[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

segunda-feira, 7 de julho de 2014

[0704.] GEORGETTE DE OLIVEIRA FERREIRA [II]


- GEORGETTE DE OLIVEIRA FERREIRA -

[n. 25/07/1925]

 

- BIOGRAFIA PRISIONAL -





[Comissão do Livro Negro sobre o Regime Fascista, Presos Políticos no Regime Fascista V – 1949-1951, Mem Martins, 1987]

domingo, 6 de julho de 2014

[0703.] GEORGETTE DE OLIVEIRA FERREIRA [I] || 1925 - 2017

* GEORGETTE DE OLIVEIRA FERREIRA *
[25/07/1925 - 04/02/2017]

[Georgette Ferreira || 1959 || in João Céu e Silva, Álvaro Cunhal e as mulheres que tomaram partido, Edições ASA, 2006]

A 1.ª mulher a evadir-se enquanto presa política 

Nasceu em Alhandra a 25 de julho de 1925. 

Filha de Joaquina de Oliveira Ferreira e de Augusto Ferreira, trabalhadores rurais com muitas dificuldades económicas, teve de ir viver com os padrinhos e começou, com apenas oito anos, a trabalhar na agricultura. 

Posteriormente, trabalhou como operária na Juta – Sociedade Têxtil do Sul, Lda. Embora o pai fosse republicano, foi o padrinho que a “esclareceu politicamente e que me levou, com o seu exemplo, a aderir à causa antifascista” [As Mulheres de Alhandra na Resistência. Anos quarenta, século XX, Porto, Editora Ausência, 2005, p. 100]. 

Tal como as irmãs Sofia [1922-2010] e Mercedes Ferreira [n. 1928], desde muito nova que se evidenciou enquanto militante, e posteriormente dirigente, do Partido Comunista Português, a que aderiu na década de 40, quando era operária têxtil, tendo o relacionamento com Alves Redol [29/12/1911-29/11/1969], Carlos Pato [21/12/1920-26/06/1950] e Soeiro Pereira Gomes [14/04/1909-05/12/1949], entre outros nomes locais, muito contribuído para a sua formação política. Interveio, em 1943, na luta pela criação de uma secção do Sindicato das Costureiras em Vila Franca. 

No ano seguinte, foi uma das organizadoras em Alhandra e Vila Franca de Xira das greves de 8 e 9 de maio de 1944 e da marcha do dia 8, que culminou com a prisão de várias mulheres nas Praças de Touros de Vila Franca de Xira e do Campo Pequeno, tendo algumas sido remetidas, a 11, para Caxias, onde permaneceram até Agosto. 

Em 1945, tal como as duas irmãs, passou à clandestinidade, vivendo como “companheira” de António Assunção Tavares, operário da Fábrica Cimentos Tejo e forçado a “mergulhar” na sequência do movimento grevista de 1944: apenas um irmão, o mais velho, não teve atividade política e, por isso, acabou por ser o único a dar apoio, com a mulher, aos pais já idosos, circulando as informações familiares com muita dificuldade e morosidade. 

Escapou, em 28 de agosto de 1945, de ser presa na casa da Lapa, onde vivia com o companheiro e, em 1946, participou com Cândida Ventura [n. 1918] no II Congresso Ilegal do PCP realizado na Lousã. 

Detida pela PIDE às três horas da madrugada de 17 de dezembro de 1949 com António Dias Lourenço [25/03/1915-07/08/2010], na casa de Monte de Moraventos, concelho de Palmela. Recolheu ao Forte de Caxias, onde conviveu na mesma cela, ainda que por poucos dias, com Cecília Areosa Feio [05/12/1921-08/02/1980], Maria Lamas [06/10/1893-06/12/1983] e Virgínia Moura [19/07/1915-19/04/1998]. 

Durante a reclusão, em resultado da alimentação a doença de estômago de que padecia agravou-se, conseguindo, devido à solidariedade dos outros presos, ser levada de urgência para o hospital; e recebeu correspondência de Álvaro Cunhal [1913-2005], preso na Penitenciária de Lisboa, da qual extratos de uma carta de 3 de setembro de 1950 foram publicados no boletim 3 Páginas. 

Evadiu-se, em 4 de Outubro de 1950, do Hospital de Santo António dos Capuchos, depois de a fuga ser devidamente planeada com o seu Partido, a família, o médico Arménio Ferreira [1920-2002] e o camarada que a esperava com um carro cá fora e a transportou para uma casa clandestina em Lisboa. Daqui passou para o Comité Local do Porto, posteriormente teve responsabilidades na organização de Lisboa e integrou o Comité Central entre 1952 e 1988.

