[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

[0821.] BIBLIOTECA ANA DE CASTRO OSÓRIO / CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO [II]



* 24 de Outubro de 2014 *
[I]




















[Recibo de uma Consulta passado por Carolina Beatriz Ângelo, cedido pelo Dr. Jorge Fagundes, neto da médica, e recuperado pelo Museu da Guarda]


[João Esteves]

[0820.] 13.º MESTRADO EM ESTUDOS SOBRE AS MULHERES [I] || U. ABERTA

* MESTRADO EM ESTUDOS SOBRE AS MULHERES *
- Candidaturas ao 13.º Curso - 
* 2014/2016 *

Informa-se que estão a decorrer, até 10 de novembro, as candidaturas ao 13.º curso do Mestrado em Estudos sobre as Mulheres da Universidade Aberta.


Este mestrado, pioneiro em Portugal, foi criado em 1994 e funciona, presentemente, em regime de e-learning. A igualdade entre mulheres e homens constitui um dos grandes desafios internacionais, presente nos Objetivos de Desenvolvimento do Milénio (ODM) da ONU. Este mestrado permite aprofundar a investigação neste domínio de estudos e desenvolver competências profissionais e de decisão para a implantação de Políticas para a Igualdade que tenham em conta os aspectos relacionados com o género na vida social e cultural, em relação com outras desigualdades sociais.

O curso funciona totalmente em regime de e-learning, permitindo construir conhecimento e partilhar experiências numa comunidade de aprendizagem diversificada e operando em diferentes contextos sociais e culturais que esta modalidade de ensino oferece.

Todas as informações sobre o curso podem ser consultadas aqui: http://www2.uab.pt/guiainformativo/detailcursos.php?curso=46.

[0819.] FINA D'ARMADA [VI] || 2014

* JOSEFINA TERESA FERNANDES MOREIRA *

 [09/04/1945-07/03/2014]


[in Notícias, CIG, N.º 90, Janeiro-Junho de 2014]

terça-feira, 28 de outubro de 2014

[0817.] MARIA DO PILAR BAPTISTA RIBEIRO [I] || 1911 - 2011

* MARIA DO PILAR BAPTISTA RIBEIRO *
[05/10/1911 - 28/03/2011]


Professora e matemática. 

Filha de Joaquim Rodrigues Carreira e de Luísa Loureiro Peres, nasceu em Lisboa a 5 de Outubro de 1911 e faleceu, em Cascais, a 28 de Março de 2011, com 99 anos de idade.

Frequentou o Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho e, em 1933, licenciou-se em matemática na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde conheceu Hugo Baptista Ribeiro [16/05/1910-1988], com quem casaria no ano seguinte, estudante da mesma instituição que se evidenciou pelas atitudes antifascistas, intervenção associativa, activista do Socorro Vermelho Internacional e militância comunista, só tendo por isso concluído o curso em 1939.

[Hugo Baptista Ribeiro || 1960]

No Verão de 1934, juntamente com o marido e Francisco Lyon de Castro [24/10/1914-11/04/2004], “participam num congresso das Juventudes Comunistas de Espanha e, no âmbito desse congresso, organizam exposições de solidariedade com os presos portugueses” [JPP, Vol. 1, p. 200].

Terá pertencido à Associação Feminina Portuguesa para a Paz e participou, com muitos outros jovens intelectuais, nomeadamente Maria Lucília Estanco Louro*, Maria Virgínia Redol, Maria Olívia, Lídia Monteiro [n. 31/10/1910], Stella Fiadeiro* (depois, Stella Biker Correia Ribeiro Piteira Santos), Maria Helena Correia Guedes, nos passeios de barco pelo rio Tejo, de características culturais e políticas, realizados nos anos de transição da década de 30 para a de 40.

A par da intensa actividade política oposicionista, destacou-se também na vida profissional.

Estagiou no Liceu Pedro Nunes e leccionou Matemática no Liceu Camões, enquanto frequentava o Seminário de Análise Geral, organizado por António Aniceto Monteiro [31/05/1907-29/10/1980].

Sócia n.º 1 da Sociedade Portuguesa de Matemática, de que foi uma das fundadoras a 12 de Dezembro de 1940, juntamente com Bento de Jesus Caraça, integrou, enquanto 1.ª Secretária, a sua primeira Direcção [1941/1942]. Foi também uma das fundadoras da Gazeta de Matemática, em 1939, onde colaborou com textos sobre o “Ensino da Matemática na Suíça”.

