[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

terça-feira, 13 de setembro de 2022

[2853.] LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS || NÚCLEO DE SETÚBAL - REPRESENTAÇÃO DE 07/03/1911

 * LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS *

NÚCLEO DE SETÚBAL

REPRESENTAÇÃO AO MINISTRO DA JUSTIÇA || 07/03/1911

A Comissão Dirigente do Núcleo de Setúbal da LRMP entrega, em 10 de Março de 1911, uma representação a Afonso Costa, Ministro da Justiça:

«Ao Ex.mo Senhor Ministro da Justiça Dr. Afonso Costa.

Cidadão:

A comissão dirigente do núcleo da «Liga Republicana das Mulheres Portuguesas» de Setúbal vem pedir a V. Ex.a que o convento, ou recolhimento de Soledade, sito na Avenida Todi desta cidade, freguesia da Anunciada, seja arrolado como outro qualquer convento, passando para a posse do Estado, do qual é, para lhe ser dado o destino que mais útil parece a esta comissão, que é a de o transformar em Escola primária do  sexo feminino.

Não compreendemos o motivo porque o referido convento não foi desde logo considerado propriedade do Estado, e arrolado, como sucedeu aos outros aqui existentes, pois é evidente que nenhuma razão há para que se faça semelhante excepção.

O interesse de seis velhas senhoras que ali vivem uma existência inútil, em completo desacordo com a sociedade moderna, progressiva e laboriosa, não é exemplo que a República deva proteger e aplaudir.

Este recolhimento tem salas facilmente adaptáveis a escola, e tem um jardim e um terraço onde as crianças poderão Ter algumas horas de recreio durante o dia. Informam-nos que além da casa alguma mobília ali existe, mesmo escolar, que foi dada pelo governo aquando do decreto-burla de Hintze Ribeiro.

Este recolhimento tornou-se depois da revolução, e com a expulsão dos outros frades e freiras, um pequeno foco de beatério havendo ali confissões e missas frequentes e chamando a essas práticas a população mais inculta da cidade, como seja a colónia piscatória de ovarinas.

Nenhuma razão plausível encontra esta comissão para que tal recolhimento continue na posse das velhas recolhidas, que têm família na cidade e podem ser socorridas cá fora como agora, pois são mantidas pela caridade de algumas pessoas que têm dó do seu isolamento. Parece, pois, a esta comissão que é injusto conservar assim inútil uma boa casa que indubitavelmente pertence ao Estado, que por largos anos a subsidiou e mandou fazer as obras necessárias para a sua conservação.

Ninguém – nem as próprias recolhidas – se lembrou ao princípio de contestar ao Estado a posse desta casa, vindo só depois as dúvidas, sem provas que as justifiquem, somente fundadas, ao que parece, no desejo de não serem desgostadas as velhas senhoras, que esperavam a cada passo o arrolamento judicial e agora só esperam que as coisas sosseguem para dar entrada a mais outras recolhidas.

Ora, enquanto estas seis velhas senhoras desfrutam inutilmente uma casa enorme, na freguesia em que este convento está situado existem actualmente 500 crianças do sexo feminino, em idade escolar, ou mais talvez ainda, porque são deficientíssimos os cadernos paroquiais por onde se faz a matrícula.

Eis o motivo porque esta comissão do núcleo de Setúbal da «Liga Republicana das Mulheres Portuguesas» vem, confiada no alto critério de justiça de V. Ex.a, pedir para que este seu pedido seja atendido porque ele é, no seu entender, da mais alta vantagem social e educativa.

Saúde e Fraternidade

Setúbal, 7 de Março de 1911.

A comissão dirigente do núcleo de Setúbal da “Liga Republicana das Mulheres Portuguesas”.»

