[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

sábado, 26 de maio de 2018

quinta-feira, 24 de maio de 2018

[1816.] MÁRIO JOSÉ DE BARROS [I] || A CONVIVÊNCIA, EM MURÇA, COM MILITÃO RIBEIRO E BORGES COELHO

* MÁRIO JOSÉ DE BARROS || A CONVIVÊNCIA COM MILITÃO RIBEIRO EM MURÇA || PRESO NO ALJUBE DO PORTO E DE LISBOA E EM PENICHE *

Quando alfaiate em Murça, de onde era natural, Mário José de Barros conviveu na década de 30 com Militão Bessa Ribeiro [13/08/1896 - 02/01/1950], nascido na mesma terra e que, quando expulso do Brasil e enviado sob prisão para Portugal, aí se refugiu, desenvolvendo actividade política no âmbito do Partido Comunista. 

Influenciado pelas ideias de Militão Ribeiro, Mário José de Barros foi preso em 1935 por propaganda contra a Ditadura Fascista e reencontrou-o no Aljube e em Peniche.

Desse duplo convívio com Militão Ribeiro, Mário José de Barros terá recebido vários livros que fez circular clandestinamente naquela localidade durante as décadas de 30 e de 40, sendo provavelmente através deste que o historiador António Borges Coelho, expulso do Seminário em Maio de 1945 e de regresso a Murça, de onde também era natural, terá tomado contacto com Carlos Marx, de Max Beer, Os Dez Dias que Abalaram o Mundo, de John Reed, ou O Estado e a Revolução, de Lenine. 

[Mário José de Barros || ANTT || Fotografia 3001 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Maria da Conceição e de Domingos Barros, Mário José de Barros nasceu em 24 de Março de 1910, em Murça, distrito de Vila Real.

Identificado como alfaiate, foi preso por, no dia 31 de Janeiro de 1935, "ter escrito nas paredes dos prédios da vila de Murça dísticos de carácter subversivo, e de ter arrancado, sujando-os com excrementos, os cartazes de propaganda para a reeleição de Sua Ex.ª o Senhor Presidente da República" [ANTT, Cadastro Político 5978; Processo 1401].

Entregue à Delegação do Porto da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado em 23 de Abril de 1935. Envido para o Aljube local, foi julgado pelo Tribunal Militar Especial daquela cidade em 25 de Abril e condenado a dezoito meses de prisão e perda dos direitos políticos por cinco anos [Processo 49/935 do TME].

Transferido, em 9 de Maio, do  Porto para a Fortaleza Militar de Peniche, tendo, em 8 de Julho sido enviado para Lisboa e hospitalizado, no dia seguinte, no Hospital de São José.

[Mário José de Barros || ANTT || Fotografia 3001 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Recebeu alta hospitalar em 7 de Agosto, seguiu para os calabouços da 1.º Esquadra e, em 31 do mesmo mês, foi novamente internado no Hospital de São José, onde permaneceu sob prisão até 2 de Outubro de 1935 [ANTT, Cadastro Político]. 

Segundo a Biografia Prisional que consta do Registo Geral de Presos, voltou à 1.ª Esquadra em 6 de Novembro e entrou no Aljube em 19 de Dezembro.

[Mário José de Barros || RGP/909 || PT-TT-PIDE-E-010-5-909_m0227] 

Novamente enviado para Peniche em 8 de Fevereiro de 1936, de onde só foi libertado em 17 de Janeiro de 1937, totalizando cerca de dois anos de cativeiro em prisões do fascismo.

O nome consta do Memorial de Homenagem aos Ex-Presos Políticos, inaugurado na Fortaleza de Peniche em 9 de Setembro de 2017.

[Mário José de Barros || ANTT || Fotografia 3001 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

NOTA: Atenção ao uso indevido destas imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 5978 [Mário José de Barros / PT-TT-PIDE-E-001-CX14_m0368, m0368a].
ANTT, RGP/909 [Mário José de Barros / PT-TT-PIDE-E-10-5-909_c0239].
ANTT, Fotografia 3001 [Mário José de Barros / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904_m0042].

