aí permanecendo até finais de 1939.

Vila Nova de Ourém, 22/01/1884. Operário funileiro / escriturário. Filiação: Maria da Conceição Pereira, Acácio de Oliveira. Casado. Residência: Rua António Pedro, 74 - Lisboa. Operário funileiro, abriu, no início do século XX, uma oficina de latoaria denominada "A Social". Foi, ainda, escritor e jornalista. Fundou os periódicos "Voz de Ourém" e "Povo de Ourém" e colaborou nos jornais "O Baluarte", "A Capital", "O Debate" (Santarém), "O Mundo", "O País", "O Povo", "A Razão", "O Rebate", "A República" (dirigido por Artur Leitão), "A República Portuguesa", "A Resistência" (Coimbra), "O Século", "A Vanguarda" e "A Voz da Justiça" (Figueira da Foz). Iniciado na Maçonaria em 1907, esteve associado à criação, em 03/11/1907, do Centro Republicano Democrático e, no mesmo ano, integrou, como Vogal, a Comissão Municipal de Ourém do Partido Republicano Português. Fundou, em 1909, o Centro Republicano Dr. António José de Almeida, o qual se manteve até 1913. Em 2 de Outubro de 1910, deslocou-se a Lisboa para presenciar a revolução republicana, sendo uma das suas testemunhas oculares. Aí permaneceu até ao dia 7, regressando a Ourém para içar, com Álvaro Mendes, a bandeira republicana no castelo da velha Ourém [José Poças, Artur de Oliveira Santos e a implantação da República]. Exerceu, entre 1910 e 1913, cargos na vereação da Câmara Municipal de Vila Nova de Ourém: Vogal  (1910); Presidente, Vice-Presidente e Vereador (1911); e Vereador (1913). Na sequência da revolução de 14 de Maio de 1915, foi nomeado, interinamente, Administrador daquele concelho, cargo que exerceu até 08/12/1917. Coube-lhe, então, a decisão de inquirir as crianças que diziam ter visto e falado com a Virgem Maria. Voltou a ser seu Administrador, sendo demitido do cargo após o 28 de Maio de 1926. Com o advento da Ditadura Militar, foi demitido, por motivos políticos, das funções que exercia no Ministério das Colónias e, em 01/09/1928, "foi preso por estar implicado nos acontecimentos revolucionários de 20 de Julho". Libertado em 28/05/1929, foi-lhe imposta a proibição de regressar a Santarém. Vigiado pela Polícia de Informações de Santarém, foi assinalada a sua presença em Chão de Maçãs em 07/05/1930. No ano seguinte, na noite de 1 para 2 de Maio, atribuiu-se a Artur de Oliveira Santos, em colaboração com João Violante, Manuel Rodrigues Antunes e Sebastião Anastácio Júnior, a responsabilidade pelo levantamento das linhas do caminho-de-ferro e corte das comunicações telefónicas e telegráficas junto do Túnel de Albergaria. Nesse mesmo ano de 1931, exilou-se em Espanha e manteve contactos com os grupos oposicionistas à Ditadura, encontrando-se documentação no Arquivo Casa Comum, da Fundação Mário Soares. É possível ler as missivas para Bernardino Machado no Blogue do Dr. Manuel Sá Marques.

[Artur de Oliveira Santos || Fotografia retirada do Blogue Bernardino Machado]

Com a Guerra Civil, trabalhou como maqueiro e prestou serviço em diversos hospitais. Expulso de Espanha, foi entregue no Posto de Elvas em 05/01/1940 e levado para a Cadeia Civil. Transferido para a Diretoria da PVDE no dia seguinte, foi levado para o Aljube e, em 13/02/1940, seguiu para Caxias, de onde foi libertado em 16/03/1940. Utilizou o pseudónimo "João de Ourém" e casou com Idalina de Oliveira Santos, de quem teve vários filhos.

[Artur de Oliveira Santos || F. 12/01/1950 || ANTT || PT/TT/EPJS/SF/005/000012]

Faleceu em 27/06/1955, em Lisboa, com 71 anos de idade. 

[Diário de Lisboa || 28/06/1955]

Tomás da Fonseca dedicou-lhe o seu livro Fátima (cartas ao Cardeal Patriarca de Lisboa): "À memória do íntegro cidadão Artur de Oliveira Santos – que, no exercício das suas funções de Administrador do Concelho de Vila Nova de Ourém, muito se esforçou para evitar o embuste de Fátima – principal origem do descrédito e falência moral da Igreja, que perfilhou e explora com a repulsa dos cidadãos verdadeiros" [Rio de Janeiro, Editorial Germinal, 1955].

Sérgio Ribeiro, em declarações ao Diário de Notícias de 5 de Maio de 2017, considera Artur Oliveira dos Santos "inesquecível" e "um amigo excepcional": "Era um homem de raiz operária. Depois era um homem culto, da propaganda republicana. E era um ativista político".

