[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

segunda-feira, 20 de abril de 2015

[0961.] ANA VICENTE [I]

* ANA MARIA LOWNDES MARQUES VICENTE *
[08/02/1943-19/04/2015]

Desde a década de 1990 que me fui cruzando com Ana Vicente em diversas iniciativas no âmbito dos Estudos Sobre As Mulheres e mantivemos maior aproximação aquando da sua colaboração no Dicionário no Feminino (séculos XIX-XX) [2005] e Feminae - Dicionário Contemporâneo [2013].

Já muito debilitada, não deixou de comparecer à homenagem a Maria Reynolds de Souza realizada a 5 de Março de 2015, tendo um dos seus últimos escritos - "Tributo a uma antiga colega e atual amiga" - sido inserido na obra Estudos sobre as Mulheres e Biografias no Feminino - Contributos de Maria Reynolds de Souza [CIG, 2015].

Feminista, investigadora, professora, escritora, conferencista, articulista e católica, enfrentava há muito a doença, mas nunca desistiu de fazer a sua caminhada e de intervir em defesa das suas convições. 


"Filha de mãe inglesa e pai português. Casada, uma filha, um filho, quatro netos. Licenciada em Línguas e Literaturas Modernas, Universidade de Lisboa.

Na juventude foi membro da Acção Católica e da Cooperativa Pragma, de que foi dirigente.

Professora e tradutora no início da carreira. 

Após o 25 de Abril entrou para a administração pública portuguesa, tendo trabalhado na área dos direitos das mulheres (Comissão para a Igualdade e para os Direitos das Mulheres – CIDM). 

Foi presidente desta instituição entre 1992-96. Foi Secretária Executiva do Programa Nacional de Combate à Droga, Projecto VIDA. 

Trabalhou nos gabinetes de Maria de Lourdes Pintasilgo e de Maria Leonor Beleza. 

Foi consultora do Fundo das Nações Unidas para a População, tendo trabalhado em programas de saúde reprodutiva com os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. Aposentada desde Dezembro de 1998. 

Integrou o grupo CID – Crianças, Idosos, Deficientes, Cidadania, Instituições, Direitos, cujo objectivo era garantir a qualidade de acolhimento institucional desses três grupos. Membro do Fórum de Educação para a Cidadania, cujos trabalhos terminaram em Maio de 2008, com a apresentação de um documento. 

Membro fundador da Associação de Lares Familiares para Crianças e Jovens «Novo Futuro». É também membro do Movimento Internacional «Nós Somos Igreja», que foi trazido para o país em 1997 por Maria João Sande Lemos e pela própria. Membro da Amnistia Internacional e da Associação Portuguesa de Estudos sobre as Mulheres.

Actualmente é investigadora, realiza conferências, actua como formadora/professora, escreve livros e artigos. 

Autora de dezenas de comunicações e artigos e dos seguintes livros: Mulheres em Discurso (1987);Portugal visto pela Espanha, correspondência diplomática 1939-1960, (1992); As Mulheres em Portugal na Transição do Milénio (1998); Os Poderes das Mulheres, os Poderes dos Homens (1998, 2ªedição, 2002); O Príncipe Real, Luiz Filipe de Bragança, (1887-1908) com António Pedro Vicente (1998); Direitos das Mulheres/Direitos Humanos (1999 e 2000); As Mulheres Portuguesas vistas por Viajantes Estrangeiros, sec. XVIII, XIX e XX (2000 e 2001); Arcádia – Notícia de uma Família Anglo-Portuguesa, (2006); Ser Igreja (org. por Ana Vicente e Leonor Xavier), (2007).Livros para crianças, todos com ilustrações de Madalena Matoso (2005-2008): O H Perdeu uma Perna; Para que serve o Zero?; Onde está o Mi?; Onde acaba o Arco-Íris?; Como passa o Tempo?.

Junho de 2008.»

domingo, 19 de abril de 2015

quarta-feira, 15 de abril de 2015

sexta-feira, 10 de abril de 2015

[0953.] SEMINÁRIO PERMANENTE SOBRE A MULHER NA HISTÓRIA GLOBAL [II] || CHAM

* A POLÍTICA ATLÂNTICA DA INFANTA D. BEATRIZ (1470-1485) *

|| 29 DE ABRIL || 18.00 || FCSH-NOVA ||

MARIA BARRETO DÁVILA 
(CHAM)


[0952.] POLÍTICAS MUNICIPAIS DE IGUALDADE DE GÉNERO // COLÓQUIO INTERNACIONAL

* COLÓQUIO INTERNACIONAL // APEM - CES *

** 11-12 DE MAIO DE 2015 // COIMBRA **


Colóquio organizado pela APEM sobre “POLÍTICAS MUNICIPAIS E IGUALDADE DE GÉNERO”.