[João Esteves]
[Revisto em 18/12/2018]

quarta-feira, 23 de maio de 2018

terça-feira, 22 de maio de 2018

[1814.] JÚLIO POMAR [I]

* NA MORTE DE JÚLIO POMAR (10/01/1926 - 22/05/2018) || UM LIVRO DE IRENE PIMENTEL *

Júlio Pomar - O pintor no tempo





[Cadernos do Atelier - Museu Júlio Pomar || 2017]

domingo, 20 de maio de 2018

[1813.] MARIA JOSÉ MARINHO [III]

* MARIA JOSÉ MARINHO || DÉCADA DE 1950 || MUD JUVENIL *

FOTOGRAFIA: GUALTER SOARES, SACUNTALA DE MIRANDA E MARIA JOSÉ MARINHO


[in Sacuntala de Miranda || Memórias de um peão nos combates pela liberdade || Edições Salamandra || 2003]

quinta-feira, 17 de maio de 2018

[1812.] MARIA JOSÉ MARINHO [II]

* MARIA JOSÉ MARINHO || HOMENAGEM NA BIBLIOTECA NACIONAL *

 22 DE MAIO || 18.00 HORAS

Fotografia de há 35 anos de um grupo excepcional com quem muito aprendi e que nunca esquecerei! O SABER ao serviço dos outros!

quarta-feira, 16 de maio de 2018

[1811.] MARGARIDA TENGARRINHA [V]

* MARGARIDA TENGARRINHA || MEMÓRIAS DE UMA FALSIFICADORA: A LUTA NA CLANDESTINIDADE PELA LIBERDADE EM PORTUGAL *

MUSEU DO ALJUBE || 15 DE MAIO

[Museu do Aljube || 15/05/2018]

sábado, 12 de maio de 2018

[1810.] MARGARIDA TENGARRINHA [IV]

* MARGARIDA TENGARRINHA || MEMÓRIAS DE UMA FALSIFICADORA: A LUTA NA CLANDESTINIDADE PELA LIBERDADE EM PORTUGAL *

MUSEU DO ALJUBE || 15 DE MAIO || 18.30 ||

|| HELENA PATO || JOÃO ESTEVES || MARGARIDA TENGARRINHA ||

Luís Farinha: «No momento em que decorre no espaço de exposições temporárias do Museu do Aljube a exposição José Dias Coelho Artista Militante Revolucionário, fazemos o convite para a apresentação do livro de Margarida Tengarrinha «Memórias de uma falsificadora: A luta na clandestinidade pela Liberdade em Portugal».

sexta-feira, 11 de maio de 2018

[1809.] CARLOS LUÍS PAULA [I] 1899 - ?

* CARLOS LUÍS PAULA || DEPORTADO PARA ANGOLA (1928 - ?) || MARIDO DE LUÍSA PAULA || PAI DE AIDA PAULA *

Carlos Luz Paula é um dos muitos opositores à Ditadura Militar pouco conhecido, apesar de ter sido deportado, em 1928, para Angola e ser esposo e pai de duas resistentes comunistas várias vezes presas, formando um dos pares com maior experiência de clandestinidade: Luísa da Conceição [25/12/1897 ou 1898 - 1966] e Aida da Conceição Paula [09/12/1918 - 25/10/1993].

                [Luísa da Conceição]                    [Aida da Conceição Paula]

Filho de Leonor da Conceição e de António Luz Paula, Carlos Luz Paula nasceu em Lisboa, provavelmente em 1899.

Pintor da construção civil, terá casado aos 18 anos com Luísa da Conceição, tecedeira da indústria têxtil e ambos trilharam o mesmo caminho em defesa dos trabalhadores, participando em lutas comuns. 

Em 1918, nasceu na Rua de Campo de Ourique, 75, onde o casal residia, a filha Aida da Conceição Paula. 

Com o advento da Ditadura Militar, Carlos Luz Paula sofreu várias perseguições, passou pelos calabouços do Governo Civil de Lisboa e, em 14 de Abril de 1928, foi preso acusado de «ser fabricante de explosivos» [ANTT, Cadastro Político 1890].

Deportado para Angola em 7 de Junho, evadiu-se em 9 de Junho, quando o vapor "Moçambique" aportou no Funchal, e foi recapturado em finais de Julho de 1928.

Cerca de dezoito meses  depois, Luísa da Conceição e Aida Paula partiram para Angola tendo, posteriormente, Carlos Luz Paulo regressado à metrópole por pressão dos médicos já «que o clima lhe fora adverso e ele estava em perigo de vida» [depoimento de Aida Paula em Mulheres Portuguesas na Resistência, 1975].

