[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

quarta-feira, 6 de junho de 2018

[1829.] LUÍSA RODRIGUES [III] || MILITANTE COMUNISTA NAS DÉCADAS DE 30, 40 E 50

* LUÍSA RODRIGUES (1903 - 1960) || MILITANTE COMUNISTA NAS DÉCADAS DE 1930, 1940 E 1950 || PRESA EM 1936 E 1949 *

[Luísa Rodrigues || 1942 || PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 27, registo nº 5322, PT/TT/PIDE/E/010/27/5322 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Operária e militante comunista nas décadas de 1930, 1940 e 1950. 

Filha de Maria Rosa e de Marçalo Rodrigues, Luísa Rodrigues nasceu em 7 de Março de 1903, em Lisboa - Freguesia de Santa Isabel.

Residia na Rua de São Ciro, 42, 4.º Dto, quando foi presa em 21 de Novembro de 1936, juntamente com Susana Mendonça dos Santos, acusada “de fazer propaganda subversiva e haver a suspeita de ter distribuído panfletos clandestinos nas oficinas da fábrica onde trabalha”, sendo “conhecida como pessoa de ideias avançadas, chegando a cantar a Internacional e mais versos comunistas, na oficina onde é operária” [ANTT, Cadastro Político 8807].

Levada para a 1.ª Esquadra no dia 23, foi transferida para o regime de incomunicabilidade em 5 de Dezembro de 1936, passou para a 1.ª Esquadra da PSP em 14 de Dezembro e, em 19 de Dezembro, seguiu para a Cadeia das Mónicas em 19 de Dezembro, onde permaneceu cerca de 4 meses, até ser libertada, tal como Susana Mendonça Rodrigues, em 12 de Abril de 1937 [ANTT, RGP/5322; Processo 1757/936]. 

[Luísa Rodrigues || 1942 || PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 27, registo nº 5322, PT/TT/PIDE/E/010/27/5322 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Ter-se-á tornado funcionária do Partido Comunista por volta de 1942 [José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal – Uma Biografia Política, Vol. 2, Lisboa, Temas e Debates, 2001, p. 640]. 

Escassos anos depois, era companheira de casa de Manuel dos Santos, operário comunista conhecido pelo “pequeno Dimitrov” [03/02/1914 - 25/10/1947], condenado nos anos 30 a 22 anos de prisão e fugido do Limoeiro em Setembro de 1944, após 12 anos em várias prisões, morrendo na clandestinidade com apenas 33 anos. 

Em 20 de Junho de 1945, quando usava o pseudónimo “Laura”, abandonou a tempo, com aquele, a casa-tipografia de Ermesinde assaltada pela PIDE. 

Novamente presa em 10 de Fevereiro de 1949, em Macinhata do Vouga, Sever do Vouga, na casa clandestina que partilhava com Militão Bessa Ribeiro [13/08/1896 - 02/01/1950], tendo este conseguido, temporariamente, escapar, enquanto Luísa Rodrigues, que usava o pseudónimo “Maria”, destruía documentação. 

Levada para a sede da PIDE do Porto e acusada de pertencer ao Partido Comunista Português, recusou prestar quaisquer informações apesar de "forçada a estar 4 dias e meio sem comer nem beber” [Avante! N.º 134]. Um mês depois, assistiu à chegada às mesmas instalações de Álvaro Cunhal [10/11/1913 - 15/06/2005], Militão Ribeiro e Sofia Ferreira [01/05/1922 - 22/04/2010], tendo os seus constantes gritos contribuído para que se soubesse daquelas prisões. 

[Luísa Rodrigues || 1942 || PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 27, registo nº 5322, PT/TT/PIDE/E/010/27/5322 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Atendendo ao estado de saúde em que Sofia Ferreira reencontrou Luísa Rodrigues, exigiu assistência médica e tentou dar-lhe apoio moral através de um bilhete, entretanto descoberto. Em entrevista a Antónia Balsinha, datada de 30 de Maio de 2000, aquela refere que “o estado da minha amiga era tão grave que a PIDE acabou por a libertar sem processo” [Antónia Balsinha, As Mulheres de Alhandra na Resistência. Anos quarenta, século XX, Porto, Editora Ausência, 2005, p. 203]. 

Libertada em 9 de Maio de 1949, o número de Setembro do Avante! denunciava que tinha sido torturada até à loucura.    

[PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 27, registo nº 5322, PT/TT/PIDE/E/010/27/5322 || "Imagem cedida pelo ANTT"]
              
Faleceu em 1 de Dezembro de 1960, com 57 anos de idade. 
                 
Referenciando-a como companheira de Militão Ribeiro, o Avante! de Janeiro de 1961 sublinhou que o assassinato do companheiro pela PIDE e a saúde fortemente abalada pela prisão, martirizou toda a sua existência [Avante!, N.º 296].

