[Cipriano Dourado]

[Cipriano Dourado]
[Plantadora de Arroz, 1954] [Cipriano Dourado (1921-1981)]

sexta-feira, 19 de novembro de 2021

[2619.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [XCIV] || 1926 - 1933

* PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || XCIV *

00724. Teodósio Calrão Júnior [1928, 1928]

[Teodósio Calrão Júnior - "O Carriço" || F. 29/03/1926 ou 1928 || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

["O Carriço". Preso em 28/03/1928, "por ter transportado bombas e conspirar contra a Situação"; libertado em 04/10/1928. Preso em 22/12/1928, "por fazer parte do grupo civil de Manuel José da Mota"; libertado em 05/03/1929. Estaria, em Maio de 1935, internado no Hospital Sanatório da Ajuda.]

00725. Tomás Francisco da Silva [1928]

[Tomás Francisco da Silva || F. 26/06/1928 || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Évora, c. 1903 (24 anos), ferrador - Silves. Solteiro. Filiação: Josefa Rego e João da Silva. Preso em 26/02/1928, "por estar implicado no complô do Algarve", como ficou conhecido os acontecimentos ocorridos em Moncarapacho em 17/02/1928, quando uma violenta explosão matou Américo Vilar e António Calhabotas, dois anarcossindicalistas idos do Barreiro que se encontravam a preparar bombas num pardieiro. A sua prisão terá resultado de ter sido descoberto uma carta sua escrita àquele último, levando, igualmente, a "uma busca às instalações das Juventudes Sindicalistas de Silves, na sede da Associação (ou Sindicato) dos Corticeiros" (Idalécio Soares, Vítimas da Ditadura no Algarve: três casos, três histórias subtraídas ao esquecimento, Editora Sul, Sol e Sal, 2017, p. 37). Libertado em 26/06/1928, data da fotografia que consta num dos "Livros de Cadastrados".]

00726. Urbano da Rocha Dantas (ou d'Antas) [1927, 1928, 1931, 1935, 1938, 1940]

[Urbano da Rocha Dantas || F. 11/12/1928 || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Torres Novas, 06/07/1882 ou 1891, Capitão de Artilharia. Casado. Filiação: Rita da Conceição Cruz Dantas e Décio Augusto da Rocha Dantas. Residência: Rua Ponta Delgada, 2 / Lugar da Pedrinha - Pombal. Militar, Urbano da Rocha Dantas foi preso por diversas vezes entre, pelo menos, 1927 e 1940, tendo conhecido, ainda, a deportação. Quando era Tenente de Artilharia, participou na revolta de Fevereiro de 1927, tendo sido preso e deportado para a MadeiraPreso, provavelmente, em Dezembro de 1928, já que a sua fotografia, datada de 11/12/1928, consta de um dos "Livros de Cadastrados". Terá continuado a conspirar contra a Ditadura, sendo diversas vezes procurado. Na sequência da Revolta da Madeira, em Abril de 1931, foi deportado para Cabo Verde, ficando, juntamente com Adalberto Gastão de Sousa Dias, na ilha de S. Nicolau. Permanecia, em 1932, deportado em Cabo Verde. 
Em 28/12/1932, foi comunicado pelo Ministério do Interior que estava abrangido pela amnistia de 05/12/1932: regressou e apresentou-se na SVPS em 16/01/1933.

[Urbano da Rocha Dantas || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-4-NT-8904 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Preso em 03/05/1935, "para averiguações", levado para uma esquadra e transferido, em 01/06/1935, para o Aljube; libertado em 05/09/1935. Preso em 06/12/1938, "para averiguações", recolheu, incomunicável a uma esquadra, passou para o Aljube em 05/01/1939 e seguiu, em 11/01/1939, para Caxias; libertado em 26/01/1939 (Processo 1538/38). 

[Urbano da Rocha Dantas || F. 22/04/1940 || ANTT || RGP/953 || PT-TT-PIDE-E-010-5-953]

Preso, pela última vez, em 20/04/1940 e levado para o Aljube; libertado em 03/06/1940 (Processo 508/940). O Processo Político do Capitão Urbano da rocha D'Antas que consta do AHM, datado de 1956, refere-o como tendo "Largo cadastro revolucionário". Faleceu de "Doença cardíaca" (Manuel António Correia, Memórias de um resistente às Ditaduras, p. 324).]
[alterado em 13/04/2023

00727. Virgínio Duque Simões [1927]

[Virgínio Duque Simões || F. 10/05/1927 || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-1-NT-8902 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[A sua fotografia, datada de 10/05/1927, consta de um dos "Livros de Cadastrados". Já tinha sido preso em 27/03/1920, "por ordem superior", sendo libertado no mesmo dia.]

00728. Viriato Martins Vicente [1928]

[Os clandestinos do Massilia || 27/12/1925 || Correio da Manhã - Rio de Janeiro]

[Em Dezembro de 1925, embarcou clandestinamente em Lisboa, no barco "Massilia", com destino ao Rio de Janeiro. Tinha, então, 18 anos e, como os restantes clandestinos, foi sujeito a bárbaros maus-tratos, como noticia o periódico "Correio da Manhã" de 27/12/1925: "O de nome Viriato Martins Vicente acrescentou que fora brutalmente espancado, mostrando à autoridade o corpo cheio de sevícias, lanhos e marcas de pontas de fogo. O pessoal de bordo sujeitava-os a banhos de água fervente". Repatriado. Preso em 22/07/1928, "por suspeita de ter tomado parte no movimento revolucionário de 20"; libertado em 24/08/1928.