Participou, em março de 1954, na V Reunião Ampliada do Comité Central do Partido Comunista e voltou a ser detida em dezembro desse ano, num encontro com Jaime Serra, quando ambos trabalhavam na organização da capital. 

Condenada, em 1957, a três anos e medidas de segurança, gerou enorme movimento de solidariedade para que as cumprisse em liberdade. 

Libertada somente em 1959, partiu clandestinamente para a Checoslováquia, saindo do país por Chaves, a convite da organização de mulheres do país e lá curou a sua doença pulmonar, percorrendo vários sanatórios até 1962. Aí conviveu com José Gregório [19/03/1908-10/05/1961], que também estava naquele país em tratamento, e a sua companheira Amélia Fonseca do Carmo. 

Representou Portugal, juntamente com Maria Lamas, no Congresso Mundial das Mulheres de 1963. 

Passou depois por Paris, onde viveu quase três anos, e regressou à luta clandestina em Portugal, encontrando-se na região de Setúbal aquando do 25 de Abril de 1974. 

Usou o pseudónimo “Paiva”. 

Após a revolução, foi uma das deputadas comunistas na Assembleia da República. 

Antónia Balsinha incluiu o seu nome no estudo pioneiro que fez sobre o papel das mulheres de Alhandra na resistência ao fascismo nos anos 40, tendo-a entrevistado a 30 de setembro de 2000.

[João Esteves]

[0702.] MERCEDES DE OLIVEIRA FERREIRA [II]


- MERCEDES DE OLIVEIRA FERREIRA -
[1949]

- BIGRAFIA PRISIONAL - 
[Comissão do Livro Negro sobre o Regime Fascista, Presos Políticos no Regime Fascista V – 1949-1951, 1987]

sábado, 5 de julho de 2014

[0701.] MERCEDES DE OLIVEIRA FERREIRA [I]

* MERCEDES DE OLIVEIRA FERREIRA *
[n. 09/12/1928]
[1958]
[Pormenor de fotografias de família, in João Céu e Silva, Álvaro Cunhal e as mulheres que tomaram partido, Edições ASA, 2006]

Ajudante de costureira, natural de Vila Franca de Xira. 

Filha de Joaquina de Oliveira Ferreira e de Augusto Ferreira, a mais nova das irmãs Ferreira nasceu a 9 de dezembro de 1928 e, tornou-se, tal como as irmãs Sofia de Oliveira Ferreira [1922-2010] e Georgette de Oliveira Ferreira [n. 1925], militante e funcionária do Partido Comunista Português na década de 1940. 

Começou a trabalhar muito nova e, tal como o irmão mais velho e as duas irmãs, não estudou “porque os meus pais trabalhavam no campo e lá não havia onde estudar”, como declarou a João Céu e Silva. 

Em setembro de 1945, com apenas 16 anos, terá passado à clandestinidade ao acompanhar o namorado – António Eusébio Bastos Lopes [08/08/1924-05/11/2007] –, carpinteiro natural de V. Franca de Xira. 

Desenvolveu atividade partidária nas zonas do Porto (1945-1947) e de Lisboa e tinha 20 anos quando foi presa com ele, e o casal Casimira da Conceição Silva [08/09/1917-05/01/2009] e José Augusto da Silva Martins [08/10/1912-1956], na tipografia de Coimbrão (Leiria) durante o assalto perpetuado pela PIDE na madrugada de 9 de abril de 1949. 

Recusou-se a prestar quaisquer declarações, incluindo a identificação, o que lhe valeu ser insultada e agredida, aparecendo na sua ficha policial o nome de Odete Nunes.

Recolheu ao Forte de Caxias. Condenada a 18 meses, ficou detida dois anos e meio, chegando a estar na mesma cela que a irmã Sofia. Foi libertada em outubro de 1951, enquanto o companheiro só saiu em 1955, ao fim de quase sete anos de prisão. 
[1963]
[Pormenor de fotografias de família, in João Céu e Silva, Álvaro Cunhal e as mulheres que tomaram partido, Edições ASA, 2006]

Em 1965, temendo o risco de prisão, Mercedes, o marido e os dois filhos pequenos partiram para o exílio: Argélia; Checoslováquia, onde ficaram três anos e meio, até 1969; e, finalmente, França, onde o irmão já se encontrava emigrado.

Em 1949 e 1950, Sofia, Georgette e Mercedes de Oliveira Ferreira chegaram a estar presas em simultâneo, embora tivessem sido detidas em diferentes pontos do país.

[João Esteves]

sexta-feira, 4 de julho de 2014

[0700.] AMÉLIA FONSECA DO CARMO - AMÉLIA GREGÓRIO [I]

 * AMÉLIA FONSECA DO CARMO *
[Georgette Ferreira e Amélia Fonseca do Carmo (1960)]
[in João Céu e Silva, Álvaro Cunhal e as mulheres que tomaram partido, Edições ASA, 2006]
Muitas são as vivências que o tempo se tem encarregado de fazer cair no esquecimento e não se torna fácil resgatá-las, sobretudo quando os dados biográficos são escassos e parte das vidas vividas se passaram na mais rigorosa clandestinidade, como sucedeu com Amélia Fonseca do Carmo/Amélia Gregório.

Amélia Fonseca do Carmo foi companheira do militante e dirigente comunista José Gregório [Marinha Grande, 19/03/1908-Praga, 10/05/1961)], com quem assegurou, em 1941, juntamente com Joaquim Correia [f. 1946], a principal tipografia do grupo dos reorganizadores do Partido Comunista Português, dando reinício à publicação do jornal Avante!. 

Impresso numa casa clandestina em Alverca do Ribatejo, aquele trio foi o responsável, entre Agosto daquele ano e Maio de 1942, pela execução dos primeiros dez números da VI série, periódico que desde então não mais se deixou de publicar ininterruptamente. 

Seguidamente, Amélia Fonseca do Carmo acompanhou José Gregório no seu trabalho organizativo no Algarve e no Norte, onde era o responsável pelas regiões do Porto, Vale do Vouga, Trás-os-Montes e Coimbra.

Com ele partiu para a Checoslováquia em 1956, quando já se encontrava muito doente e onde veio a falecer com apenas 53 anos de idade.
 l
[Diário de Notícias, 1971]

Naquele país conviveu, entre  outras portuguesas, com Georgette Ferreira.

Em 1971, decorrida uma década sobre a sua morte, publicou uma inédita e arrojada evocação no Diário de Notícias, encimado com a sua fotografia, com os seguintes dizeres: “10 anos são passados, mas continuas presente na minha memória: não se esquecem companheiros tão dedicados e leais. Tão suave seja a paz em que descansas, como suaves foram os 20 anos da nossa união”, assinando “A tua Amélia”.

Alguns destes elementos biográficos foram inseridos em Feminae. Dicionário Biográfico [Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, 2013].


[João Esteves]

quarta-feira, 2 de julho de 2014

[0699.] MARIA DA GRAÇA LOPES DE MENDONÇA BARROS PEREIRA [I]

* CONSELHO NACIONAL DAS MULHERES PORTUGUESAS / 1941 *

** MARIA DA GRAÇA LOPES DE MENDONÇA BARROS PEREIRA **
[02/03/1919-14/05/1979]
[in Glória Marreiros || Almirante Jorge Ramos Pereira - Uma vida - Um exemplo || Livros Horizonte || 2001]

Filha de Vasco Lopes de Mendonça [1883-1963], engenheiro, sobrinha de Alda Lopes de Mendonça e de Virgínia Lopes de Mendonça [1881-1969], escritora, e neta de Henrique Lopes de Mendonça [1856-1931], autor de "A Portuguesa", e de Maria Amélia Bordalo Pinheiro, nasceu em Lisboa em 2 de Março de 1919 e faleceu na mesma cidade, no Hospital da Marinha, em 14 de Maio de 1979.

Casou, a 11 de Maio de 1939, com Jorge Maia Ramos Pereira [06.04.1901-16.03.1974] que fez, a partir de 1920, carreira na Armada e foi, em 1969, candidato da Oposição às eleições pelo distrito de Viana do Castelo, tendo esta lista obtido no concelho de Caminha, de onde era natural, 45,2% dos votos [Glória Marreiros].

Por proposta de Maria do Carmo Vieira, aderiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas em 1941.

[in Glória Marreiros || Almirante Jorge Ramos Pereira - Uma vida - Um exemplo || Livros Horizonte || 2001]

terça-feira, 1 de julho de 2014

[0698.] JORGE RAMOS PEREIRA [I] || 1901 - 1974

* JORGE RAMOS PEREIRA *
[06/04/1901 - 16/03/1974]


CANDIDATO DA OPOSIÇÃO ÀS ELEIÇÕES DE 1969

CDE || VIANA DO CASTELO

[As Eleições de Outubro de 1969 || Publicações Europa-América, 1970]

[Glória Marreiros || Almirante Jorge Ramos Pereira - Uma vida - Um exemplo || Livros Horizonte, 2001]

[João Esteves]

domingo, 29 de junho de 2014

[0697.] HENRIQUE CUNHA [I]

* HENRIQUE LUÍS RAMOS PEREIRA DA CUNHA *
[20.09.1932-26.08.2010]

Henrique Cunha nasceu no dia 20 de setembro de 1932, no seio de uma família democrata e activa: o pai, oficial de engenharia, por perseguição política foi afastado  do exército com o posto de major, situação na qual permaneceu vários anos, só vindo a ser reintegrado tardiamente no posto de coronel, a que teria direito se tivesse permanecido ao serviço, mas já sem condições de subir a oficial-general. Do lado materno, o avô, Luís Inocêncio Ramos Pereira, médico republicano, foi deputado nas Constituintes de 1911 e era pai do contra-almirante Jorge Maia Ramos Pereira [06.04.1901-16.03.1974] que chegou a ser candidato da CDE por Viana do Castelo nas eleições de 1969. Em 1973, fez ainda parte da Comissão Nacional do III Congresso da Oposição Democrática que se reuniu em Aveiro.

Henrique Cunha envolveu-se cedo no associativismo e na luta antifascista. Exerceu actividade no movimento associativo estudantil, designadamente na Associação de Estudantes do Instituto Superior Técnico, instituição onde concluiu a licenciatura em engenharia mecânica e, muito jovem, aderiu ao MUD Juvenil e, em 1956, ao Partido Comunista.

Foi membro activo da Comissão de Apoio aos Presos Políticos e Famílias e à Comissão de Amnistia.

Sentindo-se perseguido, esteve algum tempo em refúgio e quando voltou ao trabalho, em 1964, em plena actividade profissional no Arsenal do Alfeite, foi preso pela PIDE.

Submetido à tortura do sono durante 5 dias e 5 noites e a espancamento que lhe provocou lesão irreversível no ouvido esquerdo, esteve preso no Aljube, em Caxias, em Peniche e no Hospital Prisão São João de Deus em Caxias, onde foi submetido a operação cirúrgica em consequência de traumatismo. 

Julgado e condenado a Prisão Maior e Medidas de Segurança, saiu da prisão, em liberdade condicional, em 1967, tendo continuado actividade política que prosseguiu depois do 25 de Abril. 

Esteve ligado à célula dos engenheiros da Organização Regional de Lisboa e, após 1976, de forma continuada até ao seu falecimento, exerceu actividade partidária na Comissão dos Assuntos Económicos junto do Comité Central do Partido Comunista, particularmente no organismo ligado à política industrial.

Homem simples, solidário, afável, discreto, algo tímido e, não raras vezes, (muito) distraído, revelava-se, entre os mais próximos, um excelente ouvinte e conversador. Apesar de todas as adversidades por que passou, manteve até ao fim um sorriso genuíno e cativante, marcando todos aqueles que com ele conviveram.

Casado com a activista e escritora Glória Marreiros.

sábado, 28 de junho de 2014

[0696.] IRENE CASTRO [II]


* IRENE FERNANDES DE MORAIS E CASTRO *
[05/09/1895 - 28/07/1975]

[in Lúcia Serralheiro, Mulheres em grupo contra a corrente, 2011]


Filha de Torquato Fernandes e de Maria Augusta Loureiro Dias, nasceu a 5 de Setembro de 1895 na freguesia da Sé, no Porto, e faleceu a 28 de Julho de 1975. 

Tal como a mãe e irmãs, exerceu a profissão de professora do Ensino Primário, cujo exame na Escola Normal do Porto concluiu em 5 de Junho de 1914, com 20 valores. 

Foi Directora da Escola da Freguesia da Sé no Porto. 

Em 1917, casou com Amílcar Gonçalves de Morais e Castro, nascido a 22 de Maio de 1896, filho de Manuel Joaquim Gonçalves de Castro e de Ana Adelaide das Dores de Morais e Castro. Maçon e franco-atirador, escriturário de 3.ª classe dos Caminhos-de-Ferro Portugueses, terminou o Curso de Direito depois de casado e passou a exercer a advocacia. Devido às suas ideias, esteve preso onze vezes na PIDE do Porto. 

Sócia fundadora da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz, foi,  de 1949 a 1952, a sua última presidente. 

Organizou, em articulação com a sede de Lisboa, entre outras actividades, as comemorações do XV Aniversário da AFPP no ano de 1950, que tiveram como ponto alto as conferências O Dilema da Paz e da Guerra e Pró Paz proferidas, respectivamente, por Maria Lamas e Teixeira de Pascoaes. As conferências tiveram lugar no Salão Nobre do Clube Fenianos Portuense, a primeira a 25 de Maio e a segunda a 1 de Junho. 

Mãe de três filhos e de uma filha, a todos apoiou nas suas lutas políticas, tendo pedido às autoridades melhores condições de vida para os presos políticos e reclamado das injustiças praticadas. 

O filho mais velho, Armando Fernandes de Morais e Castro [18/07/1918 - 16/06/1999], professor e historiador de Economia e reconhecido oposicionista portuense, era casado com a sócia da AFPP Maria Virgínia Castro. 

O segundo filho, Raul Fernandes de Morais e Castro [25/08/1921 - 08/2004], advogado antifascista preso em 1947 e um dos Constituintes após 1974, casou com a sócia da AFPP Maria Carolina Campos.  

O terceiro filho, Amílcar Fernandes de Morais e Castro, nasceu em 1927; e a filha mais nova, Irene, em 1933. 

Irene de Castro apoiou os filhos nas lutas académicas e quando estavam presos na PIDE. 

Acolheu na sua casa todos os que precisavam de ajuda durante os tempos das lutas antifascistas e da oposição ao Estado Novo. 

Foi uma mulher política, mas não por influência do seu marido, de quem sempre ocultou a sua militância no Partido Comunista. Fez parte do Partido Comunista por vontade própria e nem os filhos, todos com relevante actividade oposicionista, souberam. Exigiu que o partido a contactasse através de uma mulher para que ninguém de casa desconfiasse. 

Integrou todos os Movimentos Unitários até ao 25 de Abril de 1974. Esteve presente na sessão do Olímpia em 13 de Outubro de 1945, onde se organizou o MUD no Porto. Pertenceu ao MDM - Movimento Democrático de Mulheres - e nessa qualidade recebeu no Porto a russa Valentina Tereshkova, a primeira mulher a ir ao espaço. 

Em 11 de Outubro de 1992 foi homenageada por um grupo de personalidades, entre elas antigas sócias das AFPP, como Branca de Lemos. Nesse dia, domingo, foi organizada uma romagem com colocação de flores ao Cemitério Prado do Repouso, onde Virgínia Moura [19.07.1915-19.04.1998] relembrou o perfil de mãe, de mulher e de professora lutadora por uma educação progressista pela Paz e pelos direitos das mulheres. À tarde realizou-se uma sessão pública no Salão Nobre do Clube Fenianos do Porto, com apresentação de um vídeo feito especialmente com testemunhos de pessoas que com ela conviveram, música poesia e pintura. 

O filho Raul de Castro escreveu-lhe o seguinte epitáfio: à memória exemplar de quem sempre enfrentou a vida de forma a nem na morte deixar a imagem de vencida.  

O filho mais velho, Armando de Castro, disse dela no vídeo feito por ocasião da homenagem prestada em 1992: morreu de pé como sempre viveu, coerente consigo própria e, tal como Romain Rolland dizia, “esteve sempre em marcha e só parou na morte”. 

Como pedagoga, é referida pelo respeito que votava às crianças. Na sala de aula tinha uma caixa com lacinhos de organdi, que todas as suas alunas colocavam, enquanto estavam na escola, para que todas estivessem bonitas.

Lúcia Serralheiro escreveu a sua biografia para o Dicionário no Feminino (séculos XIX-XX), Livros Horizonte, 2005, sendo alguns dos elementos aqui mencionados retirados dessa importante entrada.

Em 2011, Lúcia Serralheiro editou Mulheres em Grupo Contra a Corrente [Rio Tinto, Edições Evolua, 2011], livro centrado na história da Delegação do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz e onde Irene de Castro foi figura central.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

[0695.] NATALINA BASTOS [I]

* NATALINA MORA PEREIRA BASTOS *
[1914-2011]
[in Lúcia Serralheiro, Mulheres em grupo contra a corrente, 2011]
Professora, terá nascido no Porto a 26 de Julho de 1914 [e não em 1915] e faleceu, na mesma cidade, a 1 de Agosto de 2011. 

Colaboradora da revista portuense Pensamento, subscreveu, em 1934, com com Aida Mesquita, Antónia Girão Azuaga Santos, Berta Neves, Cândida Bastos, Cecília Moreira, Claudina Martins, Ema Rosine Cunha, Henriqueta Mesquita, Laura Neves de Castro, Leopoldina Mesquita, Maria Clarisse Bastos, Maria Lucena e Maria Silva, o manifesto O dia do Armistício, distribuído profusamente no Porto e noutras terras do país. 

Presa em 14 de Maio de 1935 pela Polícia de Vigilância e Defesa do Estado do Porto, acusada de ter escrito e enviado “ao arguido João Dinis Cupertino de Miranda, uns versos que estão junto aos autos e em que demonstra claramente as suas ideias avançadas”, foi restituída à liberdade na mesma data.

Segundo Amadeu Gonçalves, no blogue Literatura e Filosofia, Natalina Bastos integrava então grupo “Jovens Liras”, composto por colaboradores da revista Pensamento, entre os quais João Dinis Cupertino de Miranda [1911-1993], com quem terá casado, tendo editado nesse ano o livro colectivo de poemas O nosso eu [Porto, Edições Pensamento, 1935]. Natalina Bastos era a "Lira de Oiro" e assinava com o pseudónimo Jodinal, enquanto aquele era a "Lira Irreverente" e tinha o pseudónimo Kupertinu. Do mesmo grupo, entre outros, fazia parte Armando Bacelar [1918-1998] (a "Lira Indómita") e Maria Clarisse, outra das subscritores do manifesto pacifista.

Novamente presa a 29 de Janeiro de 1937 e solta em 9 de Fevereiro.

Nos anos 40, participou no núcleo do Porto da Associação Feminina Portuguesa para a Paz (AFPP) e fez parte, enquanto 1.ª Vogal, da Direcção eleita para o ano de 1943-1944. 

Sócia, com o número 11969,  da Associação de Solidariedade Social dos Professores.

Lúcia Serralheiro, no livro dedicado àquela delegação, insere a fotografia aqui publicada de Natalina Pereira Bastos [Mulheres em Grupo Contra a Corrente, Rio Tinto, Evolua Edições, 2011] e Feminae. Dicionário Contemporâneo contém uma entrada dedicada a esta professora [Lisboa, Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, 2013].

[João Esteves]

quinta-feira, 26 de junho de 2014

[0694.] GLÓRIA MARREIROS [II]


- GLÓRIA MARIA MARREIROS DA CUNHA -
[26.08.1929]
[25.04.2014]

- Natural de Marmelete, Monchique.

- Estudou enfermagem na Escola Artur Ravara, em Lisboa, e enfermagem  psiquiátrica na escola do Hospital Psiquiátrico Sobral Cid,  em Coimbra, cidade onde, simultâneamente, fez, em 2 anos, o curso de Parteira na Faculdade de Medicina, exercendo, entre 1954 e 1961, na Maternidade Alfredo da Costa.

- Licenciada em Filosofia pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa.

- Pós-Graduação em Museologia Social na Universidade Lusófona.

- Participou na campanha presidencial de 1958, tendo então aderido ao Partido Comunista e integrado a Comissão de Assistência aos Presos Políticos e Famílias. 

- Foi uma das fundadoras do Movimento Democrático de Mulheres e candidata pela CDE (Comissão Democrática Eleitoral) nas eleições de 1969.

- Serviu de" ponto de apoio"  a antifascistas na clandestinidade e  quando se deu o 25 de Abril  encontrava-se na situação de "residência fixa no concelho de Lisboa", por ter assinado um documento contra o Marcelismo  e a Guerra Colonial .

- Várias vezes interrogada pela PIDE.

- Integrou, de Maio de 1974 até às primeiras eleições autárquicas, a Comissão Administrativa da Freguesia de S. Jorge de Arroios.

- Integra, entre outras associações, o MDM, a União dos Resistentes Antifascistas (URAP) e a Comissão para a Memória do Forte de Peniche.

- Autora de vasta obra, envolvendo vários géneros.

- Casada com o Engenheiro Henrique Luís Ramos Pereira da Cunha [20.09.1932-26.08.2010], resistente antifascista preso, em março de 1964, no Arsenal do Alfeite, só sendo libertado três anos depois, em junho de 1967, depois de ter "passado" pelo Aljube, Caxias e Peniche.