["Feminismo”, O Radical, 19/3/1911]

[O Radical || 19/03/1911]

[João Esteves]

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

[2852.] VALENCIA || JULHO DE 2022

* VALENCIA || 2022 *




[Valencia || Julho de 2022]

[2851.] VALENCIA || JULHO DE 2022

 * VALENCIA || 2022 *



[Valencia || Julho de 2022]

[2850.] VALENCIA || JULHO DE 2022

 * VALENCIA || 2022 *



[Valencia || Julho de 2022]

[2849.] LIBÂNIO DA ROCHA ROMÃO || ÓBITO - 11/03/1911

* LIBÂNIO DA ROCHA ROMÃO *

Operário soldador e colaborador de O Germinal, falecido em 11/03/1911

[O Radical || 19/03/1911]

[João Esteves]

[2848.] TOLEDO || JULHO DE 2022

 * TOLEDO || 2022 *



[Toledo || Julho de 2022]

[2847.] TOLEDO || JULHO DE 2022

 * TOLEDO || 2022 *


[Toledo || Julho de 2022]

[2846.] TOLEDO || JULHO DE 2022

 * TOLEDO || 2022 *



[Toledo || Julho de 2022]

[2845.] ANA DE CASTRO OSÓRIO || A MULHER NA LEI ELEITORAL - 19/03/1911

 * ANA DE CASTRO OSÓRIO *

"A MULHER NA LEI ELEITORAL"

O Radical || 19/03/1911

Artigo de Ana de Castro Osório no jornal O Radical, “A mulher na lei eleitoral”, onde critica António José de Almeida por não contemplar, na primeira lei eleitoral da República, o sufrágio feminino restrito:

«A mulher na lei eleitoral

Saiu, finalmente, a lei eleitoral. Como já o esperávamos, o voto feminino não foi sequer nela estabelecido, como princípio progressivo e democrático.

Como o prevíamos, a mulher continua a ser na República um valor nulo, para não dizer negativo.

A mulher paga impostos como o homem, a mulher pode negociar como o homem, a mulher é médica como o homem, a mulher é a professora, é a educadora, é a dirigente de muitas casas e indústrias, a mulher pode ser tudo... menos cidadã livre duma pátria livre.

Como as praças de pret, os indigentes, os pronunciados por crimes não julgados, os interditos, os falidos, os portugueses por naturalização, - as mulheres, sejam elas quais forem, não têm uma só voz que corresponda a um voto!

Nós já o prevíamos e por isso nem sequer nos indignámos, porque a República, nesse ponto, já não nos podia dar nenhuma surpresa.

Quando o sr. dr. António José de Almeida lançou a ideia de que as mulheres republicanas se juntassem numa Liga de propaganda política, teve a amabilidade de pensar no nosso nome para encetarmos os primeiros trabalhos da agremiação. Nessa ocasião dissemos a s. ex.ª o mesmo que lhe dizemos hoje: - «politicamente, a República será para os senhores; nós continuaremos a ser dentro dela o que somos hoje, com algumas modificações nas leis que não poderão deixar de ser modernizadas pela força das circunstâncias. Nós somos mulheres, quer dizer: na sociedade constituída criaturas sem direitos políticos nem civis; a República – governo olhará para nós com o desdém com que os governos monárquicos nos têm sempre olhado. No entanto, como dentro do regímen actual nada poderemos avançar colectivamente, nem o povo receberá instrução e educação, nem as leis serão ao de leve modificadas, nem o dinheiro passará das unhas aduncas da burguesia afidalgada e das do seu rei; como o princípio monárquico só por si é um vexame para todo o ente humano que se preza de ser digno e altivo; como todo o país sofre desta asfixia moral que nos avilta, e que anula todos os nossos bons impulsos, gafando todos os caracteres e aniquilando todas as boas vontades, estarei a o vosso lado, falarei às mulheres liberais, dir-lhes-ei o caminho que leva à República, que é uma “etapa” vencida para mais útil caminhada.

«Mas faço-o na certeza de que receberemos a resposta que a primeira república francesa deu às mulheres que a ajudaram a fazer...».

O sr. dr. António José d’Almeida protestou que tal não sucederia, porque ele era fiador do partido republicano perante a Liga política que desejava se formasse. E o que nos disse particularmente, proclamou-o na primeira reunião da Liga num magnífico discurso que a direcção fez publicar na revista «A Mulher e a Criança», órgão da mesma agremiação.

Apesar das suas promessas, confirmadas pelos srs. drs. Bernardino Machado e Magalhães Lima, nessa reunião, e pelo congresso realizado aqui mesmo nesta cidade de Setúbal, duvidámos sempre... Não se conhece baldamente a história dos povos, que por seu turno raro fazem obra inédita, apesar de tudo o levar a esperar quando as modificações políticas ocorrem numa hora já adiantada da civilização.

