[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

terça-feira, 26 de março de 2024

[3373.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCLVIII

* PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCLVIII * 

01525. Jaime Ferreira [1933, 1937]       

[Jaime Ferreira || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904_m0008]

[Lisboa, 28/08/1907. Compositor. Filiação: Rosa Augusta Ferreira, Francisco Ferreira. Casado. Residência: Rua 2 - Lisboa / Rua Pinto Ferreira - Junqueira. Preso em 1933, tendo sido transferido para o Aljube em 13 ou 14/10/1933. Preso em 02/05/1937, «para averiguações», e levado, incomunicável, para uma esquadra. Transferido, em 11/05/1937, para a 1.ª esquadra, entrou, no dia seguinte, no Aljube e, em 05/06/1937, foi enviado para o Campo de Concentração do Tarrafal. Regressou em 20/02/1945. Conduzido para  Caxias, seria julgado pelo Tribunal Militar Especial em 06/03/1945 e condenado em três anos de prisão correcional, dada por expiada, e perda dos direitos políticos por cinco anos. Libertado em 07/03/1945.]

01526. João Ventura Ludovice [1933]

[Transferido para o Forte de S. Julião da Barra em 13 ou 14/10/1933.]

01527. Raul dos Santos Salgado [1933]

[Enviado à Seção Política e Social em 16/10/1933.]

01528. José Rodrigues Simões [1933, 1933]

[Candosa - Oliveira do Hospital, c. 1886. Descarregador. Filiação: Maria de Almeida, João Rodrigues Simões. Solteiro. Residência: Rua da Fábrica da Pólvora, 58 - Lisboa. Entregue pela PSP de Lisboa em 03/04/1933, por «proferir gritos subversivos na via pública, tais como "Vivas à Rússia e ao Comunismo"» [Processo 651]. Libertado em 08/04/1933. Entregue pela PSP de Lisboa em 02/10/1933, «por andar aos vivas ao Comunismo e à Rússia e aos morras à Ditadura» [Processo 803]. Libertado da 1.ª esquadra em 16/10/1933.]

01529. João Carlos Maia [1931]

[(Ex-) 1.º Sargento do Batalhão de Aerosteiros. Preso aquando da revolta de 26 de agosto de 1933: deportado para Timor em 02/09/1933, embarcou no navio "Pedro Gomes" e esteve internado no Campo de Concentração de Ataúro. Abrangido pela amnistia de 05/12/1932, foi autorizado o seu regresso por despacho do ministro do Interior datado de 17/06/1933. Terá regressado via Macau e apresentou-se em 16/10/1933, declarando ir residir na Costa do Castelo, 49.]

NOTA: Agradece-se a Maria João Dias a partilha de informações complementares.]

01530. Martinho Martins [1931]

[Porto, c. 1907. Sapateiro. Filiação: Virgília Martins dos Reis, Agostinho Inácio Ramos. Solteiro. Residência: Calçada dos Mestres, 68 - Lisboa. Preso no Parque Eduardo VII por soldados do Exército, por ter tomado parte na revolta de 26/08/1931 e estar armado. Levado para a Cadeia Nacional, seria deportado para Timor em 02/09/1931, de onde se evadiu para Macau. Por ter sido abrangido pela amnistia de 05/12/1932, foi mandado regressar por informação do Ministério do Interior de 09/03/1933. Não desembarcou em 09/06/1933, quando atracou o vapor "Moçambique", continuando em Macau. Apresentou-se em 16/10/1933, declarando ir residir para a Rua de Campolide, 86 - Lisboa.]

01531. Sebastião Anastácio Júnior [1931]

[Castro Marim, c. 1890. Caixeiro-viajante. Filiação: Matilde da Conceição, Sebastião Anastácio. Casado. Calçada da Ladeira, 4 - Lisboa. Entregue pela PSP de Santarém em 20/05/1931, acusado de ter auxiliado no levantamento das linhas do caminho-de-ferro e corte das comunicações telefónicas e telegráficas junto do Túnel de Albergaria na noite de 1 para 2 de Maio, colaborando com Artur de Oliveira Santos e Manuel Rodrigues Antunes [Processo 5001]. Deportado para Timor em 27/06/1931, de onde se evadiu para Macau. Por ter sido abrangido pela amnistia de 05/12/1932, foi mandado regressar por informação do Ministério do Interior de 09/03/1933. Não desembarcou em 09/06/1933, quando atracou o vapor "Moçambique", continuando em Macau. Apresentou-se em 16/10/1933, declarando ir residir para a Calçada da Ladeira.]

01532. António Marques Mendes [1933]

[Arganil, c. 1905. Empregado de comércio. Filiação: Maria da Piedade, Joaquim Marques Mendes. Solteiro. Rua da Bica Duarte Belo, 40 - Lisboa. Preso em 18/10/1933 pelo capitão Pessoa de Amorim, subdiretor da Polícia, «por lhe ter dito algumas frases provocadoras» [Processo 808]. Transferido da 4.ª esquadra para os calabouços do Governo Civil em 19/10/1933. Entregue à PSP de Lisboa em 27/10/1933.]
[alterado em 28/03/2024]

[João Esteves]

segunda-feira, 25 de março de 2024

[3372.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCLVII

 * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCLVII *

01520. José Augusto Julião [1933]

[Figueira da Foz, c. 1906. Carpinteiro. Filiação: Maria Clara da Silva, António Ascenso Julião. Casado. Residência: Lavos - Castelo, Figueira da Foz. Entregue pela PSP de Leiria em 12/09/1933, por ser detentor de arma proibida [Processo 786]. Transferido para o Aljube em 13 ou 14/10/1933. Julgado pelo TME em 25/11/1933, foi condenado a 76 dias de prisão correcional, dada por expiada com a já sofrida. Libertado nessa data por ordem do TME.]

01521. José Dias Salgueiro [1933]

[Corte Pinto - Mértola, 1892 ou 1902. Trabalhador / Mineiro. Filiação: Gabriela Maria, José Dias. Casado. Residência: Rua D. Olívia, 24 - Mina de S. Domingos. Preso em 25/05/1933, acusado de, juntamente com Valentim Adolfo João, «haver fabricado bombas de dinamite, com rastilho», de «ter tomado parte nos atentados dinamitistas ocorridos na Mina de S. Domingos durante a greve levada a efeito pelos mineiros» nos últimos meses de 1932 e de ser detentor de cartuchos de dinamite e de metros de rastilho [Processo 708], o que não se provou. Transitou, em 13 ou 14/10/1933, para o Aljube. Julgado pelo TME em 09/06/1934, terá sido condenado apenas a uma multa. Talvez por não a ter pago, só foi libertado em 05/06/1935.]