[João Esteves]

quinta-feira, 18 de novembro de 2021

[2618.] ILSE LIEBLICH LOSA [II] || POEMA PARA MEU IRMÃO (1951)

 * ILSE LIEBLICH LOSA *

[20/03/1913 - 06/01/2006]

[Ilse Losa]

"Pensava em meu irmão" 

(1951)

Ilse Lieblich Losa nunca abdicou da sua condição de cidadã atenta e interventiva, quer na Alemanha nazi, na Inglaterra antissemita do início da década de 30 ou no Portugal salazarista, salazarento e fascista.  

Tomou, sem subterfúgios, partido em sociedades silenciadas, acarretando dissabores e enfrentando temores que não podem, nem devem, ser desvalorizados na contextualização global da sua obra.

Obrigada ao exílio, com apenas 21 anos acabados de fazer, desembarcou no Porto em Março de 1934, aí casou, em 1935, com o arquiteto Arménio Taveira Losa [Braga, 28/10/1908 - Porto, 01/07/1988] e não mais deixou de viver naquela cidade.

Podia ter-se resguardado quanto à exposição pública, cívica e política, tantas eram as experiências terríficas vivenciadas na sua Alemanha. Embora não deixasse de ser uma “exilada” ou uma “refugiada”, juntamente com o marido, associou-se à luta contra a Ditadura e foi rigorosamente vigiada, durante quatro décadas, pela PVDE (1933-1945), pela PIDE (1945-1969) e pela DGS (1969-1974).

Em 1939, o irmão Ernst, em fuga da Itália fascista, chegou a estar encarcerado cerca de quinze meses por, a partir de 1938, o governo português permitir a permanência dos refugiados por, apenas, três meses. Caso nesse espaço de tempo não obtivessem visto de saída, "eram expulsos ou detidos e, a partir de 1942, concentrados em Caldas da Rainha".

Ernst Lieblich, apenas um ano mais novo que a irmã, foi preso uma primeira vez em 18 de novembro, para averiguações, passando pela 1.ª Esquadra e Aljube; libertado em 7 de fevereiro de 1940, seria preso uma segunda vez, em 8 de março, “por ter sido notificado a abandonar o País e não o ter feito”, transitando, até 10 de fevereiro de 1941, entre a 1.ª Esquadra, Caxias e Aljube, até obter um visto de entrada nos Estados Unidos da América.

Talvez por isso, Ilse Losa tenha escrito o quase desconhecido poema “Pensava em meu irmão”, incluído em Grades Brancas, livro publicado em 1951, tendo por ilustrador Júlio Pomar, e que nunca quis reeditar:

«Quando a luz tímida anunciava o novo dia, pensava em meu irmão.

Imaginava-o a olhar o nascer do sol através do postigo gradeado.

Parecia-me vê-lo estremecer ao lembrar-se do tormento que o esperava.

E eu sabia que os seus olhos escuros estavam cheios de

tristeza e de saudade.

 

Quando à hora do almoço me juntava aos meus na nossa casa, 

pensava em meu irmão. Imaginava-o dobrado sobre a tigela grossa, 

comendo o magro rancho sem gosto. Parecia-me ouvir o berro brutal

do guarda para que ele se apressasse. E eu sabia que as suas mãos 

largas se fechavam num gesto de revolta.

 

Quando à tardinha a chama da lareira nos aquecia amigavelmente,

pensava em meu irmão. Imaginava-o arrepiado de frio na cela 

sombria e gelada. Parecia-me ver o seu rosto pálido, as mãos que

o ar áspero e cortante tornara rígidas. E eu sabia que cerrava os

dentes para não gritar o seu ódio surdo.

 

Quando na noite negra e triste estava estendido no leito, pensava

em meu irmão. Imaginava-o na tábua húmida e dura, que não 

dava descanso ao seu corpo dorido. Parecia-me que o meu quarto se

enchia dos gemidos abafados nas mãos regeladas. E eu sabia que as

suas lágrimas quentes caíam amargamente como as minhas.

 

E, pela noite lúgubre, comunicava-lhe: «Sê forte, meu irmão! Não

tarda que as nossas mãos se unam de novo! Não tarde que o sol se

levante também para ti e que as tuas lágrimas se acabem. Hás-de

viver, irmão!»

 

Os meus pensamentos, penetrando a noite escura, alcançavam

meu irmão; fechavam-lhe os olhos ardentes como uma mão subtil

e fresca. E então o sonho, com as imagens de tempos idos, envolvia

no seu manto caridoso, por umas curtas horas, meu pobre irmão.»

[Ilse Losa, Grades Brancas (poemas em prosa). 1951. Lisboa: Centro Bibliográfico – Cancioneiro Geral, pp. 23-25]

Manteve, sempre, intensa e arriscada participação cívica, sozinha ou com Arménio Losa, enfileirando, a partir dos anos 40, nos movimentos de oposição ao Estado Novo, nome com que a Ditadura se baptizou a partir de 1933, constando, em 1970, no grupo fundador da Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos (CNSPP).

[João Esteves]

segunda-feira, 15 de novembro de 2021

[2617.] JAIME AUGUSTO FRANÇA DE CARVALHO [I] || A MORTE QUANDO AGUARDAVA A CHEGADA DOS RESTOS MORTAIS DO PAI, MORTO NO TARRAFAL

 * JAIME AUGUSTO FRANÇA DE CARVALHO *

[1913 - 14/02/1978]

MORRER DE EMOÇÃO QUANDO AGUARDAVA A CHEGADA DOS RESTOS MORTAIS DO PAI, MORTO NO TARRAFAL

[Diário de Lisboa || 15/02/1978]

Jaime Augusto França de Carvalho nasceu em 1913, em Lisboa, filho de Hortense Magna França e de Albino António de Oliveira Carvalho, que passou mais de 40 anos a caminho das cadeias, sendo várias vezes preso durante a Monarquia, 1.ª República, Ditadura Militar e Estado Novo. 

Preso em 21 de Junho de 1931, "acusado de fazer parte do grupo revolucionário chefiado por José da Silva Tendeiro", Jaime Augusto França de Carvalho foi libertado em 29 de Junho do mesmo mês, por "não ter, neste caso, grandes responsabilidades" [Processo 4997-A]. 

Segundo o Diário de Lisboa de 15 de Fevereiro de 1978, trabalhou na Caixa Geral de Depósitos, de onde foi afastado por motivos políticos, e tornou-se delegado de propaganda médica, tendo sido preso por várias vezes. 

O mesmo jornal noticia o seu falecimento aos 64 anos de idade, em 14 de Fevereiro de 1978, quando aguardava, ansiosamente, o regresso dos restos mortais do pai, morto no Tarrafal em 22 de Outubro de 1941. 

O pai fora preso três vezes durante a Monarquia (1898, 1908, 1909), quatro vezes durante a 1.ª República (1917, 1918, 1920, 1920), uma vez durante a Ditadura Militar (1927) e deportado para África, de onde só regressou em 1934, sendo a última vez preso em 1937 e levado para o Tarrafal em 20 de Junho de 1939, Campo de Concentração onde faleceu em 22 de Outubro de 1941.

[Albino António de Oliveira de Carvalho || 25/05/1927 || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

Entre os 13 anos e os 56 anos de idade, conheceu esquadras, a Penitenciária de Lisboa, o Aljube, Peniche, Caxias e a deportação em Angola e no Tarrafal, sendo por isso, muita a ansiedade que Jaime Augusto França de Carvalho, que tão pouco pudera conviver com o pai, manifestava dias antes da trasladação dos restos mortais dos tarrafalistas para Portugal: "Não resistiu à emoção sentida pela aproximação da chegada ao solo pátrio dos restos mortais de seu pai, um dos 32 mortos no Tarrafal", tendo familiares e amigos notado "um estado de crescente nervosismo e inquietação" à medida que se aproximava a data do desembarque daqueles [Diário de Lisboa, 15/02/1978]. 

[Diário de Lisboa || 15/02/1978]

[João Esteves]

domingo, 14 de novembro de 2021

[2616.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [XCIII] || 1926 - 1933

* PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || XCIII *

00719. Humberto Augusto Homenio [1933]  

[Humberto Augusto Homenio || F. 10/07/1920 || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-1-NT-8902 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Lisboa, 1902, electricista - Lisboa. Solteiro. Filiação: Ana de Jesus Cunha e Diogo Augusto Homenio. Preso pela Polícia Civil de Lisboa em 08/07/1920, "por suspeita de ser conivente na morte do Dr. Pedro de Matos"; libertado. Preso pela Polícia de Segurança do Estado em 25/09/1920, "por se encontrar numa reunião do S. U. Metalúrgico, para a qual não havia autorização superior" (Processo 1105); libertado em 27/09/1920. Preso em 01/08/1933, "por suspeita de conspirar contra a actual Situação"; libertado em 08/08/1933 (v. Processo 759).]

00720. Jaime Augusto de Carvalho [1928]

[Jaime Augusto de Carvalho || F. 01/12/1928 || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Preso em 30/11/1928, "por ser agente de ligação entre o comité civil e militar para o movimento revolucionário em preparação"; libertado em 11/12/1928.]

00721. Jaime Augusto França de Carvalho [1931]

[Lisboa, 1913, funcionário público - Lisboa. Solteiro. Filiação: Hortense Magna França e Albino António de Oliveira Carvalho. Preso em 21/06/1931, "acusado de fazer parte do grupo revolucionário chefiado por José da Silva Tendeiro"; libertado em 29/06/1931, por "não ter, neste caso, grandes responsabilidades" (Processo 4997-A). Segundo o Diário de Lisboa de 15/02/1978, trabalhou na Caixa Geral de Depósitos, de onde foi afastado por motivos políticos, e tornou-se delegado de propaganda médica, tendo sido preso por várias vezes. O mesmo jornal noticia o seu falecimento aos 64 anos de idade, em 14/02/1978, quando aguardava, ansiosamente, o regresso dos restos mortais do pai, morto no Tarrafal em 22 de Outubro de 1941. O pai, Albino António de Oliveira de Carvalho, passou mais de 40 anos a caminho da cadeia, sendo várias vezes preso durante a Monarquia, 1.ª República, Ditadura Militar e Estado Novo. Começou em 1898, quando teria 13 anos, e só acabou em 1941, aos 56 anos de idade. Conheceu esquadras, a Penitenciária de Lisboa, o Aljube, Peniche e Caxias. Esteve deportado em Angola e faleceu no Campo de Concentração do Tarrafal, para onde fora enviado em 1939.]

00722. Francisco Rosa Salsinha [1928]

[Alcáçovas - Viana do Alentejo, c. 1881, corticeiro - Alcáçovas. Casado. Filiação: Maria Rosa Salsinha e António Rosa Pifre. Em Junho de 1901, quando tinha 20 anos e era quadrador de cortiça, solicitou passaporte para ir trabalhar para Cabinda. Preso em 11/01/1928, quando tinha 47 anos, "por suspeita de conspirar contra a Situação"; libertado em 13/01/1928.]

00723. Gemeniano Henriques Campos Silva [1927, 1929]

[Gemeniano Henriques Campos Silva || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Preso pela Polícia de Informações do Ministério do Interior em 03/02/1927, "por suspeita de imprimir um Suplemento contra o Governo"; libertado em 11/02/1927. Preso em 21/02/1929, "por suspeita de guardar material para bombas"; libertado em 20(?)/02/1929.]

[João Esteves]

[2615.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [XCII] || 1926 - 1933

 * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || XCII *

00710. Henrique Ferreira da Costa [1932]

[Henrique Ferreira da Costa ||  F. 02/07/1932 || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Lisboa, c. 1901, tipógrafo - Lisboa. Solteiro. Filiação: Albertina Ferreira de Sousa e Jorge da Costa Sousa. Solteiro. Residência: R. Senhora da Glória, 99 - Lisboa. Preso em 26/06/1932, por ser "elemento simpatizante da célula nº 16 do Comité de Zona nº 2, do Partido Comunista Português", ser "Secretário do Grupo de Defesa Sindical da Associação de Classe dos Compositores Tipográficos" e "Secretário Arquivista da Direcção da mesma Associação de Classe" (Processo 460). Levado, incomunicável, para uma esquadra; libertado do Aljube em 02/07/1932.]
[alterado em 19/12/2021]
[alterado em 23/12/2021]

00711. Henrique Fernandes [1929]

[Henrique Fernandes ||  F. 20/02/1929 || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Preso em 20/02/1929, "por bombista"; libertado em 02/05/1929.]

00712. Henrique Fernandes [1928, 1931]

[2.º Sargento de Caçadores 7. Preso em 20/07/1928, "por ter tomado parte no movimento revolucionário desse dia" e deportado, em 21/08/1928, "para o campo de concentração de Angola". Terá regressado ao Continente, vindo dos Açores, onde estava deportado, em 10/02/1931 e levado, "sob prisão", para o Aljube. Preso em 13/02/1931, por se dirigir "a esta Polícia em atitude pouco correcta"; libertado em 10/03/1931 (v. Processo 4797).]

00713. Henrique do Amaral [1928]

[Preso em 22/05/1928, "por incitamento à greve"; libertado em 23/05/1928.]

00714. Henrique Frazão [1928]

[Henrique Frazão ||  F. 08/09/1928 || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-1-NT-8902 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Preso em 07/09/1928, "por estar implicado nos acontecimentos de Beja, quando do movimento revolucionário de 20 de Julho"; libertado em 28/05/1929.]

00715. Herculano Gil da Silva [1928]

[Herculano Gil da Silva ||  F. 13/04/1928 || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Preso em 15/03/1928, "por ter ligações com indivíduos que constituem o complô de Algés"; libertado em 08/05/1928.]

00716. Hermínio Constantino de Almeida [1928]

[Hermínio Constantino de Almeida ||  ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Preso em 28/12/1928, "por dar reuniões políticas em sua casa"; libertado em 02/01/1929.]

00717Homero Virgílio de Azevedo Freitas Sampaio [1932, 1933]

[Homero Sampaio || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Batalha, 1908, empregado do comércio - Lisboa. Solteiro. Filiação: Maria Benedita Marcolino de Azevedo Sampaio e Álvaro Máximo de Sousa Freitas Sampaio. Filiado na Aliança Libertária de Lisboa, preso em 24/08/1932, quando se dirigia à sua Sede, na Travessa da Água da Flor, 16-1.º, para se encontrar com Manuel Joaquim de Sousa (1883-1944). Levado, incomunicável, para uma esquadra; libertado em 07/09/1932 (Processo 507/SPS). No mesmo dia foram presos Abílio Mendes de Almeida, António de Melo PimentaAntónio FranciscoCesário dos Santos NunesConstantino Moreira DiasFrancisco Cardoso PiresFrancisco Cunha VicenteJaime de Oliveira e CastroJoão Soares MirandaJosé Nunes de MeloManuel de Almeida Santos e Virgílio Pereira Marques. Segundo o Cadastro Político de Homero Sampaio, naquele local funcionavam, também, os Sindicatos do Mobiliário, dos Manufatores do Calçado e dos Operários do Município, para além da ilegalizada Confederação Geral do Trabalho. Preso em 09/11/1933, juntamente com José Francisco Moedas, «sob a acusação de manter ligações com indivíduos detentores de material explosivo, acusação essa que se não provou»; libertado dias depois, em 12/11/1933 [Processo 840]. Em 10/03/1934, aquando do julgamento no Tribunal Militar Especial do Processo 507/SPS, Homero Sampaio foi considerado abrangido pela amnistia de 05/12/1932.]
[alterado em 05/02/2022]

00718. Honorato Augusto Rodrigues [1929]

[Preso pela Polícia de Informações em 18/02/1929, "por fazer falsas declarações a esta Polícia"; libertado em 05/03/1929.]

[João Esteves]

[2614.] FLORA CARLOTA ALVES TAVARES MAGRO [II] || 1896 - 1980

* FLORA CARLOTA ALVES TAVARES MAGRO *

[18/11/1896 - 1980]

Eis um nome que não consta dos livros, mas cuja História simboliza o que muitas famílias sofreram por ousarem bater-se contra uma Ditadura que se ia prolongando no tempo, com a cumplicidade passiva de muitos.  

Juntamente com Herculana de Jesus da Costa Dias Carvalho e Maria da Conceição Rodrigues Pato, Flora Magro, já viúva, passou parte da vida a caminho das prisões políticas fascistas, onde estiveram, enquanto presos políticos, o filho José Alves Tavares Magro [1920-1980], a nora Aida de Freitas Loureiro Magro [1918-2011] e o genro Joaquim Pires Jorge [1907-1984], todos militantes ou dirigentes do Partido Comunista. 

[Flora Magro || Fotografia in Elas estiveram nas prisões do fascismo || URAP || 2021]

Flora Carlota Alves nasceu em 18 de Novembro de 1896, em Lisboa, e era casada com Francisco Félix Tavares Magro [1896-1946], natural de Arronches, estudante de Medicina entre 1915 e 1935, comerciante e maçon. 

Como refere Gina de Freitas na entrevista que lhe fez logo a seguir ao 25 de Abril de 1974 e publicada no Diário de Lisboa de de 18 de Dezembro, “é um exemplo de grande coragem, resistência física e moral” em defesa das condições prisionais dos familiares e tomou conta, juntamente com o filho João, das netas Manuela e Clara, filhas, respectivamente, de José e Aida Magro e de Maria Helena Magro e Pires Jorge

Então com 78 anos, declarou naquela entrevista que “durante 23 anos andei sempre a caminhar para as cadeias” e, entre 1951 e 1974, “só tive três meses de férias”, já que, alternadamente ou em simultâneo, chegaram a estar todos presos, à excepção da filha Helena, que entrou para a clandestinidade em 1945 e aí morreu em 1956, “no termo de uma gravidez muito difícil” [Margarida Tengarrinha, Quadros da Memória, Edições Avante!, 2004, p. 61], sem mais voltar a vê-la e só sabendo do triste desenlace três meses depois:

«Não a vi viva nem fui ao enterro. É uma mágoa que nunca mais me sairá [...]. Se ela tivesse sido presa ao menos vi-a. A Aida esteve presa seis anos, e eu ia visitá-la todas as semanas a Caxias. [...] Era o que também podia ter acontecido à minha filha. E só soube da morte passados três meses de ela ter falecido.»

 [Entrevista a Gina de Freitas]

[Os visitantes habituais das cadeias tinham um cartão || Diário de Lisboa || 18/12/1974]

Assistiu ao julgamento de José Magro em 1952, onde este se referiu às dificuldades económicas da família e à mãe, “precocemente envelhecida”, e deslocou-se constantemente à Rua António Maria Cardoso, sede da PIDE, onde a conheciam muito bem, ao Aljube, a Caxias e ao Forte de Peniche, já que o filho esteve 21 anos preso, a nora seis e o genro, quando o conheceu, dez. 

Faleceu em Agosto de 1980, apenas seis meses depois do filho, com 83 anos de idade.  

[João Esteves]

sábado, 13 de novembro de 2021

[2613.] MARIA DA CONCEIÇÃO RODRIGUES PATO [II] || 1900 -1984

* MARIA DA CONCEIÇÃO RODRIGUES PATO *

[27/10/1900 - 13/03/1984]

[Maria Pato || Fotografia in Elas estiveram nas prisões do fascismo || URAP || 2021]

Vinte e cinco anos a caminho das prisões fascistas

Maria da Conceição Rodrigues Pato nasceu em S. João dos Montes, Vila Franca de Xira, em 27 de Outubro de 1900, casou com João Floriano Baptista Pato [26/06/1895 - 14/12/1983] e era mãe de Carlos Alberto [21/12/1920 - 26/06/1950], Abel [n. 09702/1922], João e Octávio Floriano Rodrigues Pato  [01/04/1925 - 19/02/1999], “sogra” de Albina Fernandes [05/01/1929 - 02/10/1970] e avó de Álvaro Pato (n. 1950), todos militantes comunistas que passaram anos e anos presos, sofrendo  bárbaras torturas. 

Foi a mulher que mais tempo caminhou para as prisões fascistas para ver aqueles familiares, presos, em simultâneo ou de forma continuada, a partir da década de 40: segundo palavras do neto Álvaro, "percorreu milhares de quilómetros a andar de cadeia para cadeia"

Em 1974, em conversa com a jornalista Gina de Freitas, publicada em 25 de Setembro de 1974 no Diário de Lisboa, contou o que foram “30 anos de sofrimento”, entre Maio de 1949 e Abril desse ano, a partir do momento em que a PIDE prendeu o filho Carlos, morto em Caxias depois de barbaramente torturado com 130 horas de estátua e sem lhe prestarem assistência médica, apesar das insistências dos outros presos, tendo guardado “uns sapatos dele, todos rebentados devido a ter ficado muito inchado por causa das torturas” [A força ignorada das companheiras, p. 30]. 

Depois detiveram Abel, empregado bancário, no Aljube, entre 16/11/1953 e 12/02/1954, para ver se denunciava o irmão Octávio, na clandestinidade desde 1945; de seguida, em 1961, calhou a vez a este e a Albina Fernandes, sua companheira, serem detidos com os dois filhos pequenos em Caxias; e, por último, em 1973, foi o neto Álvaro, preso em 25 de Maio, sendo libertado de Caxias em 27 de Abril de 1974. 

[Elas estiveram nas prisões do fascismo || URAP || 2021]
[Na capa, fotografia prisional de Albina Fernandes que recusou ser separada do filho Rui, então com apenas dois anos]

Como confessou a Gina de Freitas, "a minha vida foi um pesadelo", sendo "uma das grandes vítimas do monstruoso regime que durante 48 anos amordaçou e apavorou tanta e tanta gente do nosso país" [Gina de Freitas].

Faleceu em 13 de Março de 1984.

[João Esteves]

[2612.] FORTALEZA DE PENICHE || JULHO DE 2021

 * PENICHE || 2021 *



[Peniche || Setembro de 2021]

sexta-feira, 12 de novembro de 2021

[2611.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [XCI] || 1926 - 1933

* PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || XCI *

00704. Francisco Lopes [1928]

[Preso em 21/07/1928, "por ter tomado parte no movimento revolucionário de 20"; libertado em 03/08/1928.]

00705. Francisco Pascoal Júnior [1928]

[Francisco Pascoal Júnior ||  F. 19/03/1917 || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Lisboa, fundidor - Barreiro. Solteiro. Filiação: Maria Joana. Terá sido preso pela 1.ª vez em 1917, já que a fotografia que consta dos Livros de Cadastrados data de 19/03/1917. Novamente preso durante a 1.ª República, em 06/10/1923, "por agressão e incitar à greve". Preso em 02/11/1928, "por ter tomado parte, no Barreiro, do movimento de 20 de Julho"; libertado em 24/12/1928.]

00706. Francisco Pereira Duarte [1932]

[Francisco Pereira Duarte ||  F. 16/07/1932 || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Unhais da Serra - Covilhã, c. 1898, empregado da Carris. Solteiro. Filiação: Carolina Rodrigues, José Pereira Duarte. Residência: Estrada do Penedo, 20-A. Preso em 01/07/1932, "sob a acusação de manter ligações revolucionárias com Custódio Rodrigues Ferreira e ainda por lhe ter sido apreendido, em sua casa, vários livros e jornais de carácter avançado" (v. Processo 458); libertado em 16/07/1932.]
[alterado em 28/12/2021]

00707. Francisco Rodrigues de Freitas [1928]

[Francisco Rodrigues de Freitas ||  F. 08/09/1928 || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Preso em 07/08/1928, "por estar implicado nos acontecimentos de Beja, quando do movimento revolucionário de 20 de Julho"; libertado em 04/10/1928.]

00708. Gregorio Gil Font [1927]

[Espanha, c. 1863 (64 anos), industrial - Lisboa. Casado. Filiação: Antonia Gil Font e Francisco Gil. Preso em 25/11/1927, "por manter relações com políticos portugueses emigrados"; libertado em 08/12/1927].

00709. Heitor Rodrigues [1929, 1929, 1931, 1936]

[Heitor Rodrigues || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Lisboa, 13/02/1899, funcionário público / comerciante - Lisboa. Casado. Filiação: Joaquina Rodrigues Barbeitos e Armando Porfírio Rodrigues. Vigiado durante os primeiros meses de 1929, por ser "um grande aliciador de soldados", ter tido "uma ação importantíssima no movimento revolucionário de 7 de Fevereiro", fazer parte "de um grupo revolucionário da Ajuda" e manter contactos, entre outros, com o capitão Chaves e o tenente Sousa Rosa. Preso em 19/03/1929, "por conspirar contra a situação"; libertado em 28/05/1929 (Processo 4330). Continuou a ser vigiado através de informadores, sendo preso em 09/09/1929, "por conspirar contra a Ditadura Militar"; libertado em 02/11/1929 (Processo 4408). Preso em 16/10/1931, "por suspeita de ter tomado parte no movimento revolucionário de 26 de Agosto, tendo andado armado e com chapéu de ferro" e mantendo ligações com o ex-sargento Raul Ciríaco da Cunha. Participou no assalto ao Batalhão de Metralhadoras 1 e manteve, sob prisão, alguns dos seus oficiais. Evadiu-se, no dia 04/04/1932, da Cadeia do Aljube, juntamente com Emídio Guerreiro, Filipe José da Costa (pintor), José dos Santos Rocha (estudante / 2.º Sargento do Batalhão de Metralhadoras N.º 1), José Severo dos Santos (2.º Sargento da Armada) e Manuel Sanches Dias (empregado bancário)tendo sido morto o guarda António Lopes (v. Processo 139).