A confirmação da nossa dúvida aí temos na lei eleitoral onde a mulher foi esquecida pelo próprio sr. dr. António José d’Almeida, sem a mais ligeira sombra de atenção pelas promessas feitas pessoalmente e pelas afirmações colectivas do partido.

Nós, as mulheres portuguesas, continuamos pois... a não ser portuguesas, porque todo aquele que não tem direitos civis nem políticos não é cidadão português.

A maioria das mulheres do nosso país aprovará entusiasmada talvez a omissão da lei, porque a grande maioria sente-se bem no seu papel de servidão; não se julga com direito nem merecimento para exigir mais. Pela nossa parte protestámos, embora sem indignação, porque só nos indigna o que nos surpreende.

Sem as leis do sr. dr. Afonso Costa, que foi o que menos nos prometeu e o que menos feminista era julgado, o Governo Provisório da República seria para nós a mais triste confirmação das palavras de Eclesiastes: nada há novo sob o sol...

Do senhor José Relvas, pelo ministério das finanças, donde menos se poderia esperar um qualquer triunfo feminista, tivemos a criação dos quinze lugares para empregadas na Junta do Crédito Público, o que não é nada para a enorme necessidade que a mulher tem de trabalhar e viver honestamente do produto do seu trabalho individual, mas que foi muitíssimo como princípio estabelecido.

Que o mesmo tivesse feito o sr. ministro do Interior, consignando como princípio o voto para um número limitado de mulheres, e já poderíamos contar com um triunfo moral a nova lei eleitoral.

Dizem-nos agora que trabalhemos para obter das «Constituintes» o que nos foi agora negado, por quem tão solenemente no-lo prometera na sua propaganda...

Valerá a pena tentar?!

Quase nos inclinamos a que não, porque quando um homem superior não se pode colocar acima dos preconceitos para fazer uma obra de justiça, o que poderá fazer uma colectividade em que a maioria há-de ser, como todas as maiorias, mais propensa ao comodismo das ideias adquiridas pelo hábito e pela educação?!.
     Ana de Castro Osório»

[O Radical, 19/3/1911]

[O Radical || 19/03/1911]

[João Esteves]

[2844.] CÁCERES || JULHO DE 2022

 * CÁCERES || 2022 *



[Ignacio Zuloaga - Mme. Pinaud, c. 1906 || Colección Privada]

[Ignacio Zuloaga - Paulette || Col. Pedrera Martínez]

[Raimundo de Madrazo - Elegancia y juventud || Col. Pedrera Martínez]

[Daniel Vásquez Díaz - Cabeza de mujer || Col. Pedrera Martínez]

[2843.] CONFLITOS LABORAIS [VIII] || GREVES DOS OPERÁRIOS DE CONSERVAS DE SETÚBAL - 1911

 * CONFLITOS LABORAIS *

FÁBRICAS DE CONSERVAS DE SETÚBAL || 1911

O Radical || 05/03/1911


[O Radical || 05/03/1911]

[João Esteves]

[2842.] ELVAS || JULHO DE 2022

 * ELVAS || 2022 *

[Elvas || Julho de 2022]

[2841.] LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS || SAUDAÇÃO A JOSÉ RELVAS - 03/02/1911

 * LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS *

"Representação da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas entregue ao Ministro das Finanças, sr. José Relvas"

O Radical || 05/03/1911

A Comissão de Propaganda Feminista da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas assina, em 3 de Fevereiro de 1911, uma mensagem dirigida ao ministro das Finanças, José Relvas, elogiando-o por ter proporcionado a admissão de mulheres em empregos do Estado. 

É subscrita por Adelaide da Cunha Barradas, Ana de Castro Osório, Carolina Beatriz Ângelo, Constança Dias, Joana de Almeida Nogueira, Laura Monteiro Torres, Rita Dantas Machado e Virgínia da Fonseca.