O principal objetivo do colóquio é encetar uma reflexão científica participada acerca das conceções, processos e resultados da transversalização da igualdade de género nas políticas locais, desenvolvidas pelos municípios portugueses. 

A territorialização das políticas de igualdade sexual será debatida a partir de experiências concretas partilhadas por investigadoras, consultoras e pessoal técnico e dirigente que nas autarquias têm produzido diagnósticos e planos de ação de combate às desigualdades e à violência doméstica e de promoção da igualdade de mulheres e homens.

Em foco estarão quer as estratégias de mudança organizacional quer as de intervenção municipal nas várias políticas sectoriais.

Pretende-se também que esta reflexão decorra numa perspetiva comparada, pelo que foram convidadas várias especialistas que partilharão  a sua experiência sobretudo em Espanha, país em que as políticas locais de igualdade de género se iniciaram de forma mais generalizada e sistemática bastante mais cedo do que em Portugal.

O programa do Colóquio está quase fechado, faltando incluir os municípios na sessão de apresentação das suas experiências, dificuldades, desafios e boas práticas na promoção da igualdade de género. 

A apresentação por parte de municípios expressamente convidados para o efeito será realizada através de uma sessão de posters (a ter lugar na tarde do primeiro dia do Colóquio, dia 11 de maio, às 16:30), que culminará numa mesa redonda com representantes de cada município.

[0951.] MUSEU BERNARDINO MACHADO // FERNANDA ROLLO [I]

* MARIA FERNANDA ROLLO *

** PORTUGAL NA I GUERRA // O PAPEL DE BRITO CAMACHO E DOS UNIONISTAS **
*** MUSEU BERNARDINO MACHADO // 17 DE ABRIL // 21.30 ***


[0950.] MANUEL PEDROSO MARQUES [I]

* OS EXILADOS - NÃO ESQUECEM NADA MAS FALAM POUCO || MANUEL PEDROSO MARQUES *

14 DE ABRIL || 18.30 || EL CORTE INGLÊS || PISO 7


O livro será apresentado por Manuel Villaverde Cabral

** A OBRA **

«A literatura sobre o exílio é escassa. Parece que o sentimento de “estrangeneidade” que o olhar do outro causa no exilado, porque não é de lá, não é de lado nenhum, é um estrangeiro, um fugitivo, não inspira a recordação, antes a vã tentativa de esquecimento. Neste livro, fala-se das situações de exilados, deportados, banidos, torturados, refugiados e de comuns emigrantes, em relação a portugueses, brasileiros, espanhóis, do exílio judeu, do galego e de outros, em diferentes épocas e circunstâncias. E também dos exilados portugueses depois do 25 de Abril e da Descolonização.

Dos proverbiais conflitos entre os exilados políticos parte-se para a sua compreensão, chegando a estados psicológicos e opções políticas provenientes de vidas que marcam homens e de ideias que marcam vidas.

No caso de Portugal, salientamos o quadro estratégico e político responsável pelo elevado número de emigrantes, exilados e estrangeirados, ao longo da nossa história. Também o Brasil e os exilados brasileiros em Portugal merecem especial referência.

Não se mitificam sacrifícios nem valentias. Mas denunciam-se os crimes, as contradições e o ridículo de muitos ditadores: viveram transidos de medo!»

*** O AUTOR ***

Manuel Pedroso Marques é coronel do Exército e esteve exilado 12 anos. 

Participou na acção designada por «Movimento de Beja». Julgado à revelia, condenado, esteve quase três anos em asilo político na Embaixada do Brasil. 

Saiu clandestinamente do país; pediu asilo político em França; conseguiu um salvo-conduto para o Brasil, de onde regressou após o 25 de Abril.

Membro da Acção Socialista Portuguesa que deu origem ao actual Partido Socialista.

