[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

[1619.] ANTÓNIO MARIA CARNEIRO FRANCO [IV] || DEPORTADO

* ANTÓNIO MARIA CARNEIRO FRANCO *

DEPORTADO APÓS O 28 DE MAIO DE 1926

[António Maria Carneiro Franco || 1 de Julho de 1927 || Malanje]

Tal como muitos outros oficiais e soldados que incorporaram o Corpo Expedicionário Português (CEP) durante a Grande Guerra, nomeadamente o Regimento de Infantaria Nº 23, António Maria Carneiro Franco participou nos primeiros movimentos contra a Ditadura Militar instaurada em 28 de Maio de 1926, tendo sido, por isso mesmo, deportado.

Participou na revolta de 26 de Agosto de 1931 e, por esse motivo, esteve em reclusão temporária no Forte de S. Julião da Barra. Depois, foi-lhe fixada residência em Castro Daire, sendo então vigiado pela polícia política.

António Maria Carneiro Franco era irmão de Ernesto Carneiro Franco, um dos obreiros da implantação da República em 5 de Outubro de 1910 e também opositor à Ditadura. Integrou o Regimento de Infantaria 23 durante a 1ª Guerra, juntamente com Jaime Cortesão e Álvaro Bossa da Veiga.

[PIDE, Serviços Centrais, Cadastros, N.º 1213, NT 735 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[João Esteves]
[alterado em 04/01/2023]

domingo, 6 de agosto de 2017

[1618.] ÁLVARO BOSSA DA VEIGA [I]

* BOSSA DA VEIGA E A REVOLTA DE 26 DE AGOSTO DE 1931 *


Tal como muitos outros oficiais e soldados que incorporaram o Corpo Expedicionário Português (CEP) durante a Grande Guerra, nomeadamente o Regimento de Infantaria Nº 23, o médico Álvaro Bossa da Veiga terá participado em movimentos do Reviralho contra a Ditadura Militar instaurada em 28 de Maio de 1926.

O seu nome aparece associado à Revolta de 26 de Agosto de 1931, que teve como principais intervenientes o Regimento de Caçadores n.º 7 e aviadores da Base Aérea de Alverca, sendo liderada por militares e civis ligados ao Grupo dos Budas e à Liga de Paris.

A intervenção do médico Bossa da Veiga foi detectada na zona de Loures, "acompanhado por um grande número de revoltosos", andando, em Setembro de 1931, fugido à Polícia de Defesa e Política Social [ANTT, Cadastro Político N.º 4291].

João Esteves

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

[1617.] A CHACINA DE BADAJOZ HÁ 81 ANOS POR MÁRIO NEVES [I]

* OS FUZILAMENTOS DE BADAJOZ PELOS NACIONALISTAS DE FRANCISCO FRANCO EM AGOSTO DE  1936 *

Mário Neves (1912-1999) tinha 24 anos e era ainda estudante de Direito quando, como repórter do Diário de Lisboa, testemunhou a tomada violenta de Badajoz por parte das tropas nacionalistas de Franco em 14 de Agosto de 1936.

[Mário Neves || 1912 - 1999]

Logo a seguir a essa ocupação, foram fuzilados sumariamente centenas de homens: nas ruas, na praça de touros, no fosso das muralhas, no cemitério... 

O que então Mário Neves viu, e que nunca mais esqueceu, deixou testemunho mais completo num livro editado em 1985 intitulado A Chacina de Badajoz: Relato de uma testemunha de um dos episódios mais trágicos da Guerra Civil de Espanha [Edições «O Jornal», 1985]. 

[Mário Neves || A Chacina de Badajoz || Edições «O Jornal || 1985]

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quinta-feira, 3 de agosto de 2017

[1616.] AMADEU GONÇALVES [I]

* OS PARTIDOS POLÍTICOS E A I REPÚBLICA: O CASO DE VILA NOVA DE FAMALICÃO (1895-1926) *

[Amadeu Gonçalves || Museu Bernardino Machado/C. M. de V. N. de Famalicão || 2017]

Este livro de Amadeu Gonçalves, editado pelo Museu Bernardino Machado e Câmara Municipal de Vila Nova de Famalicão e com Introdução do Professor Norberto Ferreira da Cunha, é particularmente esclarecedor quanto às ligações entre a evolução do republicanismo nacional e suas implicações locais, assim como, por vezes, se verifica o inverso.