[O Radical || 05/03/1911]

[João Esteves]

domingo, 11 de setembro de 2022

[2840.] GALAMARES || SETEMBRO DE 2022

 * GALAMARES || 2022 *



[Galamares || Setembro de 2022]

[2839.] ANA DE CASTRO OSÓRIO || "A OBRA DA REPÚBLICA" - 27/11/1910

* ANA DE CASTRO OSÓRIO *

"Crónica - A obra da República"

O Radical || 27/11/1910

[O Radical || 27/11/1910]

[João Esteves]

[2838.] GALAMARES || SETEMBRO DE 2022

 * GALAMARES || 2022 *


[Galamares || Setembro de 2022]

[2837.] ANA DE CASTRO OSÓRIO || COLECÇÃO "PARA AS CRIANÇAS" - 27/11/1910

 * ANA DE CASTRO OSÓRIO *

"Para as crianças"

O Radical || 27/11/1910

[O Radical || 27/11/1910]

[João Esteves]

[2836.] OBRA MATERNAL || REPRESENTAÇÃO DE 27/10/1910

 * OBRA MATERNAL *

REPRESENTAÇÃO ENTREGUE AO MINISTRO DO INTERIOR DO GOVERNO PROVISÓRIO DA REPÚBLICA EM 27/10/1910

"A obra da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas"

O Radical || 17/11/1910

[O Radical || 17/11/1910]

[João Esteves]

[2835.] LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS || O RADICAL - 06/11/1910

 * LIGA REPUBLICANA DAS MULHERES PORTUGUESAS *

"A obra da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas"

O Radical || 06/11/1910

[O Radical || 06/11/1910]

[João Esteves]

[2834.] JOÃO BATISTA DE CASTRO || O RADICAL - 06/11/1910

 * JOÃO BAPTISTA DE CASTRO *

[1844 - 1920]

"Um magistrado"

O Radical || 06/11/1910

[O Radical || 06/11/1910]

[João Esteves]

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

[2833.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [CLXXVI] || 1926 - 1933

 * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CLXXVI *

01171. Carlos Manuel Caetano [1932]

[Lisboa, c. 1896, empregado do comércio. Filiação: Adelina da Luz Caetano, Manuel António Caetano. Casado. Residência: Rua da Paz, 15 (a S. Bento) - Lisboa. Preso pela PIP no Posto de Marvão - Beirã"para averiguações", em 12/10/1932: "ignora-se qual foi o seu destino".]

01172Gualterio Ulfilas Juan Arwed Bromer y Bulher ou Arwed Bromer ou João Arwed Bromer [1932]

[Gracia - Barcelona, c. 1890, proprietário e publicista. Filiação: Emilia Bulher Bromer, Jorge Bromer. Solteiro. Residência: São Domingos de Rana. Preso em 20/05/1925, "por suspeito", e libertado em 26/05/1925. Preso em 20/09/1932, "por suspeita de ser comunista e por lhe terem sido apreendidos vários documentos professando essas ideias" (Processo 521) Libertado do Aljube em 12/10/1932.]

[João Esteves]

terça-feira, 6 de setembro de 2022

[2832.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [CLXXV] || 1926 - 1933

* PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CLXXV * 

01166. Mário Luís Judícibus [1932]

[Lisboa, c. 1906, impressor. Filiação: Virgínia Maria Alberto, José Luís Judícibus. Solteiro. Residência: Travessa dos Prazeres, 6, Porta 5 - Lisboa. Entregue pelo Comando da PSP de Lisboa em 05/10/1932, juntamente com Angelino Augusto de Oliveira e Eurico Azinhais, "acusado de ter dados vivas ao Comunismo e morras à Ditadura, juntamente com outros indivíduos que se puseram em fuga" (Processo 540). Levado para uma esquadra e libertado do Aljube em 17/10/1932.]
[alterado em 03/12/2022]

01167. Eurico Azinhais [1932]

[Lisboa, c. 1912, empregado bancário. Filiação: Palmira Araújo, Carlos Augusto Azinhais. Solteiro. Residência: Largo da Graça, 38 - Lisboa. Entregue pelo Comando da PSP de Lisboa em 05/10/1932, juntamente com Angelino Augusto de Oliveira e Mário Luís Judícibus, "por andar na Avenida da Liberdade a manifestar-se contra a Situação, com «abaixos à Ditadura» e a chamar «malandros» aos dirigentes da Situação". Levado para a 1.ª Esquadra e libertado em 07/10/1932. Em Outubro de 1953, residia na Rua do Arco do Cego e, em 1956, terá embarcado para o Brasil.]

01168. António Pereira da Silva [1932

[C. 1906. Com mandado de captura desde, pelo menos, 11/09/1932, por ter sido preso em Espanha, na Província de Huelva, juntamente com Joaquim Vieira Guerreiro, ambos acusados de «serem perigosos comunistas». Tinha, então, na sua posse o manifesto "Da Aliança Libertária Portuguesa ao Povo Trabalhador Português". Preso em 05-06/10/1932, por ter sido entregue na fronteira pelas autoridades espanholas. Transferido, em 08/11/1933, da 15.ª esquadra para a 1.ª]
[alterado em 12/04/2024]

01169. José Gonçalves da Costa [1931, 1932]

[Marceneiro. Preso por ter participado na revolta de 26/08/1931 e deportado para Timor em 03/09/1931, seguindo no navio "Pedro Gomes". Preso em 11/10/1932 e levado para o Aljube, por ter regressado de Timor, onde estava deportado, sem autorização do Ministério do Interior. Entrou na enfermaria do Limoeiro em 24/10/1932. Libertado em 08/12/1932, por estar abrangido pela amnistia do dia 5.] 
[alterado em 21/03/2023]
[alterado em 04/04/2023]

01170. Francisco Simões de Abreu [1932]

[Pedrogão Grande, c. 1906, condutor 1608 da C. C. F. de Lisboa. Filiação: Ana Dinis Pereira, José Simões de Abreu. Solteiro. Residência: Rua das Picoas, 46 - Lisboa. Preso em 11/10/1932, "por ter tomado parte activa na manifestação da Rotunda, na noite de 3 para 4 do corrente, salientando-se nos vivas ao Comunismo e abaixos à Ditadura e Polícia de Informações" (v. Processo 539). Recolheu a uma esquadra; libertado em 15/10/1932.]

[João Esteves]

quinta-feira, 1 de setembro de 2022

[2831.] ANA DE CASTRO OSÓRIO || NASCIDA HÁ 150 ANOS

 * ANA DE CASTRO OSÓRIO *

HÁ 150 ANOS NASCIA ANA DE CASTRO OSÓRIO (18/06/1872 - 23/03/1935) 

[https://mulheresescritoras.pt/index.php/ensaios]

Mangualdense de raiz, sem estudos formais, o envolvimento familiar, sobretudo o prolongado convívio com o pai, com quem manteve comprovada cumplicidade intelectual, e o acesso à vasta e atualizada biblioteca, incluindo assinaturas de revistas e jornais estrangeiros, deram a Ana de Castro Osório uma formação abrangente, muito contribuindo para a decisão de se tornar escritora. 

Com quinze anos, ainda em Mangualde, prendeu-se de amores por António de Meneses e também foi nesta terra beirã que travou amizade com Camilo Pessanha (1867-1926), amigo pessoal do irmão Alberto, visita da casa e que, por sua vez, teve uma paixão, não correspondida, por si.

Com a partida para Setúbal, lugar onde já estaria a viver em 1893, quando acompanhou o pai que ali fora colocado como juiz, o seu sonho começou a concretizar-se: aí residiu dezoito anos, até 1911, publicou os primeiros escritos conhecidos (1895-1897) e conheceu Francisco Gomes Paulino de Oliveira, com quem casou a 10 de março de 1898. Na cidade sadina nasceram os dois filhos: João Osório de Castro e Oliveira (1899-10/11/1970) e José Osório de Castro e Oliveira (1900-03/12/1964).

O matrimónio com Paulino de Oliveira, poeta, propagandista republicano e fundador de jornais, contribuiu para acentuar a dedicação à escrita e despoletar o empenhamento cívico e político: fomentou saraus literários; estabeleceu laços com republicanos e vultos da cultura; envolveu-se na fundação da Escola Liberal; erigiu a Casa Editora Para as Crianças; e assegurou os negócios do marido quando, na sequência da conspiração republicana de janeiro de 1908, se refugiou no Brasil, de onde só regressaria depois de derrubada a Monarquia; recebeu, a partir de setembro de 1908, as adesões à Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e interveio, em 1909, no Congresso do Partido Republicano.

Em Setúbal se lançou no empreendimento que a tornou nacionalmente conhecida e pô-la em contacto com crianças, jovens, educadores, homens de letras, jornalistas e políticos: a Coleção Para as Crianças, a primeira tentativa sistemática de criar uma Biblioteca Infantil Ilustrada de inspiração portuguesa destinada aos mais novos, mediante a publicação regular, às suas custas, de fascículos de histórias assentes, essencialmente, em contos tradicionais, histórias maravilhosas e fábulas, muitas das vezes adaptados, recriados ou traduzidos pela sua pena.

Também em Setúbal, evidenciou a consciência do atraso em que as mulheres viviam no início do século XX, sem direitos políticos, menorizadas pelo Código Civil, sujeitas à tutela dos pais e maridos, confinadas ao papel de esposas, mães, irmãs ou filhas e engrossando a taxa de analfabetismo, encaminhou a escritora para a reivindicação de direitos para o sexo feminino, tornando-a feminista: a feminista mais emblemática das duas primeiras décadas do século XX. 

A bandeira feminista ganhou raízes nos saraus literários de Setúbal e assumiu vários cambiantes, consoante o associativismo em que militava, já que por Ana de Castro Osório perpassaram vários feminismos, todos de natureza moderada, quer quanto às formas de luta, quer quanto à valorização dos papéis de mãe e de esposa nas tradicionais responsabilidades no lar e educação dos filhos.

Em 1905, publicou Às Mulheres Portuguesas, considerado por Regina Tavares da Silvao manifesto do movimento feminista português”; em 1907, fundou o Grupo Português de Estudos Feministas com a finalidade de difundir o feminismo e doutrinar as portuguesas através de uma biblioteca; nesse mesmo ano, iniciou-se na Maçonaria, na Loja Humanidade, adotando o nome simbólico de Leonor da Fonseca Pimentel (1752-1799); em 1908, impulsionou a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, com o objetivo prioritário de engrossar a propaganda republicana, combater a Monarquia, pugnar pela República e defender o regime nascido em 1910, sem descurar a formulação de exigências específicas para as mulheres.

Acusada de ser mais feminista do que republicana, lutou por uma República ao serviço das mulheres, e não o contrário: no entanto, foi o invólucro republicano da Liga que proporcionou a Ana de Castro Osório outra visibilidade ao intervir no debate sobre a natureza do regime, tendo sido transformada em símbolo das mulheres republicanas.

A implantação da República evidenciou uma Ana de Castro Osório em transição do feminismo republicano para o sufragista, centrado no voto restrito para as mulheres, o qual ganhou espaço através da Associação de Propaganda Feminista, fundada com Carolina Beatriz Ângelo em Maio de 1911 e que clamava pela outorga do voto feminino tendo por base a situação económica e cultural das mulheres. Conciliou a propagação do feminismo e a ação organizativa com a formulação pública das reivindicações feministas através de representações endossadas aos poderes políticos.

O desencadear da Guerra fez emergir a sua última fase feminista, a de feminista nacionalista, cuja prioridade era a defesa da intervenção do país ao lado dos Aliados e o apoio aos soldados mobilizados, o que será feito através da APF, da criação, em finais de 1914, da Comissão Feminina Pela Pátria e, a partir de Março de 1916, da Cruzada das Mulheres Portuguesas, criada com Elzira Dantas Machado e que teve implantação nacional. Embora se tratasse de uma iniciativa da esposa do Presidente da República e Presidente da APF, coube à escritora o papel fulcral e nela permaneceu até 1933, não mais voltando a destacar-se enquanto líder feminista.

De certa forma, a Cruzada representou a concretização do sonho de Ana de Castro Osório de liderar uma organização patriótica de implantação nacional, sendo que se este feminismo nacionalista serviu para valorizar a importância social e económica das mulheres em tempos de guerra, também contribuiu para menorizar o papel das feministas como grupo de pressão, esvaziando-as num contexto de unidade nacional em que a “Pátria” se sobrepunha a todas as reivindicações.

A nomeação, em 1911, de Paulino de Oliveira para Cônsul em S. Paulo proporcionou-lhe uma experiência inolvidável, apesar da doença que vitimou, em 13 de Março de 1914, o marido: partiu para o Brasil em finais de maio e os três anos que lá permaneceu reforçaram a convicção na possibilidade de constituir a Grande Aliança, cultural e económica, entre as duas nações, sonho retomado quando voltou, em 1922, para proferir uma série de conferências. 

Longe do país, cultivou proximidades e conservou a mesma capacidade de intervir e polemizar quando a República era denegrida pelos círculos da emigração monárquica, sem perder os contatos com a sua gente, amigos e correligionários.

Viúva aos 42 anos, assentou em Lisboa, no prédio da Rua do Arco do Limoeiro, onde viviam os pais e se passou a realizar as reuniões da APF e a funcionar a Casa Editora Para as Crianças, a Comissão Feminina Pela Pátria e a Redação e Administração de A Semeadora (1915-1918). Na capital, reatou, em 1915-16, o convívio com Camilo Pessanha.

Com a desilusão com o novo regime, por não se ver reconhecida pela República e pelo rumo que tomava, virou-lhe definitivamente as costas no final dos anos 10, a ruptura consumou-se no início da década de 20 e passou, então, a dedicar-se quase exclusivamente à escrita, centrada na defesa dos valores da Pátria, da Raça e das mulheres enquanto geradoras de filhos e educadoras, à Cruzada e à Liga dos Combatentes da Grande Guerra, recusando ser condecorada pelo regime que ajudara a fundar e aceitou sê-lo pela Ditadura Militar saída do 28 de Maio de 1926.

Durante quase quatro décadas, entre 1897 e 1935, Ana de Castro Osório revelou-se figura ímpar enquanto escritora, autora de livros escolares, editora, periodista, pedagoga, publicista, conferencista, republicana e líder de organizações femininas e feministas do início do século XX, sendo ainda uma cidadã interveniente e atenta, reconhecida pelos seus contemporâneos, com quem estabeleceu alargada rede de sociabilidades e manteve prolixa e continuada correspondência com centenas de figuras públicas de quadrantes políticos e ideológicos antagónicos, antes e depois da República.

Pertenceu à geração dos republicanos que lutaram contra a monarquia, fizeram a revolução e governaram, nos escassos anos que durou, a 1ª República, e conviveu e conspirou com os principais vultos femininos que pugnaram por direitos para as mulheres e influenciaram a longa caminhada da emancipação feminina. 

Não passou desapercebida sob a Monarquia, a República, a Ditadura Militar ou o Estado Novo, mas foi sempre a escrita que norteou a sua vida, repartindo-se pela literatura infantil, contos, novelas, romances, peças de teatro, traduções, seletas, escritos doutrinários, conferências, discursos e colaboração em muitas dezenas de periódicos – femininos, feministas, republicanos, literários, locais, regionais ou nacionais, de educação e instrução –, tribuna privilegiada onde assegurou seções, assinou editoriais, redigiu centenas de escritos e aspirou ser remunerada profissionalmente.

Depois da notoriedade de décadas, patente na adesão de uma plêiade invulgar de personalidades – republicanos, monárquicos, autoridades da ditadura, governantes salazaristas, advogados, diplomatas, engenheiros, ex-combatentes da Guerra de 1914-18, jornalistas, professores, médicos, sumidades das artes, das letras e da ciência, além de companheiras de percurso – e de pessoas de todas as classes sociais às suas cerimónias fúnebres, ocorridas entre 23 e 25 de março de 1935, Ana de Castro Osório caiu num duradouro silenciamento que tem vindo a ser quebrado pela historiografia contemporânea e pela memória das lutas pelos direitos das mulheres, recolocando-a no devido lugar que teve na sua época.

Pela força, justiça e perenidade de algumas das ideias por que se bateu, Ana de Castro Osório ficará sempre associada aos movimentos a favor da emancipação das mulheres – defendendo a sua educação e instrução, a independência económica, a igualdade de direitos, o ingresso em profissões, o sufrágio feminino restrito, a lei do divórcio, salário igual para emprego igual – e ao triunfo da República, estando perpetuada na aguarela, de 1911, de Alfredo Roque Gameiro: a mulher, apenas uma, em primeiro plano, entre 161 dirigentes republicanos.