Em França, trabalhou no Centre de Formation des Journalistes. No Brasil, trabalhou em gestão, em redacção e foi responsável por chancelas editoriais.

terça-feira, 24 de março de 2015

domingo, 22 de março de 2015

[0947.] ALDA NOGUEIRA [II] || 1923 - 1998

* MARIA ALDA BARBOSA NOGUEIRA *
[1923-1998]


* BIOGRAFIA PRISIONAL *




[Presos Políticos no Regime Fascista VI - 1952-1960]

quinta-feira, 19 de março de 2015

[0946.] ALDA NOGUEIRA [I] || 1923 - 1998

* MARIA ALDA BARBOSA NOGUEIRA *
[19/03/1923-05/03/1998]

[1975]

Filha de uma costureira de alfaiate e de um serralheiro mecânico, Maria Alda Barbosa Nogueira nasceu em 19 de Março de 1923 em Alcântara, “então um bairro cheio de fábricas, de trabalhadores e muitos dos seus filhos eram meus colegas de escola” [entrevista a Helena Neves].

Andou na Escola da Tapada, em Alcântara, e frequentou o Liceu D. Filipa de Lencastre, onde militou no Socorro Vermelho Internacional, recolhendo géneros e roupas para os espanhóis e foi Presidente da Associação Escolar durante vários anos. 

No Filipa de Lencastre foi aluna de Manuela Palma Carlos, “uma mulher admirável que me despertou para as ciências humanas, para a literatura”, de Irene Alice de Oliveira, “professora de História que me alargou a visão de história, do mundo”, de Alice Graça, “professora de Física, uma mulher republicana que tinha pertencido à Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, uma mulher interessantíssima, muito avançada para a época” e de Maria José Estanco, “em Desenho”, mulheres que a influenciaram muito [Helena Neves].

Também no Liceu, tornou-se amiga e camarada inseparável de Cecília Simões [Areosa Feio] e de Maria Helena Alves Tavares Magro: “A Helena era quase como irmã, era a minha grande amiga, e acompanhou-me sempre. Ela foi para a clandestinidade primeiro que eu, mas estive a tomar a última refeição com ela. Sim, foi a minha melhor amiga cuja morte na clandestinidade eu senti muito” [Helena Neves].

Aos 17 anos entrou para a Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, licenciou-se em Ciências Físico-Químicas em 1946 e exerceu a docência liceal durante três anos. 

Durante a Faculdade, integrou a Associação Feminina Portuguesa para a Paz, cuja sede funcionava próximo da Faculdade de Ciências. Na AFPP “conheci mulheres fantásticas, combativas, inteligentes, a Maria Valentina Trigo de Sousa, a Maria Helena Pulido Valente, a Glafina Lemos, assistente da faculdade, a Maria Letícia, a Francine Benoit, que dirigia o orfeão da Associação, a Manuela Porto” [Helena Neves].

Aí, 
Aprendi imenso. Tínhamos muita correspondência a nível internacional, recebíamos filmes das embaixadas que fazíamos passar nos cinemas, para arranjar fundos para o socorro dos refugiados da guerra, aos perseguidos pelo fascismo, no estrangeiro e entre nós. Enviámos mesmo algum socorro para o Tarrafal. Simultaneamente a esta atividade funcionavam cursos de alfabetização, cursos de primeiros socorros. Pela própria composição da Associação, pelas mulheres que a animavam, mas também pelas notícias que nos vinham dos países envolvidos no conflito, onde as mulheres ocupavam todos os postos de trabalho, começou a gerar-se a ideia de que os direitos da mulher estavam entrelaçados com a defesa da democracia, com a própria luta contra o fascismo”.

Em 1945, integrou o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, onde colaborou ativamente com Maria Lamas.

“O Conselho estava organizado só aqui em Lisboa e a Maria, tal como muitas de nós, considerava que era necessário alargá-lo a todo o país. Como eu dava aulas mas tinha uma vida bastante disponível, fui destacada para ir ao Algarve e lá consegui organizar várias delegações do Conselho, em Faro, Olhão, Silves, Montachique. Depois fui o Porto… Enfim, enraizámo-nos de facto. Tínhamos delegações na Figueira da Foz, em Coimbra, no Porto, na Marinha, nas Caldas. Tínhamos várias atividades. Entre elas, os cursos de alfabetização. Recordo-me que em Olhão foi distribuída uma tarjeta pelas fábricas informando que no Conselho se ensinava a ler e a escrever e o largo onde eu morava e funcionava o Conselho, ficou pejado de mulheres, umas 200 ou 300, querendo vir às aulas. Foi um trabalho esgotante este, mas maravilhoso. Aprendi muito com a Maria e também ela aprendeu connosco – foi belo!” [Helena Neves].