[2010]

[0693.] TRÊS IRMÃS: SOFIA, GEORGETTE E MERCEDES FERREIRA

[1922-2010]

[1925]

[1928]

quarta-feira, 25 de junho de 2014

[0692.] LUÍSA RODRIGUES [II]


- LUÍSA RODRIGUES [1903-1961] -
- BIOGRAFIA PRISIONAL
[Comissão do Livro Negro Sobre o Regime Fascista, Presos políticos no regime fascista II - 1936-1939, 1982]

[0691.] LUÍSA RODRIGUES [I]

* LUÍSA RODRIGUES [1903-1960] *
[Desenho de António Domingues, in José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal – Uma Biografia Política – O Prisioneiro (1949-1960), Vol. 3, Lisboa, Temas e Debates, 2005]

Operária, nasceu em Lisboa no ano de 1903.

Militante comunista nas décadas de 1930, 1940 e 1950. 

Presa pela primeira vez a 21 de novembro de 1936, acusada “de fazer propaganda subversiva e haver a suspeita de ter distribuído panfletos clandestinos nas oficinas da fábrica onde trabalha”, sendo “conhecida como pessoa de ideias avançadas, chegando a cantar a Internacional e mais versos comunistas, na oficina onde é operária”. 

Foi libertada quase cinco meses depois, a 12 de abril de 1937. 

Ter-se-á tornado funcionária do Partido Comunista por volta de 1942 [José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal – Uma Biografia Política, Vol. 2, Lisboa, Temas e Debates, 2001, p. 640]. 

Escassos anos depois, era companheira de casa de Manuel dos Santos, operário comunista conhecido pelo “pequeno Dimitrov” [03/02/1914-25/10/1947], condenado nos anos 30 a 22 anos de prisão e fugido do Limoeiro em setembro de 1944, após 12 anos em várias prisões, morrendo na clandestinidade com apenas 33 anos. 

Novamente presa em 10 de fevereiro de 1949, em Macinhata do Vouga, Sever do Vouga, na casa clandestina que partilhava com Militão Bessa Ribeiro [13/08/1896-02/01/1950], tendo este escapado por poucos dias. 

Levada para a sede da PIDE do Porto, recusou prestar quaisquer informações. Um mês depois, assistiu à chegada às mesmas instalações de Álvaro Cunhal, Militão Ribeiro e Sofia Ferreira, tendo os seus constantes gritos contribuído para que se soubesse daquelas prisões. 

Devido ao grave estado de saúde, a PIDE acabou por a libertar sem processo, tendo o número de setembro do jornal Avante! denunciado que foi torturada até à loucura. 

Morreu a 1 de dezembro de 1960, com 57 anos de idade. 

Referenciando-a como companheira de Militão Ribeiro, o Avante! de janeiro de 1961 sublinhou que o assassinato do companheiro pela PIDE e a saúde fortemente abalada pela prisão, martirizou toda a sua existência [Avante!, n.º 296].

António Domingues assinou, em 1954, um desenho onde a retratou com um ar acusador e o braço esquerdo levantado, tendo umas grilhetas quebradas na mão, o qual foi publicado por Pacheco Pereira no III volume dedicado à biografia política de Álvaro Cunhal.

Feminae - Dicionário Contemporâneo, editado pela Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género, inseriu uma biografia mais desenvolvida de Luísa Rodrigues.

[João Esteves]

terça-feira, 24 de junho de 2014

[0690.] MARIA LUÍSA COSTA DIAS [VI]


[1916-1975]
[in Movimento Democrático de Mulheres (MDM), Toponímia no Feminino na Região de Setúbal, 2013]

[0689.] MARIA LUÍSA COSTA DIAS [V] || PEDRO E LUÍSA - MORRER ANTES DO FIM

* PEDRO E LUÍSA - MORRER ANTES DO FIM *
[JUNHO DE 1975]

Pedro e Luísa, morrer antes do fim
[Pedro e Luísa: morrer antes do fim || Texto: Nuno Gomes dos Santos || Fotos: José Tavares || edições dêágâ || Junho de 1975]

[informação via Margarida Castro]

segunda-feira, 23 de junho de 2014

[0688.] MARGARIDA TAVARES FERNANDES ERVEDOSO [II]

- BIOGRAFIA PRISIONAL -
[Comissão do Livro Negro sobre o Regime Fascista, Presos Políticos no Regime Fascista II – 1936-1939, 1982]

[0687.] MARGARIDA TAVARES FERNANDES ERVEDOSO [I] || CASADA COM GABRIEL PEDRO, MÃE DE EDMUNDO PEDRO - MILITANTE COMUNISTA

* MARGARIDA TAVARES FERNANDES ERVEDOSO *

[in Edmundo Pedro || Memórias. Um combate pela liberdade || Âncora Editora || 2007]

Nasceu em 1903, em Alcochete. 