[João Esteves]

segunda-feira, 31 de março de 2025

[3535.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXCVI

PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXCVI * 

02192. José Alves Jana [1931, 1931]

[José Alves Jana || F. 26/06/1931 || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903]

[José Alves Jana.
Penhascoso - Mação, c. 1911. Estudante. Filiação: Patrocínia da Conceição, Manuel Alves Jana. Solteiro. Residência: Vila Franca de Xira. Preso pela PSP em 08/04/1931 e entregue à PI-MI, acusado de "soltar gritos subversivos". Libertado em 12/04/1931. Preso em 09/06/1931, "por andar envolvido em manejos revolucionários, tendo ligações revolucionárias com o seu cunhado Álvaro Freire, Guedes da Piedade, José Tendeiro e outros". Acusado de lançar, juntamente com o cunhado, uma bomba explosiva do elevador de Santa Justa, seria deportado para Timor em 27/06/1931. Só regressou em 14/02/1946, a bordo do vapor "Angola", saindo em liberdade.]

[João Esteves]

[3534.] HISTÓRIA & CRÍTICA - III || NÚMERO 2 - ABRIL DE 1979

 HISTÓRIA & CRÍTICA *

N.º 2 || ABRIL DE 1979


[História & Crítica || N.º 2 || Abril de 1979]

[João Esteves]

[3533.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXCV

 PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXCV *

00440. António Alves Jana [1930, 1930, 1935, 1936]

[António Alves Jana || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[António Alves Jana.
[Penhascoso - Mação, 16/06/1900. Médico. Filiação: Patrocínia da Conceição (Alves Jana), Manuel Alves Jana. Solteiro / Casado. Residência: Rua Serpa Pinto, 7 - Vila Franca de Xira / Rua Serpa Pinto, 92 - Vila Franca de Xira. Frequentou, entre 1921 e 1927, a Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa. Preso em 16/04/1930, em Santarém, a pedido da Secção da Polícia de Informações do Ministério do Interior, "porque nas suas frequentes visitas a Mação propalava boatos e ameaçava os partidários da Ditadura, anunciando movimentos revolucionários e distribuindo manifestos clandestinos". Libertado pela PIMI em 17/04/1930. Preso em 13/05/1930, por ordem do Delegado Especial, "pelos mesmos motivos que originaram a sua primeira prisão". Libertado em 17/05/1930, depois de "condenado" a pagar uma multa de 3000$00 para a Assistência Pública e proibido de residir no distrito de Santarém durante um ano. Entregue, em 25/03/1935, na Secção Política e Social da PVDE, à ordem do TME, e levado para o Aljube. Residia, então, em Vila Franca de Xira, onde era muito conhecido. Julgado pelo TME em 30/03/1935, seria condenado a 90 dias de prisão correcional, substituível por multa. Libertado no mesmo dia. Preso em 31/08/1936, para averiguações, e levado para a 1.ª esquadra; libertado em 12/11/1936.]
[alterado em 31/03/2025]

[João Esteves]

sábado, 29 de março de 2025

quarta-feira, 26 de março de 2025

[3525.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXCIV

PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXCIV * 

02191. Heliodoro Caldeira [1929, 1929, 1929, 1930, 1930, 1930, 1938]

[Heliodoro Caldeira || F. 29/01/1929 || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903]

[Heliodoro Caldeira.
Lisboa, 15/12/1909. Estudante. Filiação: Sarah de Castro, Paulo Caldeira. Frequentou diversas escolas comerciais e industriais. Preso em 18/01/1929, na sequência de uma visita ao pai, que se encontrava preso no Forte de São Julião da Barra: acusado de "estabelecer ligações revolucionárias"; libertado em 07/02/1929. Preso em 02/04/1929 e libertado em 28/05/1929. Preso em 09/09/1929 e libertado em 10/10/1929. Preso em 15/03/1930 e libertado no mesmo dia. Preso pela Polícia de Informações do Ministério do Interior em 17/07/1930; libertado em 14/10/1930. Ingressou na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa no ano letivo de 1930/1931, sendo preso em 21/12/1930. Durante os interrogatórios, afirmou-se como "adversário da Ditadura Militar", tendo, por despacho do Diretor da Polícia de Informações de 06/01/1931, sido deportado para os Açores. Participou, em Abril, na chamada "Revolta das Ilhas" e, em junho, seria transferido para Cabo Verde, de onde se evadiu em Agosto de 1932, escondido num navio que aí aportara. Refugiou-se na Argentina, onde se dedicou ao jornalismo e desenvolveu intensa atividade. Regressou ao país em 16/06/1935, na sequência de uma amnistia, e reingressou na faculdade. 