[Diário de Lisboa || 04/04/1932]

Refugiou-se em Espanha, tendo, em Setembro de 1935, solicitado ao Cônsul de Portugal em Málaga, cidade onde viveria há 22 meses como exilado político, passaporte para regressar ao país, já que em Janeiro de 1933 fora absolvido pelo Tribunal de 1.ª Instância (Boa-Hora), sentença confirmada pelo Tribunal da Relação. A PVDE deu indicação para que se entregasse à Polícia na fronteira, já que se tratava de um fugitivo das prisões, não cedendo às diligências do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

[Heitor Rodrigues || ANTT || RGP/4897 || PT-TT-PIDE-E-010-25-4897]

Preso e entregue à Secção Política e Social da PVDE em 16/10/1936, por ter sido expulso de Espanha, negou o envolvimento na morte do guarda da Cadeia (Processo 2048, 1552/36). Levado para a 1.ª Esquadra, seguiu para o Aljube em 18/11/1936 e foi transferido para Peniche em 27/11/1936; em 01/08/1937, regressou ao Aljube, sendo novamente transferido para Peniche em 13/12/1937. Embora tenha sido despronunciado pelo Tribunal Militar Especial em 25/01/1937, manteve-se, por decisão superior, em prisão preventiva à ordem da PVDE. Saiu em liberdade condicional em 28/05/1939, mais de dois anos após ter sido despronunciado em tribunal. Na sua Biografia Prisional que consta do RGP/4897, está anotado a lápis "Terminou a pena imposta pelo TME em 25-01-37, continuando em prisão preventiva. Foi pedida condenação a S.P.S."]

[João Esteves]

quarta-feira, 10 de novembro de 2021

[2610.] PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO [XC] || 1926 - 1933

 * PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || XC *

00701. Manuel Amoedo dos Santos [1932, 1936]

[Manuel Amoedo dos Santos ||  F. 09/06/1932 || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Lisboa, 11/10/1904, Serviços da D. G. C. F. - Lisboa. Filiação: Inês dos Santos e José Amoedo Couto. Preso em 27/05/1932 e levado para o Aljube, por integrar um grupo "que se propunha lançar bombas explosivas no Rossio, no dia 1.º de Maio", composto por Américo Pereira Barbosa e Mário César da Costa Neto, entre outros (v. Processo 393); libertado em 10/06/1932. 

[Manuel Amoedo dos Santos || ANTT || RGP/3024 || PT-TT-PIDE-E-010-16-3024]

Preso em 27/04/1936, quando era empregado dos Caminhos-de-Ferro Portugueses, sob a acusação de ser comunista: levado para uma Esquadra, seguiu para Peniche em 28/07/1936. Transferido, em 23/06/1937, para a 1.ª Esquadra e, no dia seguinte, para o Aljube. Julgado pelo TME em 23/06/1937 e condenado a 24 meses de prisão. Permaneceu na enfermaria do Aljube entre 29/06/1937 e 19/05/1938, quando foi libertado (Processo 696/36).]

00702. Manuel António Rita [1928]

[Manuel António Rita ||  F. 30/12/1928 || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Loulé, 1890, industrial - Olhão. Filiação: Joaquina da Conceição e Manuel António Rita. Republicano, em 1925 foi um dos dissidentes do Partido Democrático em Olhão, juntando-se "à recém-criada Esquerda Democrática, liderada por Manuel Pedro Guerreiro, no Algarve" (Idalécio SoaresVítimas da Ditadura no Algarve. Três casos, três histórias subtraídas ao esquecimento, Sul, Sol, Sal, 2017, p. 49). Preso em 26/12/1928, "por estar implicado no caso das bombas de Moncarapacho" (explosão de 17/02/1928); libertado em 17/05/1929. Em 08/05/1947, a PIDE solicitou ao Arquivo o seu Cadastro Político. Segundo a investigação de Idalécio Soares, no livro citado, Manuel António Rita tinha uma oficina de fundição em Olhão, nas imediações da Rua Almirante Reis, onde terão sido encontrados materiais para o fabrico de bombas idênticos aos utilizados na explosão de Moncarapacho, em 17 de Fevereiro de 1928, vitimando Américo Vilar e António Calhabotas, dois anarcossindicalistas idos do Barreiro que se encontravam a prepará-las num pardieiro. Manuel António Rita manteve-se sempre em contacto com aqueles dois, quer no dia 9 de Fevereiro de 1928, quando as duas vítimas se deslocaram, pela primeira vez a Olhão, quer no dia 16, quando regressaram, e no dia 17, quando lhes levou a Moncarapacho, acompanhado de Manuel Henriques Cruz e de Custódio Pereira Neto, "buchas de ferro, pinhas para as bombas e comida" (p. 29). Para escapar à prisão, devido ao impacto local e nacional que a explosão acidental das bombas em Moncarapacho provocara, envolvendo a morte dos dois executantes, Manuel António Rita refugiou-se temporariamente em Espanha: atravessou a fronteira em Mourão, regressou pouco tempo depois, ficando a trabalhar nos arredores de Beja, e seria preso quando se preparava para passar o Natal com a família em Olhão (Processo 4187/PSE). "Ironia das ironias", como refere Idalécio Soares, "o filho, como ele também de nome Manuel Rita, e que, quando mais jovem, integrou o MUD Juvenil em Olhão, casaria, em 1957, em Lisboa, no Palácio de S. Bento, residência oficial do Presidente do Conselho (já depois da morte do pai), com Maria da Conceição Melo (Rita), a rapariga desde os seis anos apadrinhada por Salazar e sob o amparo do qual vivera até ao enlace matrimonial." (p. 49)]