Numa análise minuciosa, factual e atenta à dinâmica e contradições das diversas relações pessoais, sociais, económicas e políticas locais, Amadeu Gonçalves põe em evidência como Famalicão funcionou, desde antes da implantação da República, como um microcosmos das aspirações, desilusões e divisões dos republicanos, acompanhando o que se passava no resto do país.

Os republicanos famalicenses foram marcados por acordos e desacordos, uniões e dissensões, lutas eleitorais com alternância de vencedores e vencidos, sem nunca abdicarem da intervenção cívica que, nalguns casos se prolongou na oposição à Ditadura Militar e ao Estado Novo.

Num levantamento exaustivo, estão lá todos os nomes, de 1895 a 1926, os periódicos associados, os contextos em que cada um se moveu, as divisões e subdivisões em grupos e subgrupos e a afirmação de cidadania de cada um e de todos.

Um excelente contributo de Amadeu Gonçalves, contextualizado pela síntese introdutória do Professor Norberto da Cunha, para a percepção da evolução do republicanismo e da República em Famalicão e em Portugal.


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quarta-feira, 2 de agosto de 2017

[1615.] JOÃO GOMES JÚNIOR [V]

* PRESO PELA PVDE EM 29 DE AGOSTO DE 1936 *

[1872 - 1957]

Republicano, antes da República, João Gomes Júnior foi um corajoso opositor do regime instaurado em 28 de Maio de 1926, tendo sofrido duras consequências políticas, económicas e familiares ao ser preso e deportado já sexagenário.

Nos anos 30, a partir da mercearia que detinha na Rua da Sofia, colaborou com alguns dos filhos na impressão e difusão do jornal A Verdade, sendo aquele estabelecimento "também frequentado assiduamente por tertúlias de vários «desafetos» ao regime" [Alberto Vilaça]. O armazém, que abastecia a cidade e muitos lugares dos arredores, foi fechado e, "logo após a sua fuga e as dos filhos, seguidas das prisões destes, a esposa ter-se-á visto mesmo forçada, por falta de todos estes apoios, a encerrar a mercearia, convocando os credores" [Alberto Vilaça].

Por andar fugido, João Gomes Júnior foi julgado à revelia pelo Tribunal Militar Especial do Porto em 6 de Julho de 1934, acusado de ter autorizado, no segundo semestre de 1933, a armazenarem na sua mercearia muitos pacotes com o jornal clandestino A Verdade e que escondessem o tipo da impressão com que foi feito o seu número 5, para além de o ter distribuído na cidade de Coimbra.

Na sequência desse envolvimento, João Gomes Júnior, com a cumplicidade das populações locais e apoios familiares, conseguiu sobreviver quase três anos fugido à Polícia Política, escondendo-se onde podia na zona da Figueira da Foz, Lares e Coimbra, inclusivamente em estações de comboio.

Foi finalmente detido em Coimbra, em 29 de Agosto de 1936, quando tinha 63 anos de idade, sendo dessa data a fotografia que aqui se publicita com a devida autorização do ANTT:

[PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 21, registo n.º 4058 || PT/TT/PlDE/E/010/21/4058 "Imagem cedida pelo ANTT"]

Transferido para o Aljube em 26 de Setembro, foi deportado para a Fortaleza de Angra do Heroísmo em 17 de Outubro do mesmo ano, tendo embarcado no dia seguinte no vapor Luanda.

O regresso deu-se em 3 de Novembro de 1937 e foi solto no dia 8, véspera de completar 65 anos.

[PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 21, registo n.º 4058 || PT/TT/PlDE/E/010/21/4058 "Imagem cedida pelo ANTT"]

[João Esteves]

[1614.] MARIA HELENA DE VINHA NOVAIS [II]

* MADRINHA DE CASAMENTO DE RUTH PFLÜGER E LÚCIO LARA || 20 DE JULHO DE 1955 *

Antifascista desde muito nova, Maria Helena de Vinha Novais [1926-2014] participou na campanha presidencial de Norton de Matos (1949), foi presa pela PIDE (1953) e casou, em 1955, com o matemático, professor universitário e oposicionista José Cardoso Morgado Júnior [17/02/1917-08/10/2003], perseguido, afastado do ensino em Junho de 1947 e várias vezes preso e agredido por motivos políticos.

