* PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || CCCXCVIII *
02194. Manuel Paula Ventura [1930, 1934]
[Manuel Paula Ventura || ANTT || PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904]
[Manuel Paula Ventura.
Olhão, 31/07/1885. Advogado. Filiação: Maria do Sacramento Ventura, António Joaquim Ventura. Casado. Residência: Avenida da República - Olhão. Republicano, filiado no Partido Democrático, fora eleito, no início de 1927, Presidente da sua Comissão Política Concelhia. Associado aos acontecimentos ocorridos em Moncarapacho em 17/02/1928, quando uma violenta explosão matou Américo Vilar e António Calhabotas, dois anarco-sindicalistas idos do Barreiro que se encontravam a preparar bombas num pardieiro: o seu carro foi utilizado pelos envolvidos e serviu para transportar e ocultar os corpos do local da tragédia. Conseguiu, então, fugir para Espanha: chegado a Ayamonte, seguiu para Sevilha e, de Gibraltar, partiu para a Argentina, já que o irmão Cândido se encontrava a viver em Buenos Aires desde o início de 1927. Aqui, publicou artigos em "O Jornal Português". Instalou-se, depois, na Bélgica, em Anvers, à frente de uma firma de comissões e consignações, e aí escreveu, em sua defesa, uma "Declaração" sobre a sua participação nos acontecimentos de Moncarapacho". Autorizado a regressar a Portugal em 1929, seria preso em 19/07/1930 e deportado, no dia seguinte, para os Açores, acusado de "prejudicar a ação da Ditadura Nacional, desenvolvendo ultimamente uma enorme atividade conspiratória na preparação de um movimento revolucionário no Algarve". Enviado para Cabo Verde em 1931, após a Revolta da Madeira, conseguiu fugir de barco para Espanha. Abrangido pela amnistia de 05/12/1932, voltou ao país. Preso e entregue pela PSP de Faro à PVDE em 25/04/1934 por auxílio a dois exilados políticos não incluídos naquela [o capitão Lapa e o comandante Sebastião da Costa], tendo assegurado, em dezembro de 1933, os meios para a sua vinda a Portugal por escassos dias. Por decisão do Conselho de Ministros de 11/07/1934, foi proibida a sua residência em território nacional por dois anos. Notificado em 18 do mesmo mês, "seguiu para a fronteira devidamente acompanhado" no dia 20. Inicialmente, ficou em Ayamonte e, depois, mudou-se para Huelva. Obrigado, pelas autoridades portuguesas, a mudar-se para uma localidade mais afastada da fronteira, regressou a Huelva devido ao surgimento de graves problemas cardíacos. A esposa, Francisca Alves Ventura, requereu, então, autorização para regressar ao país, o que foi concedido em 01/08/1935 pelo Presidente do Conselho de Ministros, Oliveira Salazar, desde que sob prisão. No entanto, faleceria dois dias depois, em Huelva, disso dando conhecimento o jornal ABC de Madrid, de 4 de Agosto. Só em 1967, com o falecimento da esposa, o corpo seria trasladado para Portugal.]
[João Esteves]