01522. Paulo Luís de Carvalho [1933]

[Alenquer, c. 1898. Trabalhador rural. Filiação: Catarina da Conceição, Paulo Luís de Carvalho. Casado. Enviado pelo TME em 14/08/1933, por ser detentor de uma pistola de calibre proibido [Processo 768-A]. Transitou para o Aljube em 13 ou 14/10/1933. Julgado em 02/12/1933, foi condenado a 15 dias de prisão correcional e a uma multa, convertida em tempo de prisão se não fosse paga. Libertado nesse mesmo dia, atendendo à prisão já sofrida.]
[alterado em 17/05/2024]

01523. Vítor Avelar [1933]

[Preso em 1933, entrou no Aljube em 13 ou 14/10/1933.]

01524. António Mendes [1932, 1933, 1936, 1937, 1938]

[António Mendes || ANTT || RGP/2802 || PT-TT-PIDE-E-010-15-2802_m0017]

[Vila Real de Santo António, 09/09/1909 ou 10/12/1910. Sapateiro. Filiação: Maria das Dores, Eugénio Mendes. Solteiro. Residência: Rua Infante D. Henrique - 21 - Vila Real de Santo António. Detido sucessivamente na década de 1930, sempre em Vila Real de Santo António, passando vários anos nas diversas prisões. Preso em 29/07/1932, na sequência de uma denúncia do Cônsul Geral dos Estados Unidos da América, em Lisboa, por lhe ter dirigido uma carta «protestando contra a eletrocussão de oito jovens negros que aquele governo pretendia executar», tendo sido encontrados na sua residência «bastantes panfletos e correspondência comunista» [Processo 461-A]. Libertado em 12/12/1932, por ter sido abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro [Decreto 21.943]. Entregue pelo Comando da PSP de Faro em 16/08/1933, por pertencer ao Partido Comunista Português. A ordem da sua detenção partiu de Lisboa, por ser um dos elementos de ligação a Francisco de Paula Oliveira aquando da  reorganização daquele Partido e das Juventudes Comunistas na sua terra natal, tendo o contacto sido estabelecido via Manuel Venceslau Leiria. Do trabalho partidário de Francisco de Paula Oliveira no Algarve resultou a criação de Comités Locais, ficando António Mendes responsável pela Comissão Sindical. Teria, ainda, estabelecido a ligação do marinheiro Artur Alves ao espanhol Bruno Alfonso Calvo, residente em Ayamonte [Processo 799]. Transferido para o Aljube em 13 ou 14/10/1933. Julgado pelo Tribunal Militar Especial em 24/10/1934, foi condenado a 480 dias de prisão correcional e perda de direitos políticos por cinco anos [Processo 88/933, do TME]; libertado  em 11/12/1934, por haver cumprido a pena. Acusado de comunista, foi preso, pela terceira vez, em 21/03/1936. Mantido numa esquadra da PSP de Vila Real de Santo António, saiu em liberdade em 09/04/1936 [Processo 288/36]. Novamente detido pelo Posto daquela localidade em 17/03/1937, acusado de continuar a manter, juntamente com Gilberto António Rodrigues, militância comunista clandestina e contatos com os opositores à Ditadura, sendo libertado em 12/05/1937 [Processo 366/37]. No ano seguinte, em 19/03/1938, seria detido pela quinta vez em seis anos, só saindo em liberdade quatro anos depois, em 22/03/1942. Julgado pelo Tribunal Militar Especial em 30/11/1938 e condenado a quatro anos e perda de direitos políticos por cinco anos, passando por inúmeras esquadras, Aljube, Caxias e Peniche, onde se encontrava aquando da libertação [Processo 122/38].]

[João Esteves]

[3371.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCLVI

 * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCLVI *

01519. Fernando Quirino [1933]

[Fernando Quirino || ANTT || RGP/62 || PT-TT-PIDE-E-010-1-62]

[Lisboa, c. 1911. Serralheiro mecânico / estudante. Filiação: Maria Quirino, António dos Reis Quirino. Solteiro. Residência: Rua Domingos Tendeiro, 18 - Lisboa / Rua do Prior, 3 - Lisboa. Encontrava-se, em maio de 1933, fugido à Polícia e estava referenciado como integrando as direções do Partido Comunista e das Juventudes Comunistas, sendo considerado «um elemento de grande atividade» e com «graves responsabilidades» [Processo 713]. Preso em 09/07/1933, quando participava numa reunião clandestina no Sindicato dos Compositores Tipográficos, confirmou que pertencia às Juventudes Comunistas desde novembro de 1929, data da sua fundação, iniciado por Bernard Freund, integrando, então, a Comissão de Organização e, simultaneamente, a Célula N.º 1, composta por jovens operários do Arsenal da Marinha, onde trabalhava. No 1.º de Maio de 1931 já fazia parte do Secretariado do Comité Central das Juventudes Comunistas e, em agosto, partiu para Moscovo em representação destas, via Paris, onde chegou no dia 22 e apresentou-se na Repartição Latina da Internacional Comunista dos Jovens. Aí frequentou a Escola Leninista, sendo o seu primeiro aluno português, permaneceu dezassete meses, executou diversas tarefas, redigiu relatórios, assistiu a reuniões, nomeadamente da Internacional Comunista (VII Pleno da ISV e XII Pleno da IC) e manteve contatos estreitos com José de Sousa e Manuel Augusto da Rosa Alpedrinha, representantes do Partido Comunista. Terá regressado em novembro de 1932, entrou em contacto com Francisco de Paula Oliveira e assumiu o cargo de Secretário do Comité Central da Federação das Juventudes Comunistas, integrou, simultaneamente, o Secretariado Político do Partido Comunista e desenvolveu intensa atividade partidária, sindical e antifascista. No âmbito da sua militância, manteve ligação com alguns dos principais intervenientes das organizações comunistas da época, entre os quais constavam, para  além dos já referidos: Abraão Rodrigues Coimbra, Afonso Martins da Silva, Alfredo Caldeira, António da Piedade Cipriano, António Dias, João Oliveira Vidal, Júlio Vítor Ferreira, Pedro Batista da Rocha, Raul Rodrigues Lage, Virgínio de Jesus Luís e Vítor Hugo Velez Grilo. Passou, em 13 ou 14/10/1933, para o Aljube. Transferido, em 19/11/1933, do Aljube para Peniche, onde embarcou, por ordem do Governo, para a Fortaleza de São João Batista, em Angra do Heroísmo. Julgado pelo Tribunal Militar Especial, Seção dos Açores, em 20/08/1934, foi condenado a 690 dias de prisão correcional, faltando-lhe, então, cumprir 224. Mandado restituir à liberdade pelo TME em 25/07/1935, por ter terminado a pena, continuou preso à disposição da PVDE, por «se tratar de um elemento bastante perigoso», decisão confirmada pelo ministro do Interior. Deportado, em 23 de outubro de 1936, para o Tarrafal, aí permaneceu mais de nove anos e onde, devido a divergências com os camaradas de Partido, integrou o Grupo dos Comunistas Afastados. Abrangido pela amnistia estabelecida pelo Decreto-Lei n.º 35.041, de 18 de Outubro de 1945, foi libertado em 12/01/1946 e regressou a Lisboa, no vapor “Guiné”, em 1 de fevereiro.] 