[Desenho de António Domingues, in José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal – Uma Biografia Política – O Prisioneiro (1949-1960), Vol. 3, Lisboa, Temas e Debates, 2005]

António Domingues assinou, em 1954, um desenho onde a retratou com um ar acusador e o braço esquerdo levantado, tendo umas grilhetas quebradas na mão, o qual foi publicado por Pacheco Pereira no III volume dedicado à biografia política de Álvaro Cunhal.

Feminae - Dicionário Contemporâneo, editado pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género em 2013, inseriu a sua biografia.

NOTA: Atenção ao uso indevido das imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 8807 [Luísa Rodrigues / PT-TT-PIDE-E-001-CX13_m0341].
ANTT, PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos/5322 [Luísa Rodrigues / PT-TT-PIDE-E-010-27-5322].

[João Esteves]

terça-feira, 5 de junho de 2018

[1828.] SUSANA MENDONÇA DOS SANTOS [II]

* SUSANA MENDONÇA DOS SANTOS || PRESA EM 1936 E 1942 || UMA FAMÍLIA NAS PRISÕES POLÍTICAS DO FASCISMO: MÃE E TRÊS IRMÃOS *

[Susana Mendonça dos Santos || 1942 || PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 27, registo nº 5323, PT/TT/PIDE/E/010/27/5323 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Operária costureira, militante comunista.

Filha de Elvira Mendonça [n. 01/08/1883] e de António Luís dos Santos, Susana Mendonça dos Santos nasceu em 29 de Março de 1909, em Lisboa - S. Mamede.

Tal como a mãe e os irmãos André [n. 21/01/1910] e Manuel dos Santos [1914? - 25/10/1947], operário comunista conhecido pelo “pequeno Dimitrov” condenado nos anos 30 a 22 anos de prisão e fugido da Penitenciária de Coimbra em Setembro de 1944, com a saúde muito debilitada, morrendo na clandestinidade, manteve intensa actividade política nas décadas de 30 e de 40, conhecendo também ela a prisão por mais de uma vez.

Detida em 21 de Novembro de 1936 pela Polícia de Vigilância e Defesa do Estado/Secção Política e Social, com Luísa Rodrigues [07/03/1903 - 01/12/1960], de quem era colega de fábrica, acusada “de fazer propaganda subversiva e haver a suspeita de ter distribuído panfletos clandestinos nas oficinas onde trabalhava" [ANTT, Cadastro Político 8806; Processo 2210/SPS].

Transferida para o regime de incomunicabilidade em 5 de Dezembro de 1936, passou para a 1.ª Esquadra da PSP em 14 de Dezembro e enviada para a Cadeia das Mónicas em 19 de Dezembro, sendo restituída à liberdade em 12 de Abril de 1937 [ANTT, RGP/5323; Processo 1757/936].

[Susana Mendonça dos Santos || 1942 || PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 27, registo nº 5323, PT/TT/PIDE/E/010/27/5323 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Tornou a ser presa a 1 de Agosto de 1942. Transferida para a Inspecção de Coimbra no dia 5, regressou a Lisboa em 28 do mesmo mês, recolheu à 1.ª Esquadra e ingressou no Forte de Caxias em 15 de Setembro.

Julgada pelo Tribunal Militar Especial em 27 de Outubro de 1943, foi condenada a 1 ano de prisão correccional, dada por extinta, e saiu em liberdade em 22 de Novembro de 1943 [Processos 280/942 e 1493/42, do TME].

O jornal Avante! da primeira quinzena de Março de 1943, a propósito de novo julgamento do irmão Manuel dos Santos, informava que, para o pressionarem a fazer declarações, o regime fascista tinha condenado “a sua mãe «como jovem comunista» [?] a dois anos de prisão [...] e a sua irmã Susana no Tribunal Militar Especial a muitos meses de prisão” , preparando-se para “sujeitá-lo a novo julgamento em Tribunal Militar Especial ao lado de sua irmã bastante doente” [Avante!, Nº 28]. 

[Susana Mendonça dos Santos || 1942 || PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 27, registo nº 5323, PT/TT/PIDE/E/010/27/5323 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

O mesmo periódico clandestino denunciou, entre 1935 e 1947, a repressão policial que afectava quotidianamente a família daquele preso comunista, acusando de “prenderem, condenarem e assassinarem sua mãe”, ao detê-la em Fevereiro e Março de 1936, “como elemento de ligação entre ele e os seus camaradas” [“Salvemos Manuel dos Santos”, Avante!, Série II, Nº 20, Agosto de 1936, p. 2] e cuja condenação a dois anos de prisão “arruinaram o seu organismo depauperado pela miséria” [“Nos Tribunais Fascistas – Novo julgamento de Manuel dos Santos”, Avante!, Série VI, Nº 28, 1.ª Quinzena de Março de 1943, p. 2, col. 2].