De regresso a Campo de Ourique, aproximou-se do Partido Comunista e começou a levar o Avante! para casa, lendo-o em voz alta à esposa, que não sabia ler.

Em 24 de Julho de 1934, na sequência da prisão do ourives Armando Alves de Castro, que já estivera deportado em Timor e era procurado por se ter evadido, em 6 de Junho, do Hospital de S. José, foi novamente detido e libertado em 8 de Agosto.

Em 26 de Junho de 1936 andava fugido à polícia, «acusado de suspeita de ter feito alguns dizeres e desenhos de carácter comunista nas guaritas das novas instalações da Esquadra dos Caminhos de Ferro» [ANTT, Cadastro 1890].

Durante a Guerra Civil de Espanha, o casal Carlos e Luísa acolheu quatro refugiados espanhóis, enquanto a mulher continuava a trabalhar numa fábrica.

Carlos Luz Paulo deve ter falecido pouco tempo depois, já que quando a mulher foi presa pela primeira vez numa tipografia clandestina do Partido Comunista, em Maio de 1939, foi registada como viúva.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 1890 [Carlos Luz Paulo / PT-TT-PIDE-E-001-CX08_m0191].

Aida Paulo, “E assim passavam os meses que se podiam somar por anos”, depoimento a Gina de Freitas, A Força Ignorada das Companheiras, Lisboa, Plátano Editora, 1975, pp. 57-67.

Maria Manuela Cruzeiro, Maria Eugénia Varela Gomes – Contra ventos e marés, Porto, Campo das Letras, 2003.

Rose Nery Nobre de Melo, Mulheres Portuguesas na Resistência, Lisboa, Seara Nova, 1975, pp. 41-45.


[João Esteves]

quinta-feira, 10 de maio de 2018

[1808.] EURICO PINTO MATEUS [I]

* EURICO PINTO MATEUS || ANARCO-SINDICALISTA || PARTICIPAÇÃO NO 18 DE JANEIRO DE 1934 || EXILADO EM ESPANHA || DEPORTADO PARA O TARRAFAL (1937-1945) *

Estucador, Eurico Pinto Mateus desenvolveu, no início da década de 1930, intensa actividade sindical no âmbito do Sindicato da Construção Civil, chegando a integrar a Comissão Inter-sindical (CIS), militou no Partido Comunista e, por volta de 1932, já era um defensor das ideias anarquistas, aproximando-se do anarco-sindicalismo.

Preso uma primeira vez em 1932, foi absolvido. Por ter participado nos preparativos da Greve Geral de 18 de Janeiro de 1934, refugiou-se em Espanha, onde integrou a Federação dos Anarquistas Portugueses Exilados (FAPE). Expulso daquele país, foi preso em 1937 e enviado para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde permaneceu cerca de sete anos.

[Eurico Pinto Mateus || 1932 ? || ANTT || PVDE, Polícias Anteriores 3 NT 8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Carolina Maria Pereira e de Simão Mateus, Eurico Pinto Mateus nasceu em Lisboa, em 24 de Novembro de 1908.

No início dos anos 30, quando militava no Partido Comunista, fez parte da Comissão Inter-Sindical (CIS), trabalhando politica e partidariamente com Francisco Roque Júnior, detido no Aljube, Grácio Ribeiro, estudante deportado para Timor, e Manuel Moor [RGP/8793], fugido à polícia e só preso em 1937.

Entretanto, abraçou o anarco-sindicalismo, por estar "mais de acordo com os princípios estabelecidos pelo proletariado, pois é contra a força armada, contra o Estado Organizado e contra as classes privilegiadas", proferindo "conferências e preleções aos operários da Construção Civil, nas quais lhe explica as razões do aparecimento do anarco-sindicalismo e seus fins, bem como aconselha a massa operária a desprezar as ideias expostas pelos partidos que se servem dela, para os seus fins, com falsas promessas". Era ainda "contra todas as ditaduras, inclusive a proletária, à maneira russa" [ANTT, Cadastro Político 4559].

No âmbito da intervenção junto da classe dos estucadores, Eurico Pinto Mateus era seu delegado ao Conselho Administrativo do Sindicato da Construção Civil [Processo 587/SPS].

Preso, pela primeira vez, em 21 de Outubro de 1932, "por ter entregue manifestos anarquistas a Alfredo Crispim Duarte", tendo-os recebido de Francisco Cardoso Pires [RGP/7499], libertado do Aljube havia pouco tempo [ANTT, Cadastro Político].

Considerado pela Polícia de Defesa Política e Social como tendo "uma relativa cultura e facilidade em falar e escrever", desenvolvendo, "apesar de bastante novo", "uma enorme actividade de ideias social-revolucionárias", Eurico Pinto Mateus foi julgado pelo Tribunal Militar Especial em 17 de Junho de 1933 e absolvido, pelo que foi libertado.

No ano seguinte, pertenceu ao Comité de Acção do 18 de Janeiro, não tendo concretizado a distribuição das armas prevista aquando do desencadear da Greve Geral. Cooperou, entre outros, com Armando dos Santos Calet [RGP/302], Bartolomeu José da Costa, Custódio da Costa [RGP/54], João Sarmento Dias [RGP/334], João Serra,  José Severino de Melo Bandeira [RGP/331], Manuel Henriques Rijo [RGP/349], Silvino Augusto Ferreira [RGP/12592] [Processos 1011, 1227 e 1237/SPS].

Após essa data, exilou-se em Espanha onde integrou o Secretariado da Federação dos Anarquistas Portugueses Exilados, após uma reunião promovida por Marques da Costa e onde estiveram presentes Alberto Dias, de Lisboa, Custódio Bresce de Lima, do Porto, e José Rodrigues Reboredo, de Viana do Castelo [RGP/12947] [ANTT, Cadastro 4559; Cristina Clímaco, "Os anarquistas no exílio (1930-1936)"].


[CLNSRF || Presos Políticos No Regime Fascista II (1936-1939) || 1982]

Expulso de Espanha, Eurico Pinto Mateus foi novamente preso em 4 de Março de 1937 e levado para o Aljube, onde recolheu à enfermaria. 

Passou, de seguida, por uma esquadra, regressou ao Aljube e seguiu para o Campo de Concentração do Tarrafal em 6 de Novembro, integrando a 3.ª leva de presos políticos. Aí permanece até 20 de Fevereiro de 1945.

Regressado a Portugal, Eurico Pinto Mateus voltou a residir na Rua da Saudade, 3, Cave - Lisboa.

[Eurico Pinto Mateus || 1932 ? || ANTT || PVDE, Polícias Anteriores 3 NT 8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

NOTA: Atenção ao uso indevido desta imagem sem a devida autorização dos serviços do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 4559 [Eurico Pinto Mateus / PT-TT-PIDE-E-001-CX09_m0044, m0044a, m0044b, m0044c].
ANTT, Fotografia 2011 [Eurico Pinto Mateus / C-4559 / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0030].
ANTT, Fotografia 2049 [Eurico Pinto Mateus / C-4559 / [ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0033].
ANTT, Registo Geral de presos/6244.

[João Esteves]

terça-feira, 8 de maio de 2018

[1807.] JOAQUIM LOPES MARTINS [I]

* JOAQUIM LOPES MARTINS || MORTO AOS 21/22 ANOS EM CONSEQUÊNCIA DE ESPANCAMENTOS NA PRISÃO *

Joaquim Lopes Martins foi um dos muitos jovens vítima das torturas sofridas quando preso pela Polícia de Defesa Política e Social, tendo falecido no Hospital Curry Cabral em 2 de Julho de 1933.

Se pouco se sabe do seu percurso político para além de ser militante da Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas ["Reorganização da FJCP – 1934-1935", Avante!, 08/05/2003] e, eventualmente, com ligações à Célula N.º 18 do Comité de Zona Nº 1 do Partido Comunista [ANTT, Cadastro Político 4119], importa preservar a sua memória fixando-lhe o rosto ainda tão juvenil, tanto mais que é um nome que não consta de "Os que ficaram pelo caminho".   

[ANTT || Fotografia 1924, 04/08/1932 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Filho de Maria de Jesus e de Joaquim Martins Gomes, Joaquim Lopes Martins nasceu em Arganil, em 1911.

Padeiro, a viver na Praça Luís de Camões nº 46, 5.º Esquerdo (Lisboa), foi preso em 27 de Junho de 1932, acusado de ser "simpatizante da Célula Nº 18 do Comité de Zona Nº 1 do Partido Comunista Português" e ser "detentor de uma mala com material destinado ao fabrico de bombas", dada a guardar por João Marques Lustosa.