00703. Manuel Robalo Elvas [1927

[Manuel Robalo Neves ||  F. 19/11/1927 || ANTT || PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]

[Penamacor, 1884, funcionário público - Lisboa. Filiação: Maria Lopes Gonçalves e Manuel Robalo Elvas. Casado. Terá participado em diversos episódios durante a 1.ª República, nomeadamente na Revolução de 14 de Maio de 1915, durante a qual terá morto um polícia e sido condenado a 25 anos, sendo libertado da Penitenciária pelos companheiros: era, então, Guarda Fiscal. Segundo o Cadastro Político da Polícia Internacional Portuguesa, esteve, também, envolvido nos acontecimentos de 19 de Outubro de 1921 (Noite Sangrenta), durante os quais foram assassinados António Granjo, então presidente demissionário do Ministério, Machado Santos, José Carlos da Maia, o comandante Freitas da Silva e o coronel Botelho de Vasconcelos. Preso em 15/11/1927, "por ter tomado parte no movimento revolucionário de 7 de Fevereiro, sendo um elemento perigoso não só por professar ideias avançadas mas pelos maus instintos que revelou no 14 de Maio", e deportado para Timor em 22/11/1927 (Processo 3370). Apresentou-se, em 20/10/1930, no Quartel-General do Governo Militar da Madeira e, talvez por ter participado na Revolta de 1931, seguiu para Cabo Verde, onde permaneceu até falecer em Novembro de 1942 (PT/TT/MI-DGAPC/E/3/225/59), por não ter sido abrangido pela amnistia de 05/12/1932. Em Fevereiro de 1937, foram apresentados à SPS da PVDE dois atestados do Administrador do concelho da Ilha de S. Nicolau, abonando a favor do regresso de Manuel Robalo Elvas ao Continente, mas tal não foi autorizado em 06/04/1937, "por ser um elemento perigoso". A situação deste preso e deportado político até falecer terá, sobretudo, a ver com a sua participação na Revolução de 14/05/1915, já que na altura não manifestava, "por qualquer forma, ideias avançadas".] 

[João Esteves]

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

[2609.] VICTOR DE SÁ [XI] || REGRESSAR PARA QUÊ?

 * NO CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE VICTOR DE SÁ *

[19/10/1921 - 31/12/2003] 

Regressar para quê?

Editado pelas Publicações Dom Quixote em 1970, 14 meses depois do regresso de Victor de Sá de Paris, onde permanecera cinco anos e quatro meses para investigar e defender na Sorbonne a sua tese de doutoramento, sendo, com Miriam Halpern Pereira, um dos dois primeiros portugueses a fazê-lo na área de História Contemporânea.

[Victor de Sá || Regressar para quê? || Publicações Dom Quixote || 1970]

Livro apreendido pela PIDE/DGS, contém o Relatório Final sobre um estágio no estrangeiro, datado de 12 de Janeiro de 1969 e apresentado à FCG; um conjunto de entrevistas dadas em 1969; um inovador Plano de Actividades para um Centro de Investigação Histórica, em vão apresentado à Fundação Calouste Gulbenkian; e, ainda, um extracto do discurso proferido em Braga em 2 de Outubro de 1969, durante a abertura da campanha eleitoral, de cuja lista distrital da Oposição Democrática tinha sido excluído por decisão do governador civil Santos Cunha.

César Príncipe (Jornal de Notícias, 22/05/1969), Custódio Arroja, da Associação Académica de Coimbra (16/07/1969), José Viale Moutinho (Julho de 1969) e José de Azevedo (Vida Mundial, 17/10/1969) conduziram as quatro entrevistas aqui reunidas.

Regressar para quê? "É um grito de consciência de quem, apesar de tudo, podia dar-se ao luxo de viver exclusivamente as comodidades da sua existência individual. Mas ser homem é antes de mais ter consciência. Consciência de si, dos outros, da realidade natural e social que nos envolve. E ser solidário. E ter a humana aspiração do progresso, do bem-estar e da felicidade. Individual e colectiva." (p. 13)

[João Esteves]