[Fernando Quirino || 07/07/1935 || ANTT || PT-TT-MI-GM-4-14-511_m0008]

[Fernando Quirino || 10/07/1935 || ANTT || PT-TT-MI-GM-4-14-511_m0007]

[Fernando Quirino || 03/08/1935 || ANTT || PT-TT-MI-GM-4-14-511_m0006]

[Fernando Quirino || 07/08/1935 || ANTT || PT-TT-MI-GM-4-14-511_m0005]

[Fernando Quirino || 08/08/1935 || ANTT || PT-TT-MI-GM-4-14-511_m0004]

[Fernando Quirino || 09/08/1935 || ANTT || PT-TT-MI-GM-4-14-511_m0003]

[Fernando Quirino || 09/09/1935 || ANTT || PT-TT-MI-GM-4-14-511_m0002]

[Fernando Quirino || 16/09/1935 || ANTT || PT-TT-MI-GM-4-14-511_m0001]

[João Esteves]

[3370.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCLV

* PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCLV * 

01514. Eduardo de Assunção Monteiro [1933, 1935, 1936]

[Eduardo de Assunção Monteiro || F. 25/05/1935 (Porto) || ANTT || RGP/1103 || PT-TT-PIDE-E-010-6-1103_m0211]

[Lisboa, 03/11/1904. Médico veterinário - Inspetor Municipal da Sociedade Pecuária. Filiação: Maria Rosa Monteiro, António Augusto Monteiro. Solteiro. Residência: Fundão / Rua Particular de Monsanto, 19 - Porto. Preso no Fundão e entregue pela Administração do Concelho à PVDE em 22/08/1933, «acusado de fazer propaganda e incitamento à indisciplina social» [Processo 773]. Transferido de cárcere em 11 ou 12/10/1933, provavelmente para o Forte de S. Julião da Barra. Em 19/11/1933, embarcou em Peniche com destino a Angra do Heroísmo. Julgado pelo TME/Açores em 25/08/1934, foi absolvido por unanimidade quanto aos factos ocorridos após 05/12/1932 [Processo 75 - TME]. No entanto, seguiu, em 05/11/1934, de Angra para Ponta Delgada, onde ficou com residência obrigatória. Requereu, em 08/11/1934, para ir viver, com a família, para o Porto. Regressou e apresentou-se em 24/12/1934 na PVDE, saindo em liberdade. Requereu ao ministro do Interior, em 17/01/1935, o regresso ao Fundão, onde exercia o cargo de Inspetor Municipal da Sociedade Pecuária. Preso em 23/05/1935, «por estar  envolvido em manejos revolucionários» e levado para o Aljube do Porto, foi libertado em 27/06/1935. Preso pela Delegação do Porto da PVDE em 17/04/1936, «para averiguações»; libertado em 02/05/1936. Partiu para Espanha, onde combateu na frente de Madrid, ao lado dos republicanos. Com a derrota destes, exilou-se em França, onde terá integrado a Resistência.]

01515. Manuel Nunes da Silva [1933]

[Preso em 1933 pelo Comando da PSP de Santarém, por estar associado ao grupo envolvido no processo de fabrico e transporte de bombas na região, abrangendo António Marques, Augusto Porfírio Fragoso, Francisco dos Santos Violante e Joaquim Martinho do Rosário [Processo 746]. Sofreu transferência de cárcere em 11 ou 12/10/1933, indo, provavelmente, para o Forte de S. Julião da Barra.]

01516. Fernando Carvalho da Cruz [1933, 1934]

[Fernando Carvalho da Cruz || ANTT || RGP/322 || PT-TT-PIDE-E-010-2-322]

[Monte Pedral, Lisboa, talvez em 1913. Estudante. Filiação: Virgínia Carvalho da Cruz, Francisco Alberto Martins da Cruz. Solteiro. Residência: Rua do Paraíso, 88 - Lisboa. Terá sido preso pela primeira vez em 1933, tendo sido transferido de cárcere em 11 ou 12/10/1933, provavelmente para o Forte de S. Julião da Barra.  Preso em 14/11/1934, por estar filiado nas Juventudes Comunistas Portuguesas e, em 14/11/1934, passou da 1.ª esquadra para o Aljube. Julgado pelo Tribunal Militar Especial em 20/03/1935, seria condenado em quatro anos de prisão correcional. Transferido, em 05/04/1935, para Peniche, foi deportado, em 08/06/1935, para a Fortaleza de S. João Batista, em Angra do Heroísmo  e, em 23/10/1936, seguiu para o Campo de Concentração do Tarrafal. Embora tenha terminado o cumprimento da pena em 5 de setembro de 1938, continuou em prisão preventiva. Incluído no indulto de Natal de 1939, recusou-se a assinar o termo de responsabilidade que lhe foi apresentado e continuou encarcerado: «Por informação do Diretor da C. P. é considerado como elemento extremista sem a menor tendência de regeneração». Por ter sido amnistiado, regressou do Tarrafal em 15 de julho de 1940 e saiu em liberdade. Ter-se-á fixado em Moçambique, onde casou com a cabo-verdiana Alda Benedita Duque Levy. Faleceu em 1974.]