Aderiu ao Partido Comunista em 1942.

Em 1949, quando se lhe deparava a possibilidade de uma carreira de investigadora científica, passou à clandestinidade. Trabalhou na redação do jornal Avante!, pertenceu ao Comité Local de Lisboa, em 1957, no V Congresso do Partido Comunista, foi eleita membro suplente do Comité Central e, entre 1957 e 1959, integrou a Direção da Organização Regional de Lisboa.  

Em 1958, destacou-se na candidatura presidencial de Arlindo Vicente.

Presa a 15 de Outubro de 1959, recusou-se a responder a qualquer pergunta e permaneceu detida 10 anos consecutivos: “Na prisão retiraram-me os melhores anos da minha vida. Entrei com 35 anos, saí com 45 anos” [Helena Neves].

Durante a prisão, 
Estive com várias amigas durante muitos anos – a Sofia Ferreira, Ivone Dias Lourenço, Maria da Piedade, Aida Paulo, Matilde Bento, Maria Luísa Costa Dias e tantas outras. Passámos por várias situações. Houve salas com beliches (10 ou 12 pessoas) e outras menores. Dividíamos o dia em duas partes. De manhã levantávamo-nos e tínhamos de correr para tomar o banho quente (com o tempo contado e só uma por casa de banho). A inspeção e a contagem eram às 8H. Recebíamos um jornal diário – o Século – e líamos em coletivo. À volta da mesa fazíamos os nossos trabalhos. Fiz então as camisolas todas do meu filho, saias para a minha mãe, pegas para a cozinha, essas coisas… A Ivone fazia bonecas, caixas e outras coisas interessantes. Elas foram-me ensinando. A visita era às 10H, em geral de meia hora. Depois trocávamos as notícias… que não eram muitas pois a vigilância era muito grande. Almoçávamos. Repousávamos. E retomávamos o trabalho” [Helena Neves].

Passavam pelas prisões pessoas analfabetas e outras com cursos. E umas ensinavam às outras. Tínhamos cursos de matemática, ciências, português, línguas e história. Depois tínhamos o recreio. Inicialmente davam-nos apenas 15 minutos, mas lutámos e chegámos a ter 1 hora. Uma hora num terraço por cima da cela, uma cela sem telhado.!...” [Helena Neves].

Só foi libertada em Dezembro de 1969: 
O tempo tem uma contagem conforme se vive mais ou menos os acontecimentos. Ao fim de cinco anos de cadeia deixamos de ter a noção dos dias. O tempo deixa de contar. A sensação de sair liberta sozinha foi horrível. Eles tinham dito que eu saía e eu disse ao meu irmão para estar lá à minha espera. Anteciparam 24 horas e sai só, com duas malas grandes, num mundo que tinha mudado tanto. À porta da António Maria Cardoso foi horrível, não podia com as malas. Meti-me no elétrico até à Rua do Ouro. Aí, meti-me num táxi e disse ao homem para me levar a Alcântara, ao Largo do Calvário. Eram destruidores, malvados até ao fim. Quando saí tinha dificuldade em andar. Lembro-me de ir na rua com o meu filho e parecia-me ter um tapete rolante que me levava a cair. Fez-me muita impressão ver as pessoas juntas num elétrico, num autocarro. Sentia as pessoas com um ar muito triste. O primeiro filme que fui ver o “Romeu e Julieta”. Quando veio o intervalo e vi todas as pessoas juntas, fiquei agoniada e vomitei o jantar todo e tive de me vir embora.” [Helena Neves]

Libertada, voltou à militância, encontrando-se na Bélgica com o estatuto de refugiada política aquando do 25 de Abril de 1974.

Após a revolução, foi eleita pelo círculo de Lisboa para Assembleia Constituinte (1975-1976) e para a Assembleia da República, onde permaneceu até 1986.

Na Assembleia Constituinte, integrou a Comissão de Sistematização.