Entre 1942 e 1946, permaneceu com o marido em Zurique, por este estar a fazer o doutoramento na Escola Politécnica Federal de Zurique, e aproveitou para frequentar vários cursos de especialização em Matemática nesta mesma instituição.

Regressou a Portugal em 1946. Voltou a ser 1.ª Secretária da Direcção da SPM no biénio 1946/1947, quando esta tinha por Secretário-Geral Hugo Ribeiro, mas em 1947 acompanhou o marido no exílio forçado devido às perseguições salazaristas a vários cientistas, investigadores, matemáticos e docentes universitários.


[Pilar Baptista Ribeiro, 1960]

Tornou-se, então, instrutora de Matemática na Pennsylvania State University, só regressando dos Estados Unidos da América depois do 25 de Abril de 1974, após quase trinta anos de exílio.

Na década de 1960, o casal Pilar e Hugo Baptista Ribeiro estiveram no Brasil, onde Hugo Ribeiro leccionou, pontualmente, na Universidade Federal de Pernambuco, Recife, e reencontraram Maria Helena de Vinha Novais e José Morgado.

[José Morgado, Helena Novais, Pilar e Hugo Ribeiro, em Recife, in blogue Ruy Luís Gomes, de Jorge  Rezende]

Entre 1976 e 1980, esteve como professora na Universidade do Porto, a convite de Ruy Luís Gomes, e na Escola Biomédica Abel Salazar.

Em Janeiro de 2005, doou à Biblioteca Nacional o espólio do marido, constituído essencialmente por correspondência de personalidades nacionais e estrangeiras, incluindo um núcleo de cartas familiares e alguns rascunhos de cartas enviadas.

Por ocasião do centenário do seu nascimento, a Sociedade Portuguesa de Matemática (SPM), em colaboração com os CTT, lançou um Inteiro Postal Comemorativo.

Feminae. Dicionário Contemporâneo, editado em 2013 pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, contém uma entrada dedicada a Maria do Pilar Baptista Ribeiro.

Os blogues António Aniceto Monteiro e Ruy Luís Gomes inserem dados biográficos e fotografias de Pilar Ribeiro, para além de muita outra informação sobre matemáticos, cientistas e intelectuais perseguidos pela ditadura do Estado Novo.

[João Esteves]

domingo, 26 de outubro de 2014

[0816.] MARIA HELENA DE VINHA NOVAIS [I] || 1926 - 2014

* MARIA HELENA DE VINHA NOVAIS *
[21/12/1926-14/10/2014]


[c. 1960]

Filha de José de Andrade Novais e de Antónia Gomes Vinha Novais, nasceu em Chaves a 21 de Novembro de 1926 e faleceu no Porto a 14 de Outubro de 2014, com 87 anos de idade.

Professora do ensino liceal particular, participou, em 1949, na campanha presidencial de Norton de Matos e interveio a 28 de Janeiro na sessão promovida na Voz do Operário pela Comissão Eleitoral Feminina de Apoio àquela Candidatura [Às mulheres de Portugal: colectânea dalguns discursos pronunciados pela propaganda da candidatura, Lisboa, Serviços Centrais da Candidatura do General Norton de Matos, 1949]. 

Detida pela PIDE em 20 de Dezembro de 1953, juntamente com a irmã mais nova Maria Cândida de Vinha Novais [Braga, 01/11/1930 - Póvoa da Galega, 27/04/2025], foi levada para Caxias e libertada a 9 de Janeiro de 1954. A irmã saiu no mesmo dia mas foi novamente presa por desobediência, recolhendo então à 23.ª Esquadra da PSP.

Maria Helena casou, em 1955, com o matemático, professor universitário e oposicionista José Cardoso Morgado Júnior [17/02/1917-08/10/2003], perseguido, afastado do ensino em Junho de 1947 e várias vezes preso e agredido por motivos políticos.

Em 1960, o casal partiu para o Brasil, país onde desembarcou a 21 de Março, levando consigo o filho de um ano [José Paulo Novais Cardoso Morgado].

[José Morgado, Helena Novais, Pilar e Hugo Ribeiro, em Recife, in blogue Ruy Luís Gomes, de Jorge  Rezende]

Com o 25 de Abril, regressou a Portugal e leccionou, entre 1 de outubro de 1974 e 9 de dezembro de 1996, quando se aposentou, na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.

Ativista contra a ditadura salazarista manteve, após o regresso ao país, o mesmo empenhamento político e cívico.    

Foi sepultada a 16 de Outubro em Pegarinhos, Vila Real, terra de onde o marido era natural.