Nesse mesmo ano de 1955, em 20 de Julho, foi madrinha de casamento de Ruth Pflüger e Lúcio Lara, sendo esta fotografia retirada, com a devida vénia, da obra Lúcio Lara "Tchiweka" - 80 anos - Imagens de um percurso, editada pela Associação Tchiweka de Documentação - ATD aquando da evocação do 80º aniversário do nascimento daquele nacionalista angolano.


[Lúcio Lara "Tchiweka" - 80 anos - Imagens de um percurso || Associação Tchiweka de Documentação - ATD]

terça-feira, 1 de agosto de 2017

[1613.] BRANCA DE GONTA COLAÇO [II] || AGOSTO DE 2017

* ESTRADA DA LUZ. OBRA POÉTICA E ICONOGRÁFICA DE BRANCA DE GONTA COLAÇO *

No dia 7 de Agosto de 2017, é lançado pela Editora Palimage, em Parada de Gonta, esta obra da autoria de Anabela de Campos Salgueiro e de Inês da Conceição do Carmo Borges, com fotografia de capa de Tiza Gonçalves.

Com Prefácio da Professora Catedrática Isabel Ponce de Leão e Posfácio do Dr. José Alberto Ribeiro, a obra será apresentada pelo Dr. José Valle de Figueiredo.




[1612.] A PRISÃO DE ANTÓNIO FERRO EM AGOSTO DE 1927 [I]

* A CURTA PRISÃO DE ANTÓNIO FERRO EM AGOSTO DE 1927 *

Envolvido em Agosto de 1927 no "Golpe dos Fifis", tentativa de golpe militar liderado por Filomeno da Câmara (1873-1934) e por Fidelino de Figueiredo (1889-1967) contra Óscar Carmona e Abílio Passos e Sousa visando aproximar a Ditadura Militar do fascismo italiano, António Ferro "foi preso por ordem do Governo" no dia 10, sendo solto em 13 do mesmo mês.

Registado como escritor nascido em 1896, filho de António Joaquim Ferro e de Helena Emília Tavares Ferro, com residência na Calçada dos Caetanos nº 6, 1.º Esquerdo, António Ferro terá, assim, passado três dias na prisão [ANTT, PIDE, Serviços Centrais, Cadastros]. 

Embora só editado em 1927, Filomeno da Câmara tinha prefaciado no ano anterior o livro de António Ferro Viagem à Volta das Ditaduras, onde ambos enalteciam, entre outras, as ditaduras de Benito Mussolini (Itália) e do general Primo de Rivera (Espanha).

segunda-feira, 12 de junho de 2017

[1611.] ANA DE CASTRO OSÓRIO || 145 ANOS

* COMEMORAÇÃO DO NASCIMENTO (1872-1935) *

|| MANGUALDE || 18 DE JUNHO || BIBLIOTECA MUNICIPAL DE MANGUALDE ||

|| INTERVENIENTES: CATARINA MARCELINO || JOÃO AZEVEDO || ROSALINA ALMEIDA || ROSABELA AFONSO || HENRIQUE MONTEIRO || ELZA PAIS || MARIA ANTÓNIA PALLA || JOÃO ESTEVES || TERESA FRAGOSO ||


[1610.] AMÂNDIO SECCA [I] || 14 DE JUNHO DE 2017

* AMÂNDIO SECCA || DESENHAR E ESCREVER A AMIZADE *

|| 14 DE JUNHO || COOPERATIVA ÁRVORE || EDIÇÃO MODO DE LER ||



[PORTO || MODO DE LER || 2017]

No dia 14 de Junho, pelas 18h00, apresentação na Cooperativa Árvore do álbum DESENHAR E ESCREVER A AMIZADE.

Esta edição resulta da produção fac-similada de um álbum que o Eng.º Amândio Secca foi recolhendo ao longo dos últimos trinta anos e é acompanhado de uma pequena brochura de apresentação com um texto do Eng.º Amândio Secca.

Edição de 244 páginas, impressa em papel Couché Volume de 200 gramas e encadernada com capa dura.

Textos de Poesia e Prosa, Desenhos, Colagens e Pintura de vários autores, Amigos de Amândio Secca.

O Dr. Dionísio Vinagre fará a apresentação da obra.

sábado, 10 de junho de 2017

[1609.] DICIONÁRIO DE HISTÓRIA DE PORTUGAL - O 25 DE ABRIL || VOLUME 2

* CONTINUA O MISTÉRIO DO ECLIPSE FEMININO NO 25 DE ABRIL, PERÍODO REVOLUCIONÁRIO E NA TRANSIÇÃO PARA A DEMOCRACIA *

[Livraria Figueirinhas || 2016]

O segundo volume deste Dicionário, contemplando a letra C de CABO-VERDE a COSTA (Vasco Fernando Leote de Almeida e), mantém velhos procedimentos de uma abordagem no masculino dos acontecimentos subsequentes ao 25 de Abril (rotulado, na contracapa, como "golpe militar") até 1976.

Exactamente num período histórico em que as Mulheres assumiram papel preponderante, mesmo que não institucionalizado, quase não há lugar para elas, com excepção das entradas biográficas dedicadas a Isabel do Carmo e a Natália Correia, havendo uma outra, temática, sobre a Comissão da Condição Feminina. Neste último caso, talvez tivesse valido a pena citar um ou outro estudo de Maria Regina Tavares da Silva, seguramente a estudiosa mais conhecida em Portugal e reconhecida internacionalmente, sobre a história da Comissão que ajudou a construir e a estabelecer bases duradouras.

Obra onde as elites, os governantes e os vencedores, à posteriori, da História ganham quase exclusiva notoriedade, reconstruindo-se, por vezes, a sua imagem, compete aos historiadores olhar para a sociedade no seu todo e estarem atentos aos que, tendo também tido a sua cota de participação, foram deixando de ter visibilidade pela historiografia dominante. Mas elas estiveram lá - em 1974, 1975 e 1976 - e, de certeza, mereceriam ter mais do que duas/três entradas neste segundo volume. Nem na Capa há lugar para um rosto feminino. Sequer um...

E, embora se afirme na contracapa, que "A obra que aqui se apresenta trata desse intenso processo histórico, marcado por vários momentos chave, e procura sistematizar, com rigor científico, informação sobre: instituições políticas, jurídicas, culturais, sociais e económicas; partidos políticos; biografias de personagens políticos, militares, culturais e religiosos; aspectos gerais sobre o Estado e as suas políticas públicas; os principais movimentos sociais, as ideologias, a economia e a inovação, a diversidade religiosa, a literatura e a arte", será que, afinal, o 25 de Abril fez desaparecer as Mulheres, já que elas raramente constam destes dois primeiros volumes?

Por vezes, é mesmo necessário reescrever uma História onde todos caibam e não apenas aqueles sobre quem recaem sempre os holofotes. 

Aguardemos, pois anda faltam seis volumes!

[1608.] REVISTA FACES DE EVA || 37 [I]

* FACES DE EVA. ESTUDOS SOBRE A MULHER || 37 || 2017 *

|| 21 DE JUNHO || FACULDADE DE LETRAS DA UNIVERSIDADE DE LISBOA || ANFITEATRO II ||


sexta-feira, 9 de junho de 2017

[1607.] BENEDITA VASCONCELOS [I] || 1947 - 2017

* HÁ OS QUE PARTEM E HÁ OS QUE VIVEM SEMPRE EM NÓS *

[1947 - 2017]

Não há palavras para descrever esta (in)esperada notícia. 

Não conhecia pessoalmente a Benedita Vasconcelos, mas é como se ela existisse desde sempre. Via Facebook, que entendia só merecer ser utilizado de forma criteriosa, foram-se estabelecendo pontes através de nomes comuns de Coimbra: Benedita Vasconcelos por os ter conhecido, eu por saber que existiam via memórias familiares e investigações posteriores das activistas coimbrãs das décadas de 40 e 50.

De "enorme abertura de espírito", "uma antifascista de grande carácter" e "uma mulher de fibra, insubmissa e fiel a princípios", como tão bem a caracterizou Helena Pato, amiga de muitos anos e que nunca deixou de a acompanhar nestes últimos momentos, dando-lhe o ânimo possível, fomos trocando mensagens sobre esta "nossa gente", prontificando-se a identificar nomes que tinham integrado a Delegação de Coimbra do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. E era um contentamento enorme que nos unia quando se dava uma pequena descoberta, assim como falava com enorme carinho do Comandante José Moreira de Campos (1898 - 1967), seu tio, compulsivamente reformado pelo governo salazarista ao abrigo do Decreto Lei nº 25316, de 13 de Maio de 1935. 

Recorrendo, de novo, à Helena Pato, a Benedita Vasconcelos "ficará na nossa memória para sempre", até porque "é o esquecimento e não a morte que nos faz ficar fora da vida" (Mia Couto).

terça-feira, 6 de junho de 2017

[1606.] MÁRIO RODRIGUES FARIA [I]

* CONTOS E OUTRAS PROSAS DE MÁRIO RODRIGUES FARIA || PREFÁCIO, ORGANIZAÇÃO E NOTAS DE LUÍSA DUARTE SANTOS *

[Edições Fénix || Dezembro de 2016]


Eis um livro que, provavelmente, terá passado despercebido e que, no entanto, merece particular atenção a todos os estudiosos da geração vilafranquense do neo-realismo e da luta antifascista no final da década de 30.

Com Prefácio, Organização e Notas de Luísa Duarte Santos e Posfácio de Maria Lucília Estanco Louro, compila oito Contos e quinze outras Prosas de Mário Rodrigues Faria [11/01/1921 - 08/02/2004] publicadas, entre Março de 1938 e Outubro de 1940, nos periódicos Sol Nascente (1938/39), O Diabo (1938/40), Mensageiro do Ribatejo (1939/40), Pensamento (1940) e Jornal de Ílhavo (1940).



Nascido em Vila Franca de Xira em 1921, integrou o "grupo de jovens com renovados interesses literários sociais e políticos e que viria a constituir a nova geração neo-realista" [Luísa Duarte Santos, p. 7], tornando-se amigo e camarada de ideais de Alves Redol, de Carlos Pato, de Arquimedes Silva Santos e de Garcez da Silva.

No ano lectivo de 1938/39, começou a frequentar o curso de Filologia Clássica na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, instituição onde passou a conviver com alguns dos principais intelectuais antifascistas: Cândida Ventura, Fernando Piteira Santos, Joana Campina, Joaquim Barradas de Carvalho, Joel Serrão, Jorge Borges de Macedo, Manuel Campos Lima, Maria Lucília Estanco Louro, Matilde Rosa Araújo, Olívia Cunha Leal e Rui Grácio,

Participou, em 1940/41, na reorganização do Partido Comunista, integrando o Comité Local em Vila Franca, juntamente com António Dias Lourenço e Carlos Pato, e foi um dos convivas da fragata Liberdade (1940-1942).

Por dificuldades financeiras, abandonou a Faculdade e seguiu, mais tarde, a carreira militar, falecendo em Lisboa, em 8 de Fevereiro de 2004, aos 83 anos.

Começou a publicar com apenas dezassete anos e, apesar da reconhecida qualidade literária, os seus últimos escritos editados findaram ao fim de dois anos e meio: se "o tempo e as circunstâncias, pessoais e sociais, levaram a sua escrita ao silêncio", "é hora de voltar à sua leitura" [Luísa Duarte Santos, p. 15].

Projecto nascido da investigação de Luísa Duarte Santos do reencontro de dois amigos e correlegionários de Mário Rodrigues Faria - Arquimedes da Silva Santos e Maria Lucília Estanco Louro -, este livro "oferece" ainda um conjunto de fotografias, onde constam, para além destes dois nomes, Alves Redol, Atilano dos Reis Ambrósio (Jorge Reis), Dias Lourenço, Garcez dos Santos, Maria Ângela Montenegro, Rui Grácio.

O Posfácio de Maria Lucília Estanco Louro é de leitura obrigatória pelo enquadramento histórico que faz de Mário Rodrigues Faria. 



[João Esteves]

segunda-feira, 5 de junho de 2017

[1605.] LAURA LOPES [I]

* FOLHAS SOLTAS DE UMA VIDA. MEMÓRIAS DE UMA MULHER DO SÉCULO XX || 2017 *

[Edições Colibri || 2017]

Livro de memórias, de histórias e de História da autoria de Laura Lopes, "a rapariga dos cabelos ruivos", nascida em 1923, numa família operária.