Na Assembleia da República, participou nas comissões de Negócios Estrangeiros e de Emigração. Segundo Teresa Fonseca refere no Dicionário no Feminino
interveio frequentes vezes a favor dos trabalhadores portugueses emigrantes, reivindicando a promoção do ensino da língua portuguesa no estrangeiro, requerendo medidas de proteção aos emigrantes de visita a Portugal e pugnando pela aprovação de um projeto de lei sobre comissões consulares dos emigrantes, suscetíveis de contribuir para a solução dos múltiplos problemas com que estes se debatiam, nomeadamente no respeitante à obtenção e à renovação das cartas de trabalho. Emitiu pareceres sobre os relatórios de várias missões parlamentares ao estrangeiro, no âmbito dos trabalhos da União Parlamentar. Interveio em diversos debates sobre a paz, o desanuviamento militar e o desarmamento nuclear, denunciando os grandes interesses económicos envolvidos no fabrico de armas. Protestou contra a violação dos direitos do homem em diversos países, como a Nicarágua, El Salvador, a África do Sul e ainda em Timor Leste. Participou ativamente nos debates em torno dos orçamentos gerais do Estado”. 

Presidente da Comissão Parlamentar da Condição Feminina de 1983 a 1985.

A par da sua militância, colaborou no Movimento Democrático de Mulheres e integrou a Comissão da Condição Feminina, sendo uma defensora intransigente, desde os tempos da juventude, dos direitos das crianças e das mulheres.

Em 1987, recebeu a Distinção de Honra do Movimento Democrático de Mulheres, tendo então Helena Neves escrito um importante texto sobre Alda Nogueira, transcrito pelo filho António Vilarigues no blogue O Castendo

Em 1988, foi condecorada com a Ordem da Liberdade.

A investigação também foi uma grande paixão de Alda Nogueira e sempre pensou que um dia voltaria a ela: “Pensei que era uma suspensão na minha carreira, apenas isso. E lia imensas obras da minha especialidade que pedia aos camaradas que me arranjassem. Entretanto, uni-me ao homem que amava, tive um filho. Mas sempre aguardando o momento em que eu retomaria a carreira. Senti sempre e sinto a nostalgia de não seguir a vida da investigação científica”.

Faleceu em 5 de Março de 1998, em Lisboa, a escassos dias de completar 75 anos de idade.

Publicou dois livros para crianças: Viagem numa gota de água (1977), escrito na prisão, em Caxias, em Dezembro de 1962, ilustrado por Miguel; e Viagem numa flor (1978), ilustrado por Ana Maria Cunhal.

[João Esteves]

terça-feira, 17 de março de 2015

[0945.] SEMINÁRIO PERMANENTE SOBRE A MULHER NA HISTÓRIA GLOBAL [I] || CHAM

* ESTUDOS DA MULHER E DE GÉNERO AO LONGO DA HISTÓRIA: HISTORIOGRAFIA, PROBLEMÁTICAS E METODOLOGIAS *

- 18 DE MARÇO DE 2015 || 18 HORAS || FCSH/NOVA -

ISABEL ALMEIDA
MARGARITA RODRÍGUEZ


Este Seminário Permanente tem por objectivo suscitar o interesse por temas relacionados com género e contribuir para a construção de uma história da mulher a partir da pesquisa desenvolvida por investigadoras/es nacionais e estrangeiros.

O enfoque deste seminário será colocado no conhecimento e na investigação que tem sido desenvolvida no campo interdisciplinar dos estudos relacionados com a mulher, particularmente, no que respeita às temáticas relacionadas com a história peninsular e dos Impérios português e espanhol ao longo do tempo. Para tal, recorreremos a diferentes áreas de especialização e metodologias.

http://www.cham.fcsh.unl.pt/ac_actividade_pri.aspx?ActId=96

[0944.] UNIVERSIDADE FEMINISTA // CCIF/UMAR

* PENSAMENTO DE FEMINISTAS QUE MARCAM OS TEMPOS - II *

- 20 DE MARÇO DE 2015 // 18 HORAS -

FRANÇOISE COLLIN
JUDITH BUTLER
SUSAN FALUDI
  

Universidade Feminista
CCIF/UMAR - Centro de Cultura e Intervenção Feminista
Rua da Cozinha Económica, Bloco D -Espaços 30M e 30N
1300-149 Lisboa - PORTUGAL

http://www.facebook.com/UniversidadeFeminista

[0943.] MULHERES NO PARLAMENTO EUROPEU [I]

