[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

domingo, 17 de novembro de 2019

[2192.] JOSÉ ANTÓNIO CABRITA [II] || A PIDE EM PINHAL NOVO

* JOSÉ ANTÓNIO CABRITA *

A PIDE EM PINHAL NOVO. PARA QUE A MEMÓRIA NÃO ESMOREÇA

Câmara Municipal de Palmela || 2017

[Câmara Municipal de Palmela || 2017]

Numa edição cuidada e rigorosamente documentada em cada um dos seus doze capítulos, tendo na capa uma fotografia de Maurício Abreu, "renomado fotógrafo, que aceitou ceder generosamente  a fotografia que dá rosto ao presente livro" [pp. 16-17], José António Cabrita tem como preocupação histórica do livro "A PIDE em Pinhal Novo - Para que a memória não esmoreça" evocar e homenagear os dez presos políticos associados àquela terra e levados "para os curros do Aljube, para o isolamento de Caxias, para o segredo de Peniche". 

Num pertinente aviso metodológico, reforçado em cada um dos nomes evocados, relembra que "os processos da PIDE, tal como se conhecem, devem ser considerados com precauções redobradas no que concerne a certificações da realidade" [p. 13], já que as declarações dos presos eram obtidas sob as mais variadas violências e torturas, não sendo "facilmente perceptíveis as falsidades que os interrogadores fabricam [...] em ordem a validarem [...] o seu ofício de bestas sem limites" [p. 13] e, por isso, procurou ir mais além "dos registos históricos e das fontes legitimadas", cruzando-os com as memórias possíveis dos protagonistas e lembranças de familiares e amigos, a que acrescenta as suas próprias memórias, socorrendo-se das palavras de António Borges Coelho de que "Não há história asséptica. Nenhuma bata esterilizada nos torna imunes" [p. 12].

Porque "A temática que este livro aborda, constitui, ainda, um território humano feito de muitos segredos, de persistentes omissões, de receios e de medos inculcados nos sentidos, de suspeições não apagadas, mas inconfessáveis, de imagens imaginadas e ideais, a par da realidade, muitas vezes cruel" [p. 13], importa desvendar as biografias de pinhalnovenses que, enquanto resistentes antifascistas assumidos ou presos caídos nas malhas da polícia política, conheceram os diferentes cárceres da ditadura entre 1936 e 1967. 

Antes de se centrar em cada um dos dez presos políticos de Pinhal Novo, e para que a memória não esmoreça, José António Cabrita sintetiza a evolução e explicita a terminologia e raio de acção das sucessivas polícias com intuito repressivo surgidas a partir de 1918, com Sidónio Pais (Repartição da Polícia Preventiva), até à criação da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado (1933) e Polícia Internacional e de Defesa do Estado (1945), baptizada, em finais de 1969, Direcção Geral de Segurança.

E, também para que a memória não esmoreça, relembra "os lugares de clausura, cada um tão terrível como os demais" [p. 27], cuja jurisdição estava entregue à PVDE/PIDE/DGS, "um Estado dentro do Estado", e "onde foram encarcerados tantos opositores ao regime salazarista, corajosos e impenitentes, e onde muitos perderam a vida" [p. 27]: Aljube de Lisboa e do Porto, Caxias, Peniche; Angra do Heroísmo; Tarrafal de São Nicolau e Tarrafal de Santiago (Cabo Verde); Aipelo, Ataúro e Oé-Cussi (Timor); Ilha das Galinhas (Guiné); Missombo e São Nicolau (Angola); Machava, Ponta Mahone e Ilha do Ibo (Moçambique).

Por cada nome perpassa, numa teia de acontecimentos, memórias e sociabilidades familiares e locais, a história de 48 anos de repressão fascista, identificando as responsabilidades dos algozes de cada situação, a par de 48 anos de persistentes resistências que haveriam de culminar em 25 de Abril de 1974. Sem dúvida que uma das mais-valias do livro é o processo como o Autor, que tão bem conhece Pinhal Novo e assume a preocupação de o dar a conhecer, cruza cada uma das história de vida e prisional dos detidos pela PIDE com a sua inserção familiar, profissional, social, cultural e económica locais, pondo, ainda, o enfoque nas diferentes sociabilidades em que se moviam e quão importantes estas foram no apoio às famílias, vítimas das arbitrariedades da polícia política fascista. 

Se cada um dos presos enforma um percurso único, une-os as vivências colectivas da terra onde nasceram, escolheram viver ou trabalhar, bem como as repercussões de se ser um preso político nas respectivas famílias e o medo de colegas de trabalho, vizinhos ou conhecidos em arriscar qualquer cumprimento ou troca de palavras quando regressavam daquele calvário inconfessável.

Os dez detidos surgem em retrato inteiro e íntegro, empenhando-se o Autor por contrariar o exclusivo olhar, sempre redutor, dos arquivos da PIDE e dos seus tribunais. Ei-los: 

António Marreiros [16/01/1910 - 12/07/1971], grumete de manobras do navio Bartolomeu Dias aquando da revolta dos marinheiros de 8 de Setembro de 1936, "aquele que esteve preso no Tarrafal", [p. 37], que integrou a violentíssima Brigada Brava, que conheceu a "frigideira", onde penou 42 dias, e de onde só regressou em Junho de 1953 para, mesmo assim, dar entrada em Peniche. Quando libertado, depois de 17 anos de clausura, contava 43 anos de idade, os seus pais já tinham falecido sem nunca os ter voltado a ver, o filho tinha 22 anos e meio.

[António Marreiros || ANTT || RGP/4261 || PT-TT-PIDE-E-010-22-4261]

Manuel Veríssimo da Silva [02/02/1929 - 18/03/2000], o médico nascido em Pinhal Novo e que se licenciara em Coimbra em Julho de 1959, eleito, em Janeiro de 1962, Presidente da Direcção da Sociedade Filarmónica União Agrícola e preso pela PIDE no dia a seguir à tomada de posse, acusado de ter proferido frases de natureza subversiva aquando dos acontecimentos de Beja ocorridos nessa passagem de ano. Preso em 6 de Janeiro e libertado em 12 do mês seguinte, Veríssimo da Silva, que já tinha ficado isento de todo o serviço militar, "foi mandado para Angola, integrado numa força de cavalaria, como tenente miliciano médico" e aí permaneceu de 1964 a 1966 [p. 89]. Apesar de ser "homem de inspirações monárquicas" e "a sua prática política  [...] muito moderada" [p. 92], nunca mais deixou de ser vigiado pela PIDE.

José Artur dos Santos Cardoso [10/12/1932 - 19/07/1992], pintor dos quadros do Barreiro da Companhia dos Caminhos de Ferro Portugueses - CP que, aquando do Golpe de Beja, integrou o "comando Serra" [p. 95], e teve "lugar de certo destaque nas acções de planeamento e de recrutamento", tendo sido em sua casa que ocorreram reuniões conspirativas e pernoitado, algumas vezes, o amigo Manuel Serra. Implicado nas três tentativas de assalto ao quartel de Beja, seria preso pela PIDE em 30 de Março de 1962: julgado em 29 de Julho de 1964, foi condenado a 2 anos anos e um mês e saiu em liberdade vigiada em 31 de Julho de 1965, obtendo a liberdade definitiva em 28 de Janeiro de 1971.

[Câmara Municipal de Palmela || 2017]

José Ferreira da Silva [29/09/1933 - 15/04/1986], admitido nas oficinas do Barreiro da CP como aprendiz eventual quando ainda não tinha quinze anos e que, quando desempregado, foi aliciado pelo amigo José Artur dos Santos Cardoso, para participar no assalto ao quartel de Beja no último dia do ano de 1961. Preso em 11 de Abril de 1962, metido nos curros do Aljube e interrogado, em 3 de Maio por Álvaro Pereira de Carvalho e Sílvio Mortágua, foi levado para Caxias no dia 4. Julgado, em 29 de Julho de 1964, pelo Tribunal Militar Territorial de Lisboa, foi condenado a dois anos de prisão maior e saiu em liberdade condicional em 12 de Março de 1965: a liberdade definitiva só chegaria em 25 de Maio de 1970. Segundo a esposa, com quem casou quando estava preso em Caxias, "ele não sabia ao que ia", tendo sofrido muito na prisão: "não o deixavam dormir e que o metiam numa sala com água a cair" [p. 115].

Artur Pereira das Neves [n. 27/12/1929], o operário serralheiro da Cometna e exímio jogador de xadrez, militante, juntamente com a mulher, a operária têxtil Maria da Graça Sousa Neves, do Partido Comunista, preso em 24 de Maio de 1967. Da revista policial à residência, levaram um volumoso  manuscrito seu sobre a situação política em Portugal e nunca recuperado, apesar das diligências efectuadas após 1974. Dias depois da prisão, a mulher organizou um documento em abono do companheiro e reclamando a sua libertação, contendo um total de 86 assinaturas, entre as quais as de 24 mulheres. Em 6 de Junho, endereçou-o ao director da PIDE, enviando-o por correio, tendo alguns dos subscritores vindo, também, a ser presos. Artur Pereira das Neves foi duramente torturado, física e psicologicamente, na António Maria Cardoso: socos, pontapés, agressões com objectos vários, pistolas encostadas à cabeça e submetido, numa das vezes, à tortura da estátua durante treze dias e treze noites, recusando, quase sempre, a responder a qualquer pergunta ou a assinar qualquer auto. Para além do seu mutismo perante a PIDE, José António Cabrita chama a atenção para o facto de Artur Pereira Neves se recusar a olhar a objectiva da máquina fotográfica dos carcereiros, aparecendo de olhos cerrados aquando do acto de tirar as fotografias que constam do Registo Geral de Presos, sendo visível uma mão a segurar-lhe a cabeça. Apesar de não ter proferido quaisquer declarações, a PIDE tinha um extenso relatório sobre as suas actividades, considerando que entrara para o Partido Comunista em 1958, quando trabalhava nos estaleiros da CUF, na Rocha do Conde de Óbidos, e que em meados de 1962, fora enviado para a União Soviética, onde permaneceu dez meses. Julgado em 19 de Fevereiro de 1968, foi condenado a 2 anos e 10 meses de prisão maior, 15 anos de suspensão de direitos políticos e aplicação de medidas de segurança de internamento de 6 meses a três anos, saindo de Peniche em 21 de Dezembro de 1970. Voltaria, então, à acção política, tendo conseguido colocação na Mague, em Alverca onde, depois de algum tempo, passou a viver com a família.

António Augusto Boteta Grilo [04/05/1934 - 22/02/2011], fogueiro da CP, preso em sua casa em 17 de Julho de 1967, acusado de integrar uma célula comunista em Pinhal Novo organizada por Artur Pereira das Neves. Libertado em 5 de Dezembro do mesmo ano, já que não havia quaisquer indícios de tal célula, nem do relacionamento conspirativo com Artur Neves, saiu de Caxias com a saúde muito debilitada devido às torturas e interrogatórios.

[Câmara Municipal de Palmela || 2017]

Carlos Alberto da Silva [25/04/1926 - 28/04/2009], serralheiro nas oficinas do Barreiro da CP e preso por seis agentes da PIDE no local de trabalho em 17 de Julho de 1967, quando já tinha 41 anos de idade, acusado pelos mesmos motivos de António Grilo. Tal como este, tinha assinado o documento a favor de Artur Neves. Do Barreiro levaram-no para as instalações da PIDE em Setúbal, de onde seguiu para interrogatório na António Maria Cardoso a caminho de Caxias. Submetido a quatro interrogatórios e torturado, sofrendo a tortura da estátua, entre outras, terá afirmado que fora aliciado para o Partido Comunista no início dos anos 60, tendo desenvolvido a sua acção política nas oficinas da CP no Barreiro. Solto ao fim de cinco meses, por não se conseguirem provas da sua ligação a Artur Neves e à célula do Pinhal Novo. Não pôde retomar o seu trabalho na CP, devido a um parecer da PIDE que desaconselhou a sua reintegração, provavelmente pelo seu envolvimento político em anos anteriores. Faleceu em 28 de Abril de 2009, com 83 anos completos. Militante comunista.

Desidério de Oliveira Macau [n. 25/04/1937], trabalhador da Siderurgia Nacional, com uma loja de mobílias aberta em Pinhal Novo havia pouco tempo. Preso no mesmo dia que António Grilo e Carlos Alberto da Silva, igualmente acusado de ligações a Artur Neves e a uma célula do Partido Comunista em Pinhal Novo. Em Caxias, chegou a partilhar a cela 6, localizada ao lado esquerdo do primeiro andar - pavilhão norte, com Rodrigo Apolónia Bento. Interrogado três vezes, foi submetido à tortura do sono durante quatro ou cinco dias e agredido duas vezes: com um objecto com um palmo de cumprimento que tinha uma bola de borracha numa das pontas e, na outra vez, com cinco murros "que lhe deixaram marcas nos dentes e na pele da cara" [p. 162]. Em Caxias, ainda passou pelo isolamento, no cubículo 29, no segundo andar do pavilhão norte. No tempo de cativeiro, e quando lho permitiam, jogava às cartas, "que ele próprio fazia com o papel dos maços de tabaco, embora não fumasse", "desenhava, em folhas que conseguia arranjar lá pela prisão, já que o papel que Isabel lhe levava para esse efeito, por ocasião das visitas, não era autorizado a entrar" [p. 165] ou escrevia poesia. Possui, ainda, alguns desses desenhos, todos devidamente carimbados pela PIDE, onde surge "o filho, ou outros meninos, ou a imaginação do futuro que ele julgara ter encontrado na loja de mobílias a que recentemente abrira as portas" [p. 165]. No verso de uma fotografia do seu filho, "de que nunca se separou", escreveu: "O meu companheiro dos dias amargos da minha vida" [p. 165]. Libertado ao mesmo tempo que Carlos Alberto, juntos percorreram o caminho de regresso ao Pinhal Novo.

[Câmara Municipal de Palmela || 2017]

Rodrigo Apolónia Bento [25/12/1925 - 31/05/2008], escriturário da CP, trabalhando em Lisboa nos Serviços Médicos, era conhecido por ser muito bom jogador de damas, "imbatível", e "um dos mais competentes xadrezistas" da terra, sendo preso pela PIDE em 17 de Julho de 1967. Era o quarto homem a ser acusado de integrar uma célula comunista do Pinhal Novo só porque se cruzara com Artur Neves, com quem jogara xadrez, tendo estabelecido, por isso, certa amizade. Libertado, tal como os outros, em 5 de Dezembro de 1967, nunca mais foi o mesmo desde que saiu da prisão: isolou-se e tornou-se taciturno [p. 174].

Brito da Silva Rosa [24/09/1927 - 02/09/2005], ferroviário, com as funções de factor a prestar serviço no apeadeiro de Montenegro, antes da estação Funcheira, foi preso no dia 19 de Julho de 1967, pelas seis e trinta da manhã, quando se apeava na estação ferroviária do Pinhal Novo, acusado de integrar uma célula comunista local. Estava, ainda, com o fardamento da CP. Num segundo interrogatório, terá afirmado que passou a receber mensalmente o jornal Avante! através de Artur Neves e que, por duas vezes, contribuiu com dinheiro para o Partido Comunista, embora não fosse seu militante. Segundo o filho, era possível que tivesse sido o pai a dactilografar o documento abaixo-assinado a favor de Artur Neves [p. 184]. Libertado, tal como os restantes, em Dezembro, voltou ao seu lugar na CP, sendo transferido para a estação de Mato de Miranda, na Linha do Norte. Residiu, primeiro, em Vale de Figueira e, depois, em Torres Vedras. A seguir ao 25 de Abril voltou para o Pinhal Novo.

[Câmara Municipal de Palmela || 2017]

Apesar do medo, da violência, das prisões arbitrárias, valia a pena resistir e, nas eleições para Deputados à Assembleia Nacional, de 26 de Outubro de 1969, ganhou, na assembleia eleitoral de Pinhal Novo, a lista da CDE com 229 votos contra 219 da do governo. 

O meu muito obrigado a José António Cabrita pela disponibilidade e prontidão com que facultou este importante livro de combate à desmemória histórica do que foi o fascismo português, retirando do esquecimento dez resistentes pinhalnovenses.


[Câmara Municipal de Palmela || 2017]


[João Esteves]

[2191.] SER PRESO POLÍTICO (CONTOS) [I] || MUSEU DO ALJUBE - 2018

* SER PRESO POLÍTICO *

MUSEU DO ALJUBE RESISTÊNCIA E LIBERDADE || 2018

No âmbito do primeiro Concurso de Contos e de Narrativa Histórica promovido pelo Serviço Educativo do Museu do Aljube, subordinado à temática "Ser Preso Político", a edição dos três melhores textos seleccionados pelo Júri: "Tarrafal '72", de Maria Amélia Rosendo Teixeira de Nápoles Guerra; "Não me levam outra vez", de Maria Inácia Pacheco; e "O poeta libertado", de Sofia Neto Oliveira.



[Edição EGEAC || 2018]

[João Esteves]

sábado, 16 de novembro de 2019

[2190.] COMITÉ LOCAL DAS JUVENTUDES COMUNISTAS - PORTO [II] || 11/11/1931

* COMITÉ LOCAL DAS JUVENTUDES COMUNISTAS || PORTO || 1931 *

O Comité Local das Juventudes Comunistas na cidade do Porto seria formado, em 1931, por Adalberto Pinto de Oliveira [Missão Sindical], António Domingues Ferreira [ANTT, Cadastro Político 3923], estudante [Organização Académica], Manuel [Alves] Valente [Imprensa] e Mário Moutinho [Secretário], tendo realizado vários reuniões [v. Acta N.º 2].

ACTA N.º 3 || 11 de Novembro de 1931 
(apreendida pela Delegação do Porto da Polícia Internacional Portuguesa)
[ANTT || Processo 52/1932]

Fonte:
ANTT, Processo 52/1932: Processo Crime de António Domingues Ferreira, Fernando Alves de Sousa e Ângelo Alves Ribeiro [PT/TT/PIDE-DP/D/001/5232].

[João Esteves]

quarta-feira, 13 de novembro de 2019

[2189.] JOSÉ RUAS FERREIRA [II] || MILITANTE DAS JUVENTUDES COMUNISTAS ASSASSINADO EM 4 DE SETEMBRO DE 1932

* JOSÉ RUAS FERREIRA *
[1908 ? - 04 ou 27/09/1932]

ASSASSINADO NO COMÍCIO-RELÂMPAGO DE ALCÂNTARA DE 4 DE SETEMBRO DE 1932

[Processo 52/1932 || Porto || ANTT || PT-TT-PIDE-DP-D-001-5232_m0248]

Um dos primeiros jovens a ser assassinado pela Polícia na via pública, quando participava num comício-relâmpago organizado pela Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas no Largo de Alcântara, em 4 de Setembro de 1932, para celebrar o Dia da Juventude. 

Filho de Clara das Dores Ferreira e de Manuel Cerqueira [ou Sequeira, segundo o Processo 52/1932] Ruas, José Ruas Ferreira nasceu na Freguesia de S. Jorge - Arcos de Valdevez. 

Referenciado como manipulador do pão ou padeiro, José Ruas Ferreira teria ligações ao Partido Comunista e ao Socorro Vermelho Internacional desde 1927, quando foi abordado pelo sapateiro e militante comunista José  Silva [autor de Memórias de um operário publicadas no Porto em 1971 e que, significativamente, vivia no mesmo arruamento - Rua da Senhora das Dores - 45].

Em 15 de Abril de 1931, foi preso pela Delegação do Porto da Polícia Internacional Portuguesa, «por estar envolvido no movimento revolucionário e por ser revolucionário avançado» [ANTT, Cadastro 1053 que consta do Processo 52/1932], sendo libertado em 28 de Abril.

[Processo 52/1932 || Porto || ANTT || PT-TT-PIDE-DP-D-001-5232_m0244]

Já a residir na Rua de Santa Catarina 1022, foi preso pela Delegação da Polícia Internacional Portuguesa em 4 de Março de 1932, quando tinha 24 anos, «por pertencer ao Socorro Vermelho Internacional e Partido Comunista».

[Processo 52/1932 || Porto || ANTT || PT-TT-PIDE-DP-D-001-5232_m0243]

Interrogado em 9 de Março de 1932 por Joaquim do Passo, confirmou que tinha sido aliciado para o Partido Comunista pelo sapateiro José Silva, tendo participado em reuniões em que estiveram presentes, para além daquele, Adalberto Pinto de Oliveira, o alfaiate António de Carvalho, António Nunes, o padeiro Basílio Tavares, o sapateiro Benjamim Marques, o padeiro Manuel João, o ferroviário Maximiano Pires, morador em Campanhã, o tipógrafo Rodrigo Lopes, entre outros cujo nome desconhecia.  




[Processo 52/1932 || Porto || ANTT || PT-TT-PIDE-DP-D-001-5232]

Referiu, ainda, que pagou sempre as quotas até Abril de 1931, quando foi preso, e depois de ter saído da prisão. 

Em princípios de Julho ou Agosto de 1930, fora nomeado para uma comissão com o fim de organizar as Juventudes Comunistas no Porto, tendo participado em reuniões com Adalberto Pinto de Oliveira, José da Silva, que orientava os trabalhos, e o cortador de carnes Manuel da Silva. A organização não teria tido mais do que seis filiados - Adalberto Pinto de Oliveira, João Rodrigues Viegas, José Ruas Ferreira, Manuel de Oliveira e dois outros -, tendo as actividades ficado desorganizadas com a prisão de José Silva.

Por fim, em princípios de Agosto de 1931, fora contactado por Manuel Viana Ribeiro [ANTT, RGP/421] para organizar a Zona 2 do Socorro Vermelho Internacional, tendo aliciado o padeiro António Braga, trabalhador na Padaria Alemã, na Rua Mártires da Liberdade, o padeiro Constantino da Costa, residente em Pinhão, e o ferroviário Maximiano Pires. 

[Processo 52/1932 || Porto || ANTT || PT-TT-PIDE-DP-D-001-5232_m0257]

Enviado preso para Lisboa em 14 de Abril de 1932, por despacho do Ministro do Interior, de 22 de Junho, foi-lhe fixada residência obrigatória em Peniche [Processo 52/Porto], para onde seguiu em 9 de Agosto e de onde se evadiu.

Pouco depois, em 4 de Setembro, José Ruas Ferreira participou no "comício-relâmpago" de Alcântara, tendo Francisco de Paula de Oliveira (Pável) sido o orador e estando presentes, entre outros, Domingos dos Santos - "O Calabrez", Manuel dos Santos e Pedro Batista da Rocha. 

Do confronto com a polícia, resultou a morte do guarda António Trancoso e do manifestante identificado, inicialmente, como Alfredo Ruas. Alvejado e levado, sob prisão, para o Hospital de São José, aí faleceu, sendo que o inspector da PIDE Fernando Gouveia também o referencia, nas suas memórias, por José Ruas. 

[José Ruas Ferreira || ANTT || Cadastro Político 3956]

Também na data do seu falecimento há disparidades, já que, primeiro, anotou-se no seu Cadastro que faleceu naquele Hospital em 27 de Setembro de 1932, «em virtude de ter sido ferido, quando da manifestação comunista em Alcântara, em 4 deste mês» [ANTT, Cadastro Político 3956; Processo 561].

Depois, acrescentou-se que «foi ferido quando dos tumultos que, neste dia, tiveram lugar em Alcântara, motivados pela manifestação ali levada a efeito pelas Juventudes Comunistas, comemorando a XVIII Jornada Internacional, tendo dado entrada, sob prisão, no Hospital de S. José, por haver suspeitas do epigrafado ter sido um dos provocadores dessa desordem e ter feito uso da sua arma de fogo» [ANTT, Cadastro Político 3956; Processo 558], constando como data do seu falecimento o dia 4 de Setembro.

Fonte:
ANTT, Processo Crime de António Domingues Ferreira, Fernando Alves de Sousa e Ângelo Alves Ribeiro [PT/TT/PIDE-DP/D/001/5232] [Processo 52/1932].

ANTT, Cadastro Político 3956 [José Ruas Ferreira / PT-TT-PIDE-E-001-CX12_m0689, m0689a].

[João Esteves]

segunda-feira, 11 de novembro de 2019

[2188.] LUÍSA TIAGO DE OLIVEIRA [II] || O ACTIVISMO ESTUDANTIL NO IST (1945 - 1980)

* LUÍSA TIAGO OLIVEIRA *
[ORGANIZADORA]

LIVROS NO ALJUBE || 12 DE NOVEMBRO DE 2019 || 18.30

O Activismo Estudantil no IST (1945 - 1980) || Edições Fénix || Luísa Tiago de Oliveira (Org.)

«Analisámos a génese, afirmação e o ocaso de um activismo estudantil no IST com uma cultura de resistência antifascista, uma combatividade forte e uma hegemonia de esquerda» [Luísa Tiago de Oliveira, p. 171]

[2187.] FERNANDO PITEIRA SANTOS [III] || NOVA SÍNTESE - 13 (2018)

* FERNANDO PITEIRA SANTOS *
[23/01/1918 - 28/09/1992]

PITEIRA SANTOS POR ANTÓNIO MOTA REDOL
[REVISTA NOVA SÍNTESE - 13 || 2018]

No centenário do nascimento de Fernando Piteira Santos (1918 - 2018), António Mota Redol insere um relevante e muito completo texto sobre o "Historiador e Activista" [pp. 391-446]: «contra a estratégia do esquecimento que os sistemas cultural e informativo vêm procedendo há muito - com a complacência e a abstenção de quem as não devia ter -, relembrar consiste numa forma de luta a que a Nova Síntese não se esquiva» [p. 392].



[Nova Síntese 13 || Edições Colibri || 2018]

[João Esteves]

domingo, 10 de novembro de 2019

[2186.] ÁLVARO CUNHAL [IV] || 1913 - 2005

* ÁLVARO CUNHAL *
[10/11/1913 - 13/06/2005]

[Álvaro Cunhal || 1937 || ANTT || RGP/7550]

[Álvaro Cunhal || 1940 || ANTT || RGP/7550]

 
[Álvaro Cunhal || 1949 || ANTT || RGP/7550]

[O Primeiro de Janeiro || Anúncio || 31 de Março de 1949]

[Álvaro Cunhal || ANTT || RGP/7550]

[2185.] NOVA SÍNTESE [I] || 13 - 2018

* NOVA SÍNTESE *
[N.º 13 - 2018]

NOVA SÍNTESE - Textos e contextos do neo-realismo 

Propriedade e Administração: Associação Promotora do Museu do Neo-Realismo || Edições Colibri

Director: Vítor Viçoso || Director-Adjunto: António Mota Redol



[Nova Síntese 13 || Edições Colibri || 2018]

[2184.] COMITÉ LOCAL DAS JUVENTUDES COMUNISTAS - PORTO [I] || 27/10/1931

* COMITÉ LOCAL DAS JUVENTUDES COMUNISTAS || PORTO || 1931 *

O Comité Local das Juventudes Comunistas na cidade do Porto seria formado, em 1931, por Adalberto Pinto de Oliveira [Missão Sindical], António Domingues Ferreira [ANTT, Cadastro Político 3923], estudante [Organização Académica], Manuel [Alves] Valente [Imprensa] e Mário Moutinho [Secretário], tendo realizado vários reuniões.

ACTA N.º 2 || 27 de Outubro de 1931 
(apreendida pela Delegação do Porto da Polícia Internacional Portuguesa)
[ANTT || Processo 52/1932]

Fonte:
ANTT, Processo 52/1932: Processo Crime de António Domingues Ferreira, Fernando Alves de Sousa e Ângelo Alves Ribeiro [PT/TT/PIDE-DP/D/001/5232].

[João Esteves]

sábado, 9 de novembro de 2019

[2183.] ADELINO FERREIRA MOREIRA [I] || PRESO EM 1930, 1932 E 1937-1938 (PÓVOA DO VARZIM)

* ADELINO FERREIRA MOREIRA *
[12/01/1908 - ?]

Preso em 1930, por estar envolvido em conspirações contra a Ditadura Militar, em 1932, acusado de pertencer ao Partido Comunista e integrar o Socorro Vermelho Internacional, e em 1937-1938.

[Assinatura de Adelino Ferreira Moreira || 26/03/1932 || ANTT || PT-TT-PIDE-DP-D-001-5232_m0251]

Filho de Maria das Dores Maia e de David Ferreira Moreira, Adelino Ferreira Moreira nasceu na Póvoa do Varzim em 12 de Janeiro de 1908.

Alfaiate, com residência na Póvoa do Varzim, Rua Elias Garcia - 70, foi preso, pela primeira vez, em 21 de Abril de 1930 «por estar implicado num movimento revolucionário em preparação, estando ligado a José Domingos Carvalheira e João dos Santos [...] todos da Artilharia 3» [ANTT, Cadastro Político 3951]. Entregue, em 8 de Maio, na Artilharia 3 «para lhe ser dado destino» [Processo 4565].

[Processo 52/1932 || Porto || ANTT || PT-TT-PIDE-DP-D-001-5232_m0249]

Preso pela Delegação do Porto da Polícia Internacional Portuguesa em 16 de Fevereiro de 1932, acusado de ser o organizador, na Póvoa do Varzim, do núcleo do Partido Comunista e do Socorro Vermelho Internacional, o que foi sempre negado por Adelino Ferreira Moreira [ANTT, Cadastro Político 3951]. Levado para o Aljube do Porto em 17 de Fevereiro do mesmo ano.


[Processo 52/1932 || Porto || ANTT || PT-TT-PIDE-DP-D-001-5232_m0250 e m0251]

Foi interrogado em 26 de Março de 1932 sobre a sua participação nos acontecimentos do 1.º de Maio do ano anterior na Póvoa e militância comunista.

Em 2 de Abril de 1932, foi proposto que «seja punido com o tempo de prisão já sofrida» [Processo 52/Porto], sendo «restituído à liberdade» [ANTT, Cadastro Político 3951; Processo 561/PIP - Porto].

Adelino Ferreira Moreira voltou a ser preso em 3 de Dezembro de 1937, para averiguações, pela Delegação do Porto da Polícia de Vigilância e Defesa do Estado [Processo 1184/937]. Julgado pelo Tribunal Militar Especial em 17 de Agosto de 1938, foi condenado em 16 meses de prisão correccional e perda de direitos políticos por cinco anos. 

[Adelino Ferreira Moreira || ANTT || RGP/9029]

Libertado em 1 de Setembro de 1938 «por ter sido indultado» [ANTT, RGP/9029].

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 3951 [Adelino Ferreira Moreira / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0143].

ANTT, Processo Crime de António Domingues Ferreira, Fernando Alves de Sousa e Ângelo Alves Ribeiro [PT/TT/PIDE-DP/D/001/5232] [Processo 52/1932].

ANTT, Registo Geral de Presos/9029 [Adelino Ferreira Moreira / PT-TT-PIDE-E-010-46-9029_m0063_derivada].

[João Esteves]

[2182.] DOMINGOS DA SILVA MARTINS [I] || MILITANTE COMUNISTA (1930-1932)

* DOMINGOS DA SILVA MARTINS *
[1909 - ?]

Militante do Partido Comunista e activista do Socorro Vermelho Internacional em Matosinhos.

[Assinatura de Domingos da Silva Martins || 26/03/1932 || ANTT || PT-TT-PIDE-DP-D-001-5232_m0254]

Filho de Arminda Carolina Martins e de António Justino Martins, Domingos da Silva Martins nasceu em Matosinhos, em 1909.

Empregado Comercial, residia no Porto, na Rua Brito Capelo n.º 544, quando foi preso pela Delegação do Porto da Polícia Internacional Portuguesa em 7 de Março de 1932 «por fazer parte do Socorro Vermelho Internacional» desde 1930 [ANTT, Cadastro Político 3950, ANTT, PT-TT-PIDE-DP-D-001-5232_m0252].

[Processo 52/1932 || Porto || ANTT || PT-TT-PIDE-DP-D-001-5232_m0252]

Segundo declarações por ele prestadas durante o interrogatório de 26 de Março de 1932, aderiu, em finais de 1930, ao Socorro Vermelho Internacional através de um padeiro que trabalharia em Águas Santas, pagando 1 escudo de quota mensal.

[Processo 52/1932 || Porto || ANTT || PT-TT-PIDE-DP-D-001-5232_m0253]

[Processo 52/1932 || Porto || ANTT || PT-TT-PIDE-DP-D-001-5232_m0254]

Domingos da Silva Martins aparece, ainda, referenciado como  tendo exercido «o lugar de secretário da zona comunista em Matosinhos» [ANTT, Cadastro Político 3950].

[Processo 52/1932 || Porto || ANTT || PT-TT-PIDE-DP-D-001-5232_m0262]

Em 2 de Abril de 1932, foi proposto que «seja punido com a prisão já sofrida» [Processo 52/Porto], sendo «restituído à liberdade» [Cadastro Político 3950].

Embora haja Domingos da Silva Martins, também de Matosinhos, preso em 8 de Dezembro de 1944 [ANTT, RGP/16142], não se trata da mesma pessoa. 

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 3950 [Domingos da Silva Martins / PT-TT-PIDE-E-001-CX08_m0684].

ANTT, Processo Crime de António Domingues Ferreira, Fernando Alves de Sousa e Ângelo Alves Ribeiro [PT/TT/PIDE-DP/D/001/5232] [Processo 52/1932].

[João Esteves]

sexta-feira, 8 de novembro de 2019

[2181.] ADALBERTO PINTO DE OLIVEIRA [I] || MILITANTE COMUNISTA (1927-1932)

* ADALBERTO PINTO DE OLIVEIRA * 
[1912 - ?]

Organizador das Juventudes Comunista no Porto a partir de 1927 e activista do Socorro Vermelho Internacional (1927-1932).

[Assinatura de Adalberto Pinto de Oliveira || 09/03/1932 || ANTT || PT-TT-PIDE-DP-D-001-5232_m0083]

Filho de Cristina Bessa Oliveira e de António Pinto de Oliveira, nasceu em 1912, em Vila Meã - Amarante.

Empregado comercial no Porto, onde vivia na Rua dos Caldeireiros, 181, Adalberto Pinto de Oliveira foi preso os 20 anos pela Delegação do Porto da Polícia Internacional Portuguesa em 16 de Fevereiro de 1932, por estar «filiado no Partido Comunista Português e Socorro Vermelho Internacional» [ANTT, Cadastro Político 3931] ou, segundo o Processo Crime que o envolveu, «por ser secretário do C. L. da J. C. P. e S. V.» [ANTT, PT-TT-PIDE-DP-D-001-5232_m0071].