Sendo Susana Mendonça dos Santos colega de fábrica e correlegionária de Luísa Rodrigues, não terá sido por acaso que o irmão Manuel dos Santos foi viver clandestinamente com esta quando fugiu da prisão, já muito doente, em 1944, falecendo três anos depois. 

Em tempos sombrios, em que muitos se calaram, pactuaram ou resignaram-se, esta família de origem modesta e operária mereceria, como muitas outras, um estudo mais aprofundado e enquadrado no contexto político e sócio-económico da época.

Feminae - Dicionário Contemporâneo [Lisboa, CIG, 2013] incluiu uma nota biográfica de Susana Mendonça dos Santos, sendo agora corrigidos e actualizados alguns dos dados ali inseridos.

[PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos, liv. 27, registo nº 5323, PT/TT/PIDE/E/010/27/5323 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

NOTA: Atenção ao uso indevido das imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 8806 [Susana Mendonça dos Santos / PT-TT-PIDE-E-001-CX15_m0501].
ANTT, PIDE, Serviços Centrais, Registo Geral de Presos/5323 [Susana Mendonça dos Santos / PT-TT-PIDE-E-010-27-5323].

[João Esteves]

segunda-feira, 4 de junho de 2018

[1827.] ARMINDO FAUSTO CARDOSO DE FIGUEIREDO [I] || PRESO ENTRE 932 E 1944, APESAR DE CONDENADO A DOIS ANOS

* ARMINDO FAUSTO DE FIGUEIREDO || PRESO EM 1932, CONDENADO A DOIS ANOS, FOI MANTIDO SUCESSIVAMENTE PRESO ATÉ 1944, QUANDO FOI LIBERTADO DO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO TARRAFAL || ALJUBE, PENICHE, ANGRA DO HEROÍSMO, TARRAFAL *

[Armindo Fausto de Figueiredo || ANTT || RGP/187]

Estudar a Ditadura Militar e o Fascismo português implica estar atento a cada um daqueles que se lhes opuseram e reconstruir o percurso possível tantos anos depois. 

Embora cada nome comporte vivências diferentes, há matrizes comuns de luta, resistência, perseguições, violências policiais e prisionais, sofrimentos individuais e familiares. Vidas que mal tinham despontado e logo eram interrompidas. Por vezes, para sempre, mesmo quando sobreviviam. Vidas que o tempo foi devorando e silenciando.

O caso de Armindo Fausto Cardoso de Figueiredo é emblemático das arbitrariedades da justiça, dos governantes e do poderio das polícias políticas, quer da Ditadura Militar transmutada em Ditadura Nacional, quer do fascizante Estado Novo: condenado, inicialmente, a dois anos de degredo, acabou por cumprir doze anos de cativeiro, sendo que os oito últimos foram passados no Campo de Concentração do Tarrafal.

Filho de Rosalina de Matos Figueiredo e de Eduardo de Figueiredo, Armindo Fausto Cardoso de Figueiredo (ou Armindo Fausto de Figueiredo), terá nascido em 1910/1911, no Porto.

Terá estado envolvido na jornada de luta preparada pelo Partido Comunista para o dia 29 de Fevereiro de 1932, que implicava o recurso a engenhos explosivos, a qual acabou por não se realizar devido à prisão dalguns dos implicados. Nesse âmbito, colaborou com Carlos Duarte, Manuel Moor [RGP/8793] e Nobre Guerreiro, tendo guardado, em sua casa, seis daquelas bombas a serem utilizadas no Rego [Processo 460].

No entanto, só foi preso em 9 de Junho de 1932 à ordem da Secção de Vigilância Política e Social da Polícia Internacional, quando já era o soldado 309/32373 da 3.ª Secção da 3.ª Companhia de Trem Hipomóvel, acusado de integrar a organização comunista da sua Unidade, tendo sido indicado a Manuel Augusto da Rosa Alpedrinha [RGP/137] por Jaime Tiago [RGP/76].

Em 11 de Agosto, por parecer do Director-Geral da Segurança Pública e concordância do Ministro do Interior, foi-lhe "fixada residência obrigatória em Timor ou em Cabo Verde" [ANTT, Cadastro Político 4610].

[Armindo Fausto de Figueiredo || ANTT || RGP/187]

Julgado pelo Tribunal Militar Especial de Lisboa em 15 de Julho de 1933, foi condenado a dois anos de degredo, "ficando depois à disposição do Governo" [Processo 32/933, TME de Lisboa].

Enviado para o Aljube em 22 de Novembro de 1934, foi transferido para Peniche em 19 de Dezembro e aí permaneceu até 20 de Março de 1935. 

Regressou ao Aljube e, em 22/23 de Março de 1935, embarcou a bordo do vapor Carvalho de Araújo com destino à Fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo.