Ana de Castro Osório acreditou no seu valor intelectual e impôs-se por si própria no espaço público predominantemente masculino. Triunfou pela fortíssima personalidade, perseverança e vontade de deixar obra que marcasse o seu tempo, rompendo a esfera do privado a que os homens tanto gostavam de acantonar o sexo feminino. 

O legado pioneiro merece readquirir visibilidade e novas reinterpretações, bem como a sua vida, uma vida tão intensa e invulgarmente vivida no Portugal conservador da transição do século XIX para o XX.

[https://mulheresescritoras.pt/index.php // O projeto Escritoras de língua portuguesa no tempo da Ditadura Militar e do Estado Novo em Portugal, África, Ásia e países de emigração resulta de uma parceria internacional, envolvendo o IELT, o CICS.NOVA/Faces de Eva, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, e o CRILUS/UR  Études Romanes, da Universidade Paris Nanterre.]

[2830.] RESISTÊNCIA NO FEMININO || AS MULHERES NAS PRISÕES DO ESTADO NOVO

 * RESISTÊNCIA NO FEMININO *

3ª SESSÃO || 30/06/2022 || 18.00 HORAS || FUNDAÇÃO MÁRIO SOARES E MARIA BARROSO

AS MULHERES NAS PRISÕES DO ESTADO NOVO


A terceira conferência do ciclo Resistência no Feminino, será no dia 30 de Junho pelas 18h, com o título "As Mulheres nas prisões do Estado Novo". Falar dos opositores ao regime do Estado Novo é falar também de mulheres. 

Na história da resistência contra a ditadura, elas estiveram presentes e a sua participação foi decisiva. Um número impressionante de mulheres passou pelas prisões políticas, sujeitas às piores sevícias cometidas pela polícia do regime fascista. 

Na memória das protagonistas ainda existentes, encontram-se ancoradas as histórias de sofrimento pessoal, que conferem um significado de valorização de identidade e de reafirmação do combate da oposição no feminino. 

Esta iniciativa procurará debater, na perspetiva histórica, o papel abnegado das mulheres que combateram a ditadura fascista e a brutalidade dos métodos físicos e morais de que foram vítimas nas prisões políticas, perpetrada pela polícia do regime.  

Intervenções 

Luís Farinha - Professor convidado da Faculdade de Letras de Lisboa (1989-1991); Doutorado em História Política e Institucional do século XX pela NOVA FCSH; Diretor-adjunto da Revista História (2002-2007); Investigador do Instituto de História Contemporânea (IHC NOVA FCSH); Diretor do Museu do Aljube – Resistência e Liberdade (2015-2020)

Vítor Dias – Jornalista, colaborador em diversos jornais (Semanário, O Diário, Avante!, O Militante)

Marianela Valverde – Doutoranda de História Contemporânea na NOVA FCSH, investigadora de HTC – História, Territórios e Comunidades – CFE NOVA FCSH.

Moderação

Maria Fernanda Rollo – Historiadora, HTC – História, Territórios e Comunidades – CFE, NOVA FCSH e Fundação Mário Soares e Maria Barroso.

Testemunhos 

Apolónia Teixeira – Socióloga. Com processo com a PIDE como estudante (1970-1971), esteve presa em Caxias em abril de 1974.

Aurora Rodrigues – Magistrada jubilada do Ministério Público em Évora. Enquanto militante do MRPP, esteve presa em Caxias em duas ocasiões distintas: presa pela PIDE, em Maio de 1973, e encarcerada pelo COPCON, em Maio de 1975.

Bárbara Judas – Ativista política. Como membro do Partido Comunista Português, esteve presa em Caxias em 1972.

Conceição Matos – Ativista política, revolucionária, comunista e antifascista. Tornou-se funcionária do Partido Comunista Português em 1963. Foi presa duas vezes pelo regime do Estado Novo, em 1965 e em 1968.

Graça Erika Rodrigues – Arquiteta e ativista política. Foi presa pela primeira vez em 1962 e novamente em 1965, tendo permanecido na prisão de Caxias por seis meses.

Helena Neves – Jornalista, escritora, investigadora e docente universitária. Deputada pelo Bloco de Esquerda entre 2001 e 2002. Como ativista política e membro do Partido Comunista Português, foi presa por três vezes pelo regime do Estado Novo, em 1968, 1973 e 1974.