01517. Francisco da Silva [1933, 1933]

[Almeirim, c. 1877. Empregado comercial. Filiação: Maria Monteiro, José da Silva. Solteiro. Residência: Rua Francisco Nunes Godinho - Santarém. Preso e entregue pela PSP de Santarém em 30/05/1933, «por estar envolvido em manejos revolucionários» e colaborar com Custódio Dias na entrega de produtos para preparação de bombas [Processo 746]. Saiu em liberdade condicional em 19/07/1933. Preso em 21/08/1933, «por ordem superior». Transferido para o Aljube em 13 ou 14/10/1933. Libertado em 18/04/1934, por ter cumprido a pena de prisão correcional imposta pelo TME.]

01518. Francisco Simões [1933]

[Tábua, c. 1892. Revisor de material da CP. Filiação: Maria Fernandes Gouveia, Adelino Augusto Simões. Casado. Residência: Rua 5 de Outubro, 21 - Alhos Vedros. Preso e entregue pela PSP de Faro em 16/08/1933, por ser «um dos principais elementos da Organização Comunista de Faro, o mais ativo mesmo». Mantinha contatos com Alberto Carlos Braga Júnior, Artur Alves (marinheiro), João Correia Gaspar e Manuel Joaquim Vaz [Processo 799]. Transferido, em 13 ou 14/10/1933, para o Aljube. Julgado pelo TME em 24/10/1933, foi absolvido e libertado [Processo 88/933 - TME].]

[João Esteves]

domingo, 24 de março de 2024

[3369.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCLIV

* PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCLIV * 

01510. Adolfo Correia da Fonseca [1933]

[Adolfo Correia da Fonseca.
Médico. Preso em 09/03/1933. Transferido de cárcere em 11 ou 12/10/1933. Julgado pelo TME de 18/05/1934.]
[alterado em 12/04/2025]

01511. João Lopes Soares [1930, 1933, 1933, 1947]

[João Lopes Soares || F. 02/06/1947 || ANTT || RGP/17611 || PT-TT-PIDE-E-010-89-17611_m0021]

[Lugar das Cabeças - Leiria, 17/11/1878. Capitão capelão / professor. Filiação: Cristina de Jesus Lopes, Simão Pires Soares. Solteiro / Casado. Residência: Rua Gomes Freire, 163 - Lisboa / Estrada de Malpique, 19 - Lisboa. Frequentou o Liceu de Leiria, passou para o Seminário de Coimbra e formou-se em Teologia na Universidade de Coimbra em dezembro de 1900, iniciando a sua carreira eclesiástica. Tornou-se capelão militar e passou por diversos regimentos de várias localidades. Após a implantação da República, iniciou-se na Maçonaria, foi nomeado professor do Instituto Profissional dos Pupilos do Exército, exerceu diversas funções políticas, nomeadamente a de Governador Civil da Guarda, de Braga e de Santarém, foi várias vezes eleito deputado (1915, 1919, 1922, 1925) e desempenhou o cargo de ministro das Colónias no ministério de Domingos Pereira (1919). Exilou-se em Espanha durante o período sidonista (1917). A partir de 1926, teve papel destacado na oposição republicana à Ditadura. Vigiado pela Polícia Internacional Portuguesa, estava referenciado como tendo vários contatos com opositores à Ditadura, sendo solicitado que lhe fosse fixada residência fora do Continente. Em Agosto de 1930, por estar implicado no movimento revolucionário que deveria ter eclodido em Julho, foi-lhe fixada residência nos Açores, embarcando em 08/08/1930: terá conseguido fugir já que não chegou ao destino. Continuou a ser vigiado em 1931 e 1932, sendo reportados os seus contatos, encontros e entrevistas em diversos locais e moradas. Preso em 21/02/1933, por «andar fugido» e «estar envolvido em manejos revolucionários». Enviado, em 24/02/1933, à Delegação do Porto para ser ouvido em auto [Processo 621]. Regressou a Lisboa em 05/04/1933 e, em 04/05/1933, saiu em liberdade condicional. Recapturado em 21/08/1933, «por ordem superior». Terá sido enviado, em 11 ou 12/10/1933, para o Forte de S. Julião da Barra e dai seguiu, em 19/11/1933, para Angra do Heroísmo. Regressou em 08/05/1934 e seguiu para o Aljube. Julgado pelo TME em 18/05/1934, foi restituído à liberdade no dia seguinte, por se considerar expiada a pena com a prisão preventiva sofrida. Preso em 02/06/1947, «para averiguações», e levado para o Aljube. Julgado pelo Tribunal Militar Territorial de Lisboa em 15/06/1948, foi condenado a um ano de prisão, dada por expiada, e libertado nesse dia. Reconhecido pedagogo, fundou, em 1936, o Colégio Moderno. Faleceu em 31/07/1970, em Lisboa.]    

[João Lopes Soares || ANTT || PT-TT-MI-GM-4-14-295]

01512. José Joaquim Mendes [1933]

[Mogadouro, 1876. Comerciante. Filiação: Alexandrina Augusta. Casado. Residência: Rua Bartolomeu da Costa, 37 - Lisboa. Preso em 05/05/1933, «por estar envolvido em manejos revolucionários»: consentiu que na sua residência se realizasse uma reunião onde estiveram presentes, entre outros, o ex-capitão Cesar de Almeida, Manuel Jacinto, João Lopes Soares e Roque Laia. Também manteve contatos com Manuel Alpedrinha quando esteve regressou clandestinamente de Espanha. Saiu em liberdade condicional em 23/05/1933. Preso em 21/08/1933, a pedido do TME. Julgado em 18/05/1934, foi condenado a 12 meses de prisão correcional, dada por expiada com a já sofrida. Libertado em 18/05/1934.]

01513. Manuel Jacinto [1930, 1933]

[Manuel Jacinto || ANTT || RGP/158 || PT-TT-PIDE-E-010-1-158]

[Chamusca, 08/03/1898. Guarda-livros. Filiação: Maria Joaquina, José Jacinto. Casado. Residência: Rossio de Abrantes / Rua Avelar Machado. Preso pela Polícia de Informações de Santarém e entregue em 23/06/1930, «por suspeita de estar implicado no movimento revolucionário em preparação», constando o seu nome na «lista apreendida ao Dr. Luiz de Figueiredo». Libertado em 28/07/1930. Preso e entregue pela Administração do Concelho de Abrantes em 07/03/1933, «por estar envolvido na organização conspiratória», «fazendo parte de um forte núcleo que, ligados uns aos outros, vinham, desde há tempo, conspirando contra a atual Situação Política do País». Com ligações estreitas com o ex-tenente Alberto Alexandrino e o ex-capitão Nuno Cruz, relacionou-se, entre outros, com: Adolfo Correia da Fonseca, Artur Guilherme Rodrigues Cohen (engenheiro), Carlos Filipe Rodrigues Consiglieri (ferroviário, Marvila), ex-capitão Cesar de Almeida, sargento Chambel,  sargento Francisco Horta Catarino, Jacinto Rodrigues da Silva, João Antunes (ferroviário), João José Luís Damas (médico, Abrantes), João Lopes Soares, Joaquim Godinho, Joaquim Rodrigues Sequeira, José Joaquim Mendes, Manuel Alpedrinha, Manuel de Oliveira Lúcio (Tramagal), Manuel Francisco Pires, Manuel Vieira Tomé (ferroviário), Raul Jorge Wheelhouse (médico), Roque Laia, coronel Velez Caroço e Zeferino Alves Esteves [Processo 720]. Levado para o Aljube, foi julgado pelo TME em 01/07/1933: condenado a dois anos de degredo, devido a ter à sua guarda uma metralhadora, ficando, depois, à disposição do governo [Processo 37/933 - TME]. Transferido, em 11 ou 12/10/1933, para outro cárcere, provavelmente para S. Julião da Barra. Submetido a novo julgamento em 18/05/1934, no âmbito de outro processo [Processo 720], onde era acusado de «ser detentor, para fins revolucionários, de material explosivo destinado a fabrico de bombas»: condenado a dois anos de prisão correcional. Deportado, em 23/09/1934, para Angra do Heroísmo, embarcando no vapor "Carvalho Araújo". Concluiu a pena de degredo em 02/07/1935 e iniciou o cumprimento da pena de prisão correcional. Em 10/08/1935, o TME considerou que, concluído o cumprimento da pena, não devia ficar à disposição do Governo e, caso a PVDE assim o entenda, a prisão correcional podia ser cumprida no Continente. A PVDE considerou que, «enquanto não haja presídio mais distante, julga indispensável mantê-lo em Angra do Heroísmo, visto tratar-se de um elemento perigoso». Requereu, em 13/09/1935, para cumprir o resto da pena no Continente, devido ao seu estado de saúde, pretensão negada pela SPS da PVDE «por ser um elemento perigoso». Requereu, em 26/06/1936, para ser amnistiado. A pena de prisão correcional terminou em 07/03/1937 e o TME comunicou, em 12/03/1937, que Manuel Jacinto já tinha pago a multa a que fora condenado, «devendo por isso ser posto em liberdade, se por outro motivo não tiver de continuar preso». Não foi libertado, por ser «indispensável à Ordem Pública manter a prisão do epigrafado em Angra do Heroísmo ou Cabo Verde». Por ter sido indultado, foi ordenada a sua libertação em 23/12/1938. Desembarcou em 06/01/1939. Faleceu em 02/07/1942, com apenas 44 anos.]

[João Esteves]

sábado, 23 de março de 2024

[3368.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCLIII

 * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCLIII *

01508. João César Vieira Júnior [1933, 1936, 1940]

[João César Vieira Júnior || ANTT || RGP/87 || PT-TT-PIDE-E-010-1-87_P2_m0180b]

[Preso por três vezes (1933, 1936, 1940) e deportado por duas vezes para Angra do Heroísmo (1933, 1936). Ativista da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas, foi preso pela primeira vez em 28/03/1933 e enviado para a Fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo. Novamente preso em 1936, passou pelo Aljube, Peniche e Caxias, sendo novamente deportado para os Açores. Preso pela terceira vez em 11/06/1940.

Lisboa, 20/07/1915. Empregado de escritório / Comércio. Filiação: Margarida Adelaide Vieira, João César Vieira. Filiado nas Juventudes Comunistas, onde teria o N.º 123-A, foi preso pela primeira vez em 28/03/1933, «sob a acusação de estar envolvido em manejos comunistas»: integraria a Célula 12-A, controlada por Afonso Martins da Silva, também ele empregado do comércio, e representava aquela no Subcomité de Zona N.º 1. Para além de distribuir manifestos, proceder à venda de jornais clandestinos e preparar «um simpatizante comunista», foi considerado pela PVDE como «bastante ativo e consciente», «apesar de ser um elemento ainda um pouco novo» [Processo 713]. Transferido de cárcere em 11 ou 12/10/1933. Por ordem do Governo, foi deportado para Angra do Heroísmo em 19/11/1933, integrando a leva de 143 presos políticos que embarcou no vapor "Cuanza", fundeado a cerca de 500 metros da praia sul de Peniche. Dessa leva consta Afonso Martins da Silva. Julgado em 25/08/1934 pela Secção dos Açores do Tribunal Militar Especial, considerou-se que parte das suas atividades políticas estavam abrangidas pela amnistia de 05/12/1932, sendo punido ao abrigo do Decreto 23.203, de 06/11/1933 [Processo 58/933 - TME]. Regressou de Angra do Heroísmo em 09/11/1934 e continuou a residir em Lisboa, na Rua D. Dinis, 18  1.º. Preso em 04/03/1936, por atividades comunistas. Levado para uma esquadra, foi transferido para o Aljube em 24/04/1936, seguiu, dois dias depois, para Peniche e, em 14/10/1936, entrou na Fortaleza de Caxias - Reduto Norte. Deportado para Angra do Heroísmo, embarcou em 17/10/1936 e foi julgado pelo Tribunal Militar Especial em 29/05/1937, sendo condenado a dois anos de prisão correcional [Processo 625/936]. Apesar de ter cumprido a pena imposta pelo TME, foi mantido em prisão preventiva por decisão da SPS/PVDE, datada de 21/03/1938, regressando dos Açores em Agosto de 1938 e libertado no dia 08/08/1938. Preso em 11/06/1940, por mandado de captura do 8.º Juízo Criminal de Lisboa [Processo 880/940], e recolheu à 1.ª esquadra.]

[João César Vieira Júnior || Fotografia de 12/06/1940 || ANTT || RGP/87 || PT-TT-PIDE-E-010-1-87_P2_m0180]

01509. Raul Jorge Wheelhouse [1933]

[São João das Areias - Concelho de Santa Comba Dão, 02/11/1901. Médico. Filiação: Maria Vieira dos Santos Wheelhouse, Jorge Wheelhouse. Licenciou-se em 1924 pela Faculdade de Medicina de Lisboa, exerceu clínica no Sardoal e, em 1933, estava no Entroncamento, onde seria preso, acusado de pertencer a uma rede conspiratória no Ribatejo. Julgado pelo TME em 01/07/1933, foi condenado a dois anos de degredo. Transferido, em 11 ou 12/10/1933 de cárcere, integrou o numeroso grupo de presos que, em 19/11/1933, foi deportado para Angra do Heroísmo. Libertado em 03/07/1935. Manteve atividade clandestina na maçonaria, a que pertencia desde 1931, foi presidente do Partido Socialista Português - Secção Portuguesa da Internacional Operária (PSP-SPIO), aquando da sua reorganização na década de 40, integrou o MUD (Movimento de Unidade Democrática) e participou nas eleições presidenciais de Norton de Matos (1949) e de Humberto Delgado (1958).]
[alterado em 06/05/2024]



[ANTT || PT-TT-MI-GM-4-14-481]

[João Esteves]

[3367.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCLII

* PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCLII * 

01501. José Maria de Almeida [1929, 1931,1933, 1936]

["O Almeida Eletricista". Pampilhosa da Serra, c. 1890. Comerciante. Filiação: Maria dos Santos, António Maria de Almeida. Casado / divorciado. Residência: Calçada de Santo André, 105 - Lisboa / R. Cesário Verde, 24 - Lisboa. Vigiado entre dezembro de 1928 e junho de 1929, foi detido em 12/06/1929, «por ser bombista» e deportado para S. Tomé em 01/12/1929 [Processo 4338]. Evadiu-se, mas foi capturado em 24/04/1931 quando estava a bordo do vapor "Moçambique". Ficou a aguardar transporte para Cabo Verde, acabando por ser deportado para Timor em 27/06/1931. Por despacho do ministro do Interior, de 21/10/1932, foi autorizado a regressar. No entanto, já teria fugido de Timor em julho de 1932, refugiando-se em Madrid. Entrou clandestinamente em Portugal, auxiliado pelo ex-tenente-coronel médico Monteiro Filipe e pelo ex-tenente Francisco de Oliveira Pio. Preso em 10/10/1933 pela SPS [Processo 816], seria transferido, em 01/11/1933, da 27.ª esquadra para o Aljube e, depois, levado para Peniche, de onde embarcou para Angra do Heroísmo em 19/11/1933. Requereu, em 24/09/1933, para regressar à Metrópole ou ser transferido para Lourenço Marques, sem acarretar despesa à Fazenda Nacional, o que foi autorizado pelo ministro do Interior por despacho de 26/11/1934. Embarcou, em 04/01/1935, no vapor "Carvalho Araújo", desembarcou em 09/01/1935, apresentou-se na PVDE e foi levado para o Aljube, onde ficou a aguardar a saída para Moçambique. Libertado em 15/02/1935. Preso pela SPS da PVDE em 25/11/1936, «para averiguações», recolheu à 1.ª esquadra; libertado em 03/12/1936.]
[alterado em 07/04/2024]

01502. Joaquim Martinho do Rosário [1927, 1933]

[Joaquim Martinho do Rosário || 1928 || Pormenor de fotografia tirada durante a sua deportação em Moçâmedes e reproduzida no livro Bernardo Santareno - Da nascente até ao mar, de José Miguel Noras (Âncora editores, 2020)]

[Espinheiro, Santarém, 1897. Comerciante. Filiação: Maria do Rosário (1867-1947), António dos Santos Martinho (1868-1948). Casado. Republicano anticlerical, conhecido por "Joaquim das Bombas" por estar associado à preparação de engenhos explosivos durante os primeiros anos da Ditadura Militar, foi deportado para Moçâmedes, Angola, em 1927. Regressou do degredo em meados de 1929 e retomou a luta contra a Ditadura, integrando o alargado grupo grupo conspiratório de Santarém. Preso em 13/03/1933, acusado de envolvimento em manejos revolucionários e guardar bombas no seu armazém, esteve no Aljube, onde, em finais de março, foi "entrevistado", assim como outros presos, por um grupo de jornalistas. Transferido de prisão em 11 ou 12/10/1933, passando, provavelmente, para o Forte de S. Julião da Barra. Libertado em 18/04/1934, por o TME o ter condenado na pena de prisão já sofrida. Faleceu em 1966. Pai de Bernardo Santareno, pseudónimo de António Martinho do Rosário.]

[NOTA: agradece-se a Maria João Dias as preciosas informações prestadas em 24/03/2024, assim como a documentação enviada.]

01503. Custódio Dias [1933]

[Estava preso em 1933. Sofreu transferência de cárcere em 11/10/1933.]

01504. João Gaspar [1933]

[Cartaxo, c. 1895. Industrial. Filiação: Maria José Gaspar, José Gaspar. Casado. Residência: Rua Batalhas, 54 - Santarém. Referenciado, em novembro de 1931, como estando «envolvido na organização comunista de Santarém», sendo filiado no Grupo N.º 4 do Socorro Vermelho Internacional [Processo 166]. Preso e entregue pela PSP de Santarém em 30/05/1933, «por estar envolvido em manejos revolucionários», juntamente com António Jorge e Simão Piteira Varela - fabrico de invólucros para bombas. Sofreu transferência de cárcere em 11/10/1933. Julgado pelo TME em 19/04/1934, foi condenado na pena de prisão já sofrida. Libertado nesse mesmo dia.]