Em Julho de 1935, Armindo Fausto de Figueiredo requereu ao Ministro do Interior a sua libertação, "em virtude de haver terminado a pena a que havia sido condenado" [ANTT, Cadastro 4610].

Em 12 de Agosto de 1935, entrou na Secção Política e Social da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado, "vindo do Comando Militar dos Açores, um requerimento do epigrafado, em que este continua a insistir pela sua libertação", tendo sido respondido "que o epigrafado, por sentença do Tribunal, deve ser entregue ao Governo depois de cumprida a pena, não havendo qualquer vantagem para o Estado no seu regresso" [ANTT, Cadastro 4610].

Por despacho do Ministro do Interior, de 16 de Agosto, foi indeferida a libertação de Armindo Fausto de  Figueiredo, continuando este em Angra do Heroísmo.

Mesmo quando o Tribunal Militar Especial de Lisboa pediu que Armindo Fausto de Figueiredo fosse transferido para a capital, a fim de ser submetido a novo julgamento, a PVDE continuou a dar "parecer desfavorável" quanto a essa pretensão. 

Em 31 de Julho de 1936, foi julgado pelo Tribunal Militar Especial reunido em Angra do Heroísmo.  Acusado dos acontecimentos reportados a 1932, seria condenado "na pena de seis meses de prisão correccional, dada por expiada com a prisão sofrida, e na perda dos direitos políticos por cinco anos" [Processo 14/933, do TME].

Nem desta vez o jovem Armindo Fausto de Figueiredo será libertado, apesar do telegrama de 4 de Agosto de 1936 enviado dos Açores pelo Presidente do Tribunal à PVDE, mandando "por o epigrafado em liberdade, em virtude de haver terminado a pena". A resposta da SPS da PVDE foi que "no caso de ser determinado o regresso, no que não há qualquer vantagem, fica à ordem do Governo em cumprimento da sentença do TME de 1933" [ANTT, Cadastro 4610].

Uma semana depois, em 11 de Agosto, a PVDE recebe o mandado de soltura datado de 1 de Agosto e emanado pelo TME em Angra do Heroísmo, "ao qual não foi dado cumprimento em virtude de o epigrafado estar à ordem do Governo conforme determina a sentença lavrada pelo Tribunal em sua sessão de 15-7-933".

Em 23 de Outubro de 1936, Armindo Fausto de Figueiredo integrou a primeira leva de presos políticos enviada para o Campo de Concentração do Tarrafal, de onde só regressou em 1 de Outubro de 1944 e libertado no dia 9 do mesmo mês.

Condenado, primeiro, a dois anos e, depois, a mais seis meses, Armindo Fausto de Figueiredo esteve mais de doze anos preso, sendo que cerca de dez foi por intervenção directa da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado - PVDE, sobrepondo-se ao TME.

[Armindo Fausto de Figueiredo || ANTT || RGP/187]

Preso enquanto Soldado, havendo três fotografias suas fardado, nesta Ficha do Registo Geral de Presos aparece identificado como empregado no comércio, provavelmente a profissão que exerceria anteriormente.

O nome consta do Memorial de Homenagem aos Ex-Presos Políticos, inaugurado na Fortaleza de Peniche em 9 de Setembro de 2017.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 4610 [Armindo Fausto Cardoso de Figueiredo / PT-TT-PIDE-E-001-CX07_m0352, m0352a, m0352b, m0352c].
ANTT, Registo Geral de Presos / 187 [Armindo Fausto de Figueiredo / PT-TT-PIDE-E-10-1-187_c0406].
ANTT, Fotografia 1946 [Armindo Fausto Cardoso Figueiredo / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0026].
ANTT, Fotografia 2653 [Armindo Fausto Cardoso de Figueiredo / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904_m0020].

[João Esteves]

domingo, 3 de junho de 2018

[1826.] AUGUSTO LIMA FÉLIX [I]

* AUGUSTO LIMA FÉLIX (1911 - ) || PRESO EM PENICHE (1934 - 1935) *

[Augusto Lima Félix || ANTT || RGP/194]

Serralheiro, filho de Maria José Lima e de Augusto Félix, Augusto Lima Félix terá nascido em 1911, em Vila Real de Santo António, localidade onde residia e trabalhava quando foi preso em 1934 no âmbito das comemorações clandestinas do 1.º de Maio.

Preso por, na madrugada de 30 de Abril, "ter tomado parte no hasteamento de bandeiras comunistas em vários edifícios daquela vila" e ser "considerado naquela localidade como elemento perigoso à sociedade" [ANTT, Cadastro Político 5523; Processo 1055 - B].