[João Esteves]

[0815.] ALJUBE DO PORTO - PRESOS POLÍTICOS || 1934

* Fotografia enviada do Aljube do Porto por Mário Gomes dos Santos aos sobrinhos e datada de 10 de Março de 1934 *


[Arquivo Particular]

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

[0813.] ORLANDO LEITÃO [II]

* ORLANDO ANTÓNIO COELHO LEITÃO *
[1931-19/10/2014]

[1979]

[Candidato da Aliança Povo Unido por Lisboa às eleições para a Assembleia da República de 2 de Dezembro de 1979]

[0812.] ORLANDO LEITÃO [I] || 1931 - 2014

* ORLANDO ANTÓNIO COELHO LEITÃO *
[1931-19/10/2014]

 
[1975]

[Candidato do Partido Comunista por Lisboa às eleições para a Assembleia Constituinte de 1975]

terça-feira, 21 de outubro de 2014

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

[0810.] CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS [XXII]

* NOS 100 ANOS DO CNMP || 1914-2014 *



Inserido nas Jornada Internacionais Falar de Mulheres - 10 anos depois, decorreu hoje de manhã a evocação do centenário do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Foram também oradores Anne Cova e Paulo Guinote, tendo a sessão sido moderada por Natividade Monteiro. 

O CNMP foi constituído há 100 anos, em Março de 1914, e merece ser evocado, celebrado e estudado por razões óbvias.

Apenas  algumas notas. 

1.º O CNMP sobreviveu durante 33 anos, tornando-se a organização de mulheres que mais tempo perdurou durante todo o século XX: nasceu e cresceu durante a 1.ª República; conheceu a Ditadura Militar; e foi extinta pela Ditadura do Estado Novo, em 28 de Junho de 1947.

2.º Durante esses anos sobressaem 3 nomes, embora só 2 é que permanecem vivos, historiograficamente falando:
  • Adelaide Cabete, nome mais sonante desde a fundação até 1935, ano em que faleceu.
  • Maria Lamas, que está associado aos três últimos anos do CNMP e que lhe deu nova vida.
  • Maria Clara Correia Alves, o nome “esquecido” e que foi essencial nos primeiros anos da sua existência até à viragem da década de 10 para a de 20.

3.º Os 33 anos do CNMP foram desiguais, passando por várias fases:
  • A década de 1910, que corresponde ao início, teve como principais dinamizadoras Adelaide Cabete e Maria Clara Correia Alves. Está ainda por esmiuçar o porquê do surgimento em Março de 1914, quando ainda subsistiam a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e a Associação de Propaganda Feminista, organizações lideradas por correlegionárias de Adelaide Cabete? Os republicanos e maçónicos já não confiavam em Ana de Castro Osório ou era uma orientação internacional que se impunha às feministas portuguesas?
  • Na década de 1920, quando a República estava já a soçobrar, atingiu o seu primeiro ponto alto ao tornar-se uma organização feminista com impacto em Portugal e no estrangeiro mediante os 6 congressos internacionais e 4 nacionais a que esteve associado entre 1920 e 1929. É também nestes anos que maçónicas repartiram os sucessivos corpos gerentes.
  • Com o endurecimento da ditadura Militar e a sua mutação em Estado Novo, sobrevive com muitas dificuldades e ambiguidades, verificando-se um difícil equilíbrio do CNMP com as outras organizações de mulheres criadas pela ditadura: OMEN e MPF. Talvez por o CNMP não ser então uma organização “segura”, as mulheres de esquerda tenham avançado para a fundação da Associação Feminina Portuguesa para a Paz (1935-1952). Até 1935, mesmo quando estava em Angola, Adelaide Cabete continuava a ser a sua figura tutelar.
  • Em meados da década de 40 deu-se o renascimento do CNMP com a eleição de uma direção presidida por Maria Lamas.

4.º O CNMP tinha começado como uma organização republicana e feminista, embora se declarasse apolítica e arreligiosa, e acabava como uma agremiação antifascista.

  •  A forte adesão de jovens mulheres universitárias, intelectuais e oposicionistas por altura do fim da II Guerra não foi um acaso.
  • Em torno do CNMP, da AFPP, do MUD e do MUD Juvenil despontava a segunda geração de mulheres oposicionistas.
  • A resistência ao fascismo não se deu só no masculino e continua a ser um erro crasso não ver o alcance da militância política, para além da cultural, destas mulheres.

5.º Em conclusão, o CNMP deixa, pelo menos, dois legados: enquanto aglutinador de republicanas, feministas e maçónicas num primeiro momento e, na última fase, enquanto mobilizador e dinamizador da oposição feminina antifascista.

6.º Alguns estudos sobre o CNMP: