* PRESOS POR MOTIVOS POLÍTICOS: DA DITADURA MILITAR AO INÍCIO DO ESTADO NOVO || XI *
00070. Adolfo Teixeira Pais [1933, 1935, 1936, 1952]
[Adolfo Teixeira Pais || ANTT || RGP/896 || PT-TT-PIDE-E-010-5-896_m0197]
[Adolfo Teixeira Pais.
"O Cantador de Fado" ou "O Diabo". Lisboa, 7 de julho de 1912. Empregado de comércio. Filiação: Ana Joaquina Teixeira e de Germano Pais. Solteiro. Residência: rua Possidónio Silva, 108 - Lisboa. Militante das Juventudes Comunistas, integrou a Célula 46 e, depois, a 47 do Comité de Zona 4, onde desempenharia as funções de Secretário da Comissão de Organização, composta, entre outros, por Manuel dos Santos, "O Manuel da Fonte Santa", e Virgínio de Jesus Luís. Também assistia às reuniões do Comité Regional, juntamente com os delegados das restantes zonas. Integrou o grupo que, em 20 de janeiro de 1933, distribuiu manifestos clandestinos à porta das Oficinas Gerais da CML, na Rua 24 de Julho, entregues por Virgínio de Jesus Luís, enquanto Manuel dos Santos discursava no comício relâmpago então efetuado. Finda a reunião do Comité de Zona 4 realizada em 24 de janeiro de 1933, os intervenientes foram abordados na rua por dois guardas da PSP, tendo, na sequência de um tiro e do ferimento de um dos agentes, Adolfo Teixeira Pais fugido com Manuel dos Santos. Preso pela PSP em 26 de fevereiro de 1933, levado para o Governo Civil e entregue à Polícia de Defesa Política e Social. Subscreveu a Carta Aberta impressa, datada de 30 de março de 1933, em resposta a uma visita do ministro do Interior (Albino Soares Pinto dos Reis Júnior) ao Aljube e à respectiva nota oficiosa publicada nos jornais, através da qual 56 dos 75 presos esclarecem e denunciam as torturas sofridas, sendo que «foram espancados 49, e alguns duma maneira bastante selvagem». Considerado «elemento bastante ativo e perigoso», foi julgado pelo Tribunal Militar Especial em 2 de março de 1934 e condenado a 600 dias de prisão. Libertado em 21 de dezembro de 1934, voltou a ser preso em abril de 1935, quando era soldado. Cumprindo ordens do ministro da Guerra, o Regimento de Artilharia de Costa 1 - Trafaria entregou, em 24 de abril, o soldado à PVDE. Levado para a 1.ª esquadra, foi transferido para Peniche em 16 de maio, «em virtude de ter sido um dos principais autores duma insubordinação levada a efeito no calabouço N.° 6 do Governo Civil». Licenciado da tropa em 21 de junho, voltou para os calabouços do Governo Civil em 12 de julho e foi libertado em 22 do mesmo mês. Voltou a ser preso em 19 de fevereiro de 1936, «enquanto comunista», pela Secção Política e Social da PVDE. Permaneceu numa esquadra até ser levado, em 15 de abril, para Peniche e, em 14 de outubro, já estava em Caxias, antecâmara da deportação para o Campo de Concentração do Tarrafal, onde ficou 9 anos. Abrangido pela amnistia de 18 de outubro de 1945, regressou a Lisboa em 1 de Fevereiro de 1946, saiu em liberdade e foi viver para a Rua Convento da Encarnação 43. Referenciado como eletricista, foi preso pela última vez em 18 de agosto de 1952, «por emigração clandestina». Recolheu à Cadeia de Castelo de Vide, sendo julgado pelo Tribunal daquela Comarca. Fixou-se em França e aderiu ao Partido Socialista depois do 25 de Abril de 1974. Faleceu em 30 de setembro de 1979. Augusto Duarte recolheu as suas memórias em Vida e obra de António de Oliveira SALAZAR / Adolfo Teixeira Pais BRIGADA BRAVA. Trata-se de uma edição de autor muito pouco conhecida e divulgada.]
[alterado em 04/03/2026]
00071. Adriano Correia da Silva [1933, 1935]
[Adriano Correia da Silva || ANTT || RGP/1145 || PT-TT-PIDE-E-010-6-1145]
[Adriano Correia da Silva.
Lisboa, 09/02/1911. Empregado de escritório. Filiação: Rosa da Conceição Machado Silva, João Correia da Silva. Solteiro. Residência: Calçada do Cascão, 18 - Lisboa / Rua Rui Barbosa, 32 - Lisboa. Preso em 11/04/1933, por pertencer às Juventudes Comunistas, onde era o filiado 170, integrava a célula 17, da qual era Secretário, e era "elemento bastante ativo". Mantinha contactos com Fernando Carvalho da Cruz. Por indicação do médico do Aljube, passou, em 10/11/1933, para a enfermaria da Cadeia do Limoeiro. Regressou ao Aljube em 05/12/1933. Transferido, em 08/04/1934, do Aljube para Peniche. Transferido, em 14/02/1934, de Peniche para Lisboa. O seu processo foi enviado para o TME em 19/06/1933, sendo julgado em 22/02/1934: atendendo a parte das acusações serem anteriores a 05/12/1932, ao período de prisão preventiva e ser menor de idade, foi condenado na pena de mil escudos de multa, a qual, não sendo paga, se convertia em 50 dias de prisão. Libertado de Peniche em 21/04/1934, por ter terminado a pena imposta pelo TME. Preso pela PSP de Lisboa em 29/05/1935, "por suspeita de ter proferido vivas subversivos no cemitério da Ajuda, seguiu para a 1.ª esquadra. Libertado em 04 ou 05/06/1935.]