01505. Ernesto dos Santos [1933]

[Lisboa, 1912 ou 1913. Empregado de escritório. Filiação: Berta Maria dos Santos, João dos Santos. Solteiro. Residência: Campo de Santa Clara, 38 - Lisboa. Em Maio de 1932 já andaria fugido à polícia por estar envolvido em «assuntos de carácter comunista», mantendo contatos com Hernani Amaro, responsável pela célula de Abrantes [Processo 449]. Por parecer do Diretor-Geral de Segurança Pública e despacho do ministro do Interior, foi ordenada, em 22/06/1932, a sua captura e deportação para as Colónias. Continuava fugido em Fevereiro de 1933, «por estar envolvido na organização comunista». Filiado N.º 100 das Juventudes Comunistas, integrando a Célula N.º 1 e o Comité de Zona N.º 1, participou, em 04/09/1932, juntamente com António da Piedade Cipriano, na afixação de propaganda na zona da Sé e do Castelo [Processo 626]. Preso em 28/03/1933, sofreu transferência de cárcere em 11/10/1933. Deportado, em 19/11/1933, para Angra do Heroísmo por ordem do Governo. Julgado pelo TME, Seção dos Açores, em 25/08/1934, seria condenado a 300 dias de prisão correcional, dada por expiada com a preventiva [Processo 713, Processo 58/933 - TME]. Regressou e apresentou-se em 09/11/1934, sendo libertado em 09 ou 10/11/1934.]

01506. Rodrigo Marques [1933, 1934]

[Rodrigo Marques || ANTT || T-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904_m0022]

[Lisboa, c. 1909. Empregado de escritório. Filiação: Maria Emília da Silva, João Pedro Marques. Solteiro. Residência: Rua Sara de Matos, Porta U - Lisboa. Terá sido preso uma primeira vez em 1933, pois em 11/10/1933 foi transferido de cárcere. Deu entrada no Aljube em 16/10/1934, por ser «Secretário da Comissão Regional da Organização das J. C. P.». Julgado pelo TME em 20/03/1935 e condenado em 4 anos, seguiu para Peniche em 05/04/1935. Transferido, em 14/10/1936, para Caxias, embarcou, em 17/10/1936, para Angra do Heroísmo, de onde foi libertado em 24/09/1938.]

01507. Floriano Gabriel Soares Sampaio Luz [1933, 1934, 1936, 1936, 1947]

[Floriano Gabriel Soares Sampaio Luz || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904_m0048]

[Militante das Juventudes Comunistas, foi preso em 1933, 1934, 1936 e 1947. Conheceu os calabouços do Governo Civil, a Casa de Reclusão da Torre de São Julião da Barra, o Aljube, Caxias e esteve quase três anos deportado em Angra do Heroísmo. 

Lisboa, 11/10/1915. Estudante / Empregado de comércio. Filiação: Palmira da Conceição Soares Luz, Adolfo Jaime Sampaio Luz. Solteiro / Casado. Residência: Rua Sara de Matos, 46 - Lisboa / Largo das Fontainhas, 13 - Lisboa. Estudante, integraria, a Célula N.º 49 do Comité de Zona N.º 4 das Juventudes Comunistas, sendo o seu Secretário. Tinha, também, a cargo a Comissão Feminina. Participou, em 20/01/1933, na distribuição de manifestos clandestinos à porta das Oficinas Gerais da CML, em Alcântara. Preso em 24 ou 26/01/1933, quando participava numa reunião clandestina juntamente com Adolfo Teixeira Pais, "O Diabo", António da Piedade Cipriano, João Ferreira de Abreu e Manuel dos Santos, "O Manuel da Fonte Santa". Tratava-se de uma reunião do Comité de Zona N.º 4 realizada na Rua 1.° de Maio, no fim da qual foram surpreendidos por dois agentes da PSP e um dos guardas foi ferido com um tiro. Enquanto Adolfo Teixeira Pais e Manuel dos Santos conseguiram fugir, os outros três foram presos, levados para os calabouços do Governo Civil e entregues à Polícia de Defesa Política e Social [Processo 626]. Segundo o Cadastro Político de Floriano Sampaio Luz, este era considerado «um elemento bastante ativo e muito perigoso». Subscreveu a Carta Aberta impressa, datada de 30 de Março de 1933, em resposta a uma visita do ministro do Interior [Albino Soares Pinto dos Reis Júnior (30/09/1888 - 14/05/1983)] ao Aljube e à respectiva nota oficiosa publicada nos jornais, em que 56 dos 75 presos no Aljube de Lisboa esclarecem e denunciam as torturas sofridas, sendo que «foram espancados 49, e alguns duma  maneira bastante selvagem». Transferido, em 11 ou 12/03/1933, para a Casa de Reclusão da Torre de São Julião da Barra, de onde se evadiu em 27/12/1933. Julgado em 02/03/1934, foi condenado a 10 meses de prisão correcional a contar da data de captura [Processo 31/934 - TME]. Voltou a ser detido em 06/04/1934, por se ter evadido anteriormente [Processo 626-A], e libertado em 01/05/1934. Continuou a sua militância e, em 10/03/1936, voltou a ser preso por fazer parte da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas e ter participado, juntamente com António Gomes Pereira, Edmundo Pedro, Helder David Dias de Meneses, Júlio Agostinho Marques da Silva, Manuel José Ferreira e outros, nos comícios relâmpago realizados na Escola Industrial Machado de Castro e Escola Comercial Rodrigues Sampaio. Uma semana depois, em 17/03/1936, quando era conduzido da Secção Política e Social da PVDE à esquadra onde se encontrava incomunicável, conseguiu fugir [Processo 1813], permanecendo em Espanha entre 29/05/1936 e 02/08/1936, dia em que se entregou no Posto da Secção Internacional da PVDE em Vilar Formoso. A fuga para Espanha fora feita na companhia de José Cabral de Jesus, que também tinha escapado à PVDE. Levado incomunicável para uma esquadra, foi transferido para a 1.ª em 06/08/1936 e entrou no Aljube em 19/08/1936. Em 17/10/1936, embarcou para Angra do Heroísmo e aí foi julgado pelo TME em 29/05/1937, condenando-o em 4 anos de prisão e perda dos direitos políticos [Processo 165/936 do TME]. Três anos depois, em 07/06/1939, foi transferido de Angra para a prisão de Caxias, onde entrou no dia 8, depois de ter passado um dia no Aljube. Por ter sido indultado, foi libertado em 24/12/1939. Voltou a ser detido, para averiguações, em 01/04/1947, levado para o Aljube e libertado em 06/05/1947. Paula Godinho, na Dissertação de Doutoramento em Antropologia "Memórias da Resistência Rural no Sul - Couço (1958 - 1962)" [UNL - FCSH, 1998], evoca a memória de Floriano Sampaio Luz, «velho lutador com quem convivi ao longo de mais de 20 anos, que me ensinou a perceber "por dentro" instituições com a marca do segredo e a perscrutar, de forma participante, a matéria de que se fazem os revolucionários e as revoluções».]