História e histórias de uma vida militante de décadas, Laura Lopes começa por relembrar a Lisboa dos desfavorecidos e dos operários nas décadas de 20 e 30 e o quão difícil era para uma rapariga oriunda das classes trabalhadoras construir um percurso escolar, sendo vítima de "discriminação social" ao frequentar a escola primária da Câmara e, depois, no Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho, onde lhe foi retirada a isenção de propinas a que tinha direito por opinar contra a guerra e em defesa da paz. Tinha, então, onze anos!

Lutadora e persistente, trabalhou como peleira na Rua do Carmo e, depois, numa companhia de seguros inglesa para prosseguir os estudos, tendo frequentado à noite a Escola Comercial Patrício Prazeres e, em 1948, entrou na Faculdade de Direito onde talvez fosse "a única aluna proveniente da classe operária". Aí, por intermédio de Ovídio Martins, antifascista e poeta caboverdeano, iniciou a luta de décadas contra o regime fascista e se tornou numa empenhada lutadora pela Paz. 

Aderiu ao MUD-Juvenil, tornou-se, em 1949, militante clandestina do Partido Comunista, participou nas principais iniciativas, nacionais e internacionais, em defesa da Paz mundial, esteve na constituição do movimento Democrático das Mulheres e, por este seu relato, perpassam episódios das muitas vidas com que se foi cruzando:  Alcina Bastos, Ângelo Caldeira Rodrigues, Ângelo Veloso, Belmira Cruz, Blanqui Teixeira, Carlos Aboim Inglês, Carlos Brito, Carlos Costa, através de quem conheceu Maria Machado, então a viver num pequeno quarto da Maguidal, "uma alfaiataria de antifascistas situada num 3.º andar da Rua da Palma", Duarte Vidal, Francisco Martins Rodrigues, Graça Mexia, Guilherme da Costa Carvalho, Helena Neves, Humberto Soeiro, Ilídio Esteves, Isabel Pato, João Pulido Valente, José Dias Coelho,  Lino Lima, Manuel Pedro, Manuela Bernardino, Maria Barreira, Maria das Dores Cabrita, Maria Isabel Aboim Inglês, Maria Lamas, Maria Teixeira, Maria Teresa Horta, Olívia Maria, Ovídio Martins, Rosalina Pinho, Ruy Luís  Gomes, Silas Cerqueira, Vasco Cabral, Virgínia Moura, os gémeos Eugénio e Manuel Ruivo... entre muitos outros nomes, não se coibindo de tecer juízos críticos sobre alguns destes companheiros de percurso e de vida.

De Olívia Maria, "presa mais de oito anos e seis anos na clandestinidade" e com quem passou muitos serões na Graça, estando o marido [José Carlos] a cumprir pesada pena de prisão, dá uma descrição pormenorizada devido ao registo, então feito, da sua história em dez folhas de bloco escritas de ambos os lados e de que Laura Lopes se socorreu para a descrever neste livro.

De Alcina Bastos "mulher vertical, antifascista desde sempre", nome pouco valorizado e reconhecido, lembra a "mulher valorosa (...), simples, modesta e de uma enorme integridade moral e verticalidade nas suas atitudes, na sua maneira de estar na vida" e que "nunca vergou a cabeça perante nada nem ninguém, em circunstâncias penosas da sua sua não pactuou com o fascismo, nunca recebeu benesses, sempre as recusou": "uma voz sempre a soar na ocasião necessária - mas sem alardes."

De Guilherme da Costa Carvalho, transcreve o postal de 18/07/1972, com carimbo de Paris, que este lhe mandou a  pedir para informar o cunhado Ilídio Esteves que "tudo me tem corrido bem", "que tenho pensado nele com o afecto e o respeito que mutuamente nos une, que não o esqueço", embora refira que, quanto ao seu estado de saúde, "o mal é mais extenso do que supunha pois são os dois pulmões que estão igualmente atingidos, e eu pensava ser só o direito. Tenhamos paciência."

Do seu percurso de Advogada, sobressai as intervenções no âmbito Direito de Família, Direito Criminal e de defesa de presos políticos, sendo que "os contactos com as polícias eram desgastantes [...] exigindo serenidade, espírito de observação, rapidez de reflexos mentais, memorização, domínio total sobre si próprio". Participou em Novembro de 1972, no 1.º Congresso Nacional dos Advogados, e manteve colaboração na imprensa, com textos jurídicos: assinou, como Dra. Luz Pinheiro, a rubrica "A Mulher e o Direito" no Jornal Magazine da Mulher, dirigido por Lília da Fonseca; e manteve na revista Modas e Bordados e, posteriormente, na revista Mulheres, a secção "A mulher e a lei", com alguns percalços nestas duas últimas publicações. Colaborou ainda no Diário de Lisboa e no Notícias da Amadora.