[Augusto Lima Félix || ANTT || RGP/194]

Entregue, em 8 de Maio de 1934, pelo Comando da PSP de Faro à Polícia de Vigilância e Defesa do Estado e julgado no Tribunal Militar Especial em 11 de Agosto, acusado de "ter feito propaganda de princípios subversivos e de provocação à indisciplina social, por meio de panfletos que distribuiu e bandeiras com insígnias comunistas que, com outros, colocou em alguns edifícios de Vila Real de Santo António", sendo, ainda, "o autor de um panfleto insultuoso que se encontra junto ao processo" [Processo 166/934, do TME].

Condenado a dezoito meses de prisão correccional e perda dos direitos políticos por cinco anos, Augusto Lima Félix foi enviado, em 26 de Outubro de 1934, para a Fortaleza Militar de Peniche.

[Augusto Lima Félix || ANTT || RGP/194]

Libertado em 25 de Outubro de 1935, desconhece-se o seu percurso posterior.

O nome consta do Memorial de Homenagem aos Ex-Presos Políticos, inaugurado na Fortaleza de Peniche em 9 de Setembro de 2017.

Fontes: 
ANTT, Cadastro Político 5523 [Augusto Lima Félix / PT-TT-PIDE-E-001-CX07_m0623, m0623a].
ANTT, Registo Geral de Presos / 194 [Augusto Lima Félix / PT-TT-PIDE-E-10-1-194_c0421].
ANTT, Fotografia 2793 [Augusto de Lima Félix / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904_m0029].

[João Esteves]

sábado, 2 de junho de 2018

[1825.] ALFREDO RUAS / JOSÉ RUAS FERREIRA [I] || ASSASSINADO EM 04/09/1932

* ALFREDO RUAS OU JOSÉ RUAS FERREIRA || ASSASSINADO NO COMÍCIO-RELÂMPAGO DE ALCÂNTARA DE 4 DE SETEMBRO DE 1932 *

Alfredo Ruas foi um dos primeiros jovens a ser assassinado pela Polícia na via pública, quando participava num comício-relâmpago organizado pela Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas no Largo de Alcântara, em 4 de Setembro de 1932, para celebrar o Dia da Juventude. 

No entanto, o nome que consta no Cadastro Político da Polícia Internacional Portuguesa é José Ruas Ferreira e a data inicial da morte inscrita é de 27 de Setembro, sendo, posteriormente, antecipada para dia 4 [ANTT, Cadastro Político 3956].


Francisco de Paula de Oliveira (Pável) foi o orador desse "comício-relâmpago", estando presentes, entre outros, Domingos dos Santos - "O Calabrez", Manuel dos Santos e Pedro Batista da Rocha tendo do confronto com a polícia resultado a morte do guarda António Trancoso e do manifestante Alfredo Ruas.

Embora os dados pessoais que constam dos Cadastros Políticos não sejam, frequentemente, rigorosos, nomeadamente quanto à data de nascimento, não deixa de ser uma incógnita que o nome publicitado seja Alfredo Ruas, assim constando como uma das vítimas do Fascismo, enquanto o Cadastro Político menciona José Ruas Ferreira, situação ainda mais estranha quando este já tinha estado preso no mesmo ano e a informação do Hospital de S. José mantém esta identificação.

Filho de Clara  das Dores Ferreira e de Manuel Cerqueira Ruas, José Ruas Ferreira terá nascido em 1908, em Arcos de Valdevez.

Padeiro no Porto, teria ligações ao Partido Comunista e ao Socorro Vermelho Internacional desde 1927, quando foi abordado pelo sapateiro e militante comunista José  Silva [o autor de Memórias de um operário publicadas no Porto em 1971 e que, significativamente, vivia no mesmo arruamento - Rua da Senhora das Dores - 45].

Em 15 de Abril de 1931, foi preso pela Delegação do Porto da Polícia Internacional Portuguesa, "por estar envolvido no movimento revolucionário e por ser um elemento avançado", sendo libertado em 28 de Abril.

Em 4 de Março de 1932, José Ruas Ferreira voltou a ser detido no Porto, "por pertencer ao Socorro Vermelho Internacional e Partido Comunista Português": "exerceu o lugar de vogal nas Juventudes Comunistas" e "foi o organizador da Zona Nº 2 do Socorro Vermelho Internacional, tendo aliciado diversos indivíduos, na sua maior parte padeiros" [ANTT, Cadastro Político 3956].

Enviado preso para Lisboa em 14 de Abril de 1932, por despacho do Ministro do Interior, de 22 de Junho, foi-lhe fixada residência obrigatória em Peniche [Processo 52/Porto], para onde seguiu em 9 de Agosto e de onde se evadiu.

Pouco depois, em 4 de Setembro, participou no já referido "comício-relâmpago" de Alcântara. Alvejado e levado, sob prisão, para o Hospital de São José, aí faleceu, sendo que o inspector da PIDE Fernando Gouveia também o referencia, nas suas memórias, por José Ruas. 