[ANTT || Fotografia 1924, 04/08/1932 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Joaquim Lopes Martins foi acusado de integrar o Grupo Defesa Sindical da Associação de Classe dos Manipuladores de Pão, que negou e, "nos interrogatórios, tentou o mais possível encobrir a sua qualidade de membro de uma Célula Comunista, acabando, por fim, por confessar" [ANTT, Cadastro 4119; Processo 460].

Em 11 de Agosto de 1932, por parecer do Director Geral da Segurança Pública e anuência do Ministro do Interior, foi-lhe "fixada residência obrigatória em Timor ou Cabo Verde".

[ANTT || Fotografia 1924, 04/08/1932 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Em consequência dos maus-tratos policiais e prisionais, entrou no Hospital Curry Cabral em 28 de Novembro de 1932, onde faleceu em 2 de Julho de 1933, "pelas 5 e 30 horas, no Serviço 1, Sala 1" [informação da Direcção dos Hospitais Civis].

Como o seu processo já se encontrava no Tribunal Militar Especial de Lisboa desde 24 de Fevereiro, a Polícia de Defesa Política e Social informou-o do "falecimento do epigrafado" [Ofício 783, de 05707/933].  

[ANTT || Fotografia 1924, 04/08/1932 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANT

NOTA: Atenção ao uso indevido destas imagens sem a devida autorização do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 4119 [Joaquim Lopes Martins / PT-TT-PIDE-E-001-CX11_m0264, m0264a].
ANTT, Fotografia 1924 [Joaquim Lopes Martins / C-4119 / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0025].
"Reorganização da FJCP – 1934-1935", Avante!, 08/05/2003.

[João Esteves]

segunda-feira, 7 de maio de 2018

[1806.] HELENA PATO [II]

* HELENA PATO || A NOITE MAIS LONGA DE TODAS AS NOITES (1926-1974) *

23 DE MAIO || 18.30 || BIBLIOTECA ESPAÇO EUROPA

APRESENTAÇÃO: IRENE PIMENTEL || MÁRIO DE CARVALHO

PREFÁCIO: MARIA TERESA HORTA

POSFÁCIOS: LUÍS FARINHA || JORGE SAMPAIO

[Edições Colibri || Maio de 2018]

[1805.] GALAMARES [III]

* GALAMARES || 2018 *




[Galamares || Maio de 2018]

[1804.] GALAMARES [II]

* GALAMARES || 2018 *




[Galamares || Maio de 2018]

domingo, 6 de maio de 2018

[1803.] GALAMARES [I]

* GALAMARES || 2018 *





[Galamares || Maio de 2018]

[1802.] ERNESTO JOSÉ RIBEIRO [I]

* ERNESTO JOSÉ RIBEIRO || A MORTE, NO CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO TARRAFAL, AOS 30 ANOS *

Militante comunista, teve responsabilidades nos preparativos da Greve Geral de 18 de Janeiro a ocorrer em Lisboa. Condenado a 14 anos de degredo, permaneceu dois anos na Fortaleza de São João Baptista, sendo enviado, em 1936, para o Tarrafal, onde faleceu ao fim de cinco anos. 

[Ernesto José Ribeiro || ANTT || RGP/61]

Filho de Beatriz da Conceição Ribeiro e de Artur José Ribeiro, Ernesto José Ribeiro nasceu em 11 de Março de 1911, em Lisboa.

Servente de Pedreiro, seria o Controleiro da Célula N.º 3 do Partido Comunista.

Colaborou, entre outros, com Filipe José da Costa, Gabriel Pedro e Virgílio Martins nos preparativos da Greve Geral de 18 de Janeiro de 1934, nomeadamente na recolha de bombas explosivas e na realização de um comício relâmpago na Rocha do Conde de Óbidos, de forma a publicitar a greve junto dos operários da Administração do Porto de Lisboa [Processo 1011].

[Ernesto José Ribeiro || ANTT || RGP/61]

Entregue pelo Comando da PSP à Secção Política e Social da PVDE em 29 de Janeiro de 1934, foi julgado pelo Tribunal Militar Especial em 8 de Março e condenado a 14 anos de degredo, com prisão, e multa de vinte mil e escudos [Processo 106/934, do TME].

Embarcou, em 23 de Setembro, com destino à Fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo, e dois anos depois, em 23 de Outubro de 1936, integrou a primeira leva de presos políticos que foi enviada para o Tarrafal, onde chegou a 29 do mesmo mês.