Mas Laura Lopes foi também professora, tendo sido afastada do ensino por motivos políticos em 1966, quando leccionava na Escola Comercial e Industrial de Emídio Navarro. Reintegrada no ensino depois de 1974, após um processo atribulado, acabaria por se aposentar enquanto professora, aos 70 anos.

No entanto, e como não podia deixar de ser, parte substancial do livro é dedicado à sua intervenção nas organizações, nacionais e internacionais, em defesa da Paz, disso dando pormenorizado relato baseado em avultada documentação. Militante convicta da Paz, a sua caminhada iniciou-se em 9 de Abril de 1949 quando, numa iniciativa do MUD Juvenil, se decidiu colocar junto ao Monumento dos Mortos da Grande Guerra um pequeno cartaz com a frase "A Juventude luta pela Paz": Laura Lopes foi a escolhida para representar a Faculdade de Direito, tendo sido a única a concretizar o decidido entre os jovens de todas as universidades.

Depois, em 1950, interveio na recolha de assinaturas a favor do Apelo de Estocolmo; representou o Portugal antifascista nas reuniões internacionais da Paz, com destaque para o Congresso dos Povos para a Paz, realizado em Dezembro de 1952, em Viena, onde participou ao lado de Manuel Valadares e de Vasco Cabral, e esteve na fundação do Conselho Português para a Paz e Cooperação, este constituído já depois de 1974.

Através dos movimentos da e pela Paz, é dada atenção, até com alguma minúcia, ao percurso de Maria Lamas, e a Manuel Valadares, a Vasco Cabral, a Silas Cerqueira e a Vasco de Magalhães Vilhena, entre outros membros de delegações portuguesas a reuniões internacionais.

Laura Lopes, que nunca teve televisão, deixa-nos um testemunho que não é neutro, nem isso ela pretende, que merece ser lido enquanto relato de vida de uma mulher que, desde muito nova, se assumiu como cidadã do seu país e do mundo e enquanto documento histórico de parte do século XX, sobretudo da sua segunda metade. 




sábado, 27 de maio de 2017

[1603.] ZÍLIA OSÓRIO DE CASTRO [I] || 26/05/2017

* HOMENAGEM A ZÍLIA OSÓRIO DE CASTRO || BIBLIOTECA NACIONAL || 26 DE MAIO *

|| "FACES DE EVA E OS ESPELHOS DE CLIO" ||

|| ORADORAS: ANNE COVA | REGINA TAVARES DA SILVA ||

|| LEITURA DE POESIA: MARIA JOSÉ AREAL ||

 

[Biblioteca Nacional de Portugal || 26 de Maio de 2017]

sábado, 20 de maio de 2017

[1602.] SUSANA DE SOUSA DIAS [II] || LUZ OBSCURA

* DOCUMENTÁRIO DE SUSANA DE SOUSA DIAS *

PORMENOR DE FOTOGRAFIA DE ALBINA FERNANDES PATO (1928 - 1970) DANDO A MÃO A RUI E ISABEL PATO


PORMENOR DA FOTOGRAFIA PRISIONAL DE ANTÓNIA JOAQUINA MONTEIRO [18 DE JULHO DE 1963]


Esta fotografia consta da Biografia Prisional de Antónia Joaquina Monteiro (n. 1921), presa pela primeira vez em 18 de Julho de 1963.


Muito obrigado a Gina Pato pelas informações partilhadas.

segunda-feira, 8 de maio de 2017

[1598.] 8 DE MAIO DE 1945 [II]

* DERROTA DO NAZISMO || DIA DA VITÓRIA *

|| DIÁRIO DE LISBOA || 9 DE MAIO DE 1945 ||

O popular referido pelo jornal e que discursou junto à estátua de Camões, subindo para ela, é o médico e poeta antifascista Armindo Rodrigues (1904-1993).




[1597.] 8 DE MAIO DE 1945 [I]

DERROTA DO NAZISMO || DIA DA VITÓRIA *