[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

quinta-feira, 8 de junho de 2023

[3318.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCXLVII

 PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCXLVII *

01473. António de Sá Marta Marques da Costa [1931]

[Filiação: António Maria Marques da Costa. Estudante de medicina - Universidade de Coimbra. Residência: República das Águias, Bairro de S. José, ou Calçada de Santa Isabel, Santa Clara - Coimbra. Vigiado desde finais de 1927, no Porto, por manter contactos com Maia Alcoforado e Diógenes Fernandes Costa, recebendo daquele manifestos contra a Situação, que distribuía. Segundo o informador de Coimbra, esteve envolvido no movimento revolucionário de 20/07/1928, colaborando com os tenentes Araújo, irmão de Basílio Lopes Pereira, e Narciso dos Santos, assim como com o estudante Manuel Luís Costa de Figueiredo. Preso em Fevereiro de 1931, por fazer parte do grupo editor do panfleto "Delenda et Cartago - A Academia Republicana perante a Universidade de Coimbra" e do manifesto "Ao País". Em Maio de 1931, foi-lhe fixada residência em Estarreja. Quando se encontrava na Bélgica, o Ministro do Interior, por despacho de 22/10/1932, permitiu que fixasse  residência em Coimbra.]

01474. António Manuel Salvador Bordalo e Seixas [1932, 1973]

[Colmeal - Figueira de Castelo Rodrigo, 06/09/1907, estudante de direito - Universidade de Coimbra e ajudante de escrivão no 3.º Ofício / auxiliar de campo de 3.ª classe do Ministério da Economia. Filiação: Carlota Augusta da Rua Bordalo e Seixas, Salvador José de Sequeira e Seixas. Solteiro. Residência: Praça da República, 30 - Coimbra / Quinta de Luzelos - Colmeal, Figueira de Castelo Rodrigo. Preso em 08/02/1932, em Coimbra, por estar organizado no Partido Comunista e integrar o Socorro Vermelho Internacional, colaborando com Álvaro Bordalo de Andrade Sá Donas-Boto, Carlos Paiva de Carvalho e José Augusto Frutuoso. Libertado em 24/03/1932. Preso em 02/03/1973, "por atividades contra a segurança do Estado", e levado para Caxias. Julgado em 24/07/1973, foi condenado em dezoito meses de prisão, remível a trinta e cinco escudos por dia, e suspensão dos direitos políticos por cinco anos; libertado no mesmo dia.]

01475. Arnaldo Cardoso de Vilhena [1931]

[Freineda, concelho de Almeida - Guarda, 1907, estudante de Medicina - Universidade de Coimbra. Depois de concluir o liceu em Lamego, continuou os estudos em Coimbra, onde se formou em medicina. Eleito, em Dezembro de 1929, Presidente da Assembleia Geral do Centro Republicano Académico. Referenciado em 10/11/1930, aquando das eleições para a Associação Académica, como tendo andado pelas ruas de Coimbra, "com outros estudantes filiados na Maçonaria", "dando vivas à liberdade, ao operariado português, à República e ao "reviralho", percebendo-se, no meio dos grandes vivas à República, de vez em quando uns abaixos à Ditadura". Em 1931, terá sido preso por alguns dias aquando da Revolta da Madeira. Exerceu a sua profissão no Algarve, tendo-se fixado em Faro, onde faleceu em 1968.]

01476. Carlos Cal Brandão [1930, 1931, 1953, 1958, 1958, 1960, 1961]

[Carlos Cal Brandão em Timor]

[Freguesia de Ramalde - Porto, 05/11/1906, advogado. Filiação: Amélia Brandão de Cal e Silo José Cal Moinhos, natural da Galiza. Irmão mais velho de Silo (n. 23/03/1908) e de Mário Cal Brandão (n. 25/03/1910). Frequentou, entre 1922 e 1927, a Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, tendo presidido, no ano letivo de 1926/1927, ao Centro Republicano Académico. Concluída a licenciatura, regressou ao Porto. Preso em 25/03/1930, em Coimbra, por ter presidido a uma sessão do CRA, "onde foi atacada a atual Situação Militar e também por assinar um telegrama de saudação e de protesto aos exilados e  emigrados políticos". Transferido para Lisboa em 18/05/1930, foi condenado pelo Diretor da Polícia de Informações em seis meses de prisão; libertado em 12/08/1930. Preso em 12/03/1931, no Porto, acusado de posse de bombas e de estar envolvido num movimento revolucionário. Transferido para Lisboa, foi deportado, em Maio, para São Nicolau, Cabo Verde, embarcando no navio Pedro Gomes Meses depois, em 28/06/1931, seguiu no navio Gil Eanes para Timor, desembarcando em Oecússi e ficando internado no respetivo campo de concentração. Em 1932, já estava em Díli, exercendo a sua profissão de advogado, não tendo sido abrangido pela amnistia de 05/12/1932.  Em Janeiro de 1935, a mãe, Amélia de Almeida Brandão de Cal, reclamou da situação do filho em requerimento ao Ministro do Interior, sem qualquer sucesso. Casou, em 1936, com Maria de Lurdes Santa. Durante a 2.ª Guerra, aquando da invasão de Timor pelos japoneses, teve papel relevante na resistência e na guerrilha clandestinas contra os ocupantes, tendo sido evacuado para Darwin, Austrália, em 03/08/1943. Continuou, então, a colaborar com os Aliados. Finda guerra, tentou regressar a Timor, tendo sido impedido de desembarcar em Díli e forçado a seguir para Portugal, chegando, tal como muitos outros deportados políticos e sociais, a Lisboa em Fevereiro de 1946. Amnistiado, fixou-se no Porto, onde continuou a exercer a advocacia, e participou nas diversos iniciativas oposicionistas: apoiou o Movimento de Unidade Democrática e as candidaturas presidenciais de Norton de Matos e de Humberto Delgado, sendo, em 1953 e 1965, candidato da Oposição pelo círculo do Porto. Preso em 07/02/1953, para "averiguações  por crimes contra a segurança interior do Estado", foi transferido, em 11/02/1953, para Lisboa, entrando no Aljube; libertado em 21/02/1953. Preso em 06/07/1958, "para averiguações por crimes contra a segurança do Estado", recolheu às prisões privativas da Delegação do Porto da PVDE; libertado em 17/06/1958. Preso em 21706/1958, pelas mesmas razões; libertado em 04/08/1958. Preso em 04/11/1960 e transferido, no dia seguinte, para o Aljube de Lisboa, saiu em liberdade em 12/11/1960. Preso em 26/07/1961 e transferido, no dia seguinte para Lisboa, entrou no Aljube em 28/07/1961; libertado em 12/08/1961, mediante caução. Faleceu em 31/01/1973, no Porto. Deixou escritas as suas memória do tempo de deportação em Timor no livro Funo, Guerra em Timor (Porto, 1946).]

[Carlos Cal Brandão || F. 27/07/1961 || ANTT/21066 || PT-TT-PIDE-E-010-106-21066]

[João Esteves]

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