Também na data do seu falecimento há disparidades, já que, primeiro, anotou-se no seu Cadastro que faleceu naquele Hospital em 27 de Setembro de 1932, "em virtude de ter sido ferido, quando da manifestação comunista em Alcântara, em 4 deste mês" [Processo 561].

Depois, acrescentou-se que "foi ferido quando dos tumultos que, neste dia, tiveram lugar em Alcântara, motivados pela manifestação ali levada a efeito pelas Juventudes Comunistas, comemorando a XVIII Jornada Internacional, tendo dado entrada, sob prisão, no Hospital de S. José, por haver suspeitas do epigrafado ter sido um dos provocadores dessa desordem e ter feito uso da sua arma de fogo" [Processo 558], constando como data do seu falecimento o dia 4 de Setembro.

Não se conseguiu encontrar nenhuma fotografia de Alfredo Ruas ou José Ruas Ferreira.

Fonte:
ANTT, Cadastro Político 3956 [José Ruas Ferreira / PT-TT-PIDE-E-001-CX12_m0689, m0689a].

[João Esteves]

quinta-feira, 31 de maio de 2018

[1824.] FERNANDO ALVES PEREIRA [I]

* FERNANDO ALVES PEREIRA || PRESO EM 1928 E 1932 *

[Fernando Alves Pereira || 08/08/1932 || ANTT || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Fernando Alves Pereira é um dos muitos nomes que teve alguma participação em episódios pontuais contra Ditadura Militar saída do 28 de Maio de 1926 e que caiu no esquecimento. 

Duas vezes preso - em 1928 e 1932 - e rapidamente libertado, é possível conhecer-lhe o rosto, acompanhado do registo biográfico possível.

[Fernando Alves Pereira || 08/08/1932 || ANTT || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Berta de Jesus Pereira e de Henrique Alves Afonso, Fernando Alves Pereira terá nascido em 1905, em Lisboa.

Caldeireiro, com residência na Travessa do Pátio das Vacas - 34, foi preso em 22 de Julho de 1928, por suspeita de ter participado no movimento revolucionário de 20 de Julho (Revolta do Castelo), e libertado em 24 de Agosto [Processo 3881].

[Fernando Alves Pereira || 08/08/1932 || ANTT || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Fernando Alves Pereira foi novamente preso quatro anos depois, em 21 de Julho de 1932, "por estar envolvido numas experiências para o fabrico de bombas", tendo trazido da Central Eléctrica, à Junqueira, "o tubo de ferro que se destinava à experiência que, com ele, faria o arguido Manuel de Almeida, para o fabrico de uma bomba explosiva" [ANTT, Cadastro Político 1261; Processo 523].

Libertado em 8 de Agosto do mesmo ano, depois de devidamente fotografado de frente e de perfil, nada mais se sabe do percurso deste Preso Político da Ditadura Militar.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 1261 [Fernando Alves Pereira / PT-TT-PIDE-E-001-CX09_m0132].
ANTT, Fotografia 1912 [Fernando Alves Pereira / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0024].

[João Esteves]

quarta-feira, 30 de maio de 2018

[1823.] RAFAEL TOBIAS PINTO DA SILVA [I] || A MORTE NO TARRAFAL (1937)

* RAFAEL TOBIAS PINTO DA SILVA (1910 - 1937) || A MORTE AOS 26 ANOS NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO TARRAFAL *

Pouco se conhece de Rafael Tobias Pinto da Silva para além de ser um dos 32 jovens presos políticos que morreu no Campo de Concentração do Tarrafal.

No entanto, quando estudante, integrou os Grupos de Defesa Académica, tendo, nesse âmbito, sido preso, pela primeira vez, em 1934 e enviado para Peniche. No ano seguinte, referenciado como relojoeiro, foi novamente detido, enviado para Peniche, passou pelo Aljube e, embora absolvido pelo Tribunal Militar Especial de 3 de Abril de 1936, integrou a primeira leva de presos enviada para o Tarrafal, onde faleceu ao fim de um ano.

[Rafael Tobias || 1934 || ANTT || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Elisa da Silva e de Júlio Cândido da Silva, Rafael Tobias Pinto da Silva terá nascido em 14 de Dezembro de 1910, em Lisboa.

Membro dos Grupos de Defesa Académica desde 1932, com ligações ao Partido Comunista, foi preso em 9 de Março de 1934, por integrar um grupo de manifestantes que percorria "a Rua da Escola Politécnica dando gritos subversivos", empunhava "cartazes com palavras ofensivas para a actual Situação Política do País" e distribuía "manifestos clandestinos" [ANTT, Cadastro Político, 5531].