Iniciou muito nova a sua vida afectiva e política: aos 14 anos ligou-se a Gabriel Pedro [22/04/1898 - 1972], com quem casou aos 15, já mãe de Edmundo Pedro [08/11/1918 - 27/01/2018], nascendo, dois anos depois, João (1920-1935) e, por fim, Germano Tavares Pedro. 

Margarida Ervedoso manteve, nos anos 30, intensa actividade política no Partido Comunista Português e chegou a ser um dos seus primeiros funcionários permanentes. 

Em 1928, terá acompanhado o marido, deportado para a Guiné.

Em 1931, radicou-se com o marido e o filho João em Sevilha. Aderiram ao Partido Comunista Espanhol e participaram activamente os três no IV Congresso realizado naquela cidade.

Margarida Tavares, “então com 28 anos, também usou da palavra em nome da organização comunista das mulheres portuguesas”, por sinal inexistente [Edmundo Pedro, pp. 27 e 68]. 

Na sequência deste episódio, marido e mulher foram convidados pela direcção do PCP a ingressar nele “e regressarem clandestinamente a Portugal para se dedicarem, a tempo inteiro, à actividade partidária” [EP, p. 69], tornando-se funcionários políticos em 1932. 

Segundo as Memórias de Edmundo Pedro, a mãe aderiu totalmente às novas ideias e actividades e a família instalou-se em Lisboa, “com nomes fictícios, numa casa alugada pelo Partido, na Rua S. Sebastião da Pedreira” [EP, p. 69], transformada em sede central do PCP. Aí se reuniam os principais dirigentes, nomeadamente Alfredo Caldeira, Bento Gonçalves, Francisco de Paula Oliveira (Pavel) e José de Sousa, e editava-se a imprensa clandestina, como o Avante! e o Militante. 

Pavel refugiou-se nessa casa aquando da fuga do sanatório da Ajuda, em 1933. 

No Verão desse ano, enquanto funcionária do partido, Margarida Tavares deslocou-se a Sevilha e foi detida no regresso, na fronteira. 

Em 21 de Setembro de 1933 deu entrada na Secção Política e Social da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado. 

Submetida a interrogatórios, negou tudo, foi enviada para a Cadeia das Mónicas e o processo seguiu, em 12 de Outubro de 1933, para julgamento no Tribunal Militar Especial. Em Janeiro de 1934, a mãe e Edmundo Pedro, ambos detidos, encontraram-se na prisão do Governo Civil, a que se juntaria pouco tempo depois o pai. 

Pedro Batista da Rocha, activista da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas na década de 30 conta, no livro Escrito Com Paixão, como se cruzou com Margarida na sede da Polícia de Informações, estando ambos então presos [Pedro Rocha, p. 83], evocando “que em Espanha havia conhecido La Pasionaria no início da sua carreira revolucionária” e “era militante da secção feminina do Partido Comunista Português” [p. 84]. 

Margarida Tavares não chegou a ser julgada, ao contrário do marido e filho, voltou a ser transferida para a Cadeia das Mónicas e libertada alguns meses após a sua detenção, em maio. 

Passou a visitar o filho e marido no Aljube, onde, durante as conversas através do parlatório, acordou-se no divórcio perante a perspectiva da condenação daquele por muito tempo e na sequência da deportação para Angra do Heroísmo, para onde seguiu em 8 de Setembro de 1934. 

Retomou a actividade política no Partido Comunista, funcionando quase como secretária de Bento Gonçalves, que a encarregava “do desempenho de tarefas semilegais inerentes à sua actividade de secretário-geral do Partido” [EP, p. 235, nota 38], e refez a sua vida com Afonso Silva, guarda-livros, deportado nos Açores que regressara havia meses: conheceu-o “no âmbito da actividade partidária” e “essa ligação manteve-se enquanto ambos foram vivos” [EP, p. 257]. 

Em maio de 1935, morreu, com 14 anos, o filho do meio, em consequência de violenta agressão após uma acção política realizada na Escola Fonseca Benevides, e nesse mesmo ano, com a detenção de Bento Gonçalves, “separou-se definitivamente do PCP” [EP, p. 349]. 

No primeiro volume das Memórias de Edmundo Pedro é inserida uma fotografia de Margarida Tavares Fernandes Ervedoso com cerca de 60 anos [EP, p. 130].

Foi inserida uma biografia mais desenvolvida em Feminae. Dicionário Contemporâneo [CIG, 2013]

[João Esteves]
[alterado em 11/02/2023]