[Floriano Sampaio Luz || 01/04/1947 || ANTT || RGP/2729 || PT-TT-PIDE-E-010-14-2729]

[João Esteves]

sexta-feira, 22 de março de 2024

[3366.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCLI

 * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCLI *

01497. António Lourenço Fernão Pires [1933, 1933, 1933]

[Alpiarça, c. 1879. Comerciante. Filiação: Maria Jacinta, João Lourenço Fernão Pires. Casado. Residência: Rua José Relvas - Alpiarça. Entregue pelo Comando da PSP de Santarém em 30/05/1933, por estar envolvido em «manejos revolucionários», mantendo contatos com António Jorge, António Marques - "O Marques da Ajuda", Custódio Dias, de Almeirim, José Jorge Saraiva (furriel), Júlio Pinto de Oliveira e Renato Pinhão. Saiu em liberdade condicional em 09/06/1933. Preso em 21/08/1933, «por ordem superior», saiu em liberdade condicional em 07/10/1933. Por estar em liberdade condicional apresentou-se em 22/11/1933 e seguiu para o Aljube; libertado em 02/12/1933.]
[alterado em 12/05/2024]

01498. Jacques Carlos Ferreira Izasca [1931, 1931, 1933, 1933, 1933]

[Jacques Carlos || F. 03/01/1922 || ANTT || PT-TT-1-NT-8902_m0041]

[Lisboa, c. 02/06/1907. Filiação: Maria Augusta Ferreira Izasca, Gaspar Domingos Izasca. Casado. Residência: Rua Poço dos Negros, 13 - Lisboa. Preso em 03/09/1931, acusado de estar envolvido na revolta de 26/08/1931; libertado em 08/09/1931. Preso em 02/10/1931, pelo mesmo motivo; libertado em 03/11/1931. Preso em 12/05/1933, acusado de transportar, no seu automóvel, explosivos de Alpiarça para Sacavém; saiu em liberdade condicional em 22/06/1933. Recapturado, por ordem superior, em 21/08/1933; saiu em liberdade condicional em 10/10/1933. Novamente preso em 11/10/1933 e deportado, por ordem do Governo, para Angra do Heroísmo em 19/11/1933, tendo embarcado em Peniche. Despronunciado pelo TME, foi solicitado, em 27/03/1934, o seu regresso ao Continente. Regressou em 25/04/1934, saindo em liberdade.]
[alterado em 06/05/2024]

01499. Augusto Pereira [1933, 1933, 1933, 1935]

[Augusto Pereira || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904_m0028]

[Lisboa, 11/08/1911. Funcionário municipal / empregado de escritório. Filiação: Albertina da Anunciação do Nascimento Pereira, António Joaquim Nunes Pereira. Solteiro. Residência: Rua 4 de Agosto, 4 - Lisboa. Preso em 18/04/1933: filiado n.º 131 das Juventudes Comunistas, integrando a Célula 13-A, onde tinha a cargo a Comissão Feminina e a dos Pioneiros. Também fazia parte do Subcomitê da Zona N.º 1 e controlava as reuniões da Célula N.º 16 [Processo 713]. Saiu em liberdade condicional em 26/05/1933. Preso em 21/08/1933, à ordem do TME, terá saído em liberdade condicional em 10/10/1933. Novamente preso em 11/10/1933, terá sido enviado nesse dia ou em 12/10/1933, para o Forte de S. Julião da Barra. Transferido, em 08/02/1934, do Aljube para a Fortaleza Militar de Peniche. Regressou a Lisboa em 14/02/1934. Julgado pelo TME em 22/02/1934, verificou-se que parte das acusações estava abrangida pela amnistia de 05/12/1932, sendo absolvido das ações posteriores a essa data [Processo 80/933 - TME]. Preso em 29/05/1935 e entregue pelo Comando da PSP de Lisboa por ter proferido, em 29/04/1935, durante o funeral de um indivíduo de apelido Abreu, «vivas subversivos» no Cemitério da Ajuda. Levado para a 1.ª esquadra, foi libertado em 04/06/1935.]
[alterado em 25/03/2024]   

01500. António José da Silva Fialho [1930, 1931, 1933, 1933, 1933, 1933, 1935]

[Caldas da Rainha, 11/01/1880. Comerciante. Filiação: Cândida do Patrocínio Fialho, José António. Casado. Residência: Praça Sá da Bandeira, 24 - Santarém. Esteve preso cinco dias no Presídio Militar de Santarém durante o período de Sidónio Pais. Preso em 02/10/1930, acusado de «estar envolvido numa organização revolucionária em Santarém». Estava filiado no Partido Democrático e fez parte da Comissão Executiva da CMS, sendo vereador. «Foram-lhe arbitrados dois meses de prisão»; libertado em 05/12/1930 [Processo 4695-X]. Preso pela PSP de Santarém em novembro de 1931, acusado de «estar envolvido na organização avançada daquela cidade» e ser no seu estabelecimento que se reuniam ativistas do Socorro Vermelho Internacional: Alfredo Bernardes da Silva, Eduardo Cruz, Francisco Soares de Carvalho, Mendes Godinho e Wenceslau [Processo 166]. Preso e entregue em 10/03/1933 pela PSP de Santarém; libertado em 31/03/1933 [Processo 754]. Preso e entregue pela PSP de Santarém em 30/05/1933, mantendo contatos com António Marques - "O Marques da Ajuda", Joaquim Martinho do Rosário e José Manuel Sarmento de Beires [Processo 746]. Libertado em 11/07/1933. Preso em 21/08/1933 a pedido do TME. Saiu em liberdade condicional em 10/10/1933. Recapturado em 13/10/1933 e enviado para o Forte de S. Julião da Barra. Absolvido em 19/04/1934, foi libertado. Preso e entregue pela PSP de Santarém em 28/06/1935, acusado de manter contatos com elementos ligados ao furriel Catarino [Processo 1647]. Levado para uma esquadra, foi libertado em 03/07/1935.]

[alterado em 25/03/2024]
[alterado em 26/03/2024]

[João Esteves]