[Heliodoro Caldeira || ANTT || RGP/9434 || PT-TT-PIDE-E-010-48-9434]

Preso pela SPS da PVDE em 21/02/1938, acusado de "manejos revolucionários e de ser o autor de uns artigos que contêm matéria subversiva", publicados na Argentina. Recolheu, incomunicável, a uma esquadra e passou, então, pela 1.ª esquadra e Caxias. Julgado pelo TME de 08/06/1938, seria condenado a 23 meses de prisão correcional. Seguiu, em 19/06/1938, para Caxias e, em 02/07/1938, passou para Peniche, sendo aqui que soube do falecimento do irmão, Alfredo Caldeira, no Campo de Concentração do Tarrafal. Transferido, em 17/01/1939, para o Aljube, foi libertado em 29/05/1939. Colaborou nos jornais "O Sol", "Diabo" e "República", integrou o MUD e aderiu ao I Congresso Republicano de Aveiro (1957). Defendeu inúmeros presos políticos nos Tribunais Plenários e, em 1959, foi o advogado de Aquilino Ribeiro no processo que lhe foi movido aquando da publicação do livro Quando os lobos uivam. O escritor dedicou-lhe, em 1960, o livro de ensaios De Meca a Freixo de Espada à Cinta. Faleceu em 17/11/1966, com 56 anos de idade. Condecorado, em 1993, com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.] [Alfredo Caldeira e Diana Andringa, Em defesa de Aquilino Ribeiro, Terramar, 1994]


[João Esteves]

[3524.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXCIII

PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXCIII * 

02190. Camilo Sena de Oliveira [1927]

[Camilo Sena de Oliveira.
Lisboa. Capitão de Infantaria. Filiação: Matilde da Conceição de Oliveira, António Francisco de Oliveira. Integrou, como tenente, o Corpo Expedicionário Português, tendo embarcado em 23/08/1917. Participou na Batalha de La Lys, foi dado como desaparecido em combate e feito prisioneiro pelos alemãs. Participou no movimento revolucionário de fevereiro de 1927, foi preso e deportado nesse mesmo mês.]

[João Esteves]

terça-feira, 25 de março de 2025

[3523.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXCII

PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXCII * 

02189. Manuel António Vieira [1927, 1930, 1931]

[Manuel António Vieira.
Campo Maior, 1874. Filiação: Eulália das Dores Vieira, António Gonçalves Caixeiro. Casado. Capitão de Infantaria. Integrou, como alferes, o CEP: embarcou em 05/07/1917, participou, em 09/04/1918, na Batalha de La Lys, desapareceu em combate e foi feito prisioneiro pelos alemãs. Comandante da 1.ª Companhia do Batalhão N.º 2 da GNR, participou ativamente no movimento revolucionário de 7 de fevereiro, em Lisboa, integrando o seu "comité revolucionário", juntamente, entre outros, com Agatão Lança. Preso, passou pela Penitenciária de Lisboa e, em 21/02/1927, embarcou no vapor "Lourenço Marques", sem qualquer julgamento, com destino a Angola (Sá da Bandeira / Lubango). Autorizado a regressar, a fim de ser julgado, desembarcou em Lisboa em 02/12/1927, ficando em prisão domiciliária. Julgado pelo TME em 11/08/1928, seria condenado a dois anos de prisão correcional e separação do serviço militar. Interpôs recurso para o Supremo Tribunal Militar, tendo o TME de 10/11/1928 reduzido a pena para um ano de prisão. Entrou, em 29/07/1929, no Forte de S. Julião da Barra, de onde saiu em 23/06/1930. Acusado de continuar a conspirar, tendo enviado da prisão uma carta ao tenente Manuel António Correia, seria detido em julho, ficando a bordo da fragata D. Fernando. Libertado em 25/07/1930, o Governo fixou-lhe residência obrigatória no Fundão, decisão que não se concretizou, continuando em Lisboa. Acusado de estar envolvido no movimento revolucionário de 26/08/1931, foi preso em 30/08/1931 e enviado para o Forte de S. Julião da Barra, onde permaneceu até 20/09/1931. Trabalhou, entre 1932 de 1944, na Agência Militar. Faleceu em 01/01/1951, em Lisboa, com 76 anos. Foi sepultado no talão dos Combatentes da Grande Guerra - cemitério do Alto de S. João.]

[República || 02/01/1951]

[República || 03/01/1951]

[João Esteves]

segunda-feira, 24 de março de 2025

[3522.] CARMEN DE BURGOS || CATÁLOGO DA EXPOSIÇÃO - 2024

 * CARMEN DE BURGOS. COLOMBINE (1867-1932) - LA MODERNIZACIÓN DE ESPAÑA *

Um excelente e rigoroso catálogo de uma não menos excelente exposição dedicada a Carmen de Burgos, contemporânea e amiga de Ana de Castro Osório e que chegou a viver em Portugal.