[Ernesto José Ribeiro || ANTT || RGP/61]

Ernesto José Ribeiro faleceu no Campo de Concentração do Tarrafal em 8 de Dezembro de 1941, "pelas 010 horas", aos 30 anos de idade.

Segundo palavras de Edmundo Pedro, proferidas no encontro anual de 2002 dos ex-tarrafalistas e citadas por António Melo no jornal Público de 24 de Fevereiro de  2002, "Uma das [mortes] que mais me impressionou, foi a de Ernesto José Ribeiro, um operário da construção civil detido juntamente com o meu pai. Era, como eu, um convicto comunista. Quando sentiu que a morte se aproximava, visto que ficara anúrico durante três dias, dirigiu-me palavras que conservo, gravadas a fogo, na minha memória. Elas adquirem hoje, perante o que tem acontecido, um trágico e especial significado: - "Edmundo, sei que vou morrer em breve. Morro cheio de desgosto porque não poderei partilhar, com os camaradas que sobreviverem a esta prova, a entrada na sociedade sem classes - na sociedade comunista!" [António Melo, "Sobreviventes do Tarrafal reunidos em Lisboa", Público, 24/02/2002].

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 5192 [Ernesto José Ribeiro / PT-TT-PIDE-E-001-CX08_m0916, m0916a].

ANTT, Registo Geral de Presos/61 [Ernesto José Ribeiro / PT-TT-PIDE-E-10-1-61_c0136].

ANTT, Fotografia 2516 [Ernesto José Ribeiro / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904_m0012].

[João Esteves]

[1801.] FIRMINO DOMINGUES [I]

* FIRMINO DOMINGUES || 18 DE JANEIRO DE 1934 - MARINHA GRANDE || DEPORTADO PARA ANGRA DO HEROÍSMO (1934-1940) *

Firmino Domingues foi um dos muito jovens vidreiros da Marinha Grande que participou na Greve Geral de 18 de Janeiro de 1934 e que sofreu a deportação para a Fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo, onde permaneceu encarcerado cerca de seis anos.

[Firmino Domingues || ANTT || RGP/64]

Filho de Piedade Domingues e de Isidoro Domingues, Firmino Domingues nasceu na Marinha Grande em 18 de Agosto de 1908.

Vidreiro, este envolvido nos preparativos da Greve Geral Revolucionária de 18 de Janeiro de 1934, reunindo no Casal Galego com, entre outros, Álvaro de Carvalho, José Gregório e Pedro Pereira Amarante Mendes, o alfaiate Amarante que integrava o Comité Local do Partido Comunista.

Sob a chefia de Amarante, participou no assalto ao posto local da GNR armado de uma espingarda, integrou a escolta aos soldados que, após a rendição, foram levados para a Fábrica Nacional e, na Praça, fez frente às tropas idas de Leiria, disparando dois tiros [Processo 966].

[Firmino Domingues || ANTT || RGP/64]

Preso, foi entregue pelo Comando da PSP de Leiria à Secção Política e Social da PVDE em 1 de Fevereiro de 1934.

O Tribunal Militar Especial, reunido na Trafaria em 19 de Fevereiro, condenou-o a seis anos de desterro, multa de doze mil escudos e perda dos direitos políticos por dez anos [Processo 16/933, do TME].

Deportado para Angra do Heroísmo em 8 de Setembro de 1934, Firmino Domingues foi libertado em 24 de Junho de 1940, indo residir para Almoinhas - Leiria.

O seu nome consta da toponímia da Marinha Grande.

[Firmino Domingues || ANTT || RGP/64]

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 5116 [Firmino Domingues / PT-TT-PIDE-E-001-CX09_m0299, m0299a].

ANTT, Registo Geral de Presos/64 [Firmino Domingues / PT-TT-PIDE-E-10-1-64_c0142].

ANTT, Fotografia 2620 [Firmino Domingues / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904_m0018].

[João Esteves]

sábado, 5 de maio de 2018

[1800.] LEONILDO DA ASSUNÇÃO FELIZARDO [I]

* LEONILDO DA ASSUNÇÃO FELIZARDO || COMUNISTA || DEPORTADO PARA ANGRA DO HEROÍSMO (1934-1936) E PARA O CAMPO DE CONCENTRAÇÃO DO TARRAFAL (1936-1945) *

Preso pela primeira vez em 1931, por denúncia feita por carta anónima enviada à Polícia Política, Leonildo da Assunção Felizardo esteve preso cerca de 16 anos consecutivos, apesar de ter sido condenado, depois de recurso, a 4 anos de degredo. 