Segundo declarações prestadas nos interrogatórios efectuados no Porto pela Polícia de Informações em 17 de Fevereiro, 18 de Fevereiro e 9 de Março de 1932, teria sido aliciado há cerca de quatro anos pelo sapateiro José Silva para integrar uma célula das Juventudes Comunistas no Porto. O encontro ter-se-ia realizado no café Águia de Ouro, local onde se reuniam outros filiados naquela organização, como Anastácio Ramos [Anastácio Gonçalves Ramos, ANTT, RGP/382] e Basílio Tavares.

[José da Silva || Memórias de um operário || 2 volumes || 1971]

Posteriormente, segundo Adalberto Pinto de Oliveira, realizou-se uma reunião na Associação dos Alfaiates, na Avenida Saraiva de Carvalho, comparecendo José Ruas Ferreira [foi um dos primeiros jovens a ser assassinado pela Polícia na via pública, quando participava num comício-relâmpago organizado pela Federação das Juventudes Comunistas Portuguesas no Largo de Alcântara, em 4 de Setembro de 1932, para celebrar o Dia da Juventude], manipulador de pão, José Silva e Manuel de Oliveira [ANTT, Cadastro Político 3935], cortador de carnes verdes.

Ter-se-á formado, então, uma célula das Juventudes Comunistas: Manuel de Oliveira, Secretário, recebendo a correspondência de Lisboa; Adalberto Pinto de Oliveira, Secretário Administrativo; e José Ruas Ferreira, vogal.

Numa segunda reunião, também realizada na Associação dos Alfaiates, tratou-se da quotização e de se dar «andamento à organização de diversas células», tendo comparecido um outro elemento, levado por Manuel de Oliveira.

Esta organização não terá tido mais do que seis filiados: Adalberto Pinto de Oliveira, João Rodrigues Viegas, José Ruas Ferreira, Manuel de Oliveira e dois outros apresentados por este último.

Com a prisão de José Silva, Adalberto Pinto de Oliveira teria sido procurado por Joaquim Rodrigues, fiscal da Bolsa Agrícola, para o incumbir de «fazer um relatório circunstanciado do estado em que se encontrava a organização das Juventudes Comunistas», o que se concretizou.

Seguidamente, apareceu Mário [Eurico] Moutinho [ANTT, Cadastro Político 3930], empregado bancário, convidado por Rodrigues Lopes, para organizar as Juventudes Comunistas no Porto.

Ficou, então, organizado o Comité Local das Juventudes Comunistas, formado por, Adalberto Pinto de Oliveira [Missão Sindical], António Domingues Ferreira [ANTT, Cadastro Político 3923], estudante [Organização Académica], Manuel [Alves] Valente [Imprensa] e Mário Moutinho [Secretário], tendo havido cinco ou seis reuniões no Café Monumental.

O dinheiro para as despesas provinha da quotização dos filiados, mantendo-se correspondência com o Comité Central das Juventudes Comunistas, através do qual se recebia impressos, propostas, boletins de inscrição e o "Jovem Militante". Com a prisão de António Domingues Ferreira, a organização ficou paralisada.

Adalberto Pinto de Oliveira confirmou que integrou o Socorro Vermelho Internacional, através de José Silva, pagando 1 escudo por mês, juntamente com António Domingues Ferreira, Manuel Viana Ribeiro [ANTT, Cadastro Político 3933 e ANTT, RGP/421], que recebia as quotizações, e Raul Martins, guarda de segurança n.º 298.

Foi, ainda, convidado por Apolino Leite de Aragão, que conheceu em finais de Novembro de 1931 na Associação dos Empregados do Comércio do Porto, para integrar uma comissão visando a fusão da União dos Empregados do Comércio do Porto com a Phoenix Portuense dos Empregados do Comércio. António Maria Pedro Cordeiro [ANTT, Cadastro Político 3934], Apolino Leite de Aragão e Raul da Costa Dias formaram a Comissão. 

Adalberto Pinto de Oliveira assinou o relatório do Comité Local do Porto com o nome Adão Vasco. Por sua vez, José Augusto da Fonseca Moutinho usou o nome Domingos Dias dos Santos e Joaquim Rodrigues o de J. R. Mafra.



Em 2 de Abril de 1932, foi proposto que Adalberto Pinto de Oliveira fosse «punido com a prisão já sofrida» [Processo 52/Porto], sendo «restituído à liberdade» [Processo 561, da PIP].

Desconhece-se o percurso posterior de Adalberto Pinto de Oliveira. No entanto, em Setembro de 1974, foi concedida em Espanha a nacionalidade por residência a um português com o mesmo nome.

Fontes:
ANTT, Cadastro Político 3931 [Adalberto Pinto de Oliveira / PT-TT-PIDE-E-001-CX05_m0124].

ANTT, Processo Crime de António Domingues Ferreira, Fernando Alves de Sousa e Ângelo Alves Ribeiro [PT/TT/PIDE-DP/D/001/5232] [Processo 52/1932].


[João Esteves]