[alterado em 13/04/2024]
[alterado em 18/05/2024]
[alterado em 23/04/2025]
00072. Adriano dos Reis [1919, 1920, 1933]
[Lisboa, 2 de fevereiro de 1897. Serralheiro ou publicista. Filiação: Guilhermina Reis, António dos Reis. Casado. Residência: Azinhaga de Santa Luzia, Vila Peixeiro, Letra J – Lisboa. Preso duas vezes durante a 1.ª República: em 23 de setembro de 1919, por «dar vivas à revolução social, cantar a Internacional» e proferir «insultos aos senhores oficiais e aos guardas da Polícia de Segurança Pública de Lisboa»; em 22 de junho de 1920, «por estar implicado no atentado da Rua Augusta, como bombista». Preso pela PSP de Lisboa 13 de março de 1933 e entregue à Polícia de Defesa Política e Social no dia 15, acusado de comunista. Libertado em 27 de março.]
[alterado em 05/03/2026]
00073. Adriano dos Santos [1930, 1933]
[Lamego, 1900. Continuo do Ministério da Guerra. Filiação: Casimira da Silva. Solteiro. Residência: Beco do Castelo, 8 - Lisboa. Preso em 23 de março de 1930. por ordem superior, e libertado no mesmo dia. Preso em 1 de junho de 1933, para averiguações, e libertado no dia 2.]
[alterado em 05/03/2026]
00074. Adriano Gonçalves Onofre [1931]
[Adriano Gonçalves Onofre.
Alferes do S.A.M. Por ter participado na revolta militar de 26/08/1931, foi deportado para Timor em 02/09/1931, tendo embarcado no vapor "Pedro Gomes". Abrangido pela amnistia de 05/12/1932, regressou e apresentou-se na Polícia de Defesa Política e Social em 09/06/1933. Foi residir para Albergaria-a-Velha, Angeja.]
[alterado em 03/12/2024]
00075. Adriano José Leite de Vasconcelos [1927, 1932]
[Adriano José Leite de Vasconcelos.
Arcos de Valdevez, 1911. 2.º Sargento - Infantaria 8. Filiação: Albertina da Cunha Vasconcelos, Teodomiro Leite de Vasconcelos. Solteiro. Preso no Porto em fevereiro de 1927, por ter participado no movimento revolucionário, e deportado. Reintegrado no Exército, voltou a ser preso em 26 de abril de 1932, acusado de de integrar, juntamente com Firmino Ribeiro Lima, o grupo que pretendia assaltar a esquadra de Alcântara e libertar os presos que lá se encontravam. Por despacho do ministro do interior, datado de 22 de junho, foi-lhe aplicado a pena de três meses de prisão. Entregue às autoridades militares em 4 de julho.]
[alterado em 04/03/2026]
00076. Adriano Matos Fragoso [1927, 1927]
[Adriano Matos Fragoso || ANTT || -ca-PT-TT-PVDE-Polícias-Anteriores-3-NT-8903 || "Imagem cedida pelo ANTT"]
[Adriano Matos Fragoso.
Torres Novas, c, 1887. Comerciante. Preso durante a 1.ª República (14/05/1924). Pode ter sido tenente. Preso em 11/02/1927, acusado de ter tomado parte no movimento revolucionário de fevereiro de 1927 e enviado à Comissão de Inquérito em 21/02/1927. Preso em 18/09/1927, "por conspirar ativamente colaborando na organização dum movimento revolucionário, tendo ligações com Malva do Vale". Foi-lhe fixada residência em Angola, para onde embarcou em 20/09/1927, a bordo do vapor "Zaire", com muitos outros deportados. O governo local enviou-o para Sá da Bandeira - Huíla.]
[alterado em 19/06/2025]
00077. Adriano Marques ou Adriano Matos [1925, 1931, 1933]
["O Padre Matos". Lisboa, 1906. Trabalhador. Filiação: Maria da Conceição, Rafael Marques. Solteiro. Residência: Telheiras de Cima, 1. Preso em 14 de maio de 1925, por arremessar clorato de potássio, e libertado a 19. Preso em 26 de agosto de 1931, por participar armado no movimento revolucionário desse dia: fez parte do grupo que se entrincheirou na Quinta dos Engraxados, em Telheiras de Cima, para fazer frente às tropas fiéis ao Governo. Deportado para Timor em 2 de setembro de 1931, regressou por indicação da Junta de Saúde daquele território e apresentou-se em 22 de outubro de 1932. Preso pela PSP em 29 de abril de 1933, acusado de proferir insultos contra a polícia política, e entregue à Seção Política e Social em 1 de maio. Libertado em 2 de junho.]
[alterado em 05/03/2026]
[João Esteves]



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