[João Esteves]

[3521.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXCI

 PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXCI *

02188. Joaquim José Moreira Faria [1928, 1937]

[Joaquim José Moreira Faria || F. 21/08/1928 || ANTT || PT-TT-PIDE-Policias-Anteriores-1-NT-8902]

[Joaquim José Moreira Faria.
Porto (Santo Ildefonso), 07/07/1905. Estudante / Explicador e tradutor. Filiação: Cândida Moreira de Faria, Joaquim Jerónimo Cordeiro Brito Faria. Solteiro. Residência: Rua Visconde de Setúbal, 255 - Porto / Travessa de Nossa Senhora da Conceição, 284 - Porto. Preso em 19/08/1928, acusado de estar implicado no movimento revolucionário de 20 de julho, e deportado para Angola em 21/08/1928. Preso em 26/07/1937, "para averiguações", pela Delegação da PVDE do Porto. Libertado em 17/08/1937. Pode tratar-se do tradutor Joaquim Moreira.]

[João Esteves]

domingo, 23 de março de 2025

[3520.] LUÍS FILIPE REIS CABRAL || MOVIMENTO DE UNIDADE DEMOCRÁTICA - JUVENIL (1951)

 * LUÍS FILIPE REIS CABRAL *

[Luís Filipe Reis Cabral || F. 10/04/1951 || ANTT || RGP/20234 || PT-TT-PIDE-E-010-102-20234]

Filho de Maria da Conceição Reis Calado Cabral e de Emílio Francisco António do Rosário Cabral, Luís Filipe Reis Cabral nasceu a 12 de Outubro de 1929, em Benguela - Angola.

Quando estudante da Faculdade de Ciências de Lisboa, aderiu, tal como muitos outros jovens, ao MUD Juvenil.

Acusado de crimes contra a segurança do Estado, foi preso em 10 de Abril de 1951, juntamente com Carlos Aboim Inglez (05/01/1930-13/02/2002).

Tinha, então, 22 anos e foi levado para Caxias

Seria libertado em 23 de Junho, mediante termo de identidade e residência. 

No entanto, dois dias depois, a 25 de Junho, foi entregue pela PSP de Lisboa à PIDE, recolhendo ao Aljube. Reingressou em Caxias em 29 de Junho e saiu em liberdade em 21 de Setembro de 1951.

Conseguiu sair de Portugal e nunca pôde retornar ao país, onde tinha família.

[Luís Filipe Reis Cabral || F. 10/04/1951 || ANTT || RGP/20234 || PT-TT-PIDE-E-010-102-20234]

[3519.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXC

PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXC * 

02186. José Augusto de Melo Vieira [1927]

[José Augusto de Melo Vieira.
Lisboa, 28/03/1883. Major. Filiação: Maria Rosa dos Santos Vieira, José António Pestana de Melo Vieira. Casado. Residência: Rua Sousa Martins, 7 - Lisboa. Seguiu a carreira militar, tendo frequentado a Escola do Exército, onde concluiu o curso da arma de Infantaria em 1906: alferes (1906); tenente (1908); capitão (1915); major (1922); tenente-coronel (1933); coronel (1937). Lecionou no Instituto Feminino de Educação e Trabalho, integrou, em 1917, o Corpo Expedicionário Português, foi, durante escassos meses de 1918, durante o período sidonista, Governador Civil de Leiria e, neste mesmo ano, seria eleito deputado pelo círculo de Silves. Aderiu ao Partido Republicano Nacionalista. Participou no movimento revolucionário de 7 de fevereiro de 1927, tendo sido preso e deportado. Vigiado em 1930, por se reunir com oficiais que conspiravam contra a Ditadura. Em julho, foi-lhe fixada residência obrigatória em Vila Real de Santo António, "por estar implicado no movimento revolucionário a eclodir", e onde continuou a ser vigiado. Requereu ao Ministério da Guerra a sua transferência para Lisboa, o que foi desaconselhada pela Polícia. Seria reintegrado posteriormente, prosseguindo a carreira militar. Faleceu a 19/01/1963, em Lisboa.]

02187. Maurício Armando Martins Costa [1929]

[Maurício Costa.
Lisboa (Encarnação), 23/04/1886. Advogado. Filiação: Cândido Augusto da Costa. Frequentou a Universidade de Coimbra entre 1903 e 1908, tendo integrado a Tuna Académica. Pertenceu, durante a I República, ao Partido Evolucionista e, aquando do sidonismo, foi eleito deputado por Lamego (1918). Preso em 16/04/1929, na sequência de uma reunião na sede do Grande Oriente Lusitano Unido, e levado para o Forte de Monsanto.  Maçom, exerceu, entre 19/05/1935 e a data da da sua morte, as funções de Grão-Mestre interino. Faleceu em 18-19/05/1937, em Lisboa.]

[João Esteves]