[Rafael Tobias || 1934 || ANTT || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Aquando da sua captura, foi-lhe apreendida uma pistola com o respectivo carregador e seis cartuchos, para além de selos destinados a financiar os Grupos de Defesa Académica.

[Rafael Tobias || ANTT || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Fazia, então, parte do Secretariado daqueles Grupos, assegurava a sua ligação com o Comité Local de Lisboa do Partido Comunista, tinha organizado o Comité de Zona N.º 2 e, com Helder David Dias de Meneses, era responsável pela impressão de manifestos clandestinos [Processo 1073/SPS].

Transferido, em 19 de Maio de 1934, para a Fortaleza Militar de Peniche, Rafael Tobias foi libertado em 23 de Agosto.

[Rafael Tobias || ANTT || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Novamente preso no ano seguinte, em 7 de Novembro, deu entrada numa esquadra e enviado, em 27 de Dezembro de 1935, para Peniche.

Transferido para o Aljube em 24 de Março de 1936, foi julgado pelo Tribunal Militar Especial em 3 de Abril e, apesar de absolvido [Processo 55/36], continuou preso à ordem da Polícia de Defesa e Vigilância dos Estado.

[Rafael Tobias || ANTT || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Rafael Tobias Pinto da Silva requereu, em 4 de Junho de 1936, para ser amnistiado tendo, no entanto, sido enviado para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde chegou em 29 de Outubro.

Menos de um ano depois, em 22 de Setembro de 1937, faleceu, integrando o grupo de seis presos políticos que perdeu a vida entre 20 e 24 do mesmo mês.

O seu envio para o Tarrafal não foi um acaso, mas antes uma decisão pensada, já que dos arquivos da Polícia Política constam, num curto espaço de tempo, três registos fotográficos diferentes.

[Rafael Tobias Pinto da Silva || RGP/2045 || PT-TT-PIDE-E-010-11-2045_m0107]

O nome consta do Memorial de Homenagem aos Ex-Presos Políticos, inaugurado na Fortaleza de Peniche em 9 de Setembro de 2017.

NOTA: Atenção ao uso indevido das imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 5531 [Rafael Tobias Pinto da Silva / PT-TT-PIDE-E-001-CX15_m0062, m0063].
ANTT, Registo Geral de Presos/2045 [Rafael Tobias Pinto da Silva - Livro 14/2045].
ANTT, Fotografia 2037 [Rafael Pinto da Silva ou Rafael Tobias Pinto da Silva / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0032].
ANTT, Fotografia 2059 [Rafael Tobias Pinto da Silva / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0033].
ANTT, Fotografia 2997 [Rafael Tobias Pinto da Silva / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904_m0042].

[João Esteves]
[Revisto em 18/12/2018]

segunda-feira, 28 de maio de 2018

[1822.] CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO

* CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO NA ASSEMBLEIA DE VOTO DE S. JORGE DE ARROIOS || 28 DE MAIO DE 1911 *

[O Tempo || 29/05/1911]

[1821.] CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO

* O VOTO DE CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO EM 28 DE MAIO DE 1911 *

[A Vanguarda || 31 de Maio de 1911]

[1820.] CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO

* CAROLINA BEATRIZ ÂNGELO || O VOTO HÁ 107 ANOS *

FOTOGRAFIA DE "O SÉCULO" DE 29/05/1911 || CBA É A TERCEIRA A CONTAR DA ESQUERDA, LOGO A SEGUIR A ANA DE CASTRO OSÓRIO 

[O Século || 29 de Maio de 1911]

domingo, 27 de maio de 2018

[1819.] HOMERO VIRGÍLIO DE AZEVEDO FREITAS SAMPAIO [I] || ALIANÇA LIBERTÁRIA DE LISBOA

* HOMERO VIRGÍLIO DE AZEVEDO FREITAS SAMPAIO || ALIANÇA LIBERTÁRIA DE LISBOA || DETIDO EM 1932 E 1933 E LIBERTADO *

[Homero Sampaio || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Maria Benedita Marcolino de Azevedo Sampaio e de Álvaro Máximo de sousa Freitas Sampaio, Homero Virgílio de Azevedo Freitas Sampaio nasceu em 1908, na Batalha.

Empregado do comércio em Lisboa, residia na Rua de Santa Marinha, nº 48, 3.º.

Filiado na Aliança Libertária de Lisboa, foi preso em 24 de Agosto de 1932, quando se dirigia à sua Sede, na Travessa da Água da Flor, 16-1.º, para se encontrar com Manuel Joaquim de Sousa (1883 - 1944), sendo libertado em 7 de Setembro [Processo 507/SPS]. 

[Homero Sampaio || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Segundo o Cadastro Político de Homero Sampaio, naquele local funcionavam, também, os Sindicatos do Mobiliário, dos Manufactores do Calçado e dos operários do Município, para além da ilegalizada Confederação Geral do Trabalho [ANTT, Cadastro Político 2111].