Permaneceu dois anos em Angra do Heroísmo, cerca de oito no Campo de Concentração do Tarrafal e três nas Cadeias Civis Centrais de Lisboa.

[Leonildo da Assunção Felizardo || ANTT || RGP/134]

Filho de Leonilde Felizardo e de Alfredo Felizardo, Leonildo da Assunção Felizardo nasceu em 27 de Março de 1910 na Freguesia de Belém - Lisboa.

Preso em 12 de Junho de 1931 e solto no dia seguinte, por ter sido denunciado e acusado, mediante carta anónima, de estar envolvido com bombistas presos [Processo 4999-C].

Eletricista, no ano seguinte, quando era o filiado 147 da Célula N.º 8 do Comité de Zona N.º 4 do Partido Comunista, esteve envolvido nos preparativos da jornada de luta a ocorrer no dia 29 de Fevereiro e que implicava o recurso a bombas, a qual acabou por não se realizar devido à prisão dalguns dos implicados. 

Segundo o seu Cadastro Político, colaborou, no âmbito daquela acção, com Álvaro Augusto Ferreira, Francisco de Campos, José Duarte (1.º), Manuel Alpedrinha e Manuel Francisco da Silva ("O Manuel Pedreiro" que faleceu em 24 de Agosto de 1941, quando detido na Fortaleza de Angra do Heroísmo).

[Leonildo da Assunção Felizardo || ANTT || RGP/134]

Falhada aquela jornada, terá sido abordado, em Março de 1932, para transportar Manuel Alpedrinha até à fronteira, a fim deste participar no IV Congresso do Partido Comunista Espanhol que se realizava em Sevilha. Também foi contactado por Francisco de Campos para a agitação prevista para o 1.º de Maio de 1932, não tendo anuído, segundo as suas declarações, às duas solicitações.

No entanto, o facto de manter ligações com Manuel Alpedrinha e, entretanto, estar como aluno de uma Escola Comercial e Industrial era o suficiente para Leonildo de Assunção Felizardo ser considerado um "elemento perigoso" [Processos 452 e 465].

Preso em 4 de Agosto de 1932, foi julgado pelo Tribunal Militar Territorial em 18 de Julho de 1934 e condenado a 10 anos de degredo [Processo 16/933 do TME].

Leonildo Felizardo interpôs recurso e o TME, de 25 de Julho, reduziu a pena para 4 anos de degredo, sendo em seguida posto à disposição do Governo.

[Leonildo da Assunção Felizardo || ANTT || RGP/134]

Embarcou para a Fortaleza de São João Baptista, em Angra do Heroísmo, em 23 de Setembro de 1934 e, dois anos depois, em 23 de Outubro, seguiu para o Campo de Concentração do Tarrafal.

No Tarrafal, de onde só regressou em 20 de Fevereiro de 1945, assistiu à morte de Mário Castelhano e integrou a Organização Comunista Prisional do Tarrafal (OCPT): na sequência de divergências no seu seio, formou, com Álvaro Duque da Fonseca, Boaventura Gonçalves, Fernando Macedo, Fernando Quirino, Jaime Tiago, José de Sousa e Virgílio de Sousa o Grupo dos Comunistas Afastados, sendo todos expulsos do Partido Comunista em 1943 [José Pacheco Pereira, Álvaro Cunhal - Uma Biografia Política, Vol. I, 1999].

Apesar de já há muito ter cumprido a pena a que fora condenado, Leonildo Felizardo não saiu em liberdade aquando do regresso do Tarrafal. Entregue às Cadeias Civis Centrais de Lisboa em Março de 1945, só conheceu a liberdade em 21 de Junho de 1948, ao fim de quase dezasseis anos de cativeiro. 

O seu nome próprio tanto aparece grafado como Leonido ou Leonildo.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 2971 [Leonildo Assunção Felizardo /PT-TT-PIDE-E-001-CX13_m0053, m0053a, m0053b, m0053c].
ANTT, Registo Geral de Presos/134 [Leonido da Assunção Felizardo / PT-TT-PIDE-E-10-1-134_c0294].
ANTT, Fotografia 1910 / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-3-NT-8903_m0024.
ANTT, Fotografia 2640 / ca-PT-TT-PVDE-Policias-Anteriores-4-NT-8904_m0019.

[João Esteves]
[alterado em 17/02/2019