* MULHERES NO PARLAMENTO EUROPEU *
- 19 DE MARÇO DE 2015 // 18 HORAS-
** ILDA FIGUEIREDO // MARIA BELO // MARGARIDA SALEMA **


[0942.] MARIA LAMAS || EXPOSIÇÃO EM TORRES NOVAS [I]

* MARIA LAMAS // DE CORPO E ALMA *
TORRES NOVAS // MUSEU MUNICIPAL CARLOS REIS
20 DE MARÇO DE 2015

Não é uma exposição biográfica, mas antes uma evocação de Maria Lamas, do seu espírito livre e da sua ligação às artes e às letras.

Nesta mostra estarão patentes obras de Júlio Pomar, Domingos Rebelo, Machado da Luz, entre outros artistas. 

As peças em exposição provêm, na sua maioria, de coleções particulares.

"De corpo e alma, Maria Lamas" estará patente ao público de 20 de março a 17 de maio de 2015, no Museu Municipal Carlos Reis de Torres Novas.

domingo, 15 de março de 2015

[0941.] FERNANDA GIRÃO DE AZUAGA [I]

* FERNANDA GIRÃO DE AZUAGA *
[1884/5-1968]

[Pormenor de uma fotografia de família, Abril de 1965]

Embora praticamente desconhecido, o nome de Fernanda Girão de Azuaga merece particular atenção por ter aderido aos ideais da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, ainda antes da implantação da República, e da Associação de Propaganda Feminista e pela circunstância da filha, Antónia Girão de Azuaga Santos [1908-2002] ter militado, décadas depois, na Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz. Aliás, tanto a filha como o genro, o médico Jorge Gustavo Sanches de Castro Marques  dos Santos, tiveram militância antifascista nas décadas de 30 a 50 na cidade do Porto.

Nasceu em 1884/5, neta de José Francisco Martins Viana e de Fernanda de Azuaga, sobrinha de Marciano do Carmo Martins Viana de Azuaga e de Joaquim de Azuaga (1853-1893) e filha de Clara de Azuaga.

Casou com Fernando Ezequiel de Moura Viana de Azuaga, funcionário da alfândega, sobretudo em Angola, segundo informações do neto Jorge Santos, tendo o casal tido cinco filhos: Antónia, Edite, Alfredo, João e Fernando.

Em 1909, quando se encontrava em Moçâmedes na companhia do marido, Fernanda Girão de Azuaga terá escrito uma carta de adesão à Liga Republicana das Mulheres Republicanas, agremiação recentemente constituída dirigida por Ana de Castro Osório, sendo referenciada de forma indireta na seção “Expediente da Liga” do Nº 1 da revista A Mulher e a Criança: “Mossamedes – Agradecemos a sua carta e esperemos que ponha em execução o art.º 13º dos nossos Estatutos” [“Expediente da Liga”, A Mulher e a Criança, Nº 1, Abril, 1909, p. 5]. 

Em Maio de 1916, também a partir de Moçâmedes, tornou-se acionista da Empresa de Propaganda Feminista e Defesa dos Direitos da Mulher, sociedade responsável pela edição do jornal A Semeadora (1915-1918), órgão da Associação de Propaganda Feminista dirigido por Ana de Castro Osório [“Empresa de propaganda feminista e defesa dos direitos da mulher”, A Semeadora, nº 12, 15/6/1916, p. 4, col. 3 e nº 21, 15/3/1917, p. 4, col. 4].

Segundo informações do neto, o marido era maçon, terá falecido em 1933 ou 1934 e foi enterrado com aquelas insígnias. Fernanda Girão de Azuaga faleceu em Fevereiro ou Março de 1968, com 83 anos de idade, na cidade do Porto. 

O pormenor da fotografia e alguns dados aqui referidos (outros se seguirão referentes a esta família) só foram possíveis devido à extrema amabilidade e disponibilidade do neto Jorge Santos, há 50 anos a viver em França, da neta e bisnetas. 

Para eles o meu sentido agradecimento, por permitirem dar um rosto e uma história a um nome nascido há 130 anos e que, em terras longínquas e numa época em que a intervenção feminina era rara e incorria riscos, integrou o feminismo e o sufragismo de cariz republicano.