Voltou a ser preso no ano seguinte, em 9 de Novembro de 1933, juntamente com José Francisco Moedas, "sob a acusação de manter ligações com indivíduos detentores de material explosivo, acusação essa que se não provou", e libertado dias depois, em 12 do mesmo mês [Cadastro 2111; Processo 840].

Em 10 de Março de 1934, aquando do julgamento no Tribunal Militar Especial do Processo 507/SPS, Homero Sampaio foi considerado abrangido pela amnistia de 5 de Dezembro de 1932.

[Homero Sampaio || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

NOTA: Atenção ao uso indevido destas imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

[João Esteves]

sábado, 26 de maio de 2018

quinta-feira, 24 de maio de 2018

[1816.] MÁRIO JOSÉ DE BARROS [I] || A CONVIVÊNCIA, EM MURÇA, COM MILITÃO RIBEIRO E BORGES COELHO

* MÁRIO JOSÉ DE BARROS || A CONVIVÊNCIA COM MILITÃO RIBEIRO EM MURÇA || PRESO NO ALJUBE DO PORTO E DE LISBOA E EM PENICHE *

Quando alfaiate em Murça, de onde era natural, Mário José de Barros conviveu na década de 30 com Militão Bessa Ribeiro [13/08/1896 - 02/01/1950], nascido na mesma terra e que, quando expulso do Brasil e enviado sob prisão para Portugal, aí se refugiu, desenvolvendo actividade política no âmbito do Partido Comunista. 

Influenciado pelas ideias de Militão Ribeiro, Mário José de Barros foi preso em 1935 por propaganda contra a Ditadura Fascista e reencontrou-o no Aljube e em Peniche.

Desse duplo convívio com Militão Ribeiro, Mário José de Barros terá recebido vários livros que fez circular clandestinamente naquela localidade durante as décadas de 30 e de 40, sendo provavelmente através deste que o historiador António Borges Coelho, expulso do Seminário em Maio de 1945 e de regresso a Murça, de onde também era natural, terá tomado contacto com Carlos Marx, de Max Beer, Os Dez Dias que Abalaram o Mundo, de John Reed, ou O Estado e a Revolução, de Lenine. 

[Mário José de Barros || ANTT || Fotografia 3001 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Maria da Conceição e de Domingos Barros, Mário José de Barros nasceu em 24 de Março de 1910, em Murça, distrito de Vila Real.

Identificado como alfaiate, foi preso por, no dia 31 de Janeiro de 1935, "ter escrito nas paredes dos prédios da vila de Murça dísticos de carácter subversivo, e de ter arrancado, sujando-os com excrementos, os cartazes de propaganda para a reeleição de Sua Ex.ª o Senhor Presidente da República" [ANTT, Cadastro Político 5978; Processo 1401].

Entregue à Delegação do Porto da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado em 23 de Abril de 1935. Envido para o Aljube local, foi julgado pelo Tribunal Militar Especial daquela cidade em 25 de Abril e condenado a dezoito meses de prisão e perda dos direitos políticos por cinco anos [Processo 49/935 do TME].

Transferido, em 9 de Maio, do  Porto para a Fortaleza Militar de Peniche, tendo, em 8 de Julho sido enviado para Lisboa e hospitalizado, no dia seguinte, no Hospital de São José.

[Mário José de Barros || ANTT || Fotografia 3001 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Recebeu alta hospitalar em 7 de Agosto, seguiu para os calabouços da 1.º Esquadra e, em 31 do mesmo mês, foi novamente internado no Hospital de São José, onde permaneceu sob prisão até 2 de Outubro de 1935 [ANTT, Cadastro Político]. 

Segundo a Biografia Prisional que consta do Registo Geral de Presos, voltou à 1.ª Esquadra em 6 de Novembro e entrou no Aljube em 19 de Dezembro.

[Mário José de Barros || RGP/909 || PT-TT-PIDE-E-010-5-909_m0227

Novamente enviado para Peniche em 8 de Fevereiro de 1936, de onde só foi libertado em 17 de Janeiro de 1937, totalizando cerca de dois anos de cativeiro em prisões do fascismo.

O nome consta do Memorial de Homenagem aos Ex-Presos Políticos, inaugurado na Fortaleza de Peniche em 9 de Setembro de 2017.

[Mário José de Barros || ANTT || Fotografia 3001 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

NOTA: Atenção ao uso indevido destas imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 5978 [Mário José de Barros / PT-TT-PIDE-E-001-CX14_m0368, m0368a].
ANTT, RGP/909 [Mário José de Barros / PT-TT-PIDE-E-10-5-909_c0239].
ANTT, Fotografia 3001 [Mário José de Barros / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904_m0042].

[João Esteves]
[Revisto em 18/12/2018]